Preocupa-me o comportamento de muitos jovens e adolescentes neste tempo que vivemos. O individualismo, o egoísmo, o imediatismo, o consumismo e uma busca pelo sucesso a qualquer preço me traz uma sensação de medo e uma dor desconhecida.
Tenho conhecimento de muitos casos de adolescentes e jovens que não se preocupam em conhecer a sua história ou da humanidade, nem se preocupam com o futuro e nem demonstram querer transformar o presente. Não gostam de conversar, discutir ou falar sobre os assuntos que não sejam relacinados ao seu tempo.
As escolas que deveriam servir como pólo orientador da importância da história da humanidade, formam jovens única e exclusivamente voltados para atender os interesses do sistema, especialmente do mercado. As escolas educam jovens alienados em determinadas áreas, sem uma visão global de sociedade, nem de mundo. Repassam conhecimentos específicos e limitados. Conhecimentos transversais que passam a impressão de conhecimentos gerais. Termina formando jovens pedantes e arrogantes, com uma visão equivocada, imediatista e estreita.
Os valores predominantes são a ascensão social e econômica, buscando para isso atender os interesses do capital. São formados jovens com comportamento altamento individualista e egoísta. Vários instrumentos são utilizados para que a juventude reproduza esses valores, indo desde às religiões aos jogos eletrônicos. A internet, inportante instrumento do mundo moderno, deixa seus usuários cada vez mais voltados para si. Essas pessoas vivem um mundo virtual, deixando de lado a relação presencial com amigos, colegas e familiares. Muitos nem mesmo se interessam mais em viver as relações reais, trocam esta pela ilusão, pelo virtual. Prevalece o interesse pela satisfação imediata, instantânea.
Isso tudo faz aprofundar os valores do individualismo. Os interesses coletivos, sejam familiares ou de uma comunidade são deixados de lado. Vale apenas aquilo que interessa ao usuário, aos interesses do indivíduo. Muitos passam a viver única e exclusivamente apenas para si, como se o mundo fosse apenas seu. O que importa são seus interesses e projetos individuais. Os seus amigos, familiares, colegas e os demais habitantes do planeta nunca são levados em consideração. Junta-se a isso o hedonismo do presente, que se sustenta na busca pelo poder, alcançado, segundo os valores atuais, com o acesso a riqueza. Assim se terá felicidade, podendo comprar o que se desejar, especialmente aquilo que é de marca e propagado pela mídia.
Para se chegar a essa realidade tem que ser rápido. O tempo é o mesmo da internet. Assim é a alimentação, são os relacionamentos, são os projetos, são os sonhos. A influência da mídia é poderosa. Até crianças passam a escolher a marca que desejam usar. Jovens vivem com essa finalidade. Tudo é muito rápido e superficial. Principalmente as relações, das familiares às exteriores existentes na sociedade.
Imaginar que esses adolescentes e jovens serão os dirigentes do Estado e do mundo amanhã deixa-me com medo. Se a realidade atual mostra a existência de dois terços da população do planeta passando necessidades, o que ocorrerá amanhã, quando o mundo será dirigido pelos adolescentes de hoje, os quais são imediatista e individualistas? Isto me assusta. Ao mesmo tempo me deixa com dor de estômago diante da impotência em nada pode fazer.
Assim mesmo continuo acreditando que é possível semear valores e comportamentos, onde a solidariedade e o respeito à vida e aos outros, especialmente aos mais velhos prevalesça. Os mais velhos ainda poderão ensinar um mundo onde a fraternidade, a curiosidade, a ousadia e a busca da justiça determine os passos, contrapondo-se ao desespero pela ascensão econômica desejada por esses jovens.
É preciso uma ação coletiva para resgatar a esperança e a busca pela descoberta das lutas por um mundo mais justo e fraterno aos mais novos, sob pena de cada vez mais aumentar o fosse entre os poderosos e a maioria da população planetária. Não vamos perder tempo. Ainda é possível agir.
PS. Felizmente minhas filhas, Marlua e Mariana, não se enquadram no retrato de jovens e adolecentes apresentado acima.
Tempo de inspirar atos de dignidade e indignação, provocar suspiros em mentes descrentes na vida. Tempo de recordar a resistência. Tempo de caminhar de mãos dadas... (pcbatis@gmail.com)
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Memória - Rosa Luxemburgo

(Ernesto Germano – janeiro/2008)
Final de tarde em Berlim. A data é 15 de janeiro de 1919 e a Alemanha havia sido derrotada em uma guerra contra a qual uma voz feminina de coragem inigualável havia se levantado. Anos antes de iniciada a guerra, Rosa Luxemburgo havia denunciado seus prenúncios e alertado os trabalhadores para o risco de uma guerra imperialista como a que se aproximava. Com Lenin, Rosa dirigiu-se à Internacional pedindo que cada um dos membros, em seus países, lutassem contra a guerra. E foi traída por alguns dos seus próprios companheiros que, sob o falso manto do nacionalismo, acabaram apoiando a aventura dos grandes capitalistas da época.
Rosa, “a vermelha”. Rosa, a voz do socialismo alemão mais conseqüente, lutadora ao lado do operariado. Mais que isto, Rosa precursora das lutas feministas e antimilitaristas, a Rosa que odiava todas as guerras e as denunciava como manobras do imperialismo mundial.
Terminada a guerra, Rosa dirige-se aos poderosos cobrando as vidas perdidas e os prejuízos à sociedade. E não vacila em apoiar o levante dos operários de Berlim, estando à frente das mobilizações. E, quando a polícia e as tropas alemãs se voltam contra os trabalhadores, sufocando o levante, Rosa volta com sua palavra certeira: “A ordem reina em Berlim! Ah! Estúpidos e insensatos verdugos! Não vês que vossa ordem está erigida sobre areia?”
Era demais! O panfleto intitulado “A ordem reina em Berlim”, datado de 14 de janeiro, foi seu último escrito(2). Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, seu grande companheiro de lutas no seio do movimento e dentro do partido, são presos e conduzidos ao Hotel Eden, no centro de Berlim. Soldados da recém criada “tropa de assalto” ficam responsáveis pela “guarda” dos dois revolucionários que deveriam ser conduzidos à prisão onde aguardariam julgamento.
Mas manter vivos dois lutadores do povo, dois líderes do movimento, e ainda permitir que se defendessem publicamente era muito arriscado. Na noite do dia 15 de janeiro, no saguão do hotel, uma mulher de 48 anos apenas, apesar dos cabelos já bem grisalhos, é conduzida aos empurrões e tapas pelos soldados em direção à carruagem que supostamente a levariam para a prisão. Karl Liebknech já havia sido espancado pelos soldados, à vista de todos, e Rosa recebe uma coronhada no rosto antes de ser jogada dentro do veículo.
Mas os dois lutadores não chegaram à prisão. Karl é fuzilado e jogado para fora da carruagem em movimento. Pouco depois, sobre uma ponte de um canal, a carruagem faz uma parada e soldados lançam um corpo às águas. O soldado Otto Runge, seguindo ordens do tenente Vogel, assassina Rosa Luxemburgo à coronhada, esmagando-lhe o crânio.
Como era início do inverno, Rosa Luxemburgo só foi encontrada meses depois, durante o degelo. O tenente Vogel e o soldado são “anistiados” no dia 10 de janeiro de 1921.
(fonte: Boletim NPC, de 15 a 31 de janeiro 2008)
segunda-feira, dezembro 17, 2007
domingo, dezembro 16, 2007
SOLIDARIEDADE E LUTA
Transformar a própria vida em uma trincheira na defesa dos interesses dos pobres simboliza o compromisso, a solidariedade e a verdadeira entrega na defesa dos que mais necessitam.
A atitude de D. Cappio mostra a indignação diante da injustiça praticada pelo governo a serviço dos poderosos, grandes proprietários rurais, usando em vão o nome dos necessitados. Pratica (re)conhecida na região e em nosso país.
Dom Cappio ousa defender a vida do rio por crêr que a sua vida pode ser semente de sonhos e esperanças na resistência e defesa da vida, não somente para o rio, mas para todos os necessitados de pão, teto, água e trabalho.
Dom Cappio ousa com seu ato animar a esperança e o compromisso dos que não se calam diante das injustiças e os atos praticados contra os que necessitam de uma vida melhor.
A vida de Dom Cappio é a vida do Rio São Francisco que alimenta a terra para dar o alimento ao povo da região. A vida de Dom Cappio está alimentanto a resistência em defesa da vida.
Os que tentam acusá-lo de intransigente serão os responsáveis pela corrente que se fortalece em defesa da luta em solidariedade ao povo do sertão e a luta que Dom Cappio simboliza. Uma luta de todos aqueles que ainda se indignam com as injustiças existentes.
Dom Cappio ousa entregar sua vida na defesa da vida, com dignidade, aos que mais necessitam.
Vida longa a Dom Cappio.
Vida longa ao Rio São Francisco.
Pedro César Batista
A atitude de D. Cappio mostra a indignação diante da injustiça praticada pelo governo a serviço dos poderosos, grandes proprietários rurais, usando em vão o nome dos necessitados. Pratica (re)conhecida na região e em nosso país.
Dom Cappio ousa defender a vida do rio por crêr que a sua vida pode ser semente de sonhos e esperanças na resistência e defesa da vida, não somente para o rio, mas para todos os necessitados de pão, teto, água e trabalho.
Dom Cappio ousa com seu ato animar a esperança e o compromisso dos que não se calam diante das injustiças e os atos praticados contra os que necessitam de uma vida melhor.
A vida de Dom Cappio é a vida do Rio São Francisco que alimenta a terra para dar o alimento ao povo da região. A vida de Dom Cappio está alimentanto a resistência em defesa da vida.
Os que tentam acusá-lo de intransigente serão os responsáveis pela corrente que se fortalece em defesa da luta em solidariedade ao povo do sertão e a luta que Dom Cappio simboliza. Uma luta de todos aqueles que ainda se indignam com as injustiças existentes.
Dom Cappio ousa entregar sua vida na defesa da vida, com dignidade, aos que mais necessitam.
Vida longa a Dom Cappio.
Vida longa ao Rio São Francisco.
Pedro César Batista
quinta-feira, dezembro 06, 2007
19 anos sem João Batista

