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terça-feira, junho 29, 2010

A vida dos outros

http://perfumedodeserto.blogspot.com/2010/06/vida-dos-outros-ou-o-que-fazemos-com.html?showComment=1277778840235_AIe9_BGZQibFrCSo4JBS1DkuiJZEM6fAC-dWAmTf3XC_Liz-swpY-T8PNDkN0LoePTsIMMPY5SW0aZgJLFbVgmf68xIiEfWPYQRF2B71zdVZNRM_IIRhhn9fKO7289icWK2p3K6-75z3w3ndehhVJB3cr5TubXX_72B4drEiUguQapSO6W9TUuX94xyceWAYoMdC9FEPDziOLtT6B-CjhwROJaccZmZtQIOlZcjyYCjun52J7Ll9W5X5-QOwqVHdvtkLjFSTpxZ0#c7119087692964291849

Um filme intrigante. Principalmente quando se analisava as pesquisas realizadas nas duas Alemanhas, anos depois de se tornarem uma apenas, em meiados da decada de 1990. Os que eram do ocidente queriam sua treanquilidade de volta, pois se sentiam "invadidos" pelos orientais, que tiravam seu sossego. Os que eram do oriente tinham saudades de suas casas, seus empregos e a "seguranca" que possuiam. Segundo essas pesquisas feitas no inicio dos anos 90, todos os alemanhaes, tanto do oriente, como do ocidente, desejavam o muro de volta.
Porém, mais intrigante eh a realidade atual. Estou no Chile e nasce aqui um novo partido, fundado pelo filho de um dirigente do MIR - Movimento de Esquerda Revolucionario assassinado perla ditadura de Pinochet. Marco Enríquez, o filho com um grupo organiza o Partido Progressista: "no somos ni de izquierda ni de derecha, sino que somos un partido abierto, transversal, que recoge los planteamientos que tanto uno y otro lado de la política comparten. Nosotros queremos modernizar nuestra sociedad de cara al siglo XXI y al bicentenario de Chile". No entanto, vejo aqui no Chile, assim como há em quase todo o planeta, a maioria recebendo baixos salários, sem ter assegurado seus direitos elementares, tais como saude e educacao. A violencia dos ricos, atraves do Estado, contra os mais pobres eh a mesma de qualquer outro lugar no mundo. Hoje, inclusive, durante a repressao dos carabineiros depois do jogo em que a selecao chilena perdeu para o Brasil, um jovem foi morto, apos ser preso, devido espancamentos sofrido dos policiais - herdeiros de Pinochet.
Nesse momento atual onde a uma uniformidade de sonhos, criados e impostos pela hegemonia liberal, que se diz humanista, mas visa os mesmos valores de sempre, dinheiro, status e poder. Consumir, luxo, riquezas é o que se busca em todo canto. Diante desse quadro o que valeu os sonhos do velho alemao, Marx, ou dos chilenos Neruda, Vitor Jara ou Violeta Parra. Como dizia Lenin: O que fazer?
Vamos continuar reunindo, resistindo, voltando as ruas, aos poroes e as garagens, tentando semear chamas do fogo da rebeldia em busca da vida e da dignidade.

quarta-feira, junho 09, 2010

V


IV


III


II


I


quinta-feira, maio 27, 2010

Minha janela

Foi muito rápido
logo as folhas verdes voltaram
suas flores roxas se foram
deixaram a saudade
das poucas palavras que trocamos
poucas vezes ela falou
todo tempo me encantando
enquanto da janela
continuava lhe mirando
junto ao luar
ou na manhã ensolarada de domingo
enquanto ouvia Bob Dylan

quarta-feira, maio 12, 2010

Candeeiro do Tempo


Pedro César Batista

Olhos cerrados não veem a manhã
Sustentam-se na escuridão do medo e do passado
Bocas enganam ouvidos
Alegram fantasmas que submergem em mentes
Bailam em cantos iludidos com o brilho das luzes
Voos arrastam almas em frágeis desejos supérfluos
Ouvidos se animam ao tilintar de 30 moedas
Falam em suas crenças
Cantam desilusões e dores
Nada crêem no amor e em Iris brilhantes
Acham que todos os olhares são cinzentos
Todos os abraços falsos
A manhã se suicida com medo do dia
Prefere a escuridão da solidão do poder
Desiste de receber a luz das flores e dos pássaros
O dia se vai
Nem noite vem
Deixa-se inebriar no tempo de dor
Onde estou que ainda sonho
Preciso acordar e voar ao infinito
Retirar as folhas que abafam meu canto
Pássaros não alimentam mais sonhos
A dor de quem não sonha
Passos sobrevoa oceanos
Desejam ser brilho nessa escuridão.

quarta-feira, abril 28, 2010

segunda-feira, abril 26, 2010

sábado, abril 24, 2010

Avante!!!!


quinta-feira, abril 22, 2010

Ocupa, ocupa e resiste.




