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sexta-feira, março 20, 2009

PEDRO BATISTA É ENTREVISTADO PELO ICC

Por Jose Marcio
20 de março de 2009


http://cidadecidada.org.br/content/view/107/1/


Jornalista, escritor, gestor e militante social. Este é Pedro César Batista. Em entrevista ao Instituto Cidade Cidadã, Batista trata de diversos assuntos extremamente atuais, como a reforma agrária, participação popular, o papel da imprensa, a crise mundial.

Durante o Fórum Social Mundial, realizado em Belém, relançou o livro "João Batista, mártir da luta pela reforma agrária - impunidade do Pará", que retrata a luta da reforma agrária e de seu irmão, assassinado pelo latifúndio há duas décadas. A publicação tem a apresentação de João Pedro Stédile, líder do MST.

Experiente, Pedro atuou movimento estudantil nas décadas de 1970/1980, foi assessor parlamentar e coordenador da Assessoria Comunitária e do Orçamento Participativo (OP) em Peruíbe, na gestão do prefeito Alberto Sanches Gomes (1997-2000). Atualmente atua como assessor sindical em Brasília e jornalista, e mantém o blog www.pedrocesarbatista.blogspot.com.








ICC - Durante o Fórum Social Mundial, em Belém, você relançou o livro "João Batista, mártir da luta pela reforma agrária - impunidade do Pará", pela Expressão Popular, onde retrata a luta da reforma agrária e de seu irmão, assassinado pelo latifúndio há 20 anos. Como vê a impunidade no campo? Porque casos como de João Batista, Irmã Doroty e Margarida Alves, por exemplo, continuam a acontecer?

Pedro - Meu livro João Batista, mártir da luta pela reforma agrária mostra que os dados da violência no campo brasileiro são assustadores. Entre 1964 e 2007 foram assassinados 2.187 pessoas ligadas a luta pela reforma agrária. Do total desses crimes nem duas dezenas de casos os pistoleiros e mandantes sentaram no banco dos réus. As condenações não chegaram a uma dezena. Em contrapartida verifica-se uma feroz campanha, através da mídia, transformando os que lutam pela terra em violentos. Qual a causa disso tudo? A não realização da reforma agrária e a impunidade dos criminosos. Nos EUA, por exemplo, ao conquistarem sua independência em 1776, uma de suas primeiras ações foi a execução da reforma agrária. O Brasil até hoje, no limiar do século XXI, não realizou a sua. Muito pelo contrário, para alguns senhores da terra falar em reforma agrária é inaceitável. Temos, inclusive, alguns oligarcas latifundiários que controlam enormes poderes na República, como o Presidente do Senado, José Sarney, e a bancada ruralista, que tem como expoente o deputado goiano, Ronaldo Caiado, que após o fim da ditadura coordenou a fundação da organização dos latifundiários para combater a reforma agrária, a UDR. Caiado e sua quadrilha comandaram a violência no campo por muitos anos, e agora posam de "democratas". É preciso definir um novo limite a propriedade rural no país, executar a reforma agrária efetivamente, pois somente onde os trabalhadores lutaram isso foi possível. Felizmente os movimentos de luta pela terra continuam nas ruas, estradas, campos e lutando pela liberdade da terra, a verdadeira mãe da vida. Em relação a impunidade é preciso que a sociedade comece a denunciar a conivência do judiciário com essa violência. O Poder Judiciário tem laços profundos com o latifúndio, são dois lados da mesma moeda. A luta pelo fim da impunidade passa por denunciar a morosidade e cumplicidade da Justiça com esse massacre que vem sendo cometido contra os camponeses e seus defensores. As declarações recentes do presidente do STF, Gilmar Mendes, mostram claramente os verdadeiros compromissos de classe desse poder que vive de costas para a sociedade. Somente a mobilização social poderá efetivar a reforma agrária e colocar fim a impunidade reinante.

ICC - Os Poderes Executivos e Judiciários são omissos com a violência no campo?

Pedro - A contradição inerente na composição do Poder Executivo ao mesmo tempo em que assegura a governabilidade necessária, impede que se avance nas conquistas dos trabalhadores brasileiros. A política agrícola prioriza o agronegócio, responsável por grandes danos ambientais, o uso do trabalho escravo, a prática da corrupção ativa permanente e a manipulação de recursos públicos, com uma produção voltada para atender o mercado internacional. Já a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos no país, convive com a biodiversidade, emprega e produz com baixo custo, não recebe o devido apoio do governo. Para os primeiros são destinados 70 bilhões de reais, enquanto para os segundos não chega a R$ 12 bi. As principais ações da política agrícola estão voltadas pra o agronegócio, enquanto a agricultura familiar recebe uma atenção em segundo plano. Isso alimenta a ação criminosa do latifúndio e a conivência do Judiciário. Comprova, assim, que a estrutura do Estado está a serviço dos grandes detentores de riquezas, seja no campo ou na cidade. A crise econômica é a prova disso. Mais uma vez o pagamento da irresponsabilidade do capital e de governantes é colocada sobre as costas dos trabalhadores.

ICC - Como analisa o processo de reforma agrária no Brasil? E o MST, como avalia suas ações e, muitas vezes, a tentativa de criminalização dos movimentos sociais?

Pedro - Somente onde ocorreram mobilizações, com acampamentos, ocupações e resistências conquistou-se a terra. Assim foi desde a implantação da República, em 1889. Passamos por várias ditaduras, com pequenos momentos democráticos, e desde o final de 1950, com as Ligas Camponesas; essa foi a única forma que se possibilitou avançar na luta. Atualmente as ações do MST, MLST, Contag, CPT e outros grupos pelo campo brasileiro comprovam que o único caminho tem sido a luta. O dia em que houver um governo que se disponha a romper com o latifúndio terá de fato uma guerra declarada. Hoje os latifundiários matam com a complacência dos agentes públicos e os assassinos ainda vão à mídia afirmar que quem é violento são os que morrem por lutar pela terra. A criminalização dos movimentos faz parte dessa estratégia da elite econômica brasileira em aprofundar seu poder e tentar isolar os movimentos sociais. Mas não conseguirão. Em 10 de março passado foi lançado, em ato no Senado Federal, a Aliança Camponesa Ambientalistas, composta por movimentos que lutam pela terra e que defendem a biodivesidade e o meio ambiente. Verificou-se que a agricultura familiar está intimamente ligada a luta em defesa do meio ambiente, enquanto o agronegócio, com todo apoio oficial, continua criminalizando os movimentos e devastando a natureza. A criminalização faz parte das ações do latifúndio e seus asseclas para intimidar a luta pela reforma agrária. A resposta foi a criação da Aliança Camponesa Ambientalistas, que precisa ser agregada por todos os verdadeiros democratas e apoiadores da reforma agrária e defensores do meio ambiente. Essa luta é única.

ICC - Neste contexto, como vê o Governo Lula e as políticas públicas para a população, a reforma agrária e urbana, a democracia?

Pedro - O Governo Lula ao mesmo tempo em que avançou nas relações com a sociedade civil, criando instrumentos de participação e debates, deixou a desejar em muitos aspectos. Fundamentalmente por colocar à frente de funções estratégicas, figuras que aplicam a velha prática do clientelismo. Assim mesmo temos avançado bastante. Poderíamos ter avançado mais, mas estamos no caminho da consolidação da democracia, onde as pessoas não mais precisarão de ajuda oficial para se alimentar, mas estarão livres de todas as amarras do assistencialismo e da dependência, pois as políticas públicas estarão efetivadas.

ICC - Além de escritor e ativista social, você é jornalista? Qual seu olhar sobre a imprensa em nosso País, em nosso dia a dia? A imprensa cumpre seu papel?

Pedro - Há dois lados da imprensa. A grande imprensa e a alternativa. A grande sustenta-se na mídia eletrônica e cumpre um desserviço ao povo brasileiro e aos interesses nacionais. Desinforma a população usado-se de contra-gotas para manter o controle ideológico sustentado no consumo desenfreado. Recentemente a Folha de S. Paulo chegou a tentar mudar a história, chamando a época da ditadura de ditabranda. Esses senhores acreditam que podem mudar tudo, desde que sirva aos seus interesses. A mesma concentração da terra existe nos meios de comunicação. É preciso fazer a reforma agrária das comunicações. Por que não se discutiu com a sociedade se devia ou não se renovar as concessões das emissoras de TV? Não há nenhum país no mundo onde uma emissora de TV tem quase 100% de audiência em todo o território nacional. Apenas aqui e não se debate isso. Felizmente por outro lado há a imprensa alternativa, que circula nas entidades e apresenta as verdadeiras opiniões e interesses dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. São milhões de tablóides e informativos que circulam por todo o País. Há ainda outras publicações que não se enquadram na mídia dominante, as quais cumprem importante papel formador de opinião e informativo para a sociedade. Temos a internet que nos oportuniza muitas informações, são muitos sites, blogs e jornais que não se enquadram no sistema de mercado, propagando outros conceitos e valores, diferentes dos impostos pela mídia do capital.

ICC - Quando você coordenou o Orçamento Participativo em Peruíbe, houve uma grande mobilização da sociedade, em especial das associações de moradores e demais movimentos sociais. Acredita que o OP é um instrumento que fortalece a democracia direta?

Pedro - Sem dúvida essa experiência nascida na primeira gestão do PT, em Diadema, depois consolidada na gestão de Porto Alegre, comprova que é possível utilizar os recursos públicos de forma transparente e crível com os interesses reais da cidadania. Para isso é preciso que os governantes estejam dispostos a oportunizar a sociedade parte do poder. A cidadania, com o OP, passa a ter poder real, decidindo onde, como e em que aplicar os recursos públicos. Infelizmente o processo iniciado em Peruíbe não foi dado sequência, assim como ocorre um processo de desmobilização desse revolucionário projeto em todo o Brasil. Os parlamentares precisariam compreender que o OP pode lhes fortalecer, desde que eles deixem de ser os despachantes de obras e serviços da administração passando a exercer seu verdadeiro papel de fiscalizador e legislador. Se a sociedade, os governantes e os parlamentares se disporem a criar novos mecanismos sem dúvida o OP poderá fomentar instrumentos que consolidem a democracia direta. Esse modelo deve ser incentivado e aprofundado, com ele todos ganham, menos os corruptos e demagogos.

ICC - A América Latina vive um novo momento, em particular com a ascensão de governo progressistas, como Lula, Chávez, Morales, Corrêa, Vasquez, Ortega e agora Maurício Funes em El Salvador. Como avalia este cenário e o futuro da América Latina?

Pedro - A crise do capitalismo comprova o que Marx escreveu há mais de 150 anos no Manifesto Comunista que o capitalismo é seu próprio coveiro. E é isso que estamos vivendo. Mais uma crise, com os negócios indo à bancarrota e o Estado os salvando, retirando recursos da saúde e educação pública, da moradia, da seguridade social para preservar seus patrimônios bilionários. A América Latina significa que há esperança. A resistência desses governantes de esquerda que enfrentam de forma criativa e ousada os poderosos do Norte mostra que a Humanidade não se curvará à opressão do capital. Chaves e Evo zeraram o analfabetismo. Evo enfrentou os latifundiários na Bolívia e aprovou uma nova constituição, impondo um novo limite a propriedade rural naquele País. Correa realizou a auditoria da dívida. E muitas lutas ainda serão travadas. É preciso fortalecer a unidade latina, resgatar o sonho de Bolívar e de Che Guevara, construir um continente onde todos sejamos capazes de viver com dignidade e semear a esperança no planeta.

ICC - Suas considerações finais.