João Carlos Batista na adolescência.
Em 6 de dezembro de 1988, 20h30, entra no ar uma edição jornalística extra na TV Liberal, Belém, Pará:" Acaba de dar entrada no Hospital dos Servidores Públicos do Estado do Pará o deputado João Carlos Batista já sem vida. Recebeu dois tiros fatais de um pistoleiro, ao chegar em sua residência na Av. Gentil Bitencourt. Seu corpo será velado na capela do hospital. O pistoleiro conseguiu fugir."
Nesse dia João Batista havia denunciado, mais uma vez, da Tribuna do Assembléia Legislativa uma nova ameaça de morte que havia sofrido. Como das vezes passadas, alguns parlamentares fizeram chacota.
Aos 36 anos de idade tiraram a vida do advogado de trabalhadores rurais e urbanos. O militante da luta do povo que mobilizou milhares de trabalhadores no Pará na luta pela Reforma Agrária. Exerceu o mandato de deputado estadual no Pará por 17 meses, período que confirmou seus compromissos com a luta em defesa da Reforma Agrária e do socialismo.
Antes de ser assassinado sofreu três atentados. No primeiro, Nestor, seu (meu) pai, recebeu o tiro. No segundo, ele e mais dois companheiros, Ezequias e Nilton, ficaram muito feridos. Batista passou vários dias na UTI. No terceiro, os pistoleiros invadiram uma manifestação com mais de cinco mil pessoas, no Dia do Trabalho, em Paragominas - PA, e balearam dois companheiros , Nicanor e D. Alzenir. Um bandido foi pego e justiçado na hora. Na quarta tentativa, conseguiram assassiná-lo. O mataram na frente de seus filhos, ainda na tenra infância. Dina, sua filha do meio, ainda recebeu um tiro na perna.
João Batista nasceu no interior de São Paulo. Ainda criança foi com sua família para o Pará. Buscavam terra. Tauá, como o chamava, sempre esteve ligado ao campo. Começou militar na luta do povo cedo. Atuou na reconstrução da UNE, compondo a comissão nacional pró-UNE. Formou-se advogado, em 1980, voltando, desde então, toda a sua energia e inteligência para a defesa dos trabalhadores, das mulheres, dos oprimidos e do socialismo. Deixou cinco filhos de dois casamentos: Marcia Mária, João Leonardo, Renata, Dina e João Carlos. Sua primeira companheira foi Elisenda Libonati, a segunda, Sandra Caminha.
Hoje, 6 de dezembro de 2007, completam-se 19 anos que tiraram a vida de Batista. Sua memória, seu exemplo, seu compromisso e sua dedicação somente servem de exemplo para aqueles que acreditam que a luta é o caminho para conquistar uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
Vida longa à memória dos que tombaram na luta pelos direitos do povo e pelo socialismo.
João Batista, sua memória será preservada.
PS. Como seu irmão aprendi que não basta lutar em defesa de terra, trabalho e liberdade. O século XXI nos aponta a necessidade de impedir o resssurgimento da barbárie que se fortalece no consumismo exacerbado, no individualismo, no hedonismo e no egoímo. Não poderemos repetir erros. A solidariedade e o respeito aos que lutam, aos que são explorados, oprimidos, a diversidade e a memória dos que deram suas vidas na defesa da justiça social, precisam ser fortalecidas e resgatadas. (Um povo que não tem passado não tem futuro. J.Marti) Nosso tempo atual é muito veloz, não percamos tempo, vamos semear e propagar a esperança, a rebeldia e os sonhos de fraternidade e justiça social.
terça-feira, novembro 20, 2007
Decidir o destino dos venezuelanos cabe somente a eles.
Em defesa da auto-determinação dos povos.
Uma das bandeiras sempre defendida pelos democratas, socialistas e comunistas foi a auto-determinação dos povos. Ao longo de décadas, durante a guerra fria, o que vimos por todo o planeta foi a ingerência permanente dos dois pólos na definição dos rumos de várias nações. Se Praga foi ocupada, pelas bandas de cá, vivemos inúmeras ditaduras, ocupações e tentativas de invasões. O governo militar no Brasil durou vinte anos. Duas décadas sustentadas pela mentira, tortura, exílios e mortes (tão pouco tempo se passou e parece que alguns esqueceram). Mesmo vivenciando seus extertores ainda pude atuar em seu combate.
No limiar do século XXI, são poucos os países que ousam realizar plebiscitos, referendos e eleições com regularidade. Método que aprofunda e semeia a democracia direta e participativa. As eleições realizadas em terra tupiniquim, mesmo de dois em dois anos, mostram a força da grana e da manipulação da mídia. Basta ver a eleição de Crodovil, Flanklin Aguiar e tantos outros. Organizar as camadas que têm necessidades, formar lideranças, desenvovler campanhas em defesa dos direitos dos que não tem acesso aos direitos animais está fora de moda.
O que importa é defender a globalização, usufluir a revolução técnico-científica, forjar a reengenharia do Estado, assegurando que o mercado, senhor de todos os tempos, possa resolver os destinos da humanidade. A invasão e o massacre cometido contra os povos afegão, iraquiano, ruandes ou de outras paragens não interessam a imprensa. O que podia ser feito por lá já aconteceu. O que resta são ações de caridade, como a distribuição de comida, nada mais pode ser feito (sic).
Enquanto isso, a Venezuela vive seu dilema. O governo Chavez, enfrentando setores internos e externos poderosos, realiza amplos debates, mobilizações e a população tem sido chamada a decidir os rumos a seguir. Setores a favor e contra o governo estão nas ruas, universidades,e scolas e fábricas mobilizados. Se as posições vitoriosas fossem as mesmas do pensamento único, aplicada por décadas naquele país, teriam valor, nada seria questionado. Mas uma aliança entre Venezuela e Irã é perigosa. Mas para quem? Quem tem medo dessa aliança?
Enquanto isso o debate, ou melhor, a massificação, contra os rumos decididos pelo povo venezuelano cresce assustadoramente. Porque será? O que houve com os democratas, os socialistas e os comunistas que não defendem mais a auto-determinação dos povos? Será que apenas o imposto pela mídia e os intelectuais a serviço da acadêmia (formada pelos detentores do conhecimento e do capital a serviço deles mesmos) podem dizer o que importa a humanidade?
Continuo defendendo que cabe somente aos venezuelanos decidir o seu destino. Somente a esse povo cabe escolher qual caminho seguir, com ou sem Chavez. Basta de ingerência. É preciso que os reis e imperadores fiquem calados e, quem sabe, um dia possam sentar no banco dos réus da história para serem julgados pelos massacres cometidos durante séculos.
Todo apoio a mobilização, ao debate e ao aprofundamento da democracia participativa.
Uma das bandeiras sempre defendida pelos democratas, socialistas e comunistas foi a auto-determinação dos povos. Ao longo de décadas, durante a guerra fria, o que vimos por todo o planeta foi a ingerência permanente dos dois pólos na definição dos rumos de várias nações. Se Praga foi ocupada, pelas bandas de cá, vivemos inúmeras ditaduras, ocupações e tentativas de invasões. O governo militar no Brasil durou vinte anos. Duas décadas sustentadas pela mentira, tortura, exílios e mortes (tão pouco tempo se passou e parece que alguns esqueceram). Mesmo vivenciando seus extertores ainda pude atuar em seu combate.
No limiar do século XXI, são poucos os países que ousam realizar plebiscitos, referendos e eleições com regularidade. Método que aprofunda e semeia a democracia direta e participativa. As eleições realizadas em terra tupiniquim, mesmo de dois em dois anos, mostram a força da grana e da manipulação da mídia. Basta ver a eleição de Crodovil, Flanklin Aguiar e tantos outros. Organizar as camadas que têm necessidades, formar lideranças, desenvovler campanhas em defesa dos direitos dos que não tem acesso aos direitos animais está fora de moda.
O que importa é defender a globalização, usufluir a revolução técnico-científica, forjar a reengenharia do Estado, assegurando que o mercado, senhor de todos os tempos, possa resolver os destinos da humanidade. A invasão e o massacre cometido contra os povos afegão, iraquiano, ruandes ou de outras paragens não interessam a imprensa. O que podia ser feito por lá já aconteceu. O que resta são ações de caridade, como a distribuição de comida, nada mais pode ser feito (sic).
Enquanto isso, a Venezuela vive seu dilema. O governo Chavez, enfrentando setores internos e externos poderosos, realiza amplos debates, mobilizações e a população tem sido chamada a decidir os rumos a seguir. Setores a favor e contra o governo estão nas ruas, universidades,e scolas e fábricas mobilizados. Se as posições vitoriosas fossem as mesmas do pensamento único, aplicada por décadas naquele país, teriam valor, nada seria questionado. Mas uma aliança entre Venezuela e Irã é perigosa. Mas para quem? Quem tem medo dessa aliança?
Enquanto isso o debate, ou melhor, a massificação, contra os rumos decididos pelo povo venezuelano cresce assustadoramente. Porque será? O que houve com os democratas, os socialistas e os comunistas que não defendem mais a auto-determinação dos povos? Será que apenas o imposto pela mídia e os intelectuais a serviço da acadêmia (formada pelos detentores do conhecimento e do capital a serviço deles mesmos) podem dizer o que importa a humanidade?
Continuo defendendo que cabe somente aos venezuelanos decidir o seu destino. Somente a esse povo cabe escolher qual caminho seguir, com ou sem Chavez. Basta de ingerência. É preciso que os reis e imperadores fiquem calados e, quem sabe, um dia possam sentar no banco dos réus da história para serem julgados pelos massacres cometidos durante séculos.
Todo apoio a mobilização, ao debate e ao aprofundamento da democracia participativa.
quarta-feira, novembro 14, 2007
MARLUA

A lua contigo fica encantada,
o Mar maravilhado,
as flores alvoroçadas,
o tempo mais iluminado.
O tempo não esquece certo dia,
nesta hora,
quando tu vieste encantar as galáxias,
deixa-las mais harmônica e equilibrada.
Fazer o canto do vento,
o barulho das folhas,
a força das sementes,
o vôo dos pássaros,
as cores de paz predominarem.
As revoadas do tempo te admiram.
O tempo encantado
segue em tua direção,
a vida fica mais forte,
os sonhos acordam.
Marlua é vida
cheia de beleza e força,
repleta de luz
resplandece o universo
que te acolheu
e cuida-te alegremente.
Marlua é flor,
é ventania e calor,
é semente e fruto,
é luta e conquista.
Marlua, minha filha,
maravilhosa e iluminada,
leve sempre consigo esse brilho,
ilumine o caminho dos astros.
Marlua, guia das estrelas,
teu tempo é infinito.
sexta-feira, novembro 09, 2007
FUTURO CONTANDO ESTRELAS

A população planetária vive um momento crucial, podendo resgatar a possibilidade de um futuro glorioso para todos os seres existentes ou então caminhar celeremente para um triste fim.
Há milênios sonha-se com a plenitude da liberdade, mesmo sem o conhecimento do que isso significa. Sempre buscou-se conquistar uma vida melhor. Assim foi com a descoberta do fogo, a revolução verde, a revolução industrial e a revolução tecnico-científica. O fim disso tudo sempre foi a busca de uma vida melhor. Mesmo agindo como animais irracionais, onde é cada um por si, as ações sempre buscaram melhores condições de vida.
A nossa casa coletiva, o planeta Terra, sempre foi generoso, farto e permitiu ações em defesa desses sonhos por melhorias, mesmo que para isso sofresse todos os tipos de agressões e ataques. Aqui e acolá havia uma reação: um terremoto, um vulcão, uma tempestade ou qualquer catástrofe natural.
Enquanto isso os animais humanos sempre explorando a natureza e uns aos outros de forma mais feroz e agressiva. Os tempos avançaram e chegamos aos dias atuais. Até mesmo a região amazônica deu uma resposta, deixando parte de seus rios secos, outros lugares viveram desastres então desconhecidos. Até um ex-presidente dos EUA, Al Gore, virou vedete denunciando aquilo que eles mesmo fizeram durante séculos.
Apesar disso tudo, onde vivo, em Brasília, cresce a venda de produtos de luxo, principalmente de automóveis. Em alguns outros pontos do planeta aumenta a riqueza dos poucos ricos. Ao mesmo tempo verifica-se o crescimento dos miseráveis por todos os continentes. Na mesma proporção que crescem os instrumentos de produção de riquezas eleva-se a fome, o desemprego, a propagação da mentira e os riscos de desastres ambientais cada vez maiores.
A juventude conectada em seus micros torna-se instrumento da subjetividade imposta pelo mercado. O individualismo e o consumismo assustam. Defender a vida, lutar pelos velhos sonhos da humanidade torna-se algo ultrapassado e careta, segundo a mídia capitalista.
Ainda assim acredito que poderemos usar dessas tristezas e dificuldades para a construção de instrumentos que possibilitem o resgate dos sonhos de respeito, solidariedade e de uma sociedade mais justa. Base, penso, para um comportamento ético, coerente e de esquerda.
Não podemos desistir, nem abandonar a busca de uma vida digna, livre, justa para todos e em defesa de que no futuro todos ainda possam contar estrelas e semear flores.
quinta-feira, outubro 11, 2007
CHÊ, PRESENTE!!!

O tempo permite as sementes brotarem.
A terra pode ser árida.
As pessoas podem não ver as sementes nascerem,
podem mesmo querer esmagá-las.
Nada impede o tempo semear sonhos.
As flores secam
e sementes brotam.
Se ervas daninhas predominam,
não será eternamente.
Se espinhos cegam a imaginação,
as sementes permitem as flores desabrochar.
O sangue derramado aduba a vida,
ilumina o tempo,
fortalece quem ousa sonhar.
Nada impede o tempo de avançar.
Passaram 40 anos desde esta covarde poda da humanidade,
mas a floresta, as flores e as sementes não desistem.
As sementes continuam brotando
seguidores do vento
dispostos a fazer ventania.
A América Latina continua um viveiro.
VIVA OS QUE LUTAM POR JUSTIÇA.
VIVA OS QUE OUSAM LUTAR POR UM MUNDO MAIS JUSTO.
VIDA LONGA A QUEM ACREDITA EM SEUS SONHOS.
CHÊ, PRESENTE!!!!
terça-feira, setembro 25, 2007
ÁGUAS DESEJADAS
Seu cheiro é perceptível.
As folhas se espalham,
E as cigarras cantam.
Todos te desejam.
A terra vermelha sofre com a secagem,
Um pó cobre a lua crescente,
As narinas sentem a ressequidão.
Certas almas ficam secas como o tempo.
Árvores floridas derramam seu colorido,
Deixando as quadras mais belas.
O asfalto preto assume todos os tons,
O gramado fica amarronzado
E inflamável como pólvora.
O sol - ao se pôr no oeste - parece comunista,
Fica vermelho deixando todos encantados
Nesse mundo consumista – capitalista.
O cheiro conhecido vem de longe.
Faz meses, bastante tempo,
Que não mostra sua cara,
Nem permite sentir teu gosto.
Certamente quando chegares muitos vão sofrer.
São os que vivem sem teto,
Sob as pontes e em barracas de lona nas pontas das Asas.
Seu cheiro vem de longe.
Quando chegares o verde voltará,
A esperança desabrochará,
E as flores se espalharam mais ainda.
Começa a primavera.
Logo a secura desse tempo irá,
Deixando o solo mais fértil.
Quem me dera se tuas águas
Levasse da terra a fome,
A hipocrisia dos dominadores,
A dor dos desesperançosos?
Venha com força,
Traga em suas gotas
Um novo tempo,
Traga a floração da vida.
Leve a miséria em tuas águas
Pelos tubos sob as quadras.
Seu cheiro vem de longe.
Muitos querem se banhar em suas águas.
As plantas, os bichos, o vento,
As estrelas, a lua e pessoas
Te esperam ansiosos.
O sol quer se molhar,
Para mais ainda aquecer a terra,
Fertilizando sonhos de uma vida florida para todos.
Venha logo chuva encantada.
quarta-feira, agosto 29, 2007
LABAREDA (25/08)