Por Pedro César Batista

Ao longo das comemorações de 50 anos de Brasília o melhor e maio presente dado a cidade foi o exemplo dos integrantes do Movimento Fora Arruda e toda a máfia. Se não fosse por eles diria, tristemente, que tudo estava dominado. Felizmente não está, ainda há resistência e gente que sonha e luta pela dignidade.
Em abril de 2008 um grupo de estudantes da Universidade de Brasília – UnB ocupou a reitoria da instituição com uma extensa pauta de reivindicações. Começava com questões específicas chegando às gerais, como a saída do então reitor Timothy Martin Mulholland, que, entre usava desrespeitosamente o dinheiro da universidade, chegou a pagar R$ 9 mil reais por uma lixeira para o luxuoso apartamento funcional que ocupava. A ocupação na reitoria durou 18 dias, contribuindo para sensibilizar a população da importância da luta em defesa dos direitos dos estudantes e da universidade pública.
Em novembro foi descoberta a bandidagem comandada por José Roberto Arruda, governador do DEM. O policial – bandido, Durval Barbosa, havia filmado toda a divisão do butim dos recursos públicos. Brigaram entre eles e as imagens vieram a tona, depois do P2 fazer acordo para a delação premiada. Inicia-se uma grande mobilização contra a corrupção e os mafiosos que controlavam o governo em Brasília.
Em 2 de dezembro, durante a entrega de um abaixo assinado à Câmara Distrital pedindo o afastamento de Arruda, movimentos estudantil, sindicatos e organizações populares ocuparam o prédio do legislativo local. Saíram depois de uma semana de ocupação e com a ação da PM/DF, que cumpriu um Mandado de Reintegração de Posso, solicitado pelo presidente da Casa, deputado cabo Patrício (PT/DF). Na época o coordenador do DCE da UnB, Raul Cardoso, afirmou “nosso intuito é que a coisa funcione, mas como uma parcela considerável de parlamentares aparece envolvida nesse lamaçal de corrupção, a ocupação é importante para denunciar esta situação e cobrar respostas efetivas”.
Foi quando partidos e centrais sindicais chamaram um ato contra a corrupção em frente ao Palácio Buriti. Uma manifestação onde a preocupação com a institucionalidade estava em primeiro lugar. Quando os estudantes, mostrando mais uma vez criatividade e ousadia, em uma ação combativa ocupa o Eixo Monumental, em vários momentos em pontos diferentes. Foi quando os líderes sindicais pediram, usando todo o ar de seus pulmões nos microfones do enorme caminhão com som, que deixassem a rua livre. Os jovens ganharam apoio dos presentes, deixando os dirigentes partidários e sindicais falando sozinhos. A violência da PM, comandada pelo coronel Luis Henrique Fonseca – um desequilibrado serviçal do poder, foi mostrada a todo o mundo. “Os manifestantes quebraram o acordo e invadiram a pista, por isso houve o confronto”. O cinismo clássico dos militares a serviço dos governantes. Durante horas os estudantes e populares não recuaram, mesmo enfrentando a cavalaria, bombas de efeito moral e balas de borracha.
A luta dos jovens cresceu, ganhou espaço e forças. Em 11 de fevereiro de 2010 o Superior Tribunal de Justiça, por 12 votos a 3, decretou a prisão do chefe da gang, o então governador José Roberto Arruda, e mais quatro comparsas, a pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge . O especulador imobiliário Paulo Otávio, vice de Arruda, assumiu o governo por alguns dias, terminando por renunciar ao mandato, diante do enorme volume de denúncias e pressão da sociedade. Foi como um castelo de cartas. Um terço dos deputados distritais foi denunciado por estar diretamente envolvido com a roubalheira. O novo presidente da Casa, um laranja do esquema, o deputado Wilson Lima, acabou assumindo o governo. Marcou-se então a eleição indireta para a escolha do novo governador, quando o pupilo de Roriz e Arruda, Rogério Rosso, surpreendentemente, conseguiu 13 votos - nove deles denunciados pela Caixa de Pandora, vencendo a eleição em primeiro turno. Gatos e ratos se uniram. Uma mudança para deixar tudo do mesmo jeito, como dantes na casa de Abrantes. O que importava era manter a quadrilha no comando do Distrito Federal.
No dia da eleição indireta, foi realizada uma vigília por estudantes e populares denunciando a nova farsa. Mais uma vez as ordens eram invertidas. A PM desceu o cassetete, espancando e prendendo. A Polícia Civil chegou a torturar o estudante Diogo Ramalho preso durante a resistência. Tudo para impedir o acesso dos populares às galerias da “casa do povo”.
No dia 21 de abril de 2010, milhares de pessoas foram a Esplanada ou a Funarte comemorar o aniversário de 50 anos de Brasília. Música e shows acobertavam, com a ajuda da mídia, a podridão que assola o Distrito Federal, que continua comandanda por mafiosos do velho esquema coronelista do Planalto. Enquanto a festa rolava, lá estavam os jovens na luta, com seu grito de guerra: ocupa, ocupa e resiste, mostrando a indignação e a esperança dos que muitas vezes nem sonhos têm. Os estudantes que ocuparam a reitoria, a Câmara Distrital, enfrentaram inúmeras vezes a truculência policial demonstrando a indignação que deveria ser a alma de uma população que tenha a cidadania assegurada. Nessa noite da comemoração do aniversário da capital do Brasil, o novo prédio da Câmara Distrital foi ocupado. Esse pode ser considerado o verdadeiro presente que a capital do país merece. O exemplo da resistência, da luta pela transparência, por políticas públicas, na defesa da punição dos corruptos e a intervenção, para que se convoquem, imediatamente, eleições diretas para a escolha do novo governador do DF. Os jovens lutadores da UnB, militantes da Assembléia Popular e de outros movimentos autogestionários de Brasília tem mostrado que ainda há resistência e gente que sonha e luta por um mundo melhor. Esse foi o verdadeiro e o melhor presente para Brasília. Brasília merece luta, não apatia, banditismo ou a mentira.

quarta-feira, abril 07, 2010

A chuva não mata, quem assassina são os governantes.



Por Pedro César Batista

Ver a mídia responsabilizar a chuva pela centena de mortes ocorridas no Rio de Janeiro dá náuseas e uma dor no coração diante de minha impotência. Há milênios sabemos as conseqüências das chuvas fortes. A própria bíblia mostra o dilúvio como um castigo diante das impurezas humanas.
O que não se pode aceitar é que em pleno século 21, com a ciência e tecnologia oportunizando instrumentos e conhecimentos para enfrentar os dissabores e catástrofes da natureza, ver a chuva ser responsabilizada pelos fatos ocorridos na cidade maravilhosa. Ver governantes falarem que foi a maior chuva de todos os tempos, caindo de forma inesperada e impiedosa. Suas falas dão a entender que os pobres são os responsáveis por viverem pendurados nos morros, equilibrando-se como indigentes em meio à riqueza concentrada nas avenidas e prédios luxuosos, comandados de dentro dos palácios governamentais. Lembra uma tragédia grega.
Recentemente a população mundial ficou estarrecida diante da dor e do sofrimento da população haitiana, que explorada e abandonada secularmente a própria sorte, teve centenas de milhares de mortos devido um terremoto. Por que essas catástrofes não matam dessa forma quando ocorrem em certos países? Mesmo o Katrina mostrando os milhões de miseráveis abandonados nos EUA, os ricos de Miami não sofrem com os furacões ou terremotos. Cuba, exceção, enfrenta heroicamente as intempéries e revoltas da natureza e desse modelo político dominante, dando segurança a toda a sua população. Na Itália, terremoto recente, mostrou a preparação diante dessas situações, mesmo caso do México, que durante abalo sísmico ocorrido essa semana, deixou um saldo de dois mortos. Por que essa diferença?
Chama atenção ainda a falta de indignação do chamado movimento social e das organizações populares à prática dos governantes. Solidariedade se limita a algum tipo de doação. Uma caridade que não compromete os que estão seguros em seus privilégios. Chamo isso de omissão e desumanidade. É cada um por si, nesse salve-se quem puder.
O Brasil, candidato a país desenvolvido, feliz por trazer as Olimpíadas e a Copa Mundial de Futebol, ainda possui em seus governos figuras esdrúxulas, incapazes de fazer uma autocrítica, exercer a função pública que escolheram e de assumirem suas incapacidades, seja humana ou política. A mídia brasileira ainda reproduz o cínico discurso dos responsáveis por essas mortes, pelas enchentes, pela falta de escolaridade, pela alta concentração de renda, pela violência que grassa pelo país. Violência que tem como principais vítimas os abandonados pelo Estado, “condenados pela terra”, segundo Frantz Fanon, que ainda continuam aguardando a salvação divina, pois para eles não há governo, restando-lhes apenas os morros, a chuva e as bolsas assistências.

terça-feira, março 30, 2010

sábado, março 20, 2010

Acordes





A guitarra de Santana
O barulho da chuva
O sangue esmagado
Olhares se desencontrando
Quem sabe uma gaivota?
Movimenta-se o mar
Me chama
Me encanta
Me atrai
Vem cantar comigo
Em noite de luar
Canta a chuva
Me chamando para dançar
Em plena 409 cheia de malandragens
Como uma deusa da luz
Segue Santana
Leva a chuva ao vento
Dança como beija-flor
Quero voar em teus acordes
Com cheiro de terra molhada.

terça-feira, março 16, 2010

Cidadão Pipoca ou salve-se quem puder?