Pedro - Acredito que somente com a mobilização, organização e consciência política das camadas populares seremos capazes de construir efetivamente uma pátria livre e soberana. A luta pela terra, a conquista da reforma agrária, o resgate da memória dos combatentes que ficaram no caminho, entre eles a de João Carlos Batista, somente animará a luta. É preciso resgatar referenciais; a política não pode continuar como balcão de negócios, precisamos trazê-la de volta aos interesses comunitários, populares e coletivos, deve estar a serviço da vida e da justiça social, não do mercado.

quarta-feira, março 04, 2009

Mulheres em luta



















Flores acreditam em seus sonhos
Flores semeiam rebeldia
Flores resistem à opressão
Flores de luta
Mulheres semeando estrelas
Plantando a confiança no amanhã
Flores desabrocham
mesmo em terras áridas
Semeiam árvores
formam florestas
conquistam a liberdade
Flores semeiam sonhos
Propagam a rebeldia
Derrotam a opressão
Mulheres e flores
encantam e cantam
um novo tempo.


8 de março - dia de luta por um novo tempo de justiça, paz e fraternidade entre mulheres e homens.

Quaresmeira
















Quaresmeira lilás
copa fechada florida
inspira o céu
ilumina o sol
encanta o universo
Quaresmeira florida
copa fechada lilás
brilha o olhar
alimenta a alma
Quaresmeira encantada
florida e lilás
inspira um novo tempo...

terça-feira, março 03, 2009

Cyber Amor

Beatriz Ribeiro e Pedro Cesar Batista




















Instigadores do bem e da vida
Inspiradores do amor e do prazer,
Inspiradores do encontro e dos sonhos

Almas que se logam e se amam
Vivendo maravilhosos momentos

Instigadores do bem e da vida
Uma deliciosa loucura que dá muito prazer

Almas que se logam para amar
Almas que se juntam para reverenciar o amor
Descobrem que o tempo sempre oferta um novo começo
Tempo de recomeçar um novo começo
Tempo de respeitar o tempo
Aprendendo com o suspirar
Respirar o desconhecido e a grandiosidade da vida.

Que tempo é esse?

Tempo de agradecer a importância da vida
Inexplicável com tantos desejos nesse novo tempo
Nesse novo recomeçar
Onde sementes cibernéticas éticas reais brotam
Corações nessa viagem frenética,
Cheia de esperança desejam encontrar alguém
Real como pedra ou nuvens adubando o sol
Molhando as flores, Belíssimas, pelo jardim
Onde a humanidade será rosas, jasmins, amores-perfeitos, lírios...
Flores na imensidão do Cosmo.

E perdidos na multidão estão aqueles que não encontram
Um porto seguro para suas mágoas e dores.
Navegando acreditam em seus sonhos
Então navegam, navegam, navegam
Com a certeza que chegarão ao horizonte
Refeitos depois da longa caminhada

Almas que se logam e se amam...

domingo, março 01, 2009

Manhãs ensolaradas















Nada canta em meus ouvidos,
ouço apenas os pedidos dos pássaros presos por liberdade.
Nada encanta meu olhar,
vejo apenas a dor da fome nos faróis.
Nada brilha meu coração,
sangrando pela tristeza do desamor.
Nada ilumina meus passos,
apenas seguem firmes sua caminhada.

Meus pulsos mantem-se levantados,
acreditam no amanhã,
apesar das noites mal dormidas.

As luzes dos pássaros,
o voo das borboletas,
o sorriso das crianças,
as sementes brotando,
a água do riacho correndo,
o povo que sonha,
sempre animarão meu canto,
meu olhar,
meus passos,
meus pulsos
na semeadura de manhãs ensolaradas.

Nada desanima o sol,
nada desencanta os pássaros,
nada apaga o brilho das fontes,
nada desacredita as flores,
transformando-se em frutos
para todos os seres se alimentarem.

Nada desacredita a terra
que brota fé nas florestas.

Meus ouvidos escutam esse tempo,
meus passos o mira e o persegue.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Declaração de Fidelidade





















Declaro para os devidos fins que meu amor é único e exclusivamente meu. É intenso, verdadeiro e comprometido. É integral, dedicado, cuidadoso e forte. Não esconde a sua essência, transmite de todas as formas o que sente, acredita, pensa e faz. Sua transparência pode ser vista a olhos nus. Não há como escondê-lo. Esse meu amor assume compromissos. Acredita que é capaz de mudar o mundo. Esse meu amor pode conquistar a vida, a luz e o brilho por sua entrega e confiança. Pode ser solitário, sofrer, sonhar demasiado ou mesmo se transformar, adquirindo outras formas e níveis. Esse meu amor é dialético. A escolha a quem destiná-lo e a que sonhos dedicar-se é exclusividade minha. Dedico-lhe assim às minhas filhas, que o receberão eternamente. É um amor integral, que busca uma parceira para elaborar e construir sonhos comuns. Somente a mulher que conquistar minha alma o receberá, podendo, então, adentrar em meu ser integralmente. Ela será a receptora desse oceano de meu sentimento. O respeito e fidelidade são fundamentos de sua forma de ser. Esse meu amor não é mesquinho ou individualista, tem ligação intima com a construção de uma sociedade mais justa. Para isto vai às últimas conseqüências, se necessário, para combater as inverdades históricas e a exploração do homem pelo homem. É um amor altruísta, sem apego aos bens contemporâneos, sustenta-se na solidariedade, na entrega e no respeito à vida. Esse meu amor é pedagógico, fundamenta-se no exemplo, tendo o discurso apenas como resultado. A individualidade é fundamental, mas não será fruto da liberdade burguesa, egoísta, mesquinha, que tem como base o hedonismo. Esse meu amor baseia-se no carinho, na atenção, no cuidado, no companheirismo e na cumplicidade com os sonhos, as lutas e do mais profundo da alma. Não se sustenta na insegurança, no ciúme ou no sentimento de posse. É um amor inteiro, onde duas partes inteiras serão capazes de alcançar, de mãos dadas, a lua ao anoitecer ou atravessar as galáxias quando desejarem voar. Seremos capazes de contribuir na construção da paz, da solidariedade e da verdadeira humanidade nas relações humanas. Meu amor deseja outro amor assim. Crente na raça humana e na capacidade de compreensão, de ser justo e da pureza da existência. Meu amor fez sua escolha, tem a sensibilidade do tempo e a esperança como direção a seguir.

Firmo e assino a presente Declaração de Fidelidade.

Peruíbe, 24 de fevereiro de 2009

Pedro César Batista

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Os colibris me acordarão



















Um tempo sem começo nem fim
um dia sem noite
um luar sem céu
as folhas descolam das árvores
são levadas pelo vento
olho o tempo que nao vivi
sinto saudade dos olhares que não me miraram
sinto o gosto do beijo que não tive
sinto o abraço que não me aqueceu
um tempo deconhecido
flores que não brotaram
sementes que buscam terra
raízes sedentas
luz que quer céu
as manhãs sempre nascem
certamente os colibris cantarão em minha janela

tristeza














o sol nasceu maravilhoso
e não me viu
os pássaros estão cantando
é nem me olham
o brilho das árvores ao lado de minha janela
parece fugir de meu olhar
o canto de minha alma
está emudecido
a circulação sanguínea
que parar
o coração é forte
sente a solidão
que tempo de medo é esse?
resta-me a dor.

domingo, fevereiro 15, 2009

A humanidade vencerá.

Ontem ouvi uma música, a letra falava que a fraternidade e solidariedade são apenas cartões postais de políticos em homenagem às festas de fim de ano. Não me lembro o nome do autor. Era a Rádio Cultura de Brasília, uma das minhas preferidas, por tocar cantores desconhecidos e, sempre, boas músicas. Não concordo com o autor da canção.

Ao longo de minha vida o que mais tenho conhecido são pessoas solidárias e fraternas. Quantas vezes pessoas desconhecidas agiram solidariamente comigo. Quantas vezes recém conhecidos também demonstraram esse comportamento. Claro, os amigos antigos são os que mais provam a existência dessa qualidade nas pessoas. Sem dúvida vivi muitos momentos o oposto disso. Há os utilitaristas, os quais aproximam-se apenas enquanto tentam preservar seus objetivos. Conservam apenas relações oportunistas e úteis aos seus interesses. Quantos não agem assim? No entanto, entre o conjunto de meus conhecidos,incluindo parentes, aderentes e parceiros de lutas, sonhos, noites, choros e alegrias, amigos e companheiros, a grande maioria sempre foi solidária. Há aqueles conhecidos de longa data que sustentam-se na inveja e na traição. Felizmente é minoria.

A humanidade, como disse Milton Santos, precisa ser construída. Sem dúvida. Nunca vivemos um período em que a fraternidade e a solidariedade fossem a ação determinante das pessoas. Seja no mundo primitivo, feudal ou capitalista antigo, moderno ou atual. A exceção ao longo da nhistória foi o período das comunidades primitivas em seus clãs e aldeias. Certamente chegamos em uma encruzilhada. Ou construimos relações efetivamente humanas ou retornaremos ao tempo em que o homem também era caça e caçador. O capital, seus agentes e asseclas, atuam, infelizmewnte, ainda assim. Sobrevivência. Mas isso passará. Acredito.

Recentemente devido meu trabalho literario em resgatar a memória de um combatente da luta do povo, o qual era meu irmão, soube que sua viuva acusa-me de aproveitador. Dizia ela que quero vender livros, nada mais. Ao mesmo tempo ela está aliada a um dos suspeitos de ser o mandante do assassino de seu ex-marido. Imagino como seu ex-marido deve estar se sentindo no túmulo. Oxalá possa ao menos se mexer. Mas pessoas assim, como essa viúva, são minoria. Felizmente. Tenho comprovado o alto nível de solidariedade e fraternidade da espécie humana, mesmo com a busca desesperada por status, poder, prebendas do Estado e mordomias. A maioria ainda é solidária e fraterna.

O autor da canção que escutei, a qual tem uma bela melodia, é de Brasília, cidade bela, livre e encantada a quem tem bom emprego, bons salários ou boas redes. A maioria do povo da cidade certamente não caminha no eixão aos domingos, nem vai aos clubes, nem tem acesso aos bosn cinemas, continua explorada e servindo à aqueles que deveriam servir ao público, no entanto sustentam-se na exploração do homem pelo homem. Ultilizam para isso o estado, instrumento de dominação das classe dominantes, a quem servem. Assim mesmo ainda acredito que viveremor um novo tempo, onde todos serão felizes, poderão sorrir ao caminhar com seus filhos ou sonharem em estar ao lado de suas amadas, mesmo distantes. Esse tempo virá.

sábado, janeiro 10, 2009

Auschwitz será Gaza?















Acabei de almoçar soja e um risoto.
Tomo cerveja e escuto Bob Dylan.
Nem sei quem sou enquanto aqui estou,
diante de tantas crianças que sangram?
Quantas bombas financiadas pelos yanques matam crianças,
mães e pais em Gaza?
Chorar de nada adiante.
Pixar muros e denunciar essa matança é muito pouco.
Onde pensam que chegarão os sionistas israelenses?
Auschwitz será Gaza?
Quem sou que nada faço?
Meu almoço tem gosto de omissão,
tem a dor da solidão que sonho findar.
Quem sou que apenas ouço Bob Dylar?
A música invade meus ouvidos
ao mesmo tempo que o estrondo das bombas nazistas
matam os palestinos em Gaza.
Os imperialistas fazem discursos mentirosos
na sede das Nações Unidas,
aceitando esse massacre,
massacre e mais massacre,
mais um,
sem garantir a vida?
Sustentam-se na morte.
Auschwitz será Gaza?
Nuremberg deve ser um novo palco,
os sionistas devem ser julgados.
E essa música triste e apaixonada pela vida
que despeja Dylan em meus ouvidos,
enquanto a morte e o sangue jorra sob as oliveiras.
Quem sou que nada faço?
Viver comendo risoto e tomando cerveja
de que adianta?
Se fosse uma bomba certamente teria alvo para cair.
Pediria carona a pomba de Picasso,
ela deve estar chorando com tudo isso,
então me entenderia.
Os estrondos das bombas assassinas
devem ser parados,
caem em lugar errado.
Poderiam ser bumerangues,
levando em seu retorno a vida.
Auschwitz será Gaza?