Olho o céu de mãos caídas
abanando a solidão,
o vento me leva
aos tempos vindouros.
Pulsam olhares marejados,
busca pássaros caminhantes,
podem ser errantes,
certeiros ou derradeiros
no porto inseguro
de minh'alma.
Olhar o passado
iluminado,
apontando incertezas
domina o horizonte.
Nada de chuva, nuvens,
nem tempestades.
O mar me espera,
distante chego lá.
Caminhante solitário
busco galhos para seguir,
sem cair nas armadilhas
dos olhares mirando o céu.
Sigo abanando a solidão,
esperando brasas
brotarem labaredas.
PELÔ (Salvador - 25/08)
Nada existir no tempo,
o vento
o empurra
transformando-lhe
em folhas humanas.
O canto
dos abastados segue.
Prédios renovados,
cantados
no mundo,
imundo,
perdido
da fome
da existência.
Sem ser
nem ter.
Quer viver,
nada mais.
o vento
o empurra
transformando-lhe
em folhas humanas.
O canto
dos abastados segue.
Prédios renovados,
cantados
no mundo,
imundo,
perdido
da fome
da existência.
Sem ser
nem ter.
Quer viver,
nada mais.
sábado, agosto 18, 2007
Cetro do Rei (18/7 - Belém/PA)

Sensação de sol se pondo,
mesmo sabedor de seu encanto,
logo a beleza da Lua
chegará e a saudade se vai.
Um tempo passado repleto de luzes
e dores do sangue derramado.
O tempo passou, avançou.
Pretensos companheiros no poder,
local e nacional,
vozes que falam e não sentem.
Se um dia sentiram,
impossível saber.
O sol ainda não se pôs,
assim mesmo não vejo
mais parceiros e braços enlaçados
resultados de um tempo
que se foi.
As águas da baia
continuam barrentas,
as crianças daqui da capital,
de Pragominas e do Brasil,
em sua maioria vivem necessidades.
O vento me acalenta.
A solidão do vento me leva,
quantas noites nesta beira de rio,
nessas ruas quentes
animando sonhos,
enquanto nada restou.
Não basta procurar,
não basta chorar,
as vozes não respondem,
impossível imaginar o que sentem.
Querer ter o poder
ser o centro do espaço,
parecendo o canto do cetro do rei,
é o que vejo dos passos nas ruas,
gabinetes e certos lares.
Onde vou cantar
a força do calor do sol
que lentamente se põe,
indo aquecer outros povos
que certamente também desejam flores
e sonham com justiça.
A frieza toma conta
dessa humanidade,
que disto nada tem,
somente deseja o cetro do rei.
terça-feira, julho 03, 2007
Tentação

Passo o tempo
vendo a rua,
canto a lua,
sem dono,
sem grana,
sem documento.
Ando ao relento,
árido no olhar,
seco d'água.
Passo o vento,
vendo o olhar,
canto sem vida,
entrépido calmo,
lento passo,
cantando dor.
Partículas cósmicas,
sons terráqueos,
corações braseiros,
almas carnívoras.
Passo o olhar,
vendo o vento,
canto o tempo,
um passo lento.
Levado ao vento
esvoaçando-se mar,
espumas brancas,
cabelos molhados,
corpos sedentos,
esquálidos ao sol.
Passo vendo
vento tempo,
sem parar,
levando estrelas.
Soleiras à mostra
de olheiras verdes,
cansadas do tempo.
Nada rio,
vendo orvalho,
dormindo nas manhãs,
colhendo paixões,
sempre ávidos,
vendo o vento
sentado ao sol.
44
Quem diria,
aqui cheguei.
Imaginava um caminho mais curto,
onde somente o prazer predominasse.
Tinha um sonho que era pequeno,
acabando cedo.
O tempo fez tudo diferente.
O prazer foi mais intenso,
tanto quanto a dor,
os sorrisos e os choros.
O sol esquentou mais
enquanto a lua permitia
o canto ficar mais encantado.
As estrelas da mesma forma que surgiam,
caiam em desbragada alegria
enquanto os apaixonados faziam pedidos.
As flores que nem conhecia
adentravam em minha alma
deixando sulcos
que talvez
o tempo nunca apague.
Sementes antes híbridas,
brotaram sonhos coletivos.
O tempo passou deixando mais forte
a força de germinar sempre.
Os olhares ficaram mais brilhantes,
as palpebras mais pesadas
de esperança que a dor se vá
deixando em seu lugar
a disposição de sementes boas
brotando nas manhãs.
O tempo enriquece tanto
que nada acabará,
será eterna a fé na luta
do povo que resiste em defesa da vida.
Tudo remoçou o olhar da vida
mais desejada e cantada
nas noites de solidão
e contando estrelas que se foram...
Aqui cheguei
e mais longe irei,
enquanto as flores mais força
adquirem nos sonhos das crianças,
desejosas por um abraço e um beijo,
enquanto pedem esmola
no farol da rodoviária
(de Brasília).
O tempo germina a rebeldia
que fará a vida ser
para todos,
não somente desejos,
não somente sonhos,
mas sempre o amanhã
que virá e fará
a felicidade ser coletiva.
Quem diria,
o tempo passou 44 anos
e um sonho de décadas
permanece:
semear a confiança
na vida,
nas flores,
nas estrelas,
na lua cheia,
no povo conquistando
o amanhã.
Aqui cheguei,
longe,
muito mais longe,
cantarei.
aqui cheguei.
Imaginava um caminho mais curto,
onde somente o prazer predominasse.
Tinha um sonho que era pequeno,
acabando cedo.
O tempo fez tudo diferente.
O prazer foi mais intenso,
tanto quanto a dor,
os sorrisos e os choros.
O sol esquentou mais
enquanto a lua permitia
o canto ficar mais encantado.
As estrelas da mesma forma que surgiam,
caiam em desbragada alegria
enquanto os apaixonados faziam pedidos.
As flores que nem conhecia
adentravam em minha alma
deixando sulcos
que talvez
o tempo nunca apague.
Sementes antes híbridas,
brotaram sonhos coletivos.
O tempo passou deixando mais forte
a força de germinar sempre.
Os olhares ficaram mais brilhantes,
as palpebras mais pesadas
de esperança que a dor se vá
deixando em seu lugar
a disposição de sementes boas
brotando nas manhãs.
O tempo enriquece tanto
que nada acabará,
será eterna a fé na luta
do povo que resiste em defesa da vida.
Tudo remoçou o olhar da vida
mais desejada e cantada
nas noites de solidão
e contando estrelas que se foram...
Aqui cheguei
e mais longe irei,
enquanto as flores mais força
adquirem nos sonhos das crianças,
desejosas por um abraço e um beijo,
enquanto pedem esmola
no farol da rodoviária
(de Brasília).
O tempo germina a rebeldia
que fará a vida ser
para todos,
não somente desejos,
não somente sonhos,
mas sempre o amanhã
que virá e fará
a felicidade ser coletiva.
Quem diria,
o tempo passou 44 anos
e um sonho de décadas
permanece:
semear a confiança
na vida,
nas flores,
nas estrelas,
na lua cheia,
no povo conquistando
o amanhã.
Aqui cheguei,
longe,
muito mais longe,
cantarei.
sexta-feira, maio 25, 2007
FLOR MARIANA

Viver é maravilhoso.
Viver é brotar e brilhar intensamente.
Viver é ser luz, som e encanto.
Viver é ser Mariana.
Mariana que é calor.
Mariana que é amor.
Mariana que é sonho.
Mariana que é Flor.
Mariana que é vida.
Vida cheia de esperança
semeada pelo teu sorriso.
Vida cheia de cores
semeada pela tua alegria.
Vida cheia de força
semeada com tua existência.
Viver um novo dia
é mais maravilhoso
quando teu sorriso
abre um novo tempo.
Viver um novo sonhosempre encantado por tua luz
irradiando mais vida
e crença no brilho espalhado.
Brilhjo de Mariana.
Luz de Mariana.
Encanto de Mariana
que veio das entranhas
dos mais belos e puros
desejos que a humanidade
seja um jardim de paz.
Mariana é flor encantada.
Mariana é a direção da vida.
Mariana, minha Mariana,
livre e leve,
bela e forte,
linda e iluminada,
entada e brilhante.
Mariana tua riqueza é eterna,
tua energia é universal,
tua luz é o caminho
da vida e de conquistas.
segunda-feira, maio 14, 2007
FRIO PREOCUPANTE
Pedro César Batista
Certo dia, depois de sair de uma licença médica de duas semanas, fui acometido por um profundo e assustador sentimento de impotência diante da insensibilidade da juventude nos dia atuais.
Como privilegiado que sou retornei às aulas da faculdade. Agora, curso direito. Não que eu seja uma pessoa torta. Optei por esse curso por me considerar uma pessoa sensata e preocupada com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Advogando poderei ser mais útil à sociedade, especialmente aos mais necessitados. Não tenho o interesse em ser juiz, procurador em nenhuma escala ou delegado de qualquer polícia. Não tenho pretensão em fazer concurso público. Pretendo exercer essa profissão utilizando-a como uma ferramenta concreta na defesa do Direito. Direito tão distante e usurpado da maioria do povo.
Deixando essas coisas de opções pessoais de lado, a finalidade deste artigo é falar do susto que tomei. Durante uma aula de Direito Civil I, perguntei para a professora, em voz alta, como é meu costume, qual procedimento deveria ter para justificar minha ausência durante 15 dias, pois faria uma cirurgia e teria que me afastar das aulas. A professora, chamada Ana, lembra uma “tia”, como as crianças costumam chamar seus professores, graças ao método que ela utiliza em sala, secamente, respondeu-me que deveria procurar a coordenação de curso e obter a informação que estava pedindo.
Depois da cirurgia, quando tudo transcorreu bem, retornei a sala de aula. São aproximadamente 60 alunos. Sentei e ninguém se interessou em saber como havia sido a internação, o tratamento, o que tinha ocorrido, qualquer coisa relacionada à minha ausência da sala naquelas duas semanas. Apenas dois colegas fizeram-me perguntas e desejaram saúde, atitude que deveria ser comum a todas as pessoas com um mínimo de educação, independente do nível de relacionamento que essas pessoas possuam. A frieza da turma e da “tia” Ana deixou-me assustado. Porque será?
No dia seguinte, em outra turma que estuda Teoria Geral do Processo, aconteceu o oposto, o professor Mário e meus colegas chegaram a fazer circulo ao meu redor para saber como estava depois da cirurgia. Fiquei pensando o motivo daquela contradição. Talvez seja o método utilizado em aula pelos professores, enquanto uma aplica a discórdia, a competição e o terror como método, a aula do outro se dava com entrosamento e respeito entre alunos e o professor.
Se estudantes e docentes de nível superior são tão frios com seus colegas, preocupa-me qual será o comportamento desses profissionais quando forem advogados, juízes, delegados e promotores. Será que terão como parâmetro a efetivação do direito ou apenas a satisfação pessoal de seus interesses, nesse mundo onde o salve-se-quem-puder somente avança?
O futuro da humanidade será bem melhor se repensarmos a nossa prática cotidiana, sabendo que o cuidar do universo passa pelo cuidado e a relação entre as pessoas, à natureza e o planeta, principalmente com os que tiveram o privilégio de serem privilegiados nesse mundo repleto de injustiças e exclusões.
Certo dia, depois de sair de uma licença médica de duas semanas, fui acometido por um profundo e assustador sentimento de impotência diante da insensibilidade da juventude nos dia atuais.
Como privilegiado que sou retornei às aulas da faculdade. Agora, curso direito. Não que eu seja uma pessoa torta. Optei por esse curso por me considerar uma pessoa sensata e preocupada com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Advogando poderei ser mais útil à sociedade, especialmente aos mais necessitados. Não tenho o interesse em ser juiz, procurador em nenhuma escala ou delegado de qualquer polícia. Não tenho pretensão em fazer concurso público. Pretendo exercer essa profissão utilizando-a como uma ferramenta concreta na defesa do Direito. Direito tão distante e usurpado da maioria do povo.
Deixando essas coisas de opções pessoais de lado, a finalidade deste artigo é falar do susto que tomei. Durante uma aula de Direito Civil I, perguntei para a professora, em voz alta, como é meu costume, qual procedimento deveria ter para justificar minha ausência durante 15 dias, pois faria uma cirurgia e teria que me afastar das aulas. A professora, chamada Ana, lembra uma “tia”, como as crianças costumam chamar seus professores, graças ao método que ela utiliza em sala, secamente, respondeu-me que deveria procurar a coordenação de curso e obter a informação que estava pedindo.
Depois da cirurgia, quando tudo transcorreu bem, retornei a sala de aula. São aproximadamente 60 alunos. Sentei e ninguém se interessou em saber como havia sido a internação, o tratamento, o que tinha ocorrido, qualquer coisa relacionada à minha ausência da sala naquelas duas semanas. Apenas dois colegas fizeram-me perguntas e desejaram saúde, atitude que deveria ser comum a todas as pessoas com um mínimo de educação, independente do nível de relacionamento que essas pessoas possuam. A frieza da turma e da “tia” Ana deixou-me assustado. Porque será?
No dia seguinte, em outra turma que estuda Teoria Geral do Processo, aconteceu o oposto, o professor Mário e meus colegas chegaram a fazer circulo ao meu redor para saber como estava depois da cirurgia. Fiquei pensando o motivo daquela contradição. Talvez seja o método utilizado em aula pelos professores, enquanto uma aplica a discórdia, a competição e o terror como método, a aula do outro se dava com entrosamento e respeito entre alunos e o professor.
Se estudantes e docentes de nível superior são tão frios com seus colegas, preocupa-me qual será o comportamento desses profissionais quando forem advogados, juízes, delegados e promotores. Será que terão como parâmetro a efetivação do direito ou apenas a satisfação pessoal de seus interesses, nesse mundo onde o salve-se-quem-puder somente avança?
O futuro da humanidade será bem melhor se repensarmos a nossa prática cotidiana, sabendo que o cuidar do universo passa pelo cuidado e a relação entre as pessoas, à natureza e o planeta, principalmente com os que tiveram o privilégio de serem privilegiados nesse mundo repleto de injustiças e exclusões.
domingo, abril 29, 2007
Manhã de domingo de abril