Por Pedro César Batista

Na Grécia antiga havia a Ágora, local onde os cidadãos se reuniam para debater política, filosofia e artes. As camadas subalternas não participavam. Platão pensou na República, elaborada por Montesquieu, implantada em quase todos os países na atualidade. O sistema representativo, assim como faziam os gregos, limitou a discussão aos escolhidos.

Quatro linhas sintetizando milhares de anos. Ousadia inspirada nas palavras do ministro da cultura Juca Ferreira. Recentemente foi pedido por seu partido para se afastar do cargo para se dedicar a campanha da candidata verde, Marina Silva, à Presidência da República. Disse Ferreira que preferiu continuar no governo e ser um “cidadão pipoca”. Na Bahia, terra do ministro, aqueles que não têm acesso aos blocos durante o carnaval, brincando do lado de fora das cordas de segurança, são chamados de “pipoca”. Como na Grécia quem não podia comprar a abada fica de fora.

No Brasil atual parcelas enormes da população não podem comprar abadas de várias espécies: plano de saúde, boa educação, acesso a cultura, viagens, segurança, moradia e, nem mesmo, uma alimentação de qualidade. E lemos que uma autoridade de Estado achincalha a realidade, dizendo que agora vai ser “cidadão pipoca”.

A política é uma ciência para buscar soluções coletivas de uma sociedade. As classes a utilizam na defesa de seus interesses no confronto com seus opositores. Ocorre que esse tema se tornou assunto corriqueiro para indiciar criminosos e auxiliar os que buscam ouro a ficarem rico mais rápido. Para isso, partidos, ideologias e princípios tornaram-se mercadoria sem interesse. Usa-se conforme o momento e a necessidade.

A essência da democracia é a garantia da participação na tomada de decisões pelos governantes na condução dos negócios do Estado. A sociedade para isso tem alguns instrumentos: organização, debates, eleições, conselhos, conferências, etc. A internet trouxe novas ferramentas, as quais otimizam os debates, podendo contribuir para uma relação mais fraterna, solidária e revolucionária para construção da humanidade. Infelizmente não é isso que presenciamos. Prevalece-se o sentimento do “cidadão pipoca” ou o salvem-se quem puder no ritmo frenético desse tempo que vivemos.

segunda-feira, março 15, 2010

quarta-feira, março 10, 2010

Brasília, 50 anos: cidade shopping center




Por Pedro César Batista


Brasília, marco da arquitetura moderna, capital pensada por José Bonifácio, chega aos cinqüenta anos transpirando amor e ódio, cheia de contradições e com fortes características de um grande shopping center. A cidade que, segundo alguns, será salva das catástrofes naturais, com os escolhidos, usuários de seus encantos e belezas, em suas alamedas floridas, arborizadas e o Lago Paranoá, com suas belas margens servindo aos mesmos que serão salvos, mantêm à margem os que não podem comprar os produtos e serviços oferecidos.

Resultado do trabalho dos candangos e da ousadia de um governante, que conseguiu no meio do nada levantou uma cidade, tornou-se símbolo de ostentação. A cidade planejada, depois de 50 anos de sua fundação, superou em muito seu projeto inicial. Pensada para ser uma cidade com fortes relações humanas, onde a vizinhança tivesse a oportunidade de se (re) encontrar no comércio da quadra, nos clubes das quadras, nos locais de trabalho e lazer, em seus inúmeros parques. A solidão dos grandes centros, nesse mundo contemporâneo, transborda nas avenidas da capital federal.

Seis meses após sua inauguração Sartre e Simone de Beauvoir passaram alguns dias na cidade que nascia. Simone registrou: “Guardo a impressão de ter visto nascer um monstro, cujo coração e pulmão funcionam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante.” Cresce a indefinição do que seja de fato essa bela cidade, cosmopolita e interiorana, com coronéis de todas as partes, misturando cores e lados.

Seus moradores cada vez mais se portam como consumidores, tendo como Deus o vil metal. Até as bandas internacionais de pop stars descobriram a mina para vender shows. As largas avenidas são ampliadas e recebe complexos viários como presente de aniversário. O criador desse novo canteiro de obras aproveitou para cobrar propinas e terminou na cadeia. O vice-governador, especulador imobiliário, teve que renunciar para não acabar fazendo companhia ao principal chefe da roubalheira.

Os habitantes da cidade shopping center têm acesso aos bens de consumo da melhor espécie, uma qualidade de vida que todos os humanos merecem. Essas características possibilitam fazer esse paralelo, quem mora em Brasília, ou seja, no Plano Piloto, possuindo bons empregos, tem acesso à arte, a cultura, a educação, a viagens, planejamento familiar, crescimento intelectual e excelente qualidade de vida. Quem não pode se sacode, não tem transporte coletivo, não tem saúde, trabalha em subempregos e recebe educação de péssima qualidade.

Como um shopping center Brasília existe, muitas luzes, bons produtos, segurança, cultura e vida. O aeroporto possui um enorme fluxo, diferenciando-se da rodoviária central, onde milhares de trabalhadores lembram um formigueiro entrando nos ônibus sujos, velhos, lotados e caros. Quem tem poder econômico usufrui de seus serviços e produtos, quem não tem poder aquisitivo é serviçal, força subalterna dos habitantes da capital federal. O sonho de seu pensador virou a força do consumo e do capital, resultando em representantes corruptos e cínicos.

Em sua nova etapa a cidade precisa servir a todos os seus habitantes, permitir que suas alamedas, suas casas de espetáculos e shows, sua qualidade de vida, seu belo horizonte, suas flores, atendam e sirvam ao conjunto da população. A cidade não merece ser o shopping center da minoria que ostenta poder e privilégios. A vida oferecida pela cidade tem que ser justa, solidária e coletiva, incluindo os filhos e filhas dos candangos que construíram a cidade. A sede do poder brasileiro precisa ser exemplo ético e de dignidade humana.

segunda-feira, março 08, 2010

Dia Internacional da Mulher

Vida pura

08/03/2010, Brasília - DF


Mulher é semente de sonhos,
combatente pela vida,
inspiradora da conquista
de um mundo mais justo e fraterno.