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Entrevista a Bruno Pinheiro - REJUMA

Entrevista a Bruno Pinheiro - Blog Militante do Campo.

1. Qual foi a sua idéia ao resolver escrever o livro que recebeu o nome de "João Batista: mártir da luta pela reforma agrária?"

Atuo na luta do povo há quase 30 anos. A cada dia mais vejo como são deixado de lado importantes referenciais para se transformar a sociedade. A luta política, especialmente a travada por partidos, transformou-se num verdadeiro balcão de negócios. Os interesses comunitários, populares, ambientais e em defesa da vida foram colocados em terceiro, quarto plano. O que importa é ter fatias de poder e consumir. Para atingir isto pratica-se um vale tudo nas relações humanas. Então, a partir desta realidade, como conhecedor da história de João Carlos Batista, um combatente do povo que foi até às últimas consequências na defesa de uma sociedade mais justa, senti-me na obrigação de resgatar a sua história. As contribuições de João Batista na luta por justiça social, não apenas a luta pela reforma agrária, onde se dava sua atuação mais destacada, foi de grande importância. Resgatar a sua história é apontar práticas e comportamentos que combatam as injustiças sociais, o oportunismo, a degradação ambiental, a desvalorização da vida e a mentira, significa propagar a esperança, a luta e o respeito ao trabalho e aos trabalhadores. Ele não usou em vão o nome dos trabalhadores. Batista é um exemplo a ser seguido, mas para isso sua história precisa ser conhecida, especialmente pela juventude. Por isso escrevi o livro.


2. No decorrer do livro são apresentadas, só do Pará, diversas pessoas que pagaram com a própria vida por não desistirem de lutar pelo que acreditavam, entre elas João Batista, seu irmão. Ainda hoje há pessoas perdendo a vida por se manifestar e resistir às dominações impostas pelos detentores do poder econômico e político. Por quê, na sua opinião, tantas pessoas morrem em nome de causas sociais e tão poucas são lembradas pela sociedade?

A classe dominante massacra o povo de todas as formas. Primeiramente controla a economia, mantendo a maioria em consições de pobreza e miséria. Em seguida impõe valores culturais e ideológicos, massificando a população através dos meios de comunicação. A Tv cumpre um importante papel dominador a serviço dos poderosos. Eles usam ainda a violência física contra os mais pobres. No Rio de Janeiro a polícia mata diariamente gente humilde, sempre "em confronto". Em São paulo não é diferente. É uma guerra dos pdoerosos contra os mais pobres. Então quando aparecem pessoas que passam a organizar o povo para enfrentar essa guerra econômica, ideológica e militar os represetantes do status quo não vacilam: matam. E na lauta pela terra aqueles que defendem a reforma agrária tem sido assassinado em grande quantidades. Os assassinos, pistoleiros ou policiais, e os mandantes em quase a totaldiade dos casos estão impunes. Muitos mandantes, inclusive, são detentores de mandatos políticos. Quando o morto tem alguma ligação com organizações mais forte, estas resgatam a memória desses combatentes. Assim é o caso de Chico mendes, Irmã Doroty e poucos outros. A grande maioria dos mortos na luta do campo é como João batista. São colcoados no esquecimento. São mortos e depois a história desses mártires é esquecida. Toranr conhecida a vida desses mártires não interesse à Classe Dominante. Se o povo tomar conehcimento de sua verdadeira história de lutas, certamente aprenderá que a luta é o único caminho a seguir. REsgatar a memória de Batista e de outros companheriso assassinados é animar a luta, assoprar a chma da rebeldia, da indignação e da esperança.


3. Pra você, qual o lugar da reforma agrária nos processos de transformação social no Brasil?

Apesar do Brasil possuir uma área agricultável maior que a área semelhante da China nossa produçãod e alimentos é menor. As boas terras sãod estinadas ao agroneg´cio, que devasta enormes áreas, usa agrotóxico e ainda trata seus empregados como escravos. Essa produção e monocultura somente serve a acumulação de riqueza, crescimento da miséria e a destruição ambiental. Se não fosse a luta dos trabalhadores rurais, que se organizam e ocupam as terras, nunca teria sido feito reforma agrária em nosso país. A violência urbana tb é consequencia disso, pois ao ongo de décadas os camponeses foram expulsos para os grandes centros e obrigados a viverem em consições subhumanas em favelas. Considero que a realização da reforma agrária está em primeiro lugar: possibilitarai aumentar a produção de alimentos de primeira necessidade, presrvaria o meio ambiente, pois a agricultura familair é sustentável, reduziria a violência com a geração de emrpego e renda, diminuindo a pressão existente nos centros urbanos. A luta pela reforma agrária, a luta em defesa da vida e da sustentabildiade andam juntas.


4. Nas palavras do João Pedro Stédile, o livro "é um registro fiel da luta de classes na Amazônia" na década de 80. Qual a sua análise do atual contexto da luta pela reforma agrária?

Na atualidade o grande inimigo é o agronegócio. Como disse na resposta anterio ele usa trabalho escravo, devasta a natureza, desenvolve a monocultura e aprofunda a miséria em nosso país. E na região amazônica o agronegócio é muito forte. O governador do Mato Grosso, Blairo Magio é um dos mais fortes produtores de soja do mundo, causando com sua produção danos irreparáveis ao ecossistema. Em Roraima os arrozeiros causaram grandes danos aos povos indígenas e a natureza. O governador deste estado em nenhum moemnto defendeu a Constituição Federal (que assegura as reservas indígenas em terras continuas), mas foi veemente na defesa dos interesses desses fazendeiros. No Pará e Maranhã tem sido comum fiscais do Mistério do Trabalho libertaarem trabalhadores em consições de escravidão. Então lutar pela reforma agrária continua sendo uma das mais importantes bandeiras de todos os movimentos sociais brasileiros.


5. Se aproximando do aniversário de 25 anos, o MST fala em recolocar a importância da reforma agrária na pauta da sociedade. Relembrar os mártires desta luta não pode ser uma forma de fortalecer este assunto?

Quero isso com a resgate da história de João batista. Segundo o professor José Carlos Saboia, da UFMA, Batista foi a maiori liderança camponesa dos anos 80 no Brasil. Faz 20 anos do assassianto desse mártir e agora que sua história está sendo resgatada. E por quem? Por irmão. Isso mostra que a luta pela reforma agrária precisa estar na ordem do dia de toda a sociedade. Assim como resgatar a memória dos mártires da luta pela terra deve ser uma tarefa de todos, não apenas de organizações que perdem seus membros. Os mártires da luta pela terra simbolizam o interesse de todo o povo, por isso devemos trazer para a rua a luta pela reforma agrária, aliada a luta pela sustentabildiade.



6. Uma das maiores necessidades dos movimentos do campo é articular suas bandeiras com as lutas urbanas. Na sua visão, que papel a juventude pode exercer neste processo?

Isso será determinante. Sem a unidade campo ciade não conseguiremos romper as amarras do atraso imposto pelo capitalismo. É preciso que as populações urbanas compreendam que as lutas dos trabalhadores rurais estão intimamente ligas aos interesses urbanos. Significa reduzir a pressão das grandes cidades, reduzir a destruição ambietam, aumentar a produçãod e alimentos, criar alternativas de abastecimento alimetar que não dependam do latifúndio monocultor e danoso a vida em todas as suas formas. Somente a juventude, das cidades e do campo, poderá forjar essa unidade, construir um amplo movimento capaz de fazer retoamr as grande smobilizações e arranacar as conquistas que a sociedade brasileria precisa. Somente a juventude poderá acabar com o sectarismos e o dogmatismo que ainda prevalece em certos setores que estão em luta. Essa luta é de todos e os jovens tem papel determinante nessa caminhada. Ler João batista, mártir da luta pela reforma agrária certamente contribuirá na construção dessa compreensão e dessa unidade imprescindível.



7. Pra encerrar, a que você credita, hoje, a morte de seu irmão?

A violência sécular imposta pelo latifúndio e as demais classes dominantes, acostumadas com essa práticva e a impunidade assegurada pelo Estado, que com seus governantes atuam como asseclas desses poderosos, verdadeiros parasitas que se sustentam na miséria e igorância que disseminam. João Batista sabia que corria risco de ser assassinado. Antes dos latifundiários conseguirem seu intento realizaram três atentados. Assim como meu irmão, muitos também tombaram. O mais grave nessa caminahda são aqueles que para terem acesso as migalhas cedidas pelos detentores do poder mudam de lado, traem a sua história, passam a servir ao capital e ao latifúndio. A luta que tantos mártires levaram permanece. Infelizmente muitos de nosso lado ainda poderão tombar, mas certamente chegará o momento em que fazendeiros, políticos e oportunistas de todas as espécies que se aproveitaram do assassinato de Batista pagarão o preço devido. A história está ai para mostrar que sempre haverá quem continua combatendo esses assassinos e exploradores. A luta de João Batistra é a luta de todos aqueles que acreditam na vida.

terça-feira, dezembro 02, 2008

20 anos sem João Batista, mártir da luta pela reforma agrária

No próximo dia 6 de dezembro completam-se 20 anos do assassinato de João Carlos Batista. Ele foi assassinado na frente de seus filhos e da esposa ao chegar em sua residência, no centro de Belém, capital paraense, logo após fazer seu último discurso na Assembléia Legislativa Paraense, onde exercia o mandato de deputado estadual constituinte.

Na tarde desse dia, há 20 anos, Batista, mais uma vez denunciou da Assembléia Legislativa paraense que havia sido ameaçado de morte. Denunciou dois oficiais da PM paraense que, publicamente falaram que ele merecia bala, durante um ato público na cidade de Paragominas, interior do Estado. Nessa tarde discutia-se a elaboração do Regimento Interno da Assembléia Constituinte do Estado. Alguns colegas deputados, Mario Chermont e Mariuadir Santos, no lugar de tomarem as providências necessárias como presidente e secretário, respectivamente, da Casa Legislativa, fizeram galhofa da fala do parlamentar e advogado ligado às lutas do povo. Algumas horas depois ocorria o assassinato.

Batista, como era conhecido, nasceu em Votuporanga, interior de São Paulo, e, aos 13 anos, em 1965, transferiu-se com a família para a cidade de Paragominas (PA). Influenciados pela propaganda do governo militar foram para a região amazônica em busca de terras para trabalhar. Camponeses pobres ao chegarem no Pará encontraram muitas dificuldades. Ali presenciaram todas as formas de violência praticada pelos poderosos, que formavam grandes latifúndios, contra os mais pobres que também acreditavam que ali poderiam conquistar uma vida melhor. O que predominava era a impunidade de latifundiários que perseguiam as populações nativas e os colonos que chegavam em busca de terras. A família de João Batista permaneceu em Paragominas até 1975, quando se transferiram para a capital, Belém. O filho mais velho tinha 21 anos, quando retomou os seus estudos.