Todos caminham,
lembrando uma praia,
o ministro me cumprimenta,
o vendedor de coco
conta estórias sobre a ventania.
Uns usam tênis de marcas caras,
diferente da praia,
lembrando uma praia,
o ministro me cumprimenta,
o vendedor de coco
conta estórias sobre a ventania.
Uns usam tênis de marcas caras,
diferente da praia,
onde todos ficam descalços.
Outros caminham de chinelos,
puxando seus vira-latas.
Crianças correm em bicicletas,
senhoras praticam cooper,
mostram seus corpos,
muitos belos corpos,
como se donzelas fossem.
Casais de mãos dadas
Crianças correm em bicicletas,
senhoras praticam cooper,
mostram seus corpos,
muitos belos corpos,
como se donzelas fossem.
Casais de mãos dadas
descem a ladeira
sobre o asfalto,
sobre o asfalto,
rumo ao final da asa
do avião pousado,
em pleno planalto central.
As marcas de pneus,
antes dos pardáis,
estão bem definidas,
diferente do sol que ainda se esconde,
o vento gelado trazido pelas nuvens
deixa o tempo ficar cinzento.
As nuvens seguem para o sul.
Prefiro o norte,
lá o vento é mais quente,
as flores mais alegres,
os pássaros mais cantadores.
É domingo no eixão,
e mesmo sem o mar,
vejo o horizonte por todos os lados
As marcas de pneus,
antes dos pardáis,
estão bem definidas,
diferente do sol que ainda se esconde,
o vento gelado trazido pelas nuvens
deixa o tempo ficar cinzento.
As nuvens seguem para o sul.
Prefiro o norte,
lá o vento é mais quente,
as flores mais alegres,
os pássaros mais cantadores.
É domingo no eixão,
e mesmo sem o mar,
vejo o horizonte por todos os lados
nessa cinzenta manhã
de final de abril,
mês de aniversário da cidade.
Logo será maio,
tempo de recordar as lutas dos trabalhadores
e carinhos dos que tem mãe
para isso lembrarem,
darem e receberem.
É domingo,
as pessoas caminham.
Para onde vão?
Alguns devem saber,
outros já imaginam ter chegado,
outros ainda nem sabem
de final de abril,
mês de aniversário da cidade.
Logo será maio,
tempo de recordar as lutas dos trabalhadores
e carinhos dos que tem mãe
para isso lembrarem,
darem e receberem.
É domingo,
as pessoas caminham.
Para onde vão?
Alguns devem saber,
outros já imaginam ter chegado,
outros ainda nem sabem
onde querem ir.
O mar os espera,
com suas praias,
onde as desigualdades são menores,
todos andam descalços
O mar os espera,
com suas praias,
onde as desigualdades são menores,
todos andam descalços
e seus peixes matam a fome
dos famintos que dormem,
ainda dormem,
sob as ávores
que ladeiam a larga avenida.
Lá não é preciso dizer,
- ainda hoje há os que dizem -
sabe com quem está falando?
É manhã de domingo
e muitos seguem no asfalto do eixão,
passando sobre as marcas bem definidas
das freiadas bruscas e desesperadas
dos motoristas antes dos pardais.
Lá não é preciso dizer,
- ainda hoje há os que dizem -
sabe com quem está falando?
É manhã de domingo
e muitos seguem no asfalto do eixão,
passando sobre as marcas bem definidas
das freiadas bruscas e desesperadas
dos motoristas antes dos pardais.
As crianças e adultos em suas bicicletas
nem mesmo percebem quem os observa,
apenas sentem o vento frio do outono os acompanha
na ladeira abaixo rumo ao norte.
quinta-feira, abril 26, 2007
segunda-feira, abril 09, 2007
BRILHO
Tempo que não volta,
anda para a frente.
Busca encontrar o sol
ou quem sabe o destino do tempo.
Quem sabe o perfume das planatas
ou então o brilho ds estrelas.
Busca sempre
o sonho e o sorriso
das crianças nos adultos
e o cheiro da água salgada
no corpo molhado de suor do amor.
Ou então apenas caminha para o amanhecer
levando o tempo que não veio ainda.
Ou será que viver é ser uma flor
espalhando sementes,
com pétalas se esvoaçando com os olhares
desejos de um jardins para todos.
Os olhares perdem-se
e tentam se encontrar
em estradas iluminadas ou escuras.
Seguem pelos cantos dos olhos
sempre buscando o tempo de viver.
Nada viver,
apenas cantar
a lágrima que costumeiramente escorrega
pelos cantos dos sonhos.
E desejos buscados,
sempre.
(23.03.2001)
anda para a frente.
Busca encontrar o sol
ou quem sabe o destino do tempo.
Quem sabe o perfume das planatas
ou então o brilho ds estrelas.
Busca sempre
o sonho e o sorriso
das crianças nos adultos
e o cheiro da água salgada
no corpo molhado de suor do amor.
Ou então apenas caminha para o amanhecer
levando o tempo que não veio ainda.
Ou será que viver é ser uma flor
espalhando sementes,
com pétalas se esvoaçando com os olhares
desejos de um jardins para todos.
Os olhares perdem-se
e tentam se encontrar
em estradas iluminadas ou escuras.
Seguem pelos cantos dos olhos
sempre buscando o tempo de viver.
Nada viver,
apenas cantar
a lágrima que costumeiramente escorrega
pelos cantos dos sonhos.
E desejos buscados,
sempre.
(23.03.2001)
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Luz da vida
Dores brilham estrelas na escuridão,
iluminando sonhos perdidos no tempo.
Viver é sonhar,
semear a luz do novo tempo,
onde se possa sempre colher alegria.
Tudo tem nada,
uns pensam ser
para viver,
sempre,
querendo mais ter.
Dores lembram olhares,
fechados na escuridão
de sementes híbridas.
A vida é híbrida,
o tempo parece sem fim,
glutões e orgulhosos prevalecem,
a estupidez predomina,
filhos destratam seus pais
que não mais choram.
O tempo vem e vai,
deixando apenas as estrelas
das dores iluminando
novos caminhos e horizontes.
iluminando sonhos perdidos no tempo.
Viver é sonhar,
semear a luz do novo tempo,
onde se possa sempre colher alegria.
Tudo tem nada,
uns pensam ser
para viver,
sempre,
querendo mais ter.
Dores lembram olhares,
fechados na escuridão
de sementes híbridas.
A vida é híbrida,
o tempo parece sem fim,
glutões e orgulhosos prevalecem,
a estupidez predomina,
filhos destratam seus pais
que não mais choram.
O tempo vem e vai,
deixando apenas as estrelas
das dores iluminando
novos caminhos e horizontes.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
10 anos sem Renato Russo
Quase duas horas de volta no tempo. Foi isso o que senti durante a apresentação da peça "Renato Russo", monólogo apresentado por Bruce Gomlevsky e dirigido por Mauro Mendonça Filho. Com todas as cadeiras ocupadas e muitas extras o Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, de Brasília, mais uma vez, mostrou um grande expetáculo. Conseguir o ingresso foi uma maratona. Foi preciso enfrentar grandes filas, depois de ter que chegar às 7 da matina para conseguir comprar. E todos ingressos da semana eram vendidos em um único dia ainda pela manhã. As filas eram enormes, inclusive com distribuição de senhas. Muita gente saudosa e ansiosa por ver esse grande show.
O ator Bruce Gomlevsky, com uma apresentação impecável, representou Renato Russo por quase duas horas. O compositor foi mostrado desde a infância, quando viveu, aos 8 anos, em Nova Yorque, até seus útlimos dias de vida. Ainda criança o cantor adquiriu o interesse pela música. Adolescente, depois de um acidente, foi obrigado a viver por dois anos em uma cadeira de rodas. Preso em seu quarto curtia muito rock. Sua solidão lhe trouxe uma grande empatia com Bob Dylan, eu grande inspirador. Sempre foi muito ousado e questionador. Sua juventude, em Brasília, foi muito conturbada. A capital federal foi, e ainda é, um centro energético de uma juventude privilegiada e também contestadora, muitos sem saber a causa, porém, como o criador do Aborto Elétrico, o Trovador Solitário e da Legião Urbana, muitos tem claro o que buscam. E Renato entregou-se completamente a música.
Suas composições foram cantadas durante a apresentação, fazendo o público acompanhar com muita empolgação e envolvimento as canções apresentadas. Lágrimas correram. Relembrar velhos sucessos da Legião Urbana foi voltar no tempo. O tempo em que se lutava pelas eleições diretas para presidente do Brasil, o afastamento de Collor e os grandes shows fazendo a juventude ficar completamente esperançosa e sonhadora. Tempos passados, tempos modernos passados no tempo.
Interessante que em 1988 fui candidato a vereador, na cidade de Ananindeua, Pará, pelo PSB, partido que presidia. Fiz toda a campanha tocando "Que país é esse?". Tentava sensibilizar as pessoas com a canção da Legião. Muito rock e questionamento. Não fui eleito, o país continuou o mesmo, com "sujeira pra todo lado" e logo depois perderíamos Renato Russo.
Durante o show no CCBB pode-se ver também todas as crises existenciais que o cantor viveu. A sua saída do Brasíl depois do show em Brasília, quando brigou com o público, siginificou um importante marco em sua trajetória pessoal e profissional. Foi viver em Nova Yorque, onde viveu seu grande relacionamento amoroso. Voltou ao Brasil depois de ter o seu dinheiro confiscado pelo governo Collor e a mãe de seu filho ter falecido.
São dez anos sem Renato Russo. Dez anos de saudades desse grande poeta mobilizador e questionador do sistema. Mesmo sendo Renato, assim como Cazuza, filho da burguesia, um privilegiado, compôs e cantou o novo, o sonho de um mundo novo, "quem me dera acreditar que todas as pessoas fossem felizes", já dizia.
Um show imperdível. Valeu a pena enfrentar horas na fila para assistir.
O ator Bruce Gomlevsky, com uma apresentação impecável, representou Renato Russo por quase duas horas. O compositor foi mostrado desde a infância, quando viveu, aos 8 anos, em Nova Yorque, até seus útlimos dias de vida. Ainda criança o cantor adquiriu o interesse pela música. Adolescente, depois de um acidente, foi obrigado a viver por dois anos em uma cadeira de rodas. Preso em seu quarto curtia muito rock. Sua solidão lhe trouxe uma grande empatia com Bob Dylan, eu grande inspirador. Sempre foi muito ousado e questionador. Sua juventude, em Brasília, foi muito conturbada. A capital federal foi, e ainda é, um centro energético de uma juventude privilegiada e também contestadora, muitos sem saber a causa, porém, como o criador do Aborto Elétrico, o Trovador Solitário e da Legião Urbana, muitos tem claro o que buscam. E Renato entregou-se completamente a música.
Suas composições foram cantadas durante a apresentação, fazendo o público acompanhar com muita empolgação e envolvimento as canções apresentadas. Lágrimas correram. Relembrar velhos sucessos da Legião Urbana foi voltar no tempo. O tempo em que se lutava pelas eleições diretas para presidente do Brasil, o afastamento de Collor e os grandes shows fazendo a juventude ficar completamente esperançosa e sonhadora. Tempos passados, tempos modernos passados no tempo.
Interessante que em 1988 fui candidato a vereador, na cidade de Ananindeua, Pará, pelo PSB, partido que presidia. Fiz toda a campanha tocando "Que país é esse?". Tentava sensibilizar as pessoas com a canção da Legião. Muito rock e questionamento. Não fui eleito, o país continuou o mesmo, com "sujeira pra todo lado" e logo depois perderíamos Renato Russo.
Durante o show no CCBB pode-se ver também todas as crises existenciais que o cantor viveu. A sua saída do Brasíl depois do show em Brasília, quando brigou com o público, siginificou um importante marco em sua trajetória pessoal e profissional. Foi viver em Nova Yorque, onde viveu seu grande relacionamento amoroso. Voltou ao Brasil depois de ter o seu dinheiro confiscado pelo governo Collor e a mãe de seu filho ter falecido.
São dez anos sem Renato Russo. Dez anos de saudades desse grande poeta mobilizador e questionador do sistema. Mesmo sendo Renato, assim como Cazuza, filho da burguesia, um privilegiado, compôs e cantou o novo, o sonho de um mundo novo, "quem me dera acreditar que todas as pessoas fossem felizes", já dizia.
Um show imperdível. Valeu a pena enfrentar horas na fila para assistir.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Barriga vazia
É um alivio estar de barriga vazia
quando se pode alimentar todo dia.
Cabeça vazia e barriga cheia,
fazendo o que se deseja,
sem se preocupar com os que
não podem encher a barriga
e ficam como sacos vazios,
todos os dias.
Cabeça cheia e barriga vazia,
todo santo dia,
acaba virando atéu
de tanto rezar e continuar com fome.
Alguns de barriga cheia,
privilegiados neste mundo,
ficam todo dia,
santo ou não,
com o corpo leve
indo para onde quer,
nem se interessar
pelo que acontece ao redor.
Outros desejando encher a barriga,
alguns milhões e mais milhões,
toda hora e todo dia,
sonhando em poder fazer isso.
Terminam buscando nas latas,
nas ruas, nos restos deixados
um pouco de pão e feijão.
Tanto tentam que não conseguem,
continuando tentando matar a fome,
aumentando o peso da cabeça
que fica leve e desesperada.
Uns tanto,
outros nada.
Somente a dor da barriga vazia
que não consegue encher permanece.
quando se pode alimentar todo dia.
Cabeça vazia e barriga cheia,
fazendo o que se deseja,
sem se preocupar com os que
não podem encher a barriga
e ficam como sacos vazios,
todos os dias.
Cabeça cheia e barriga vazia,
todo santo dia,
acaba virando atéu
de tanto rezar e continuar com fome.
Alguns de barriga cheia,
privilegiados neste mundo,
ficam todo dia,
santo ou não,
com o corpo leve
indo para onde quer,
nem se interessar
pelo que acontece ao redor.
Outros desejando encher a barriga,
alguns milhões e mais milhões,
toda hora e todo dia,
sonhando em poder fazer isso.
Terminam buscando nas latas,
nas ruas, nos restos deixados
um pouco de pão e feijão.
Tanto tentam que não conseguem,
continuando tentando matar a fome,
aumentando o peso da cabeça
que fica leve e desesperada.
Uns tanto,
outros nada.
Somente a dor da barriga vazia
que não consegue encher permanece.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Semear Flores
Acordar com o canto dos pássaros,
sabendo que a chuva semeia esperança
e espanta o calor que anima as flores.
O vento rasga meus sonhos,
deixa-os mais vulneráveis
e rochosos nas manhãs de janeiro.
Janeiro que não veio ainda,
veio mais uma vez um novo ano,
cheio de meses perdidos no tempo.
Os pássaros continuam cantando,
animando meus sonhos adormecidos
de semear um novo tempo.
O tempo não vem,
a vida não vem,
vem apenas a nostalgia do amanhã.
Será que as flores ainda brotarão?
sabendo que a chuva semeia esperança
e espanta o calor que anima as flores.
O vento rasga meus sonhos,
deixa-os mais vulneráveis
e rochosos nas manhãs de janeiro.
Janeiro que não veio ainda,
veio mais uma vez um novo ano,
cheio de meses perdidos no tempo.
Os pássaros continuam cantando,
animando meus sonhos adormecidos
de semear um novo tempo.
O tempo não vem,
a vida não vem,
vem apenas a nostalgia do amanhã.
Será que as flores ainda brotarão?
quarta-feira, dezembro 27, 2006
terça-feira, dezembro 26, 2006
Que tempo é esse?
Quem sabe onde descobrir um novo tempo?
Será que a chuva semeia o sol?
Venta calor enquanto passos sem direção caminham,
desesperadamente gastam
deixando sonhos nos caixas que mais riquezas acumulam.
Os passos sem direção seguem
orientam-se pelas luzes do natal e os cantos eletrônicos
das marcas mais conhecidas.
Que tempo de calor e medo é esse,
onde as pessoas deixam de existir,
tornando-se mais e mais produtos
consumíveis a cada nova propaganda na TV?
Existirá ainda sonho
descolado da marca da moda?
Que tempo é esse?
O vento é quente
deixando o ar mais pesado
e o medo de morrer sem ver a manhã
brotar nos olhares assustados.
Que tempo é esse?
Será que a chuva semeia o sol?
Venta calor enquanto passos sem direção caminham,
desesperadamente gastam
deixando sonhos nos caixas que mais riquezas acumulam.
Os passos sem direção seguem
orientam-se pelas luzes do natal e os cantos eletrônicos
das marcas mais conhecidas.
Que tempo de calor e medo é esse,
onde as pessoas deixam de existir,
tornando-se mais e mais produtos
consumíveis a cada nova propaganda na TV?
Existirá ainda sonho
descolado da marca da moda?
Que tempo é esse?
O vento é quente
deixando o ar mais pesado
e o medo de morrer sem ver a manhã
brotar nos olhares assustados.
Que tempo é esse?
segunda-feira, dezembro 18, 2006
A política foi inventada pelos humanos mas não é nada humana