Mulher é a primeira a sentir a dor,
da sociedade patriarcal,
da opressão de gênero e de classe
que se abate sobre os excluídos,
a primeira a sofrer a violência do capital.

Mulher é como noite enluarada,
encanta corações e almas,
anima a esperança,
encanta as borboletas nas manhãs
ainda umidecidas de amor.

Mulher é sempre vermelha,
do sangue que derrama todo mês,
do amor que dá a quem ama,
da força que semeia em sua vida,
da sensação de segurança que transmite.

Mulher lembra Rosa Luxemburgo,
Dandara e sua ousadia guerreira,
Anita Garibaldi, Pagu,
Margarida Alves,
Olga Benário,
Cora Coralina,
Haydeé Santamaria,
Mercedes Sosa,
Alexandra kolontai,
Simone de Beauvoir,
Frida Kahlo,
Maria Quitéria.


Mulher é terra livre,
mãe universal,
astro infinito,
resplancendo galaxias,
fortalecendo universos.

Mulher é vida,
é conquista da vida,
é terra fértil,
é coragem e luta.

Mulheres em luta - II

terça-feira, março 02, 2010

É preciso inspiração






O medo, a insegurança e a paranóia tomam conta das pessoas. O consumo é a energia de bilhões de seres perdidos no planeta. Um ritmo industrial que o planeta não suporta. Cresce a solidão por todos os lados, os humanos encontram-se em máquinas eletrônicas que determinam seus passos, sonhos e desejos. 2001 - Uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, é presente nos lares. As relações são artificiais, virtuais, o real é inseguro, dá medo. Tudo é assustador. A mediocridade e ogoísmo se disseminam com a velocidade do desenvolvimento técnico-científico. A sensibilidade é coisa que não se vê com frequência, aliás, tornou-se raridade.

O tempo avança com uma velocidade inimaginável. Junto a mídia manipula as consciências, os telejornais, com seus bonecos ventríluocos, conseguem falar de moda logo depois de uma catástrofe, como se nada tivesse ocorrido. As almas parecem não mais se assutarem com as pessoas. Até quando resistiremos a isso? Essa velocidade faz o medo se apossar das pessoas. Um medo que fragiliza a espécie. Inventam-se situações absurdas para propagar a insegurança individual, a hipocondria, a busca desesperada pela saúde artifificial. As guerras imperialistas continuam, com ataques aos mais pobres com medo de que estes se rebelem. Os mais pobres sonham com os modelos impostos pelo mercado, com o que a mídia massacra em mentes, corações e corpos.

Apesar de tudo ainda tenho no Selvagem, personagem de Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo, meu favorito. É preciso sonhar e acreditar. Única possibilidade de assegurar sobrevida a espécie. Ainda podemos, basta se rebelar, continuar se inspirando no voo do beija-flor, no canto do sabiá, no sorriso de uma criança.

domingo, fevereiro 21, 2010

Controle remoto



Passos rumos ao sol,
Molham-se em lágrimas às escuras
Diante de pedras caminhantes
Fugindo do calor
Tão frias que se tornaram.

Olhares que não vêem,
Observam o lado,
Nem parece sexta-feira,
Os tamborins ainda tocam
Espalhando fagulhas na escuridão.

Mãos estão trêmulas
Abraços desapertados
Frouxos não levantam vôo,
Rastejam na esplanada.

Gritos são sufocados,
Aparelhos de TV dominam,
Medos despontam
De controles remotos
Em cabeças, mentes e corações.

O sol quer ver flores,
Flutuar a beira-mar
Em corpos sepultados
Para semear manhãs.

Passos encharcados na escuridão
Brilham contra o vento,
Querem o tempo que não quer chegar
Risos nascendo em flores pelas avenidas.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Pouso noturno





A noite é uma fornalha,
O sangue fervilha em busca do mar,
Que me chama em movimentos
Universais de flores, rochas e ventania.

Quem não me quer?
Quem não ouve meus reclamos?
Quem me deixa sozinho à beira da estrada?

Meus passos travam pesados como planetas,
Circulam em universos sem deixar lágrimas borbulharem
na luz cósmica transformada em semente de alegria.

Tropeçar faz animar as nuvens em seu vôo,
As águas ficam mais puras e ensaguinoladas
Repletas de gritos de êxtase sufocados.

As estrelas pululam nas entranhas da floresta,
Vagalumes festejam o breu da existência
Cheia de cantos, desencantos e encantos.

A noite chamusca a dor do abandono,
Da descrença e das sementes murchas
Em crianças vendidas em bordéis na esplanada.

O sangue precisa navegar,
Voar alto,
Ser gaivota
Pousando na areia.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Cinema Invictus, rumo à vida.






Ver os filmes de Clint Eastwood anima a alma. Consegue reproduzir personagens da vida real com a verdadeira magnitude humana. Em Invictus mostra a capacidade de Nelson Mandela mudar a realidade, mobilizando o esporte e deixando uma semente de nação. O filme não ecoa apenas os gritos dentro do campo de rugby, ilumina os gritos da história de resistência do povo sul-africano e o coração do primeiro presidente negro desse país.

Em Gran Torino, Eastwood transforma um veterano da guerra da Coréia, antipático e solitário, que não fala com os vizinhos migrantes do Laos, em amigo e defensor dos moradores da rua. Toda a rudez e agressividade podem virar ternura e fraternidade. Já em Menina de Ouro, assim como em Gran Torino, a morte aparece levando os protagonistas. Antes de atravessarem o rio da vida, a essência dos protagonista, seus sonhos, conquistas e dores brotam das telas.

Invictus é a história real, recente e viva de um povo que derrotou o apartheid. Mandela, depois de 27 anos preso em uma cela de 12 metros, tornou-se presidente da África do Sul. Transformou o tempo, as relações humanas, políticas e almas com a maestria dos deuses. “Sou capitão da minha alma”, escreveu no poema inspirador da conquista que o filme retrata.

Imobilizador, ainda posso dizer sobre os filmes de Eastwood. Não me lembro de alguma vez, após assistir uma de suas películas, tenha tido pressa para levantar da poltrona e sair da sala. Com muita simplicidade, em Invictus, Morgan Freeman faz o papel do presidente que acabou com o apartheid. Sabe-se que ali é uma representação, assim mesmo, viaja-se na alma da história desse homem único. O mesmo pode-se afirmar dos protagonistas de outros filmes. O diretor tem conseguido mostrar que ainda viveremos a humanidade, como dizia Milton Santos.

sábado, janeiro 30, 2010

LIÇÃO DE AMOR

E por não querer sofrer
Não ser como flor seca
Por não ter água ou horizonte
Procuro espaço na terra
Para caminhar cantar e plantar.

E por não querer sofrer
Não aceito a mentira
Da falta de água ou horizonte
Para poder ser gente.