Após concluir o supletivo ingressou no curso de Direito. Passou a participar do movimento estudantil. Dirigiu a primeira greve estudantil no estado, após 68, quando os estudantes do antigo CESEP pararam, em 1978, as atividades em luta contra as mensalidades abusivas. Integrou a Comissão Nacional pró-UNE, que organizou o Congresso de Reconstrução da entidade, em Salvador (BA), em 1979.
Formado passou inicialmente a advogar para trabalhadores urbanos. Vinculou-se a vários sindicatos, lutando contra a pelegada e reorganizando as lutas dessas categorias. Logo em seguida voltou-se inteiramente para a luta componesa, orientando posseiros e colonos nas lutas contra os latifundiários e organizando trabalhadores rurais sem terra em ocupações nos municípios de Paragominas, São Domingos do Capim, Irituia, Dom Elizeu, Rondo do Pará, Viseu, Ourém e em outras regiões do Estado. Sua inteligência, dedidicação pessoal, financeira e física foi totalmente destinada a luta pela Reforma Agrária. Devido sua atuação sofreu três atentados mortais. No primeiro, seu pai, Nestor Antônio Batista, recebeu uma carga de chumbo de uma cartucheira calibre 20; no segundo, ficou três dias na UTI, entre a vida e a morte e, no terceiro, após um intenso tiroteio, no meio de uma manifestação com mais de 5 mil trabalhadores presentes, celebrando o primeiro de maio de 1987, em Paragominas, ficaram vários feridos e um pistoleiro linchado. Tentaram matar o advogado no meio da multidão, mas o povo não recuou e fez justiça na hora e com as próprias mãos. Sempre os meios de comunicação no Pará manipulavam a informação, passando a imagem que aqueles que eram as agredidos por balas de pistoleiros e policiais é que eram os violentos. Depois de seu assassinato sua memória foi colocada no ostracismo. Apenas manifestações isoladas recordam a mémoria desse mártir da luta do povo brasileiro.

A atuação política de João Batista durou pouco mais de 10 anos. Nesse curto período perdeu muitos companheiros: Mauro Carneiro, Chico Balela, Gabriel Pimenta, Salvador Alves dos Santos, Reginaldo Alves, José Marcião e Ariston. Todos covardemente assassinados por pistoleiros a mando de latifundiários.

Com o seu assassinato assumiu a Secretaria de Segurança Pública do Estado, Mario Malato. Delegado do DEOPS/PA, este policial comandava a perseguição a posseiros, colonos e sem terras, atuando de forma parcial e violenta apoiando os latifundiários e em companhia de pistoleiros. João Batista o chamava de “cão de guarda” de latifundiários e pistoleiros. Após a morte de Batista foram presos dois pistoleiros, sendo um degolado na prisão e o outro condenado a cumprir pena de 30 anos em regime fechado. Nenhum mandante foi citado, apesar do envolvimento e denúncias de muitos nomes de figuras importantes no estado estarem envolvidas. Como sempre os poderosos mantiveram-se unidos e preservaram-se, uns defendendo os outros.

A luta pela terra tem sido regada a muito sangue ao longo da história brasileira. É preciso resgatar a esperança na construção de uma sociedade, onde todos tenham assegurado as possibilidades e oportunidades de viver com dignidade. E a terra é a mãe da vida, assegurar a sua democratização, a produção de alimentos e uma justa distribuição são o caminho para uma vida melhor. Esse foi o sonho de muitos que tombaram: João Batista, Chico Mendes, Irmã Doroty, Canuto, Expedito, Quintino e tantos que foram às últimas conseqüências na defesa dos direitos do povo pobre.

Resgatar a memória de João Carlos Batista e daqueles que defenderam justiça social é apontar para referencias que sinalizem a importância da luta, da organização dos trabalhadores e da necessidade de se conquistar a reforma agrária para a construção de um mundo mais justo e fraterno. Esse é o caminho para a construção do socialismo.

PS. Mais informações no livro João Batista, mártir da luta pela reforma agrária, de Pedro César Batista. 2008. Expressão Popular.
Informações: pcbatis@gmail.com

segunda-feira, novembro 03, 2008

Seguir a ventania.
















Verdade
Verdadeira
derradeira
vontade em qualquer
idade
tempo
espaço
olhar
que se busca.

Confundiro vento
com o brilho da escuridão
não faz bem,
não convêm a humanidade
sempre jovem
apesar da idade.

Quem mata mais?

A guilhotina afinada
com o canto do cisne?

A forca desesperada
como o grito
dos pulmões que se fecham?

O fuzil com seu estálo
seco de causar espanto ao medo?

Verdade dos tempos
que os muros não deixam entrar.

A fome e ignorância
servem a que senhores?

E a velocidade da mentira
propagada na TV
pela CNN ou o Jornal Nacional?

Qual mentira é mais verdadeira
nos shoppings centers das almas modernas?

E o lucro propagado como Salvador?

Deus, o todo poderoso dos sonhos desse tempo não mente: Ele voltará!

Sua forma será em moedas
e barras de ouro,
todas em cartões de crédito,
internacional e sem limite.

Qual verdade é mais verdadeira que a minha morte,
deixando de crêr em meu Senhor,
sem escravos,
nem poder,
apenas mais uma gota da chuva que não vem?

Resta então dar mais um passo,
rumo ao norte,
enquanto o carrasco não chega.

sábado, novembro 01, 2008

Desafinado.








Não quero guerra.
Preciso de terra boa
onde possa me enraizar
e respirar o vento de novos tempos.

Não quero o último modelo de celular,
nem passar em concurso,
com altos salários.
Sonho com o fim da fome e da exploração,
um novo tempo de braços dados
alinhados com um novo canto.

Quero a paz real.

Quero flores nos cabelos
brilho nos olhares,
crianças correndo
atrás de borboletas.

Não quero bebés em colos nos faróis da rodoviária,
nem quero a mediocridade desse consumo criminoso.

É preciso novas sementes
que germinem
abraços apertados
verdadeiros
perfumados
apaixonados
pelas pessoas
flores
bichos
e crianças.

Quero esse sonho
brotando em almas
iluminando mentes
apertando corações
no planalto
no sertão
no campo
no Planeta.

Nada de acumular capital
desvairado faminto assassino.

A voz quer sair,
mesmo sufocada
pela solidão dos gritos desafinados
que ecoam na escuridão.

Quero combater a desesperança,
semear tempestades.

segunda-feira, outubro 27, 2008

25 de outubro, 91 anos depois o sonho está presente













Em 25 de outubro de 1917 os operários, soldados e marinheiros russos ousaram romper um tempo de escuridão e sofrimento para aquele povo e a humanidade. Conseguiram iniciar a implantação de um novo modelo de Estado a serviço dos trabalhadores e do povo, o socialismo.

Dirigidos por Lênin, Wladimir Ilich, e organizados pelo Partido Operário Social Democrata da Rússia – POSDR em toda a vastidão do território russo, mobilizados tomaram de assalto o poder do Czar e do governo provisório, implantando um novo governo sustentado na organização dos Sovietes (Conselhos). Enfrentaram o maior dos impérios para conquistar a liberdade do jugo do capital e iniciar a construção de um novo tempo.

Sofreram ataques militares, sabotagens e a feroz propaganda dos vizinhos e inimigos internos por muitos anos. Mesmo assim consolidaram a implantação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. Um estado socialista que incomodou e amedrontou os governos do ocidente, assustados com nova forma de governo, democrática e de massas. A política e a economia foram colocadas a serviço da maioria do povo. Os governos capitalistas ficaram preocupados com o fascínio exercido aos trabalhadores de todo o mundo que passaram a ter como palavra de ordem a consigna da Associação Internacional dos Trabalhadores, fundada por Karl Marx, “Trabalhadores de todo mundo, uní-vos”.

“Fustiguemos a carroça da história. À esquerda, à esquerda, à esquerda”, escreveu Maiakovski. “A trombeta dos bravos já soou o alarme. Nossos estandartes aos milhares avermelham o céu. Só a rota dos traidores é que conduz à direita. À esquerda, à esquerda, à esquerda”. O poeta da revolução escreveu isso em 1918, em seu poema Á esquerda. Iniciava-se uma nova fase na história da humanidade. Os burgueses e imperialistas ficaram desesperados e passaram a atacar ferozmente a nova pátria dirigida pelos operários, soldados e marinheiros. Estes resistiram e venceram muitas batalhas. Destruíram a chaga da fome, da ignorância, da miséria e da exploração do trabalho pelo capital.

A revolução Russa foi uma luz na escuridão que a humanidade vivia. Resistiu por muitas décadas. Mais acertou que errou. Isso fortaleceu as lutas dos trabalhadores que passaram a acreditar que seria possível conquistar um novo mundo. Acreditaram que seria possível enfrentar o capital e fortalecer o trabalho, assegurando os direitos que os produtores mereciam. O mundo foi outro depois de 25 de outubro de 1917.

Certamente os erros praticados custaram um preço alto aos trabalhadores. Massacres foram cometidos em nome da revolução. O enfrentamento ao Soviete de Kronstadt, comandando por Leon Trotsky, mostrou o que viria depois. Stalin e sua burocracia, depois da morte de Lênin, mesmo tendo derrotado o nazismo durante a segunda guerra mundial, passou a sufocar a criatividade e a força das massas. A burocracia estatal tomou conta de um estado que deveria ser dos trabalhadores.

Muitas conquistas foram obtidas pelos trabalhadores, não somente os soviéticos, mas de todos os países. A experiência de implantação do socialismo foi cortada muito tenra. Agentes a serviço do capital e contrários à implantação do socialismo boicotaram esse novo tempo que nascia. O trabalho de solapamento e desarticulação executado pelos contra-revolucionários conseguiu esse passo atrás. Para a história da humanidade, que é composta por avanços e retrocessos, isso é normal.

O que não pode ocorrer é colocar na lata do lixo das sociedades essa grandiosa experiência de construção de um Estado a serviço dos trabalhadores e da maioria do povo. O Estado Soviético foi uma semente que não morreu, apesar de tudo ainda germina em mentes e corações por todo planeta. Não se pode repetir um discurso falso e reacionário que o socialismo morreu, muito ao contrário. Um século significa um piscar de olhos para a humanidade, a aspiração por uma sociedade mais justa, sem explorados, nem exploradores, não morreu.

Decorridos 91 anos depois da implantação da primeira experiência esses ideais continuam vivos. A memória dos revolucionários de 1917 não será esquecida, muito menos as bandeiras por eles defendidas, ainda no início do século passado. Esse sonho não será apagado com as propagandas de consumo e do individualismo, aliado ao distanciamento de pretensas lideranças de esquerda do povo, especialmente no momento atual com a crise de Wall Street, que comprovando as afirmações feitas por Karl Marx de que o próprio capitalismo é seu coveiro. Um novo tempo há de brotar.

25 de outubro



















Lenin e o povo conquistaram o poder.
Todo poder aos soviets.
Quase um século, 91 anos.

Um raio de luz na escuridão da humanidade
começa uma nova fase na história.
Trabalhadores do mundo inteiro
corporificaram esse novo tempo.
Um sonho começa a ser realizado.
Multidões ousam acreditar que outro mundo era possível,
acreditam que poderão chegar a lua
transformam a dor em esperança
o gelo em fogo
as flores em sementes de um novo tempo
que se espalham por todos os continentes.

A reação se desespera
não mede esforços para barrar o novo,
o medo do povo é enorme.
Uma vez mais a violência se torna a arma principal
para impedir outro sistema:
o socialismo e o governo dos trabalhadores.

Usam todas as armas e mentiras
- ainda mantidas nos tempos atuais -
espalhando dor, medo e morte.