A política, ciência social criada pelos seres humanos para organizar a vida em comunidade deveria servir aos interesses coletivos. No entanto, torna- se cada vez mais instrumento para servir somente a manipulação e a exploração do povo por grupos minoritários alheios e distantes aos que se dizem representar. A comprovação disso foi o auto-aumento concedido pelos parlamentares.
É preciso reverter essa prática sob pena de se aprofundar cada vez mais o fosso entre a sociedade e seus pseudos-representantes.
Dados mostram que mesmo havendo um pequeno aumento do IDH brasileiro, a sociedade brasileira permanece longe de alcançar o grupo de países mais desenvolvidos. Os dirigentes do legislativo e do executivo aprofundam essa contradição. O salário mínimo continua tendo um valor insignificante, impossível de atender o dispositivo constitucional que assegura o direito a alimentação, vestuário, saúde, transporte, educação e lazer. Impossível para uma pessoa acessar estes direitos com R$ 350,00. Para uma família, composta do casal e dois filhos, satisfazer suas necessidades básicas é mais difícil ainda.
Conforme dados do DIESE o salário mínimo deveria ter o valor nominal de R$ 1.600,00. Se assim fosse, os deputados com seu acintoso reajuste de vencimentos teria um salário mensal inferior a 20 salários mínimos. Em nenhum momento o governo ou o parlamento discutiu a proposta de um salário mínimo de R$ 1.600,00. Debatem entre si e acompanhados pelas centrais sindicais chapas branca se o reajuste será de R$ 25,00 ou de R$ 17,00. O argumento é o mesmo de sempre: a economia não suportaria pagar um salário mínimo com esse valor.
Como disse a senadora Heloisa Helena "é preciso muito óleo de peroba" para lustrar a cara de pau dos governantes e parlamentares. A história nacional mostra que o brasileiro sempre deu um jeitinho para resolver seus problemas, isso vem ocorrendo há séculos. Será que por toda a história que ainda virá as pessoas continuarão permitindo que a política no lugar de ser um instrumento de ação coletiva, comunitária e a serviço dos interesses públicos continue sendo ferramente criminosa usada por alguns para manipular massas? Será que essa ciência a serviço da sociedade não será colocada a serviço dos interesses comuns da nação? Até quando o povo brasileiro permanecerá alegre sendo tão vilipendiado? Até quando?
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Semear a solidariedade e combater a lógica capitalista
A busca desenfreda pelo lucro, pelo acúmulo de riquezas e pelo controle do mercado global desenvolvida pelas empresas transnacionais representa o grande vilão do aquecimento grobal e da pobreza, outro grande mal vivido pelos habitantes da Terra.
No filme "Encontro com Milton Santos ou a globalização vista do lado de cá", lançado durante o Festival de Cinema de Brasília, o geografo diz que vivemos uma oportunidade rara de construirmos a humanidade. Diz ele que até o momento anda não conhecemos essa realidade, porque o termo humanidade significa novas relações entre os seres humanos que habitam o planeta. Relações essas desconhecidas, mas que vem sendo contruidas ao longo da história. Segundo Milton Santos, falecido em 2001, a hora é de esperança e ação na construção desse antigo sonho.
Em recente entrevista de Fábio Conder Comparato a Rachel Bertol, de O Globo, em 29/7/06, o professor da USP, afirma que os habitantes do "planeta esférico, com dimensão limitada e população crescente" tem dois caminhos apenas: "ou nos chocamos ou estabelecemos uma vida harmoniosa". Diz que falta uma visão comunitária às pessoas e que uma sociedade não vive harmonicamente tendo com base o interesse individual. Para ele "a situação poderá mudar quando o povo deixar de ser expectador e passar a ser considerado o ator principal". Comparato afirma que na "autêntica república o bem comum do povo está acima dos interesses particulares, de famílias, partidos, igrejas, corporações".
A população planetária, especialmente as populações nacionais, precisa mudar seus paradigmas, construindo uma nova relação em que a preocupação com o outro, em que o saber cuidar, como diz Leonardo Boff, seja ação cotidiana no comportamento humano. O capitalismo não permite isso. O capitalismo e seus agentes, para atingirem suas metas econômicas, educam as pessoas de forma individualista e egoísta, destroem o biosistema, quebram a cadeia genética, dizimam civilizações e culturas, fomentam guerras.
Hugo Chavez em seu discurso, comemorando sua vitória eleitoral, na eleição de 3/12/06, diz que é preciso construir uma relação democrática de paz e amor, baseada no exemplos de Cristo, para construir o socialismo venezuelano. Interessante essa fala. Porque somente com novas práticas é possível mudar. Ao repetir os erros do autoritarismo, da usura e do egoísmo capitalista, será impossível reverter o quadro do aquecimento global.
É hora de agir, coletivamente e individualmente, na construção da Humanidade que Milton Santos fala. É hora de semear o respeito, a solidariedade e a fraternidade, única formar de assegurar um mundo mais justo e melhor para todos os moradores do planeta.
No filme "Encontro com Milton Santos ou a globalização vista do lado de cá", lançado durante o Festival de Cinema de Brasília, o geografo diz que vivemos uma oportunidade rara de construirmos a humanidade. Diz ele que até o momento anda não conhecemos essa realidade, porque o termo humanidade significa novas relações entre os seres humanos que habitam o planeta. Relações essas desconhecidas, mas que vem sendo contruidas ao longo da história. Segundo Milton Santos, falecido em 2001, a hora é de esperança e ação na construção desse antigo sonho.
Em recente entrevista de Fábio Conder Comparato a Rachel Bertol, de O Globo, em 29/7/06, o professor da USP, afirma que os habitantes do "planeta esférico, com dimensão limitada e população crescente" tem dois caminhos apenas: "ou nos chocamos ou estabelecemos uma vida harmoniosa". Diz que falta uma visão comunitária às pessoas e que uma sociedade não vive harmonicamente tendo com base o interesse individual. Para ele "a situação poderá mudar quando o povo deixar de ser expectador e passar a ser considerado o ator principal". Comparato afirma que na "autêntica república o bem comum do povo está acima dos interesses particulares, de famílias, partidos, igrejas, corporações".
A população planetária, especialmente as populações nacionais, precisa mudar seus paradigmas, construindo uma nova relação em que a preocupação com o outro, em que o saber cuidar, como diz Leonardo Boff, seja ação cotidiana no comportamento humano. O capitalismo não permite isso. O capitalismo e seus agentes, para atingirem suas metas econômicas, educam as pessoas de forma individualista e egoísta, destroem o biosistema, quebram a cadeia genética, dizimam civilizações e culturas, fomentam guerras.
Hugo Chavez em seu discurso, comemorando sua vitória eleitoral, na eleição de 3/12/06, diz que é preciso construir uma relação democrática de paz e amor, baseada no exemplos de Cristo, para construir o socialismo venezuelano. Interessante essa fala. Porque somente com novas práticas é possível mudar. Ao repetir os erros do autoritarismo, da usura e do egoísmo capitalista, será impossível reverter o quadro do aquecimento global.
É hora de agir, coletivamente e individualmente, na construção da Humanidade que Milton Santos fala. É hora de semear o respeito, a solidariedade e a fraternidade, única formar de assegurar um mundo mais justo e melhor para todos os moradores do planeta.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Continuismo neoliberal do petismo.
Somente passaram três dias que o presidente Lula foi reeleito e já existem indícios claros como será seu segundo mandato. Vejamos: aumento de gasolina e do alcool, crise energética, conchavos com o PMDB semelhantes aos ocorridos secularmente, sustentado na base do toma-lá-dá-cá, discurso diferente da prática, continuidade da política econômica de FHC/Palocci...tudo como Dantes do Qualtel de Abrantes.
A crise vivida nos aeroportos é outro indício da forma de governar de Lula e seus aliados. Conforme denúncia de Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, desde 2003 vem sendo falado que faltam profissionais. Passado todo esse tempo nada foi feito. Como sempre, tentam tapar o sol com a peneira. Que seriedade tem esse governo?
A reunião da direção do PT, ocorrida ontem, defendeu a retomada de bandeiras mais à esquerda. Inclsuive muitos militantes desse partido acreditam que isso acontecerá. Será que Jáder Barbalho, Sarney, Renan Calheiros, Gedel, Palloci, Genoino, Maluf, Delfin Neto, e outros, velhos e novos, aliados de Lula permitirão? Será que Lula quer isso? Muita ilusão acreditar que isso acontecerá.
O novo mandato nada mais será do que a continuação do passado. Foram oito anos de de FHC, mais quatro de Lula, ou seja doze anos de uma mesma política economica que privilegia assegurar o lucro do grande capital e repassar as migalhas para os miseráveis. Nada mudará, inclusive na questão ética e moral. O tempo mostrará para quem Lula governa de fato.
A crise vivida nos aeroportos é outro indício da forma de governar de Lula e seus aliados. Conforme denúncia de Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, desde 2003 vem sendo falado que faltam profissionais. Passado todo esse tempo nada foi feito. Como sempre, tentam tapar o sol com a peneira. Que seriedade tem esse governo?
A reunião da direção do PT, ocorrida ontem, defendeu a retomada de bandeiras mais à esquerda. Inclsuive muitos militantes desse partido acreditam que isso acontecerá. Será que Jáder Barbalho, Sarney, Renan Calheiros, Gedel, Palloci, Genoino, Maluf, Delfin Neto, e outros, velhos e novos, aliados de Lula permitirão? Será que Lula quer isso? Muita ilusão acreditar que isso acontecerá.
O novo mandato nada mais será do que a continuação do passado. Foram oito anos de de FHC, mais quatro de Lula, ou seja doze anos de uma mesma política economica que privilegia assegurar o lucro do grande capital e repassar as migalhas para os miseráveis. Nada mudará, inclusive na questão ética e moral. O tempo mostrará para quem Lula governa de fato.
segunda-feira, outubro 30, 2006
Espero estar errado!
Não votei em nenhum dos dois candidatos a presidência do Brasil na eleição de ontem. Entre ter que pagar uma multa e votar, escolhi comparecer a sessão eleitoral e anular meu voto. Nenhuma proposta apresentada me convenceu. Pelo contrário, ambas, segundo meu entendimento, eram parte de um mesmo projeto.
Ainda ontem, devido os avanços da tecnologia, ficamos sabendo a esmagadora vitória obtida pelo presidente Lula. Foi reeleito e consagrado com uma votação expressiva. Em seu discurso após o resultado, afirmou que optará pelos pobres, mas governará para todos. Como fazer isso?
A população mais pobre e a pequena burguesia votaram maciçamente no candidato petista. Os primeiros, entre os quais os 11 milhões que já recebem a Bolsa Família, acreditando que Lula governa para eles já que abaixou o preço do arroz (!). Os segundos sonhando um dia viver o mundo que o governo lulista propicia os mais abastados. Assim como o governo anterior, o atual também possibilita que os mais ricos fiquem cada vez mais ricos. Enquanto distribuem migalhas para o povo, dedicam o recheio aos mais poderosos. Acredito que a economia é como um cobertor. Para cobrir todos alguém terá que ficar descoberto.
Como penso que os dois candidatos que disputaram o segundo turno eram parte de um mesmo projeto não votei em nenhum. E quando o presidente reeleito afirma que continuará governando para todos e privilegiará agora os mais humildes, penso que isso será muito difícil. Claro, espero estar errado e o presidente certo. Também desejo um país melhor, principalmente uma política que assegure para todas as crianças o sorriso estampado no rosto, bem alimentadas e podendo estudar e sonhar com um mundo diferente. Espero que esteja errado e o presidente Lula certo, possibilitando que o sonho de uma sociedade mais justa retorne às mentes do povo brasileiro (não apenas a diminuição do preço do arroz).
Ainda ontem, devido os avanços da tecnologia, ficamos sabendo a esmagadora vitória obtida pelo presidente Lula. Foi reeleito e consagrado com uma votação expressiva. Em seu discurso após o resultado, afirmou que optará pelos pobres, mas governará para todos. Como fazer isso?
A população mais pobre e a pequena burguesia votaram maciçamente no candidato petista. Os primeiros, entre os quais os 11 milhões que já recebem a Bolsa Família, acreditando que Lula governa para eles já que abaixou o preço do arroz (!). Os segundos sonhando um dia viver o mundo que o governo lulista propicia os mais abastados. Assim como o governo anterior, o atual também possibilita que os mais ricos fiquem cada vez mais ricos. Enquanto distribuem migalhas para o povo, dedicam o recheio aos mais poderosos. Acredito que a economia é como um cobertor. Para cobrir todos alguém terá que ficar descoberto.
Como penso que os dois candidatos que disputaram o segundo turno eram parte de um mesmo projeto não votei em nenhum. E quando o presidente reeleito afirma que continuará governando para todos e privilegiará agora os mais humildes, penso que isso será muito difícil. Claro, espero estar errado e o presidente certo. Também desejo um país melhor, principalmente uma política que assegure para todas as crianças o sorriso estampado no rosto, bem alimentadas e podendo estudar e sonhar com um mundo diferente. Espero que esteja errado e o presidente Lula certo, possibilitando que o sonho de uma sociedade mais justa retorne às mentes do povo brasileiro (não apenas a diminuição do preço do arroz).
segunda-feira, outubro 23, 2006
Voto nulo porque ainda acredito na mudança.