E por não querer sofrer
Caminho com os pássaros e seus cantos
Como fossem gritos no ar.

E por não querer sofrer
Acredito na liberdade
Como realidade do mar
De meus sonhos de amar.

E por não querer cantar
Todo sofrimento de meus sonhos
Sonho mais ainda.

De toda vontade de viver
Como sementes de girassóis
Ou filhotes de gaivotas.

E por não querer sofrer
Não vamos sofrer
Seguimos os passos do vento
Buscando ventania...

sábado, janeiro 09, 2010

Chamado





Quem me chama?
Sou um ser humano?
Não moro sob marquises,
nem sou o bicho de Bandeira.
Quem sou?
Ouço o canto dos pássaros,
alimento a vida dos príncipes,
moro como um general.
Quem sou?
Tenho minhas crias felizes,
tenho um amor,
tenho sonhos.
Quem sou?
Não desejo ouro,
nem pastores ou padres,
nem castelos,
nem ações na bolsa.
Canto o vento que me escuta,
as flores que me encantam,
as luzes que brilham.
Quem me chama?
Não desejo esse tempo,
com sabedores de tudo,
dos caminhos
das alquimias da felicidade,
dos conhecimentos científicos,
sem pés no chão nem amor.
Quero um abraço,
um sorriso de uma flor,
um canto de uma onda no mar,
chamando-me para ir ao seu encontro.
Se lá ficarei não sei.
Quero saber onde estou,
onde pousarei de meus passos
combatendo a fome,
as mentiras,
as dores,
os exploradores,
saqueadores de almas livres.
Não quero o lucro,
nem o mercado,
nem o cercado do consumo.
Quero voar ao infinito.
Quero companhia nas noites frias,
onde os estômagos não reclamem
da falta de alimentos,
saboreando a plena existência,
nem precisa ser humana,
mas viva como todos os seres.
Quero saber onde estou?
Meu tempo finda,
não resiste ao chamado do mar.

terça-feira, dezembro 29, 2009

2010 - caminhada continua...





O tempo anda cinzento,
muitas pessoas estão frias,
multidões continuam famintas
e obrigadas a viver na escuridão.

Nada disso desanima a caminhada,
os passos seguem
em busca de um mundo melhor,
mais fraterno e mais justo.

Sozinho não adianta muito,
precisamos nos dar às mãos,
fortalecer os abraços
e animar o sonho.

Tudo é possível,
precisamos estar juntos
no plantio e na colheita.

terça-feira, dezembro 15, 2009

I CONFECOM

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Viva a resistência! Fora Arruda!!

Viva a resistência! Fora Arruda!!

Pedro César Batista, escritor e jornalista.

A internet e a televisão brasileira têm mostrado uma grande quantidade de imagens com a divisão do resultado da corrupção dos governantes do Distrito Federal. O esquema, segundo a Polícia Federal, era chefiado pelo governador Roberto Arruda, envolvia secretários, um terço dos parlamentares da Câmara Distrital e três desembargadores do TJDF. São tantas as gravações que sempre aparece uma nova denúncia. As mais recentes mostraram o repasse a parlamentares federais de vários estados, inclusive o envolvimento do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

Como resposta a essa bandalheira, um grupo de estudantes e lideranças de várias organizações de Brasília ocupou a sede do legislativo local. Foram apresentados, por vários grupos e pessoas, sete pedidos de afastamento do governador. Pipocam manifestações por todos os lados na defesa da punição desses corruptos. Especialmente o impeachment do governador, que não é réu primário, depois que violou o painel do Senado.

Em 2004 o Brasil conheceu o que ficou conhecido por mensalão. Ocorreram manifestações de rua e ainda hoje há ações tramitando no STF. Agora, o PFL, digo DEM, mostra um esquema semelhante, bem mais estruturado, pois envolveu os três poderes. Um esquema que vem desde os tempos do coronel Joaquim Roriz, que foi obrigado a renunciar para não ser cassado. Se dentro do Congresso Nacional e nas estruturas do aparelho de Estado do Distrito Federal isso ocorre, podemos imaginar o que acontece no interior do Brasil, um país continental.

Conquistamos o restabelecimento das liberdades políticas após derrotar a ditadura militar, afastamos Collor de Melo da Presidência da República, com a descoberta do esquema montado pela gang que estava no poder. Naquele momento havia uma unidade das forças democráticas e populares para desenvolver as lutas e enfrentar os inimigos. Juntos, partidos, centrais sindicais, igrejas, movimentos populares e estudantis conseguiram realizar grandes mobilizações. Milhões de pessoas foram às ruas defender a ética na política.

Decorridos 20 anos podemos verificar a pulverização das ações em defesa da construção da cidadania e de um mundo melhor. O discurso feito pelo ideólogo da ditadura, Golbery do Couto e Silva, parece ter vingado. Enquanto na Argentina os milicos que prenderam, torturaram e mataram são julgados e condenados, aqui, em terras verde-amarelas, Delfin Neto, o todo poderoso da ditadura, transformou-se em guru do presidente, um ex-preso político. Ao mesmo tempo, as organizações que enfrentaram as balas e a morte nesse tempo de horror, agora disputam uma fatia de poder, aparições no jornal das 8 ou o medo do surgimento de novos atores. A palavra de ordem “O povo unido jamais será vencido” foi abandonada, ficando apenas o discurso para agregar amigos, afilhados e seguidores.

No caso de Brasília essa divisão fica evidente. Porque foram apresentados oito pedidos de impeachment de Roberto Arruda, no lugar dos movimentos, partidos e pessoas interessadas realizarem uma plenária para agirem de forma unitária. Porque a população não participa, mesmo se revoltando, das manifestações contra os corruptos e a corrupção? Lembro-me do tempo em que as organizações tentavam “recrutar” novos militantes, agora, percebe-se uma insegurança nos dirigentes e militantes quando aparece alguém que não é do grupo.

Isso tudo chama a atenção. O Brasil continua como um dos países com a maior concentração de renda no mundo, o analfabetismo ainda é uma chaga em nossa sociedade, a corrupção é algo corriqueiro nos atos da maioria dos políticos, que abandonaram a política e passaram a atuar como meliantes, e, apesar de tudo, não se constrói a unidade em defesa da ética, da justiça social e não são realizadas as mobilizações necessárias.

A cara de pau de políticos corruptos, mostrada em rede, negando o que é visto não é um fato concreto que exige a unidade dos que se dizem ao lado dos mais pobres e necessitados? Será que a prática política da direita, a busca desesperada pelo poder, contaminou a maioria?