Lenin e o povo conquistaram o poder.
Operários, soldados e marinheiros
iniciaram a construção de um novo tempo.

A escravidão do capital foi sepultada.
As chagas da exploração feudal
foram esmagadas pelo novo sistema.
Os Palácios foram ocupados pelo povo
que fazem fogueiras em avenidas, praças e campos
destruindo tudo que simbolizava o império.

Um velho que insistia em querer sobreviver,
um cadáver que resistia desesperadamente ao funeral,
- invertendo a história e se dizendo novo -
quando estava fétido depois de tantos séculos
sustentando-se pela opressão, ignorância e miséria.

O mar do trabalho e das massas populares
incendiaram o poder do Czar
transformando-o em cinzas da história
a exploração e a miséria imposta.

Iniciou-se a implantação do Estado Soviético.
Consolida-se a revolução russa.

Lenin e o povo tomam o poder.
Um novo tempo foi instaurado no planeta.
Todo poder aos operários, soldados e marinheiros.
Uma luz formada pelo povo
apontou novos rumos
na escuridaão da humanidade.

Todo poder ao povo.

Em menos de um século ainda é nova,
seus erros causaram uma interrupção,
um trepidar momentâneo na história,
atrasando o plantio de novas ventanias,
onde a fartura, a justiça e a liberdade
haverão de crescer em cada coração.

Vida eterna aos ideais dos revolucionários de outubro.
O tempo que nasceu com a União Soviética não morreu.
Experiências desse novo tempo
não deixarão de propagar os acertos praticados.

Vida longa ao 25 de outubro.

terça-feira, outubro 14, 2008

O Outono e o Ipê

Adriana Elias


No banco da praça ...Do Ipê , pé amarelo
Pueril figura...Da vida saudaz
Relembra lembrança
As folhas, o tronco ...Do rijo Ipê
As pipas, os pulos...O vento apraz
Deslizam as lágrimas...Da inerte figura
Que ora postula...
O vento impiedoso...A pipa desfaz
Qual vida senil...Da inerte figura
A lágrima, a pipa
As folhas do Ipê...Agora amarelam
A vida se vai.

Beleza impura















Uma bela cidade, arborizada, florida e com muita gente bonita. Centro do poder político e localizada no planalto central. Brasília completará meio século em dois anos. Apesar do pouco tempo desde sua fundação traz comportamentos medievais detestáveis.

Para ser construída milhares de trabalhadores para cá vieram. Enfrentaram todas as dificuldades. Muitos morreram por não aceitarem a violência e opressão dos governantes. Estes foram completamente esquecidos. JK conseguiu o que queria. A nova capital nasceu cheia de vigor e esperança.

Planejada por Niemayer e Lúcio Costa para ser uma cidade humanizada, tornou-se mais fria do que uma noite no deserto. Muitos de seus filhos, apesar de um discurso moderno e pretensamente humanista, apenas vêem seus umbigos.

Os operários que construíram a cidade são os candangos. Os funcionários públicos, comerciantes e militares os pioneiros. Para os primeiros nada foi reservado. Nem mesmo o devido lugar na história. Vivem com salários bem inferiores que os segundos. Estes usufruem todas as benesses disponíveis pelo mundo moderno.

A cidade tem a mais alta renda per capta, a segunda maior concentração de renda – perde apenas para o Piauí -, possui a maior diferença entre o menor e o maior salário recebido e o maior índice de desemprego do Brasil. A cada dia novas áreas de seu território são ocupadas. Os trabalhadores de baixa renda são deslocados para a periferia da periferia. Os novos ricos da cidade, servidores públicos, com altos salários e funções estratégicas nos governos distrital e federal, formam seus condomínios de luxo. São mundos completamente antagônicos.

Brasília, cercada de cachoeiras, com água pura, permite que dentro de seu seio, gente com comportamento impuro, voltado apenas para alcançar o poder, status e riquezas, brote aos borbotões. O belo pôr-do-sol da cidade é para todos, assim como a lua que debruça sempre mais encantadora. A Terra não existe apenas para os que se sentem melhores que os outros usufruirem as riquezas produzidas pelo trabalho. Se assim fosse, os que trabalham deveriam ser os privilegiados, não os filhos da elite cega e bruta, que pensa ser culta, mas é lixo puro.

quarta-feira, outubro 08, 2008

Quem ganhou com o resultado eleitoral?

Findo o primeiro turno e assentada a poeira eleitoral, restando apenas à realização do segundo turno em 29 cidades brasileiras é possível olhar e arriscar quem foi o principal vencedor com o resultado. Verificou-se um alto índice de abstenção, somado aos votos nulos e brancos, totalizaram mais de 20% do eleitorado. Isto mostra a descrença e o cansaço da população com os partidos, os políticos e o sistema eleitoral.
No dia 10 de outubro a Constituição Federal completará 20 anos. Ela trouxe pela primeira vez a efetivação do voto universal, incluindo, inclusive, o voto dos jovens com mais de 16 anos. Assim assegurou a consolidação do Estado Democrático de Direito. Decorridas duas décadas, desde 1988, muita água passou sob a ponte da história.
Para se contrapor aos militares que ficaram no poder por mais de 1964 até 1985 foi construída uma unidade dos opositores, juntando no mesmo saco gatos e ratos. Passado esse tempo agora sabemos quem é quem nessa história. Quantos que se colocavam ao lado dos interesses públicos e diziam defender a democracia, mostraram seus verdadeiros objetivos: amealhar riquezas e poder. Não economizaram óleo de peroba, discursos e mentiras para conseguirem seu intento.
Nas eleições de 5 de outubro verificou-se que em alguns estados certas figuras conhecidas por suas práticas anti-republicanas estão sendo varridas do mapa político. Enquanto que em outras unidades da federação personagens colecionadores de processos criminais e de algemas conseguiram estrondosas vitórias. Na Bahia o neto de ACM ficou de fora do segundo turno. Em São Paulo os malufistas cada vez ficam em menor número, apesar de ter deixado seguidores e alunos exemplares. No Maranhão a turma de Sarney, mesmo com o controle dos meios de comunicação, não conseguiu grandes resultados. Diferentemente do Pará. Neste estado o famoso criador de rãs, financista do Banpará e conhecido corrupto, Jáder Barbalho, conseguiu eleger seu filho em primeiro turno na cidade de Ananindeua, segundo maior colégio eleitoral no estado, e, na capital, assegurou que seu primo disputasse o segundo turno com o atual prefeito. Pode-se afirmar que os mais experientes e carcomidos conseguiram se manter na maioria dos municípios do país. Conservando assim, nesse imenso território verde-amarelo, as profundas contradições de um povo sofrido e explorado de um lado, enquanto o poder foi mantido em mãos de poderosos e seus asseclas.
O PT conseguiu aumentar a quantidade de prefeitos e vereadores em mais de 50%, realizando todas as alianças possíveis com gatos e ratos para atingir essa meta. Os partidos mais a esquerda não avançaram muito. O maior recebedor de votos nas eleições foi o PMDB, seguido pelo PSDB e o PT. Significa que os partidos da ordem conseguiram a maior quantidade de votos, conseguindo conservar tudo como antes.
Os prefeitos e vereadores eleitos, em muitos municípios, inclusive algumas capitais, usaram como argumento a compra de votos, pagando de R$ 30,00 a R$ 150,00 por eleitor. Fortunas foram usadas. A velha prática do voto de cabresto em tempo de urna eletrônica. As verdadeiras necessidades da população, tais como geração de empregos, educação, saúde, questões ambientais, a reforma agrária, a construção da democracia participativa e as questões ambientais, raramente apareceram em debates, apenas serviam de argumentos para cabalar votos. Superficialmente esses assuntos foram apresentados. Não houve diferenças entre candidatos. Os principais partidos usaram a mesma prática e o mesmo discurso. O processo eleitoral dói transformado em um grande negócio, com empreiteiros, fornecedores e negociantes de todos os tipos realizando grandes investimentos para eleger seus apaziguados. E conseguiram.
A sociedade não instrumentaliza o processo eleitoral para avançar na conscientização e organização social. Apesar da importância do sufrágio universal a população não crê mais no sistema representativo. Graças ao descaso dos representantes eleitos para os anseios e as demandas da população. A descrença é muito grande. As mudanças ocorridas, com a eleição de algumas novas figuras, significam, de fato, conservar os mesmos interesses no comando de Prefeituras e Câmaras de Vereadores. O caminho para o fortalecimento da democracia, para o povo se tornar o vitorioso, deve ser a mobilização e organização popular. Construir o verdadeiro poder popular, democrático e participativo, com a maioria do povo controlando o Estado. Esse é o único caminho a trilhar, contribuindo para resgatar a esperança, a indignação e a disposição para a luta.

terça-feira, outubro 07, 2008

Moribundo do Norte

Ruas aflitas a qualquer hora
com engravatados produzindo enlatados,
em suas limosines coloridas soltando lixos
de luxo, fumaça e arrogância.

Vives no norte e semeias a morte
nos pontos cardeais com golpes cínicos de um pirata financeiro,
abatido e moribundo saqueando crianças e jardins.
Quem me dera ser do teu porte.
Te enfrentaria por dentro e por fora,
como faço a qualquer hora
contra os exploradores do meu povo.

Teu asfalto é feito de sangue,
com a alma de teus filhos pobres
de peles vermelhas, negras, amarelas, mesmo brancas,
esquecidas e abandonadas em largas avenidas.

Multidões caminham orientadas por luzes,
encantadas com teu espírito sugador
espalhando medo aos teus habitantes e vizinhos robotizados
por todos os desertos, mares e oceanos da abóbada terrestre.

Nada disso adianta.

Todas as cores te adentram,
te acuam nos cantos dos sonhos
cheios de paz, amor e fartura
propagadas por estrelas iluminadas
e barbudos, lutadores, combatentes, caminhantes e poetas.

A rebelião germina dentro de teu corpo esquálido e faminto.
Aproveito para fincar meu brado,
como uma pedra de fogo,
capaz de crescer sob tornados e tufões
impossíveis de serem detidos e controlados.

No teu coração cravei meu canto,
falei de sonhos, dores e conquistas,
repudiei teus crimes contra a vida, as flores, as crianças e a terra.

Boquiaberto me olhas como um boquirroto moribundo.

Meu carcará voa mais alto,
acostumado está com as necessidades.
Tua águia pede água, petróleo e ouro.
Nada te sobrará a não ser novas sementes
de tulipas vermelhas e marias-sem-vergonha de todas as cores.
Elas te inundarão para sobreviver.

Tuas ruas continuarão coloridas,
impondo-se aos teus bueiros que fumeiam
nas avenidas escuras e lúgrubes.

Tua arrogância vem do medo que te domina.
Tuas entranhas apodrecem.
Teu império findará no sangue derramado
que te sufocará em tua usura e força.

Meu carcará voa mais forte,
conhece a dor do sertão.

sábado, outubro 04, 2008

Olhares brilhantes

Sede de sonhar o mar envolve
olhares vendados
com negras belas de olhares brilhantes,
cabelos encaracolados,
como vidas famintas.

Movimentos sensuais
nas ondas do tempo,
sem perceber o vento
crendo no salvador
que dos pupitos
promete rios de mel e leite
para crianças nos farois,
enquanto lavam vidros de luxuosos carros.

Sem sonho nada sou,
apenas um ludovicense
esperando o pagamento do voto.

Nada devoto,
espero a ventania
tomar conta das almas
por se descobrirem
nas velhas ruas de pedras e azulejos.

Moças bonitas bailam o maracatu,
enquanto, sem tu, caminho o rumo da lua
nesta noite plena de pulmoes,
coraçoes, bocas e estomagos famintos.