A política deveria nos dar uma consciência acima da maioria dos cidadãos. Ela nos dá informações que nos permite, aparentemente, ter mais clareza que aqueles que não se interessam por esse tema.
Será que um cidadão que está apenas preocupado em assegurar o cumprimento de suas obrigações para garantir o seu sustento e não se interessa pelo que os dirigentes de seu país fazem não está interessado em política? Bertold Brecht em seu famoso poema Analfabeto Político responsabilizou pelas mazelas que a sociedade vive todos aqueles que "batem no peito dizendo que odeiam política". Será que de fato essas pessoas são responsáveis pelas manobras e falcatruas que os dirigentes públicos cometem?
Dia 29 de outubro anularei meu voto. Nunca me enquadrei no estilo definido por Brecht, pelo contrário, desde a juventude estive integrado aos movimentos. Ainda garoto participei da luta pela anistia e o fim da ditadura. Foram quase três décadas de dedicação à politica. Dei meu sangue, minha juventude e meus sonhos. E onde chegamos depois que foi eleito, pela primeira vez na história nacional, um operário para presidente da república?
A política transformou-se em um grande negócio onde os líderes, inclusive alguns oriundos das lutas do povo e do movimento sindical, tornaram-se empresários da política. Seus parceiros, seus familiares, seus grupos assaltam descaradamente o Estado em benefício próprio. Pior ainda é que são tão cínicos que vão aos MCS e afirmam que está tudo bem.
Acredito que a política ainda é o caminho da mudança. No entanto a estrutura atual, com partidos-empresas, líderes-vendidos-traidores, demagogos de todas as espécies não dá para votar. O voto nulo é um caminho, neste momento, para protestar contra tudo isso. P. ex. Lula e Alkimim defendem a mesma política econômica e interesses e se dizem diferente. E ainda há gente que acredita nisso.
Se a sociedade não reinventar a política, construindo canais onde cada cidadão, seja o operário que luta por sua sobrevivência, o intelectual, o profissional liberal, o desempregado, ou seja, todos os homens e mulheres possam de forma direta decidir os destinos nada mudará. É preciso repensar a forma de fazer política, como está não sairemos da lama em que nos meteram.
O risco é que não havendo uma mudança caminhamos para a barbárie onde o terror se instale e a sociedade não mais possa assegurar a civilidade nas relações humanas. Ainda é tempo.
quinta-feira, outubro 19, 2006
O NOVO PT
Há muito tempo o PT abandonou sua origem operária, sua história de lutas e as suas propostas para transformar a sociedade. No início dos anos 90 foram expulsos do partido alguns grupos mais a esquerda, depois outros, até a saída do grupo, mais recentemente, que formou o PSOL. A organização de base, os grupos de estudo e ações de base foram abandonadas ao longo desse tempo, terminando por ser um partido formado por burocratas e cabos eleitorais contratados em períodos eleitorais.
O slogan da campanha de reeleição do presidente Lula "Não troque o certo pelo duvidoso" traz um fato novo e preocupante. Com essa consigna o partido assume uma posição conservadora e, pode-se até dizer, reacionária, ao reproduzir o velho discurso que propaga o medo do novo. A natureza sempre se renova quando faz algum tipo de troca, as pessoas sempre crescem e aprendem quando descobrem algo novo e as experiências novas na busca da solidariedade, fraternidade e justiça social sempre foram bem-vindas. O que não seria da humanidade se não existissem os ousados que sempre se arriscam para descobrir aquilo que aparentemente é duvidoso. Pedro Kilkery, poeta baiano do final do século XIX disse "olhos novos para o novo" e sempre é importante olharmos o novo com atenção e curiosidade.
Não estou afirmando que o candidato do PSDB seja o novo, pois ambos, Lula e Alkimim, defendem a mesma plataforma econômica e política, o que quer dizer que os dois representam o velho. No entanto um partido que nasceu do seio da luta democrática, das lutas sindicais e da luta do povo, sustentar-se com um discurso conservador e incentivando o medo é muito perigoso. O mimetismo petista tem sido assustador.
O que virá em seguida de um partido que retrocede tanto é preocupante. A sua história tem sido de expulsões, autoritarismo e conchavos com setores que sempre exploraram o povo. Graças a esses acordos conseguiu eleger, em 2002, o seu candidato a presidente. No entanto não esperávamos que mudasse tanto, negando suas bandeiras, sua história e lutas desenvolvidas e aliando-se ao que há de pior na política nacional.
Oxalá o senador Cristovan Buarque esteja errado quando afirmou que o lado autoritário petista predominará caso o presidente Lula seja reeleito. Apesar de tudo estarei com minha consciência tranquila, não votarei em nenhum dos dois candidatos a reeleição, anularei meu voto e continuarei a semear sonhos e esperança na construção de uma sociedade mais fraterna e justa. Que nome terá não sei, mas com certeza não será o capitalismo criminoso que coopta pseudos líderes de trabalhadores.
O slogan da campanha de reeleição do presidente Lula "Não troque o certo pelo duvidoso" traz um fato novo e preocupante. Com essa consigna o partido assume uma posição conservadora e, pode-se até dizer, reacionária, ao reproduzir o velho discurso que propaga o medo do novo. A natureza sempre se renova quando faz algum tipo de troca, as pessoas sempre crescem e aprendem quando descobrem algo novo e as experiências novas na busca da solidariedade, fraternidade e justiça social sempre foram bem-vindas. O que não seria da humanidade se não existissem os ousados que sempre se arriscam para descobrir aquilo que aparentemente é duvidoso. Pedro Kilkery, poeta baiano do final do século XIX disse "olhos novos para o novo" e sempre é importante olharmos o novo com atenção e curiosidade.
Não estou afirmando que o candidato do PSDB seja o novo, pois ambos, Lula e Alkimim, defendem a mesma plataforma econômica e política, o que quer dizer que os dois representam o velho. No entanto um partido que nasceu do seio da luta democrática, das lutas sindicais e da luta do povo, sustentar-se com um discurso conservador e incentivando o medo é muito perigoso. O mimetismo petista tem sido assustador.
O que virá em seguida de um partido que retrocede tanto é preocupante. A sua história tem sido de expulsões, autoritarismo e conchavos com setores que sempre exploraram o povo. Graças a esses acordos conseguiu eleger, em 2002, o seu candidato a presidente. No entanto não esperávamos que mudasse tanto, negando suas bandeiras, sua história e lutas desenvolvidas e aliando-se ao que há de pior na política nacional.
Oxalá o senador Cristovan Buarque esteja errado quando afirmou que o lado autoritário petista predominará caso o presidente Lula seja reeleito. Apesar de tudo estarei com minha consciência tranquila, não votarei em nenhum dos dois candidatos a reeleição, anularei meu voto e continuarei a semear sonhos e esperança na construção de uma sociedade mais fraterna e justa. Que nome terá não sei, mas com certeza não será o capitalismo criminoso que coopta pseudos líderes de trabalhadores.
terça-feira, setembro 19, 2006
Democracia Direta ou Barbárie.