O poeta angolano Agostinho Neto, líder da luta pela independência daquele povo, deixou escrito: “não basta que seja justa e pura a nossa causa, é necessário que a justeza e a pureza estejam dentro de nós”. Na atualidade, onde o sentimento neoliberal se tornou uma pandemia, será impossível resgatar esse sentimento?

domingo, outubro 25, 2009

Trovões brilharam sonhos
























Luzes se foram
o olhar esperançoso ficou
com o caminho ensinado
como espalhar sementes

Lenin e Mayakovisky
marcaram o tempo
conquistas e sangue
poesia e vida

Uma escuridão de cores
entardece sonhos
ilusão cósmica moderna

Passaram-se 92 anos
trovões brilharam sonhos
vibraram mais fé na esperança e na vida

A resistência do tempo
anima o vermelho sangue
que corre no espírito
das estrelas que insistem
em semear brilho e conquistas

Luzes sempre chegam
cantam flores e espinhos
iluminam passos e alvos
no centro do planeta homem

terça-feira, agosto 25, 2009

TeFé



Uma sereia

e um boto se encontraram

e nada falaram.

O rio se escondia,

entregando-se para a noite

que chegava.


Cada qual seguiu seu rumo.


O tempo,
quente e parado,
como uma noiva,
tudo observava.


Tanto sangue e dores
Lavados naquelas águas
Cheia de vida.


Um encontro do tempo e do vento,
Cantando o riso da floresta,
Ainda virgem,
Cheia de prazer,
Dado e vivido,
em gotas de suor encarnado.


Corpos,
Copos,
Fome,
Saciar.


Saciar um novo tempo,
Mirando o verde do olhar
Ainda procurando a sereia
Na beira d’água.


Buscando o encanto,
Buscando o vento,
Buscando o desconhecido,
Ainda ontem perdido,
Nas curvas do quadrado
Desencontrado.


O vento é folha seca,
Flutuando no espaço
olhando às águas
quentes dos sonhos.


Sereia quem és tu,
Que, como o boto,
Continua boiando ao entardecer
Como se a manhã
Fosse um feitiço
Descoberto em terras desconhecidas?

terça-feira, agosto 18, 2009

Balanço o mar

Venho e canto

Balanço o mar

Um tempo vem e vai

Um tempo que não existe


Venho e canto

Balanço o mar

Um tempo que virá

Um tempo que nascerá


Venho e canto

Canto

Canto

Um tempo que virá

Venho e canto

O tempo que nascerá.

domingo, agosto 02, 2009

Fada da Imaginação



























Um medo da vida


Semente assustada com a terra


Flor fugindo do sol


Gota de orvalho querendo tempestade


Encantada com a dor


Espanta sonhos e beijos


Para longe de seus olhos





Cada manha um pouquinho do fim


Que nunca começa nem chega


Em camas desesperadas por ouro em pó


De tanto sentir dor da solidão


Acredita ser fada do prazer





Não tem vassoura nem voa


Deusa da imaginação em corpo de colibri


Encanta passos em sua direção


Perdida por medo de amar





A lua inveja sua beleza


Olhos se fecham sem espelhos


Encantadora sem crer no amor


Desesperada na escuridão


Deixando mãos escaparem


Por medo de viver.

terça-feira, julho 28, 2009

Relâmpagos almados


























Relâmpagos almados
Devastando corpos e sonhos
Arrasando o tempo
Que desabrocha mais flores,
Espalhando mais sementes e
Iluminando a caminhada.

Sorrisos acarinhados
Deixa os corpos mais leves
Nuvens transformam-se em perfume
Com cheiro de éter e amor
Descobrindo um novo sonho
Que se realiza cheio de vida.

Caminhar a vida com direção
Seguir o brilho das flores
A força das sementes
A resistência do amor
A crença na ação humana
(humanos tentam fazer-me descrer, não conseguirão)
Semear o sorriso verdadeiro
Cantar o abraço prolongado

Um relâmpago almado
Levou-se ao espaço
Deixando-me com os pés
Mais firmes na caminhada
Entre quadras e flores
Buscando me seguir.

domingo, julho 19, 2009

Sangue e solidão


Cada gota de suor
quer terra
semear
e brotar
sonhos reais.
Cada brilho
no olhar
quer um beijo
prolongado como o desejo de viver
cantando a vida.
Sigo sobre pedras
e espinhos
esperando
quem não me vê.
Sigo as marcas
das gotas
de meu sangue
deixadas no tempo
e na solidão.

quarta-feira, julho 15, 2009

Solidão


segunda-feira, julho 13, 2009

Olhar iluminado

Sem canto nem dono
senta em estreals
cavalga em astros
percorre universos
vai pelo cosmo
arrebatando cometas.
Sem tempo nem corpo
átomos na escuridão
almas se iluminam
encantadas por sonhos.
Sem choros alegra galáxias
desbrava vias lácteas
encanta espíritos e distâncias
pupilas brilham encantadas
disperssas no planeta
querendo ser encontradas.
Sem canto nem dono
percorre astros
em caminhos estelares
fitando mares e terras
seguindo ao infinito...

quinta-feira, julho 09, 2009

Inverno quente















Um som forte adentra a alma
Direcionando-a intensamente ao desconhecido
Mais de uma vez conhecido no passado
Passos caminham como soubessem aonde chegar
Firmes e certeiros ao alvo
Daquilo que não se sabe onde levará

Uivos ecoam no corpo
Fazendo-o tremer intensamente
Êxtase e desejos apoderam-se do rumo
Em direção ao brilho de flores perfumadas
Que engolem e fazem gemer
Como um canto de lua cheia.

Deixa surdo pelo brilho que vê
Cego de tanto falar desejos
Mudo por ouvir os sons d’alma
Luando segue a direção
Crê no que olha, ouve e sente.

Tudo cresce como ondas em alto mar
Vem ao encalço adentrar o olhar
Tomando conta dos ouvidos
Alimentando o corpo em manhãs assustadas
E quentes do inverno florido pelos Ipês.

domingo, junho 28, 2009

Flutuar em teu corpo
















Pele ressecada jogada ao solo
Espera a chuva
Espalha-se de desejos por germinar
Mistura-se aos grãos e folhas caídas
Luando-se espera ser vida
Ser sonho e brilho
Flutuar nos olhares que não respondem
Cair em braços que não se abrem
Molhar-se em línguas de bocas fechadas
Movimentos nas ruas e nos céus
Gritos e sussurros de êxtase
Pele ressecada quer chuva
Ser semente se encontrando com a terra
Brotando rosas e amores perfeito.

sábado, junho 20, 2009

Quadrilha na Praça dos 3 poderes

Aline



















Ipês estão florindo,
a noite é mais fria,
o olhar vai longe...
Busca tempestade,
flores...

Sementes desabrocham solidão,
brotam mundos em luzes,
em estrelas passantes
entre quadras assustadas
e desencontradas de concreto...

Flores caem,
passos vão em sua direção,
querem calor,
encanto e magia
de carne e olhar brilhante...