Sede de voar,
um sonho onde nada lembre este tempo,
onde a dor se disfarça
de alegria em pedidos a candidatos.

Nada esperar dos que matam os sonhos.

Nada conta
que nao seja a pedra
contra a fome e as dores.

Nada ilumina a noite,
sem crer nas sementes de sonhos
de novos olhares.

Olhares brilhantes,
sem fome, nem ilusao.

terça-feira, setembro 30, 2008

Labaredas escondidas nos olhares

Vento ventania luar
canta o povo na rua
venta o suor de um sonho
as estrelas se armam
a lua observa tudo

Cada passo fica no tempo
deixa seu traço de sangue e dor
ilusoes predominam
os olhos se fecham
a boca resseca
o coraçao fica apertado


As estrelas guerreiam
nao se sujeitam a escuridao
o vento espalha novos velhos sonhos
germinando a força de sementes brotando
a terra mesmo arida permanece fertil

Vento ventania luar
as estrelas seguem em luta
a lua tudo observa
repassando as liçoes aprendidas no tempo
o vento anima
o fogo nao se apaga

Labaredas brotarao

sexta-feira, setembro 26, 2008

Democracia, voto e direitos

A luta pelo direito ao voto no Brasil é antiga. Muitas dificuldades foram enfrentadas para conquistar o voto universal e secreto. Primeiro não se votava. Ainda viviamos como colonia, sob tutela do imperio. Na republica velha votavam apenas os que possuiam riquezas. Quem não possuia bens não tinha esse direito. Hoje todos e todas podem votar, tornando-se, inclusive, obrigatório esse ato que deveria ser um direito e não um dever.
No período repúblicano, antes dessa fase democrática e histórica que a sociedade brasileira atravessa, foram poucos os momentos que se vivenciou a liderdade e a democracia. A história do país é repleta de ditaduras e governos autoritários. Muitos, fascistas. Todos, no entanto, sustentados pelo poder econômico, principal beneficiado com a falta de liberdade e democracia.
O país saiu de uma ditadura feroz e cínica. Foram mais de 20 anos. Atos arbitrários, prisões, torturas, exílios e mortes. As organizaçoes da sociedade civil foram desmontadas. Seus dirigentes, perseguidos. Impuseram-se novos conceitos políticos, morais e sociais, nas escolas, igrejas e dentro da famílias, todos elaborados pelos detentores do poder. Visaram desmotivar, desmobilizar e alienar a população, antes atuante, crítica, militante e contestadora. A ditadura cumpriu um papel alienante e servil ao grande capital. Para isso não economizou em sua ferocidade.
Chegaram novos tempos. Os partidos comunistas, antes perseguidos e proscritos, foram legalizados. Aos movimentos sociais, proibidos pelo arbítrio, foi assegurada a legalidade democrática. A sociedade se mobilizou e passou a atuar de forma continuada e consistente.
O povo brasileiro viveu dois momento cruciais logo após o fim da ditadura militar. Primeiramente, de forma pacifica, destituiu o primeiro presidente eleito após esse triste periodo ditatorial. Decorridos pouco mais de uma década, colocou no principal cargo eletivo do país um dos principais líderes da resistência. Lula, dirigente sindical, líder de grandes movimentos grevistas no final dos anos 70 e fundador do PT, elegeu-se presidente. Cumpre o segundo mandato, com uma aprovação do eleitorado, segundo todas as pesquisas de opinião, de mais de 70%.
Apesar de todo esse avanço democrático, foram poucas as mudanças estruturais ocorridas, especialmente no campo economico. Os ricos continuam controlando a maior parte da riqueza, mesmo tendo havido um crecimento da classe média e uma redução da miséria, a riqueza continua concentrada nas mãos de poucos.
Entretanto, o que mais indigna é a adoção de certas práticas por todos que se dispõe a disputar algum cargos eletivos. Setores que antes combatiam o clientelismo e a existência do voto de cabresto, passaram a utilizar a mesma prática que antes apenas os mais reacionários - conservadores - direitistas, representantes das oligarquias usavam.
Em 2008 serão eleitos prefeitos e vereadores nos municípios brasileiros. Verifica-se que apenas os candidatos com dinheiro para comprar votos estão em melhores condições de conseguirem vitorias nos pleitos. Pagam-se de R$20,00 a R$50,00 por voto. Usam-se vários argumentos para burlar a legislação que, em alguns aspectos, tornou-se mais rígida. A eleição se tornou um leilão, disfarçado de mercado de mão de obra. Contratam-se pessoas para segurar bandeiras, paga-se para colocar propagandas em veículos, em muros, residências e distribuir materiais. É uma feira livre de votos. Há candidatos que contratam o dobro de pessoas dos votos que são necessários para serem eleitos. Contam com uma quebra de 50%. Contam com sua eleição assegurada. Essa prática se dá em todos os partidos, com exceção dos considerados de ultra esquerda, que ainda mantêm a prática da militância e do debate com a sociedade. Partidos que se dizem da esquerda tradiconal ou da velha direita disputam a cada lance a compra do eleitado nas ruas, bairros ou residências, como se fossem balcões ou feiras.
Por outro lado, passa-se para a sociedade que a população, por meio do voto, poderá controlar o Estado, escolhendo livremente os governantes e legisladores. Engano. Há um cinismo assustador e uma cumpricidade suicida. Os candidatos sabem que estão comprando votos e manipulado o pseudo processo "democrático". A população faz de conta que tem consciência e escolhe livremente. É um teatro histórico. Enquanto isso a elite conserva seus privilégios e se diz alheia a tudo isso. Como dizia Brecht, chega a "estufar o peito e dizer que odeia a política", enquando seus sicários, jornalistas de plantão nos telejornais continuam repetindo um discurso alienador e fortalecendo a ignorância e assegurando a miséria.
Onde vamos parar? Os movimentos sociais, sindicatos e outras organizações de massa, em sua maioria, nada fazem para mudar isso. Ao contrário, muitos chegam a aproveitar a "boquinha".
Se o sonho de uma sociedade mais justa, mais fraterna, onde não seja aceito a exploração, onde os governantes corruptos, que tudo fazem para ter acesso ao poder, sejam varridos e colocados em seu lugar da história, o lixo, não for resgatado para onde seguiremos? O vale-tudo que se torna uma regra no jogo politico precisa ser combatido, sob o risco de o fascismo prevalecer. A democracia direta e participativa deve ser aprofundada, assegurando para toda a população uma vida digna e respeitosa, onde cada cidadão ou cidadã, nos períodos eleitorais ou não, tenham discernimento de seus direitos e deveres, principalmente o de assegurar um Estado democrático, repúblicano, com uma sociedade justa, onde o trabalho seja o determinante e não o capital.
O socialismo é o único caminho para se contrapor a esse capitalismo contemporâneo que torna as pessoas insignificantes e objetos nas mãos de pretensos líderes, que na realidade não passam de aventureiros em busca de poder e dinheiro. Só o povo organizado poderá mudar o rumo da história.

quarta-feira, setembro 17, 2008

A POLÍTICA DOS EUA NA BOLÍVIA*

Os movimentos de um embaixador especialista em conflitos separatistas

Deputados bolivianos divulgam documento denunciando as articulações promovidas pelo embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, contra o governo de Evo Morales. Considerado um especialista em conflitos separatistas, Goldberg foi enviado a La Paz depois de chefiar a missão dos EUA no Kosovo, onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, depois da Guerra dos Balcãs.

Marco Aurélio Weissheimer

Quatro deputados do Movimento ao Socialismo, partido do presidente da Bolívia, Evo Morales, divulgaram um comunicado denunciando ações do governo dos Estados Unidos, por meio de seu embaixador em La Paz, Philip Goldberg, para derrubar o governo eleito do país. César Navarro, Gustavo Torrico, Gabriel Herbas e René Martinez relacionam um conjunto de fatos ocorridos nos departamentos da região leste do país que obedeceriam a uma estratégia fixada pela oposição em conjunto com o embaixador Goldberg.

Os fatos apontados pelos parlamentares bolivianos são os seguintes:

No dia 13 de outubro de 2006, os Estados Unidos enviam a Bolívia, como embaixador, Philip Goldberg, um especialista em fomentar conflitos separatistas. Entre 1994 e 1996, foi chefe da secretaria do Departamento de Estado para assuntos da Bósnia (durante a guerra separatista dos Bálcãs). Entre 2004 e 2006, Goldberg foi chefe da missão dos EUA em Pristina (Kosovo), onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, marcada por uma luta que deixou milhares de mortos.

Segundo os deputados, Philip Goldberg foi enviado a Bolívia com a missão de desestabilizar o governo de Evo Morales, principalmente incentivando o separatismo das regiões orientais. Na Bolívia, depois do triunfo de Evo Morales na eleição de 18 de dezembro de 2005, os partidos tradicionais e as elites sofreram um duro golpe, Goldberg se encarregou de reorganizá-los e de construir um caminho conspirativo para desgastar o novo governo.

Plano midiático de desinformação
Goldberg organizou uma grande coordenação com empresários do leste, com donos de meios de comunicação e políticos do movimento Podemos para colocar em marcha um grande plano de desinformação com respeito à gestão de Evo Morales, tudo isso dentro do marco de uma intensificação das lutas regionais contra o Estado boliviano. Esse plano de desinformação era constituído pelos seguintes passos:

a) Mostrar que o narcotráfico estava crescendo na Bolívia;
b) Os meios de comunicação precisavam mostrar que Evo estava governando mal e que a inflação, a corrupção e o desgoverno estavam crescendo;
c) Os meios de comunicação também deviam imputar ao governo a responsabilidade pela violência no país. Começou a ser difundido aí o conceito de que “Evo dividia a Bolívia”.

Consolidados esses passos, Goldberg reúne-se, na primeira semana de maio, com Jorge Quiroga e acertam a aprovação, no Senado, do referendo revogatório.

Eles estavam convencidos que Evo Morales não conseguiria obter mais de 50% dos votos e, uma vez deslegitimado nas urnas, a oposição e os prefeitos da chamada “Meia Lua” pediriam a renúncia do presidente por “ilegítimo, mau governante e por dividir a Bolívia”. No entanto, os prefeitos dos departamentos (equivalentes a governadores) não foram consultados sobre este plano e acabaram se opondo a ele, por achar que não daria certo. No dia 23 de junho, reúnem-se em Tarija e elaboram um pronunciamento escrito para rechaçar o referendo revogatório. Dias antes, em 17 de junho, Philip Goldberg viajou para os EUA, alegando uma suposta crise diplomática.

O objetivo real de sua viagem, dizem os deputados, foi definir um plano, junto a agências publicitárias, para desenvolver uma guerra suja que pudesse causar a derrota de Evo no referendo. No dia 2 de julho, Goldberg regressou a La Paz e, imediatamente, reuniu-se com cada um dos prefeitos opositores para convencê-los a aceitar o referendo. No dia 5 de julho, os prefeitos opositores anunciam que aceitam disputar o referendo.

Os donos das grandes empresas de comunicação também participaram deste plano, denunciam os parlamentares. Isso explicaria, por exemplo, porque nos principais programas políticos destes meios as pesquisas sempre apontavam Evo Morales com cerca de 49% dos votos. A tentativa de derrubada do governo pelo voto estava em marcha. Além desta campanha nos programas políticos, também foi executada uma outra no terreno da publicidade. A oposição contratou uma agência de publicidade para elaborar os primeiros spots contra Evo Morales. Ao dar-se conta que os roteiros e o dinheiro vinham dos EUA, esta agência decidiu não produzir mais os comerciais.