Em 1998 escrevi o artigo acima. Foi logo após as eleições, quando FHC foi reeleito (no primeiro turno). Passaram-se 8 anos e tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Talvez um pouco pior. Antes ainda havia esperanças, o sonho de que se chegássemos ao governo faríamos diferente. Antes ainda podiamos identificar aqueles que acreditávamos estavam ao lado do povo. E, em tão pouco tempo, o sonho e a esperança foram traidos.
Se FHC comprou votos para a reeleição, Lula pagou mensalão. Se FHC tinha entre seus parceiros múmias da política nacional, como ACM, Renan, Lula ressuscitou Sarney, Jader Barbalho, Orestes Quercia e outros representantes do neocoronelismo (muitos dos quais antes estavam com os tucanos). Se FHC privatizou os bens públicos, Lula priorizou destinar a arrecadação para pagamento dos juros da dívida, em detrimento de investir em verdadeiras políticas públicas, aliás, gaba-se de ter pago o FMI. Grande feito. Chega a dizer que está triste, porque os ricos não o estão apoiando como deviam, apesar de terem ganho muito dinheiro em seu governo. E coloca muito dinheiro nisso. Nem na era FHC os ricos ganharam tanto. Entretando o petista foi mais eficiente, dedicou migalhas do orçamento público aos mais pobres, dando a bolsa-esmola, assegurando asasim alguns milhões de votos. Os correligionários de Lula também inovaram transportando doláres em cuecas e deixando rastros por onde passavam. Lula montou no cavalo tucano e disse que era dele. Se FHC mandou esquecer o que escreveu, o próprio Lula esqueceu o que dizia e seu passado, fazendo tudo diferente do que falava que ia fazer.
A ignorância cresce cada vez mais. O egoísmo se fortalece. A política tornou-se um grande negócio entre cumpadres. Os três poderes da república estão completamente de costas para o povo. O que importa é o poder. A sociedade assiste a tudo impassível. Essa calma aparente pode trazer tempestade. Precisamos de muita água para lavar essa sujeira que domina mentes e corações dos que detêm e detiveram o poder, controlam a economia e o pensamento. Precisamos de uma tempestade. Muita água para limpar isso tudo. O que falta para isso acontecer?
A cada nova eleição os eleitos e seus partidos distanciam-se mais do papel de representantes da sociedade. É cada um tentando levar mais para atender seus interesses pessoais e de seus grupos. Estamos em pleno século XXI e os políticos portam-se como senhores feudais, ainda no limiar do século XVIII. O sistema representativo não atende mais as necessidades do coletivo social. A população é imensa e crescente. Os miseráveis surgem em multidões nos grandes centros urbanos. A riqueza continua nas mãos de poucos. Estes vivem em seus castelos, com seus seguranças privados e seus privilégios, com saúde e escolas boas. E o Estado? Continua servindo apenas aos ricos e poderosos, incluído aí a chamada classe média. Fortalece-se uma cultura elitista e excludente. Onde vamos parar? Qual o caminho para impedir que assim continue? Como mudar os rumos da história e fazer com que as pessoas sejam mais fraternas e solidárias? Qual o caminho para reformar ou transformar o Estado? Quais os instrumentos para que as pessoas possam se tornar sujeitos de sua história? Uma revolução nos moldes tradicionais significaria o esfacelamento de nosso país e do planeta? Ou esse ainda é o caminho? Para onde seguir?
Vamos pensar em continuar semeando a esperança, em construir a esperança e a fraternidade em nosso dia-a-dia. Vamos construir a democracia real. Com o fazer? Vamos descobrir. Não podemos aceitar passavamente, de maneira egoísta e covarde, a bárbarie que os traídores do povo e os exploradores de sempre tentam impor nas relações institucionais e na sociedade. Também não podemos copiar modelos e paradigmas comprovadamente reacionários e inadequados para os dias de hoje. Não podemos ficar parados, todos vamos pagar um preço muito alto.
terça-feira, agosto 15, 2006
Encantadora Lúcia
Gotas escorregam molhando meu corpo,
o calor alimenta minha esperança
no fogo que brotará das entranhas da humanidade.
Pulsa minha alma pensando na mulher que amo,
minhas veias se enrijessem como sementes frescas
endurecidas para virar vida rasgando a terra
e transformarem-se em flores para colorir a escuridão do universo.
Colorir o universo,
criar sempre sonhos,
semear permanentemente a esperança,
sabendo que a dor nunca cessará.
Amar é crer no coração!
Vem sempre me embalar,
sempre deixar-me crer no fim da solidão,
viver os beijos que tenho dado eternamente,
sentir o gozo em cada espasmo que dermos
caminhando ao entardecer em Olhos D'água.
Acreditar no fogo sempre.
Fazer a morte dominar a mentira,
a exploração transformar-se em lixo cósmico
levado pelos metéoros que navegam
deixando nada mais que o vácuo no espaço.
As gotas continuam caindo,
sinto mais ainda o amor me dominar,
semear minh'alma que cria vida
quando meu corpo toca o dela.
Enquanto vejo o sol se pôr
espero ela me chamar para seguirmos
o caminho onde somente semearemos flores
para combater as dores e as mentiras.
É muito bom estar amando...
É muito bom estar sendo amado...
o calor alimenta minha esperança
no fogo que brotará das entranhas da humanidade.
Pulsa minha alma pensando na mulher que amo,
minhas veias se enrijessem como sementes frescas
endurecidas para virar vida rasgando a terra
e transformarem-se em flores para colorir a escuridão do universo.
Colorir o universo,
criar sempre sonhos,
semear permanentemente a esperança,
sabendo que a dor nunca cessará.
Amar é crer no coração!
Vem sempre me embalar,
sempre deixar-me crer no fim da solidão,
viver os beijos que tenho dado eternamente,
sentir o gozo em cada espasmo que dermos
caminhando ao entardecer em Olhos D'água.
Acreditar no fogo sempre.
Fazer a morte dominar a mentira,
a exploração transformar-se em lixo cósmico
levado pelos metéoros que navegam
deixando nada mais que o vácuo no espaço.
As gotas continuam caindo,
sinto mais ainda o amor me dominar,
semear minh'alma que cria vida
quando meu corpo toca o dela.
Enquanto vejo o sol se pôr
espero ela me chamar para seguirmos
o caminho onde somente semearemos flores
para combater as dores e as mentiras.
É muito bom estar amando...
É muito bom estar sendo amado...
segunda-feira, julho 24, 2006
VENDEDOR
Um beijo fez a semente estalar
o vento amorteceu sua queda
para o sólo a receber de braços abertos.
- Olha o gás, aceita-se cheque pré-datado.
Grita o vendedor acordando o despertador,
enquanto a claridade do sol
faz a terra se mexer rumo a leste.
E onde fica o norte?
Será que a morte virá levar a esperança?
E o tempo dança
aos sons dos estálos beijados
das sementes que buscam a terra
para continuar germinando sonhos.
- Olha o gás, aceita-se cheque pré-datado.
Continua gritando o vendedor.
o vento amorteceu sua queda
para o sólo a receber de braços abertos.
- Olha o gás, aceita-se cheque pré-datado.
Grita o vendedor acordando o despertador,
enquanto a claridade do sol
faz a terra se mexer rumo a leste.
E onde fica o norte?
Será que a morte virá levar a esperança?
E o tempo dança
aos sons dos estálos beijados
das sementes que buscam a terra
para continuar germinando sonhos.
- Olha o gás, aceita-se cheque pré-datado.
Continua gritando o vendedor.
sexta-feira, junho 02, 2006
Semear jardins

Adoro as flores,
suas cores,
seus aromas,
suas formas e magia.
Quando ficam grávidas
tornam-se mais ternas,
sensíveis e encantadas.
Seus brotos, tenros,
trazem a força da vida
que as semente detêm.
Flores animam sonhos,
deixam o tempo mais leve
e a luz mais brilhante.
Adoro as flores,
as vermelhas chamam amor,
as brancas chamam paz,
as amarelas carinho,
as azuis lembram o horizonte,
as lilazes encantam os olhares,
as verdes semeiam esparanças.
As coloridas fazem a vida
ficar mais alegre e hermosa.
Adoro a paciência das flores.
Quantas vezes parecem desanimadas
e renascem com mais encanto e força.
Não importa a terra,
mesmo no meio da aridez,
elas brotam, crescem e semeiam
mais e mais flores e sonhos.
As flores são mulheres apaixonadas,
deixam a humanidade mais terna,
mais feliz e esperançosa,
que um dia as pessoas
sejam como flores.
As flores são mulheres que perdoam,
sem medo da escuridão,
e ao amanhecer
serão mais fortes, queridas e encantadoras.
As flores são energia para a vida,
de sentimentos que buscamos.
As flores são fortes,
como o mar que por todos os lados
acredita que pode ser instrumento
de harmonia, ligação e equilíbrio.
Adoro as flores,
não importa se sangro
com espinhos no dia a dia
das maravilhosas rosas.
Sei que preciso semear mais,
deixar a humanidade mais florida.
Quem sabe assim poderei descobrir uma flor
também acreditando na esperança
e possamos deixar o tempo mais sereno e belo.
Quero semear jardins,
mais incentivar a paz e sonhos
de homens e mulheres felizes.
Quero uma flor...
terça-feira, maio 16, 2006
Passeio com a Lua

15/05/2006
O Mar me chamou
Lançou-me suas espumas,
Tentou me engolir com suas ondas,
Salgadas de tanto amor.
O Mar estava só
E queria me levar.
A Lua não me via,
Lá de cima olhando altaneira,
Movimentando-se sem me dar atenção,
Nem suas mãos ou seu beijo.
O fogo do dragão não me aquecia.
O Mar me chamava
E a Lua não me via,
Brincava com meu sonho,
Meu amor e a minha dor.
Os dois brincavam comigo.
O Mar me chamava,
A Lua se ia e não mais me via,
Mesmo quando cheia
Tomando conta do céu estrelado.
Isso encantava mais ainda meu desejo
De que um dia ela
Voltasse a olhar para meus olhos
E juntos fossemos passear a beira-mar.
A Lua não mais me via.
quarta-feira, abril 19, 2006
Prefácio Marcha Interrompida
Caro Leitor
Se você é daqueles que se impressionam com as coisas que lê, fica indignado, chora, perde o sono, xinga, sente a informação como um chute na boca do estômago – então é melhor não ler este livro. Pedro César Batista não economizou na descrição dos detalhes, na construção paulatina de uma história que vai nos aproximando de seres humanos concretos, de carne e osso. No fim do livro, você vai se sentir muito mal.
Não há no livro generalizações sociológicas. Não há leis gerais pomposas que, a pretexto de desvendar os mecanismos históricos do massacre de Eldorado dos Carajás, na verdade apagam o ser humano e entorpecem a consciência. Não há a quem recorrer, não há “luz no fim do túnel”, não há a promessa de um “amanhã feliz”. Comecemos pelo fim:
“Os que passam nos carros fazem o sinal da cruz. Os motoristas podem ver, devido à luz dos faróis, pedaços de massa encefálica e de carne desmantelada sobre o asfalto ensangüentado. Eles não tem como desviar. São obrigados a passar por cima dessa lama de destroços humanos.”
O próprio título do livro já é uma denúncia da condição atroz daqueles lavradores: poderá haver algo mais terrível do que uma marcha interrompida, quando o que se espera é que o final da marcha traga a paz?
Tive a oportunidade de visitar o assentamento que abriga a maioria dos que participaram da marcha interrompida, situado na região de Eldorado. É o que apresenta, entre todos os assentamentos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os maiores índices de suicídios, de viciados em drogas, de violência doméstica e de casos embriaguez. Não é por acaso. Eles foram vítimas de uma operação implacável e covarde de guerra. Os sobreviventes são apenas isso: sobreviventes.
Pedro César Batista abre de novo a chaga, cumpridos dez anos do massacre. Mas ele não cai na tentação de idealizar os marchantes. Ao contrário. Apresenta cada um deles em sua dimensão humana – Antônio da Maria, Oziel, Mônica e tantos outros -, com todas as contradições inerentes a qualquer um de nós. Compartilhamos os seus medos e as suas alegrias.
Ficamos estarrecidos com a selvagem tortura que leva Oziel à morte. Somos subitamente transportados, neste momento, do sul do Pará para o Estádio Nacional de Santiago do Chile, onde, em 1973, os algozes de Pinochet usaram métodos bem semelhantes para humilhar e assassinar gente como o eterno Victor Jara.
Ficamos chocados ao saber que entre os marchantes há informantes da polícia: “O que esses caminhantes não imaginam é que entre eles há dois infiltrados. Crêem que todos os participantes são pessoas comprometidas com a conquista de terras para produzirem o seu sustento. Mas, há dois componentes que não têm o mesmo ideal e acreditam em outros valores e têm outros interesses e compromissos: Hermenegildo e Edimar.”
Ratos. Há ratos entre os que marcham. Ratos que sabem onde tudo vai acabar. E isso nos enche de fúria. “Profissionais experientes, dissimulados e frios”, descreve Batista, ao explicar como fizeram para ganhar a confiança dos demais, e como faziam para entregar aos superiores as suas posições.
Assim a trama vai sendo construída, até chegar ao desfecho final. É preciso ter muito estômago para suportar tamanha ignomínia. Pedro César Batista faz um relato forte, pungente, cru. Resta apenas esperar que a indignação causada pelo relato multiplique a vontade de acabar com os ratos, grandes e pequenos, que infestam o país.
José Abex Jr. – jornalista e professor da PUC/SP
Se você é daqueles que se impressionam com as coisas que lê, fica indignado, chora, perde o sono, xinga, sente a informação como um chute na boca do estômago – então é melhor não ler este livro. Pedro César Batista não economizou na descrição dos detalhes, na construção paulatina de uma história que vai nos aproximando de seres humanos concretos, de carne e osso. No fim do livro, você vai se sentir muito mal.
Não há no livro generalizações sociológicas. Não há leis gerais pomposas que, a pretexto de desvendar os mecanismos históricos do massacre de Eldorado dos Carajás, na verdade apagam o ser humano e entorpecem a consciência. Não há a quem recorrer, não há “luz no fim do túnel”, não há a promessa de um “amanhã feliz”. Comecemos pelo fim:
“Os que passam nos carros fazem o sinal da cruz. Os motoristas podem ver, devido à luz dos faróis, pedaços de massa encefálica e de carne desmantelada sobre o asfalto ensangüentado. Eles não tem como desviar. São obrigados a passar por cima dessa lama de destroços humanos.”
O próprio título do livro já é uma denúncia da condição atroz daqueles lavradores: poderá haver algo mais terrível do que uma marcha interrompida, quando o que se espera é que o final da marcha traga a paz?
Tive a oportunidade de visitar o assentamento que abriga a maioria dos que participaram da marcha interrompida, situado na região de Eldorado. É o que apresenta, entre todos os assentamentos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os maiores índices de suicídios, de viciados em drogas, de violência doméstica e de casos embriaguez. Não é por acaso. Eles foram vítimas de uma operação implacável e covarde de guerra. Os sobreviventes são apenas isso: sobreviventes.
Pedro César Batista abre de novo a chaga, cumpridos dez anos do massacre. Mas ele não cai na tentação de idealizar os marchantes. Ao contrário. Apresenta cada um deles em sua dimensão humana – Antônio da Maria, Oziel, Mônica e tantos outros -, com todas as contradições inerentes a qualquer um de nós. Compartilhamos os seus medos e as suas alegrias.
Ficamos estarrecidos com a selvagem tortura que leva Oziel à morte. Somos subitamente transportados, neste momento, do sul do Pará para o Estádio Nacional de Santiago do Chile, onde, em 1973, os algozes de Pinochet usaram métodos bem semelhantes para humilhar e assassinar gente como o eterno Victor Jara.
Ficamos chocados ao saber que entre os marchantes há informantes da polícia: “O que esses caminhantes não imaginam é que entre eles há dois infiltrados. Crêem que todos os participantes são pessoas comprometidas com a conquista de terras para produzirem o seu sustento. Mas, há dois componentes que não têm o mesmo ideal e acreditam em outros valores e têm outros interesses e compromissos: Hermenegildo e Edimar.”
Ratos. Há ratos entre os que marcham. Ratos que sabem onde tudo vai acabar. E isso nos enche de fúria. “Profissionais experientes, dissimulados e frios”, descreve Batista, ao explicar como fizeram para ganhar a confiança dos demais, e como faziam para entregar aos superiores as suas posições.
Assim a trama vai sendo construída, até chegar ao desfecho final. É preciso ter muito estômago para suportar tamanha ignomínia. Pedro César Batista faz um relato forte, pungente, cru. Resta apenas esperar que a indignação causada pelo relato multiplique a vontade de acabar com os ratos, grandes e pequenos, que infestam o país.
José Abex Jr. – jornalista e professor da PUC/SP
sexta-feira, abril 07, 2006
terça-feira, março 07, 2006
MARCHA INTERROMPIDA
Lançamento em 17 de abril de 2006.
Atravessando longa faixa de floresta, um dirigente do movimento camponês se dirige a uma reunião na Colônia Vida, um povoado de posseiros que há dois anos ocupam parte das terras da Fazenda São José.
No caminho, ouve a conversa de dois pistoleiros, que acabaram de assassinar um colono. Um mês depois, a polícia, cumprindo ordem de reintegração de posse, despeja da fazenda as famílias de lavradores. Enquanto isso, ruralistas e autoridades locais se reúnem para traçarem planos de combate à crescente ocupação de terras. A imprensa nacional noticia a tática que será empregada em defesa dos latifúndios.
Depois do violento despejo, os sem-terras montam acampamentos provisórios e decidem iniciar uma grande marcha. Pretendem chegar à capital do estado e se reunir com o governador, para reivindicarem a desapropriação das terras de onde foram expulsos injustamente. Com uma semana de caminhada, e sentindo sinais de esgotamento, resolvem bloquear a PA150, principal rodovia do município. A polícia militar é enviada para desobstruir a área.
O que se segue daí são cenas de genocídio, de uma barbaridade premeditada, onde vários manifestantes caem assassinados.
Baseada na luta dos trabalhadores rurais sem terra, Marcha Interrompida é uma obra ficcional sobre o massacre de camponeses, ocorrido em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em 1996.
Atravessando longa faixa de floresta, um dirigente do movimento camponês se dirige a uma reunião na Colônia Vida, um povoado de posseiros que há dois anos ocupam parte das terras da Fazenda São José.
No caminho, ouve a conversa de dois pistoleiros, que acabaram de assassinar um colono. Um mês depois, a polícia, cumprindo ordem de reintegração de posse, despeja da fazenda as famílias de lavradores. Enquanto isso, ruralistas e autoridades locais se reúnem para traçarem planos de combate à crescente ocupação de terras. A imprensa nacional noticia a tática que será empregada em defesa dos latifúndios.
Depois do violento despejo, os sem-terras montam acampamentos provisórios e decidem iniciar uma grande marcha. Pretendem chegar à capital do estado e se reunir com o governador, para reivindicarem a desapropriação das terras de onde foram expulsos injustamente. Com uma semana de caminhada, e sentindo sinais de esgotamento, resolvem bloquear a PA150, principal rodovia do município. A polícia militar é enviada para desobstruir a área.
O que se segue daí são cenas de genocídio, de uma barbaridade premeditada, onde vários manifestantes caem assassinados.
Baseada na luta dos trabalhadores rurais sem terra, Marcha Interrompida é uma obra ficcional sobre o massacre de camponeses, ocorrido em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em 1996.
quinta-feira, março 02, 2006
MAIS AINDA