Da janela as flores
continuam olhando o vento passar,
ouvem Aline, de Los Hermanos,
e dançam a música do tempo...

quarta-feira, junho 10, 2009

Quem...

















Ontem me perguntei:
- Quem sou?

Hoje, respondi:
-Quem és tu para me perguntares isto?

domingo, junho 07, 2009

Passos a seguir



















(à mulher que não conheço)


Não tenho medo da lua cheia,
nem da busca dos algozes por capital,
continuo contando estrelas,
que pipocam em cada esquina ou quadra,
mesmo que não me vejam...

Flores me iluminam,
com suas dores e encantos,
cantantes solitárias como meus passos...
ainda sonho em te encontrar...
você é real,
calor, abraços apertados e beijos, longos...

Não tenho medo da calúnia,
dos que semeiam a mentira
usando o nome de seus deuses,
acreditando tão somente em 30 moedas....

Minha alma dança a música da vida,
é humana e está só,
crê na ventania de beijos apaixonados,
multidões conquistando sonhos.....

Queria você ao meu lado
dançando essa bela música,
entre estálos de estrelas se encontrando
e firmeza nos passos a seguir...

segunda-feira, maio 18, 2009

“Valsa com Bashir”













O filme “Valsa com Bashir” relembra o massacre praticado por milícias cristãs, com o apoio do Exercito de Israel, quando este país ocupava o Líbano,em 1982, nos acampamentos de Sabra e Chatila, na periferia de Beirute. A obra, através do desenho animado, mostra personagens atormentados pelo passado na juventude, quando matavam sem culpa e sem entender bem o que acontecia. Cumpriam as ordens dos comandantes, entre os quais Ariel Sharon, ainda na atualidade um homem poderoso e chefe de crimes contra os palestinos.

Dirigido pelo israelense Ari Folman, que durante o período contado servia o exército israelense, a obra tem a sensibilidade de quem acredita que a arte transforma, mesmo mostrando a morte, imposta com a covardia de um exército poderoso contra refugiados indefesos. É uma verdadeira auto-crítica pelo que ele mesmo vivenciou em sua juventude. Conta a história e a versão dos que praticaram o massacre.

Uma animação que mostra a crise de homens que praticaram a morte de milhares de palestinos, a maioria composta de idosos, mulheres e crianças. Vincula a história dos massacres cometidos pelos israelenses contra os palestinos aos campos de concentração nazista. Com desenhos fortes, bem traçados e, no final, imagens assustadoras, essas reais, em que mulheres desesperadas choram a dor da perda de seus familiares. Um filme que deve ser visto por todos que acreditam na importância de defender a vida, além de ser inovador, criativo e muito ousado.

sábado, maio 09, 2009

sexta-feira, maio 01, 2009

Fora Gilmar Mendes!!!

domingo, abril 26, 2009

Breu e luz




















O breu da vida será a morte
ou a morte será a luz da vida?

Cada um por si,
como fossem átomos,
semeando medos e inseguranças.

Olhares perdidos
tentam descobrir caminhos ou
veredas em mentes entediadas
nas tardes do domingo.
Nem a missa ou o Faustão animam sonhos,
ampliam o vácuo e a distância
nos passos que não se encontram.

Flores desabrocham
enquanto almas viram vil metais nas madrugadas
em esquinas e avenidas imundas
cheias de propagandas, cores e luzes.

Uma escuridão alimenta os passos
de caminhantes errantes
entre a desilusão e sonhos
de ganhar na loteria.

Quem quer semear esperança
e colher flores?

Quem quer um olhar sorridente
na manhã ensolarada de quarta-feira?

Acender a luz vermelha,
os passos mais velozes ficam
em busca dos gozos pós-moderno.

Quem brilha o tempo mais
que a morte do velho?

domingo, abril 19, 2009

Voar para a vida


















Seguir rumo ao pouso,
Buscar o caminho,
O jardim e a flor.
Em terras desconhecidas
Caminhantes se cruzam
Em olhares desencontrados.
Ilhas errantes seguindo seus passos.
Nada sabem uns dos outros,
Respiram o mesmo aroma
Sem perceber que vivem do mesmo pulmão.
Pensam ser fortes
E são folhas usadas, dobradas
E guardadas em gavetas da história.
Imaginam andar sobre o mar,
Alimentando-se de sonhos.
Uns seguem com passos firmes
Sentem espinhos em seu caminhar
E transformam pedras em alimentos
Despejando sangue em seus corações.
Assim conseguem forças,
Enfrentando suas feridas e dores
Transformadas em conquistas.
Escuridão em brilho de breu na floresta.
O tempo sempre traz novos olhares,
Cantos tristes se tornam tempestades,
Olhares perdidos atravessam oceanos,
Almas certeiras saem para o vento buscar.
Voam mais e mais um novo tempo.

quinta-feira, abril 02, 2009

Seguirei meu voo










Um olhar me conquistou,
era virtual,
desejei vê-lo real
sorrir com seu brilho
cantar com sua luz
ser feliz com seu perfume
sonhar com seus passos
baixar âncora em porto firme
para voar no horizonte
esse olhar nem me viu
cantou todas as flores
iluminou todos os caminhos
nem me viu
tentando encontrar seu canto de olhar
que belo voar
seguirei minhas asas...

terça-feira, março 24, 2009

A vida para defender a dignidade















Assisti ”Gran Torino”, filme de um de meus diretores preferidos, Clint Eastwood. A história começa com o sermão de um jovem padre de 27 anos, durante o velório da mulher do protagonista. O sacerdote argumenta que a morte traz tristeza e alegria. Tristeza aos que ficam cheios de saudades dos que se vão e alegria aos que partem para uma vida no “paraíso”. Que isso faz parte da vida de todos.

Walt Kowalski, o protagonista, representado por Eastwood, é um veterano da guerra contra a Coréia. Ele não se dá com os filhos, a nora, a neta ou os vizinhos. Com a morte de sua esposa sua única companheira é uma velha cachorra, a cerveja e o cigarro, além de suas recordações da guerra. Ranzinza, conservador e autoritário não se dá com ninguém em seu bairro, transformado em uma comunidade de populações vindas da Ásia. Os moradores da casa ao lado da sua vieram do Laos. Inicialmente detestados por Walt acabam tornando-se seus únicos amigos e protegidos.

O filme termina da mesma forma que começou, com um velório e o mesmo padre falando da vida e da morte. O protagonista mudou completamente ao longo do filme. Doente e solitário usou sua experiência de vida, e principalmente, seu conhecimento com a morte para defender seus novos e jovens amigos. No final do filme quando as luzes da sala são acesas, permanecemos pregados nas poltronas, sem saber para onde seguir.