O Plano B do embaixador
O plano para tirar Evo do governo acabou sendo frustrado pelo resultado do referendo. O presidente se legitimou com mais de 67% dos votos e Goldberg passou então a colocar em marcha um Plano B, que incluem greves, bloqueios e ações violentas que buscariam dois resultados alternativos.

1) O conflito se generaliza e obre o leste e parte do oeste do país. A população começa a se cansar, as forças da ordem entram em ação, com muitas mortes. Neste caso, Evo teria que convocar eleições ou deixar o governo depois dos conflitos com mortes. A insistente provocação para que as forças policiais e as forças armadas atuem se encaixa neste plano.

2) Caso não ocorra o cenário anterior, a oposição contaria ainda com uma segunda possibilidade: uma vez desalojada a polícia e o Estado Nacional das regiões, em meio à violência, Goldberg oferece aos prefeitos opositores a vinda de mediadores internacionais, inclusive tropas da ONU para concretizar o separatismo dos quatro departamentos rebeldes, como fez no Kosovo.

Seguindo esse plano, Goldberg viajou a Sucre e se reuniu com a prefeita Savina Cuellar, que pediu a renúncia do presidente. No dia 21 de agosto, o embaixador encontrou-se clandestinamente com o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e com quatro congressistas norte-americanos. No dia 25 de agosto, mais uma reunião com Rubén Costas. Paralelamente, a oposição rejeitou o chamado de diálogo feito pelo governo e, no dia 24 de agosto, convocou uma greve geral. Seguindo a linha proposta por Goldberg, denunciam ainda os parlamentares do MAS, os prefeitos impuseram um plano de desgaste de médio prazo, incluindo destruição de instituições públicas e provocações à polícia e às forças armadas.

Na mesma linha golpista, em Santa Cruz e em Tarija começou-se a falar de federalismo e até de independência. Como o empresariado cruceño estava mais interessado na Feira de Santa Cruz (que deve iniciar no dia 19 de setembro) que nas greves e bloqueios, o Departamento de Estado convocou Branco Marinkovic para uma conversa nos EUA. No dia 1° de setembro, em um pequeno avião Beechcraft, matrícula C-90A, Marinkovic viajou aos Estados Unidos onde o convenceram de que o plano estava em sua trama final e que era preciso jogar-se todo nele. No dia 9 de setembro, horas depois do regresso de Marinkovic a Santa Cruz, iniciam protestos violentos, com invasão e queima de instituições públicas e novas agressões às forças armadas e à polícia.

Este é o plano golpista que está em marcha com o apoio da embaixada dos EUA, dizem os deputados. Foram essas razões, asseguram, que levaram o governo boliviano a pedir sua saída do país. Eles manifestam confiança que esse plano fracassará porque o governo de Evo Morales segue controlando o conflito, com paciência e dentro da legalidade, mantendo-o em sua dimensão regional. “A violência gerada por grupos impulsionados por este plano golpista é a forma pela qual os setores conservadores mostram sua decisão de acabar com a democracia, já que ela não serve mais aos seus interesses”, concluem.


* Extraído da lista da Assembléia Popular, em 15/09/2008.

terça-feira, setembro 02, 2008

Candidatos superam diferenças eleitorais e se unem ao reverenciar a memória de parlamentar assassinado

Candidatos à prefeitura de Belém, autoridades e lideranças populares se mobilizaram para prestigiar o lançamento do livro João Batista, mártir da luta pela reforma agrária. Violência e impunidade no Pará. O ato mostrou que mesmo depois de vinte anos do assassinato do advogado João Carlos Batista, ocorrido em 6 de dezembro de 1988, a sua memória ainda contribui para mobilizar a esquerda e o povo paraense.

Numa quente noite de quarta-feira, 27 de agosto, em plena campanha eleitoral, Arnaldo Jordy (PPS) e Leila Márcia (PC do B), candidatos a prefeito e vice – prefeita, respectivamente, mesmo em chapas diferentes, deixaram a disputa pelo voto e se uniram para falar da importância que o biografado teve na luta do povo. Além dos candidatos majoritários, sentaram a mesa oficial do auditório deputado João Carlos Batista, na Assembléia Legislativa do Pará, o secretário de Estado de Cultura, Edílson Moura (representando a governadora Ana Júlia Carepa), o vereador Paulo César Fonteles (PT), João Leonardo e Márcia Maria, filhos de Batista, o autor e Ney Leal, que coordenou o evento. O representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB/Pará, Dr. Paulo Barradas também se fez presente.

Inúmeros discursos foram realizados. Muitos recordaram o tempo da militância de Batista, como o do professor de sociologia da UFPa, o antropólogo Alexandre Cunha, fundador e presidente do Comitê Paraense pela Anistia, no final da década de 70, que destacou a importância daquele jovem estudante nas lutas daquele tempo. Segundo o professor a militância de Batista rompeu todas as barreiras e paradigmas, conseguindo aglutinar lideranças e populares ao seu redor. Falas de vários jovens, filhos de companheiros do advogado, mostraram que a luta pela reforma agrária, contra o latifúndio, a impunidade e a violência permanece com a mesma força. Os jovens Josélio, Samir, Benildo e Marcos reafirmaram a disposição de continuar a luta e seguir o exemplo de Batista. Deixaram claro que não deixarão a memória desse mártir da luta pela reforma agrária se tornar instrumento a serviço da demagogia e ou ser colocada no ostracismo.

João Batista, mártir da luta pela reforma agrária. Violência e impunidade no Pará é uma biografia que cumpre importante papel na formação histórica e política do povo brasileiro na atualidade. Segundo João Pedro Stédile, prefaciador, “é o retrato da vida e dedicação de um dos melhores filhos da classe trabalhadora – que pagou com a própria vida por sua coerência”. E neste momento de crise ideológica para certos setores da esquerda, resgatar referenciais que apontem à importância da luta do povo é fundamental. O livro mostra as entranhas dos movimentos ocorridos no campo entre 1965 e 1988, possibilita a descoberta da importância da luta para alguns e aviva a memória daqueles que esqueceram o caminho percorrido para se chegar nos dias atuais.

João Batista, mártir da luta pela reforma agrária. Violência e impunidade no Pará
Expressão popular
280 páginas
R$ 30,00
Pedidos: pcbatis@gmail.com

terça-feira, agosto 12, 2008

Vinte anos da morte de João Batista em livro - no O Rebate em primeira mão














Ana Lucia Araujo

08-Ago-2008

Os 20 anos do assassinato em Belém-PA do deputado João Carlos Batista serão assinalados por um livro biográfico, com registros especiais da vida do advogado, do homem político e da morte como defensor da reforma agrária no Estado do Pará, Brasil. O autor é o irmão do deputado, o jornalista investigativo Pedro César Batista, também autor do livro Marcha Interrompida (Thesaurus Editora, 2006) lançado em Junho nas Nações Unidas. João Batista, mártir da luta pela reforma agrária -violência e impunidade no Pará é o título do novo livro de Pedro César, uma homenagem ao irmão e um apanhado da luta pela reforma agrária brasileira, com enfoque na realidade amazônica, situado no contexto histórico recente da luta de classes na América do Sul. A vida, os ideais, as personagens, os crimes contra os direitos humanos na região e a impunidade são relatados com paixão e coragem jornalística. Já publicado em edição experimental, a nova edição da Expressão Popular deverá ser lançada a nível nacional, desta vez com apresentação escrita por João Pedro Stédile, líder histórico dos trabalhadores rurais sem-terra brasileiros, 'orelha' do deputado Paulo Rocha e esforço de um grupo significativo que reúne parentes, amigos e companheiros e simpatizantes das causas do deputado assassinado. O lançamento em Belém será marcado por uma coletiva à imprensa no dia 25 de Agosto na séde da OAB-PA às 10 horas.

anaLuarCOMUNICAÇÃO
http://analuciaaraujo.bloguepessoal.com

sexta-feira, agosto 08, 2008

Iluminação















Bsb, 8/8/8

Sons reais penetram minha alma,
Pedem calma - ela tem pressa,
Cansada está da solidão
Da falta de eco em meus ouvidos.

Partículas dançam buscando o alvo.
Querem se alinhar
E aninhar, semear encanto
Para o canto que ouço.

Brasília fica cada dia mais seca.
Minha garganta quer gritar,
Falar aos céus e a lua crescente
Que tudo vê sem se manifestar.
Miradas perdem-se no horizonte
Rumo às águas do Paranoá
Que brilham desejando
Ser mar aberto apaixonado.

Sigo caminhando,
Sei onde quero chegar.
Acredito na chegada,
A partida já foi dada.

Olhares buscam o alvo
Vêem apenas sombras
De um tempo que se foi,
Permite brotar sorrisos,
Movimentos circulares,
Dança de corpos e copos
Estalando no vento.

Vem canto do vento,
Vem fazer comigo
O que estás habituado:
Dá-me certezas.
As incertezas dominam.

As luzes continuam apagadas,
O sol aquece meu olhar
Que te busca na multidão desesperançada
E mesquinha cuidando do umbigo.
A música me embriaga,
Mais sementes são jogadas,
Mais flores desabrocham,
Minha alma tenta crer
Enquanto continua atravessando
O eixão para mais um dia.

O silêncio apavora.

quinta-feira, julho 10, 2008

NÃO AO FASCISMO!!!

O Ministério Público do Rio Grande do Sul move uma ação na justiça para cassar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. Alegam que essa organização tem ligações com terroristas e uma prática criminosa. Para tanto estão proibindo a realização de manifestações, realizando busca e apreensões em acampamentos e pedindo a prisão de lideranças do movimento nesse estado.
Para isso tem se utilizado de centenas de policiais da Brigada Militar gaúcha, a qual chegou a deter centenas de trabalhadores que participavam do congresso estadual do movimento. Alegaram na ocasião que cumpriam uma ordem judicial de busca e apreensão para localizar uma máquina fotográfica que havia sido furtada. Para localizar esse “importante” objeto empastelaram a realização do congresso de trabalhadores. A execução dessas ações foram garantidas pela governadora gaúcha Yeda Crusisu.
O MP gaúcho, em seu desplante fascista, chegou ao ponto de pedir a cassação dos títulos de eleitores de assentados em municípios daquele estado, onde, segundo os promotores, esses eleitores desequilibrariam o processo eleitoral.
Em sua ação repressora o MP pede ainda que seja proibida a continuidade das escolas nos acampamentos e assentamentos, pois ali se formam, segundo esses defensores dos ricos e poderosos, crianças que não respeitarão as leis e serão subversivas.

ABAIXO A DITADURA

A história nacional é repleta de governos fascistas, que se mantiveram no poder graças ao arbítrio e a força bruta, impedindo o exercício da democracia e da cidadania. Foram muitos anos de lutas para se conquistar o Estado Democrático de Direito. Muitos dos melhores filhos do povo brasileiro perderam a vida para que chegássemos ao estágio atual. Quantos não foram presos, torturados ou exilados? Conquistamos o direito legal de nos organizar, mobilizar, debater e lutar democraticamente pelos direitos que são assegurados constitucionalmente. Não abriremos mão de preservar isso.

Essa ação do MP cumpre um papel desmobilizador e intimidatório aos movimentos sociais. Criminalizam o exercício da cidadania. Querem proibir o direito do cidadão de defender a sua dignidade.