Ainda hoje senti meu olhar se perder na distância do passado.
Buscava desesperadamente o amanhã onde novas sementes possam desabrochar.
Ainda olhava a imagem do tempo encantado,
onde o perfume da manhã confundia-se com o amor.
Ainda esperava ver o olhar brilhando mais que a lua
irradiando o brilho das flores da sacada.
Que tempo é esse onde as pessoas não perdoam?
Que tempo é esse onde o orgulho vale mais?
Ainda hoje senti o gosto do fel em minha garganta.
Pude ver meus olhos buscarem os teus que não mais me veêm.
Ainda sinto a presença do passado
deixando o amanhã mais distante.
Novo dia que mesmo germinando em meu sangue gelado,
no calor da madrugada enluarada,
como o entardecer preguiçoso,
está lento e cauteloso, saudoso.
A lua encanta e canta minha perda,
o louco e desenfreado ardor de tocar tuas mãos
que nem mais me conhecem nem me desejam.
Ainda hoje senti meus olhos perdidos no amanhã
como uma semente desabrochando em minh'alma.
Sem dúvida essa terra se fertilizará,
ainda com mais e belas sementes
regadas nas manhãs ensolaradas...
Ainda hoje meus olhos brilharão mais ainda....
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
SEDE DE VENTO
O vento encanta as folhas,
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.
Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.
O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.
O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.
Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.
Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.
O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.
O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.
Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...
segunda-feira, janeiro 30, 2006
NOITE VAZIA, AZIA (Ilhéus - BA - 1980)

SOL
Se o sol
Durante a noite aparecer
E eu morrer?
Sem ser enterrado,
Fazem de mim um enlatado.
Vivo,
Sendo explorado,
Por fantasmas e mentiras.
Sem eu, sem você,
Sem ninguém saber,
Não quero morrer.
O sol me fez.
Fez a lua
Que é minha e
Dos átomos
Em meus espermas
Jogado no mar,
Esperando um novo sol raiar.
18/12/80
FORTES
Vômitos de fome da fome,
De ser o mar,
De ser um touro,
De ser o povo,
Não só eu,
Tu,
Ele,
Nos,
Vos,
Eles,
Mudando o lodo.
Revolucionando o pão,
Nós os fortes,
Inconscientes.
19/12/80
SOMOS
Dentro do sol o sol,
Entre ele e eu o
Universo, você e eu.
Sem espíritos. Átomos.
Loucos,
Humanos,
Ar,
No mar do mar.
ÁT
O
M
SOMOS.
19/12/80
SOM
Eu,
Perdido na multidão,
Muitos Pedros,
Na multidão.
Deus?
Eu,
Olhando e falando,
Sendo olhado,
Você e eu.
Dois homens,
Pedro e Pedro.
Deus?
Teu patrão dono do trigo,
Sem trigo,
Sem pão,
Sem mesa,
Na multidão.
19/12/80
DOR
Olhos cheios de dor,
Horror do amor,
Por traz o pavor,
Da fome,
Da morte,
Sedenta de vida,
Livre,
No canto de rua,
Sem luz, escura,
Sem sol, enluarado,
Com estrelas andando,
Só.
Olhos nos ares,
Sem falar da dor.
19/12/80
MAR
Na beira do mar,
Com ela passeei.
Mãos dadas.
Um fino,
Embaixo do sol.
Acordado por ela,
Beijos, olhares,
Na beira do mar.
Bela, beleza eu e ela.
Mar, amar,
Embaixo do luar,
Queria, queria ela,
Bela,
Beleza eu e ela.
19/12/80
DUREZA
Duro,
Dureza,
Roubalheira.
Rico,
Beleza.
Ladrão,
Deixa-nos sem pão.
Duro,
Dureza.
Beleza,
Só o mar.
19/12/80
MORTO
Na vida de brasileiro,
Casado ou solteiro,
De estado em estado,
Terra pra plantar,
Terra pra semear.
Sem comer,
Sem terra,
Sem casa.
Um brasileiro,
Explorando muitos brasileiros.
Presos,
Grades,
Tiros.
Morto na rua.
Denunciou.
19/12/80
BEBENDO
Leira
Fogueira
Gengibre.
Nem libra,
Nem cruzeiro.
Nem tostão.
Sem pão,
Irmão com irmão,
Embaixo de sol.
Vamos,
Estamos
Sendo explorados
Tomando chuva
Bebendo gengibre.
21/12/80
DOIS
Ver o mar
Namorando.
Praia,
Lua,
Sol,
Estrela.
Eu na praia,
Olhando a lua.
Queimando ao sol.
Eu uma estrela,
Sem eira, indo,
De praia em praia,
Falando amar.
Eu e o mar.
21/12/80
TEUS OLHOS
À Ana Carla
Na tua pessoa,
Uma mulher,
Bela.
Dentro de mim,
Uma lua,
Um sol,
Uma estrela.
Com olhares belos,
Brilhantes que ofuscam
Os meus, raios,
Teus olhos
Da cor da lua.
22/12/80
VONTADE
Fuxicos pelas portas,
Todos de pernas tortas,
De cabeças vazias,
Estômagos com azia.
Fome,
Dor,
Gastrite.
Causa: Coca-Cola & Cia.
Nas bocas vazias,
Entrando em olhos fechados,
Pessoas dormindo.
Cansaço,
Mormaço,
Que me queima
De vontade de ter ela.
22/12/80
SALVARÀ
13 pontos,
não fiz,
não sei,
não dei.
13 gritos,
não tem,
não vem,
não sai.
13 dias,
falta p/ o mundo acabar.
13 gritos o salvará.
22/12/80
CRUZ
A lua nasceu.
Pessoas na terra,
Sorriram, choraram,
Gritaram, amaram.
Eu andei do seu lado.
Me crucificaram.
22/12/80
NATAL
Onde nasci?
Onde vivi?
Aqui?
Ali?
Brasil, meu Brasil!!
Explorado por outros,
Por outrem.
A verdade, o fim, transformar.
Nascer por viver,
Em ruas arborizadas, calçadas,
Pessoas andando no sol.
Eu,
Por um nascimento igual.
23/12/80
terça-feira, janeiro 24, 2006
NADA SEI

Quem pensa que tudo é
poderá terminar como uma nuvem,
sem identidade,
sem forma,
sem alma.
Quem sente-se melhor que os outros,
certamente tem medo do sol,
e da lua então nem se fala,
deve fugir na escuridão,
se escondendo com medo do sereno.
Por isso a moça da sala ao lado
parece ser tão mediocre,
pensa que é encantada,
mas não passa de uma abóbora,
já passada e envelhecida
que não serve para carruagem,
apesar de ainda ser um broto.
Quem pensa que tudo sabe,
deve ter medo da busca,
fugir do novo,
pensando ser um oráculo.
Tenho uma certeza,
muito antiga:
nada sei,
posso ser semente,
posso ser raiz,
posso ser vento!
O novo me chama!
terça-feira, janeiro 17, 2006
OS IMPRESTÁVEIS
segunda-feira, janeiro 16, 2006
AINDA ESPERO

Nada sei do canto
De meus olhos
Que nada vêem,
Apenas buscam a luz
Das estrelas nas noites enluaradas.
Enquanto sinto a dor
D’alma perdida na escuridão
Escuto os grilos
Cantarem músicas
Que fazem o céu piscar iluminado.
Todo o encanto,
Principalmente o desconhecido,
O sentido do novo,
Onde a visão
Encontra o que nada conhece.
Nem sabe onde vive,
Tampouco onde está,
Sentindo somente o canto
E o perfume do tempo
Onde a vida desabrocha
Flores férteis e coloridas.
Nada sei de meu tempo,
Menos ainda esperar
A incerteza do amanhã.
Ainda assim espero!
terça-feira, janeiro 10, 2006
ODE A IARA

Cheguei ontem do Pará.
Lá tomei suco de muruci
e dancei carimbó,
comi carangueijo
e muita caldeirada.
Nadei no Rio Guamá,
vi o sol de pôr em Icoaraci,
tomando água de coco
na praia do Cruzeiro.
Sonhei no Mormaço
encontrar uma sereia,
que mergulhou depois de me encantar,
na fresta de luz da lua nas águas escuras da baia guajará.
Ela me encantou e se foi.
Em Soure enfrentei a areia
na praia do Pesqueiro,
ao som do vento e do mestre Lucindo
sob a claridade da lua,
ainda apenas um risco no céu.
Em Salvaterra mergulhei
acompanhando o Mergulhão.
Não fui tão fundo
era muito arriscado,
mas tentei.
Em Joanes o vento me balançou
na Pousada Ventania,
onde encontrei a confiança
e a esperança,
mesmo ouvindo o chôro das folhas do coqueiro
encobrindo a menina bela e enamorada
pelo boto que também não apareceu na noite estrelada.
Cheguei ontem ao centro do Brasil,
meu coração sente saudade
das calderadas feitas com amor,
das caminhadas embaladas pelas águas,
dos rios caudalosos que me envolveram.
Cheguei ontem,
a lua começa a crescer,
tanto quanto o sonho
em poder caminhar
todas as manhãs
nas margens do Amazonas.
Sonho em descobrir Iara,
para que ela me leve
para o fundo do rio,
onde viveremos prazeirozamente
para a eternidade.
Meu coração está triste...
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