Em contrapartida os mandantes de assassinatos contra os trabalhadores rurais, as grande empresas transnacionais, o agronegócio, o latifúndio, os banqueiros e os detentores do grande capital continuam com seus privilégios e permanecem impunes, mesmo cometendo inúmeros atos ilegais e criminosos. Quem destrói a fauna, devasta o meio ambiente, utiliza trabalhadores em condições de escravidão, contamina o solo e causa o aumento da miséria? Estes permanecem impunes. Pior ainda, invertem a situação. Os arrozeiros de Roraima atentam contra a vida das comunidades indígenas, não respeitam a lei, praticam atos terroristas e quem leva a culpa são os índios. Mesma inversão é feita com os que lutam pela reforma agrária, que mesmo sofrendo agressões mortais por décadas, terminam sendo acusados de ser violentos por ocuparem as terras para assegurar que estas cumpram sua função social. A mídia, a serviço dos poderosos, inverte os fatos e a verdade.

NÃO AO RETROCESSO

Essa ação do MP contra o MST visa atingir todos os segmentos da sociedade brasileira que não aceita a mentira e a exploração, pretende preservar o poder dos que não aceitam que o povo lute e se mobilize por seus direitos. Essa ação do MP visa impedir que os movimentos sociais e populares voltem às ruas para defender uma sociedade mais justa e igualitária. Mas não aceitaremos isso calado. Enfrentamos as balas e os porões da ditadura, não serão as mentiras da mídia e de setores reacionários e fascistas que impedirão a continuidade dessa luta.

Viva a democracia.
Viva a luta do povo brasileiro.
Abaixo o fascismo.

segunda-feira, julho 07, 2008

MARCHA INTERROMPIDA NA MÍDIA BRASILEIRA E AMERICANA:

http://www.claudiohumberto.com.br/
http://www.comunidadenews.com/?secao=noticias_ver&id=3897
http://www.brazilianvoice.com/mostranews.php?id=4872#
http://radio.un.org/por/.
http://www.mundolegal.com.br/default.cfm?FuseAction=Noticia_Detalhar&did=27702
http://www.portalunicsul.com.br/portalunidf/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=30
http://www.sjpdf.org.br/internas/noticias_details.cfm?id_noticia=1516
http://www.verdeamarelo.net/eventos.asp
http://www.brasiliawebnews.com.br/cultura.php
http://orebate-analuciaaraujo.blogspot.com/2008/06/livro-marcha-interrompida-convidado-da.html
http://analuciaaraujo.bloguepessoal.com/56457/Pedro-Batista-lanca-Marcha-Interrompida-na-ONU-em-27-de-Junho-video-release/
http://www.youtube.com/user/edugvianatube
http://www.artimanha.net/blog/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=1090
http://www.tribunadobrasil.com.br/?ned=2351&ntc=66862&sc=41
http://www.cidade.agox.net/Videos/Carajas/PA.htm
http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/brasilia/2006/04/14/jorbrs20060414004.html
http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=5520
http://www.thesaurus.com.br/autor/pedro-cesar-batista/
http://observacoesdocotidiano.blogspot.com/2008_06_26_archive.html
http://216.239.59.104/search?q=cache:yFCxKiGjE9gJ:www.braziliansuperlist.com/noticia/jornalista_lanca_livro_sobre_o_mst_em_ny+%22Marcha+Interrompida%22&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=1&gl=pt&lr=lang_pt

http://www.sinait.org.br/Site/index.php?id=3075&act=vernoticias

http://gnn1mail.com/cultura.php

Lançamento de Marcha Interrompida na ONU





















Escritor brasileiro lança na ONU obra sobre os Sem Terra
24/06/2008

Do Brazilian Voice

Marcha Interrompida, mais do que uma obra sobre o MST (Movimento dos Sem Terra), de Pedro César Batista, lançado pela Thesaurus Editora, é uma reportagem romanceada que relata um episódio representativo da "marcha" de uma região e de um país. O livro será lançado dia 27 de junho, no auditório do Dag Hammarskjöld Library, em atividade das Nações Unidas.

O desfecho, conhecido como o Massacre do Eldorado do Carajás , há 12 anos, feriu um país em desenvolvimento económico e em condição democrática recém reconquistada. A ferida ainda não está cicatrizada na Amazônia, entre outras da mesma natureza que frequentemente se reabrem em diferentes pontos, dizimando pessoas, famílias e comunidades.

É preciso que seja mostrada ao mundo em todas as línguas possíveis, pela mídia , instituições, ONGs e pessoas empenhadas na defesa dos Direitos Humanos e no apoio às vítimas da injustiça e da violência. Para que episódios semelhantes sejam punidos exemplarmente até que não mais aconteçam. É preciso que sejam reparados os danos causados por este massacre na história das famílias que a viveram e na história do Brasil.

Pedro César Batista é um jornalista investigativo que pauta a sua carreira nos temas sociais e políticos e nas questões relacionadas com os Direitos Humanos. Embora tenha nascido no Estado de São Paulo, foi militante de esquerda na Amazônia, uma região onde persiste uma espécie de ditadura, isolada do sistema político vigente.

Da mesma maneira que nas grandes metrópoles brasileiras o tráfico de drogas e das armas domina comunidades inteiras pelo terror, na Amazônia uma estirpe de empresários esconde organizações mafiosas, que executam, muitas vezes com a conivência de políticos e policiais corruptos, quem ousa denunciar os seus crimes e intervir contra os seus negócios ilegais. Um dos crimes mais denunciados ultimamente e divulgados pela imprensa brasileira é a manutenção de homens, mulheres e crianças em grandes fazendas, trabalhando em regime de escravidão, sem direitos trabalhistas e proibidos de saírem dos locais onde estão retidos.

A ditadura militar brasileira foi extinta, mas não cessaram os assassinatos e massacres de cidadãos e líderes sindicais, comunitários e políticos. Também têm sido muitos os policiais que não aceitaram aliar-se às organizações criminosas e foram executados. A questão da posse e da exploração da terra, do meio ambiente e outros relacionados, na Amazônia possuem ainda características feudais.

A Reforma Agrária na região é mais complicada que no resto do país, por causa da grande dimensão territorial e dos interesses econômicos e políticos dos grandes proprietários, defendidos ainda na lei da bala. A corrupção é frequentemente relacionada com a atividade política por todo o país e em todos os escalões. Há quase 20 anos, o irmão de Pedro César, Deputado João Carlos Batista, foi assassinado em Belém do Pará, em pleno exercício de mandato. Mais recentemente foi a vez da freira americana Irmã Dorothy.

Assim como Chico Mendes, muitos mais na Amazônia foram calados e continuam a sê-lo. Alguns casos foram investigados e punidos, mas a justiça para o crime organizado ainda é tímida. Pedro César Batista está atento a esta realidade e registra no livro Marcha Interrompida um episódio marcante na trajetória do Movimento dos Sem Terra e na história social e política do Brasil e da América do Sul.

terça-feira, abril 01, 2008

Não estou cá.
















Venho do âmago da terra,
sou pedra lapidando e
semando ventania ensolarada.

Cruzo o planalto central
em direção ao vazio humano
que um dia será jardim.

Canta o Beija - Flor ao amanhecer
luzes apagadas nas avenidas,
os olhares sem brilho
flutuando no shopping center
ao comprar sonhos açucarados
com adoçantes artificiais.

Rolando como pedra sem terra
finco estrelas vermelhas,
dispostas a guerrear
contra a fome e a usura
omboloradas pela vida
das sementes secas no poder.

Adubo a trovoada
que brota escritas em noites escuras.

Venho da terra sem dono,
de pedras lascadas floridas
levada por desejos conspiradores.

Sou terra fértil
que não se cansa de brotar,
levanta olhares gritando alto
para alguém o eco escutar.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Seguindo o tempo

Gota do tempo me fez tempestade.
Semeio ventania,
escuto murmúrios dos pássaros
nos cantos d'alma
sem vento, nem saber.

O que sou?

Luzes me cegam,
embrutecem meu olhar.
Nem te vejo
na solidão que sou
cantando flores
enquanto contas moedas.

Vento?

A história ilumina
semeada de sangue e desejos.

O que fazer?

Vou esperar a cguva passar,
as flores desabrocharem,
as aves me mostrarem o rumo
e continuar seguindo
o destino do tempo.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Berlim homenageia os 100 anos de Olga Benario Prestes

de Carlos Albuquerque
da Deutsche Welle, na Alemanha



Juntamente com Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luís Carlos Prestes, a galeria berlinense inaugura "pedra de tropeço" em homenagem aos 100 anos da revolucionária alemã de origem judaica, vítima do Holocausto.

Olga Benario Prestes estaria completando 100 anos nesta terça-feira (12/02). Como ponto alto das homenagens que presta ao seu centenário, a Galeria Olga Benario de Berlim inaugura "pedra de tropeço" em frente ao último endereço que a revolucionária ocupou na capital alemã.

A "pedra de tropeço" em homenagem à Olga Benario, instalada na calçada da Innstrasse 24, no bairro berlinense de Neukölln, será inaugurada por sua filha, a professora Anita Prestes, que nasceu em Berlim quando sua mãe estava na prisão feminina de Barnimstrasse.

"Pedras de tropeço" são pequenas placas de latão cravadas nas calçadas dos prédios onde moraram vítimas do Holocausto. Nelas, estão escritos o nome, data de nascimento, data de deportação e uma referência ao local e data de morte da vítima. A idéia partiu do artista alemão Gunter Demnig. Hoje, já existem mais de 13,5 mil marcos deste tipo espalhados por quatro países europeus.

Ação cinematográfica
Olga Benario nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. No início dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a classificavam como "agitadora comunista". Juntamente com seu parceiro, o comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln, onde se tornou membro ativo da Juventude Comunista.

Olga Benario e Otto Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional bairro proletário berlinense. Foi neste endereço que foram presos. Logo libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu companheiro Otto Braun da prisão de Moabit.

Em abril de 1928, Olga e camaradas de Otto Braun disfarçados de estudantes de Direito invadiram a sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou, onde Olga trabalhava para o movimento trabalhista internacional.

Intentona Comunista
Com Luís Carlos Prestes, Olga Benario partiu de Moscou para o Rio de Janeiro, em 1935. Durante a viagem, os dois se apaixonaram e tornaram-se um casal, vindo a organizar a Intentona Comunista de 1935.

Após a fracassada tentativa, Olga e Prestes foram presos e, apesar de protestos internacionais, ela foi entregue, em 1936, grávida de sua filha, à Gestapo pela ditadura varguista.

Em setembro do mesmo ano, Olga foi enviada à Alemanha. Em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de 1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de concentração feminino de Lichtenburg.

OIga Benario Prestes teve ainda que passar três anos no campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser enviada para a câmara de gás em Bernburg, em 1942. O endereço da Innstrasse 24, em Neukölln, foi sua última morada como cidadã livre na Alemanha.

Em 12 de fevereiro de 1984 a Associação dos Perseguidos pelo Regime Nazista/Associação dos Antifascistas (VVN/VDA) fundou a Galeria Olga Benario em Berlim-Neukölln. A galeria informa que três motivos justificaram a escolha do nome de Olga: por ser mulher, por ter uma relação próxima com o bairro de Neukölln e por ser uma internacionalista.

A galeria foi inaugurada com uma exposição sobre a vida de Olga Benario, que, para além da lembrança como revolucionária comunista, vem se tornando, nos últimos anos, um exemplo de coragem feminina para muitos alemães.

Talvez por isto, os temas das exposições da galeria se expandiram para solidariedade internacional, imigrantes e asilo, movimento feminista, sindicatos, entre outros.

Em comemoração aos 100 anos da revolucionária e aos seus 24 anos de existência, a Galeria Olga Benario convidou Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luís Carlos Prestes, para inaugurar a "pedra de tropeço" na calçada do último endereço berlinense de sua mãe, Olga Benario Prestes.