Os filmes de Eastwood provocam um rico debate sobre a importância da vida, de uma forma rica e educativa para seus personagens e a platéia. A dignidade destaca-se como tema central em seus filmes. Isso ocorreu em “Menina de ouro”, “Appaloosa – uma cidade sem lei” e agora em “Gran Torino”. Qual o valor da vida se não existir a dignidade? Qual bem tem mais valor que a vida? Será bens a vida, ou mesmo a morte? Será a vida o maior de todos os bens? Por que alguns preferem a morte? Tantas são as perguntas provocadas após assistir suas películas.

Em “Appaloosa – uma cidade sem lei” dois justiceiros, que trabalham juntos há muito tempo acabam, no final do filme, separando-se, porém, conservando a amizade. Um deles resolve começar uma nova vida, depois de conhecer uma mulher. Eles haviam prendido o chefe dos bandidos, entregando-o a justiça que o condenou à forca. O presidente dos EUA, amigo do bandido, acaba perdoando seu amigo. O parceiro do justiceiro, por respeito ao amigo e a dignidade que sempre defenderam, resolve continuar sua peregrinação. Antes de partir, no entanto, mata o chefe dos bandidos, que abandonara a vida do crime, mas continuava despeitando todos por ser poderoso. Um bom debate sobre a importância da ética na vida, independente da atividade profissional que se desenvolva.

Os filmes de Eastwood mostram a importância da amizade. O cuidado com o outro, deixando-o sempre mais forte, assim foi com “Menina de Ouro, “Appaloosa – uma cidade sem lei” e em “Gran Torino”. Esse é um dos maiores bens propagados nos filmes desse cineasta. Dar a vida para defender a dignidade dos mais fracos é a forma mais verdadeira de provar a amizade. Os filmes de Eastwood mostram que precisamos estar dispostos a comprovar aquilo que falamos. Muitas vezes sem mesmo pronunciar uma palavra sequer, mas com atos que comprovem o compromisso ético com a solidariedade e o respeito à vida. Mesmo que se morra para isso, como fez o veterano de guerra Walt para assegurar uma vida digna aos seus novos e jovens amigos vindo do Laos.



PS. O Filme Appallosa - Uma cidade sem lei que afirmei ser dirigido por Clint Eastwood foi um equivoco. O diretor do filme é Ed Harris diferente do que citei acima.

sexta-feira, março 20, 2009

PEDRO BATISTA É ENTREVISTADO PELO ICC

Por Jose Marcio
20 de março de 2009


http://cidadecidada.org.br/content/view/107/1/


Jornalista, escritor, gestor e militante social. Este é Pedro César Batista. Em entrevista ao Instituto Cidade Cidadã, Batista trata de diversos assuntos extremamente atuais, como a reforma agrária, participação popular, o papel da imprensa, a crise mundial.

Durante o Fórum Social Mundial, realizado em Belém, relançou o livro "João Batista, mártir da luta pela reforma agrária - impunidade do Pará", que retrata a luta da reforma agrária e de seu irmão, assassinado pelo latifúndio há duas décadas. A publicação tem a apresentação de João Pedro Stédile, líder do MST.

Experiente, Pedro atuou movimento estudantil nas décadas de 1970/1980, foi assessor parlamentar e coordenador da Assessoria Comunitária e do Orçamento Participativo (OP) em Peruíbe, na gestão do prefeito Alberto Sanches Gomes (1997-2000). Atualmente atua como assessor sindical em Brasília e jornalista, e mantém o blog www.pedrocesarbatista.blogspot.com.








ICC - Durante o Fórum Social Mundial, em Belém, você relançou o livro "João Batista, mártir da luta pela reforma agrária - impunidade do Pará", pela Expressão Popular, onde retrata a luta da reforma agrária e de seu irmão, assassinado pelo latifúndio há 20 anos. Como vê a impunidade no campo? Porque casos como de João Batista, Irmã Doroty e Margarida Alves, por exemplo, continuam a acontecer?

Pedro - Meu livro João Batista, mártir da luta pela reforma agrária mostra que os dados da violência no campo brasileiro são assustadores. Entre 1964 e 2007 foram assassinados 2.187 pessoas ligadas a luta pela reforma agrária. Do total desses crimes nem duas dezenas de casos os pistoleiros e mandantes sentaram no banco dos réus. As condenações não chegaram a uma dezena. Em contrapartida verifica-se uma feroz campanha, através da mídia, transformando os que lutam pela terra em violentos. Qual a causa disso tudo? A não realização da reforma agrária e a impunidade dos criminosos. Nos EUA, por exemplo, ao conquistarem sua independência em 1776, uma de suas primeiras ações foi a execução da reforma agrária. O Brasil até hoje, no limiar do século XXI, não realizou a sua. Muito pelo contrário, para alguns senhores da terra falar em reforma agrária é inaceitável. Temos, inclusive, alguns oligarcas latifundiários que controlam enormes poderes na República, como o Presidente do Senado, José Sarney, e a bancada ruralista, que tem como expoente o deputado goiano, Ronaldo Caiado, que após o fim da ditadura coordenou a fundação da organização dos latifundiários para combater a reforma agrária, a UDR. Caiado e sua quadrilha comandaram a violência no campo por muitos anos, e agora posam de "democratas". É preciso definir um novo limite a propriedade rural no país, executar a reforma agrária efetivamente, pois somente onde os trabalhadores lutaram isso foi possível. Felizmente os movimentos de luta pela terra continuam nas ruas, estradas, campos e lutando pela liberdade da terra, a verdadeira mãe da vida. Em relação a impunidade é preciso que a sociedade comece a denunciar a conivência do judiciário com essa violência. O Poder Judiciário tem laços profundos com o latifúndio, são dois lados da mesma moeda. A luta pelo fim da impunidade passa por denunciar a morosidade e cumplicidade da Justiça com esse massacre que vem sendo cometido contra os camponeses e seus defensores. As declarações recentes do presidente do STF, Gilmar Mendes, mostram claramente os verdadeiros compromissos de classe desse poder que vive de costas para a sociedade. Somente a mobilização social poderá efetivar a reforma agrária e colocar fim a impunidade reinante.

ICC - Os Poderes Executivos e Judiciários são omissos com a violência no campo?

Pedro - A contradição inerente na composição do Poder Executivo ao mesmo tempo em que assegura a governabilidade necessária, impede que se avance nas conquistas dos trabalhadores brasileiros. A política agrícola prioriza o agronegócio, responsável por grandes danos ambientais, o uso do trabalho escravo, a prática da corrupção ativa permanente e a manipulação de recursos públicos, com uma produção voltada para atender o mercado internacional. Já a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos no país, convive com a biodiversidade, emprega e produz com baixo custo, não recebe o devido apoio do governo. Para os primeiros são destinados 70 bilhões de reais, enquanto para os segundos não chega a R$ 12 bi. As principais ações da política agrícola estão voltadas pra o agronegócio, enquanto a agricultura familiar recebe uma atenção em segundo plano. Isso alimenta a ação criminosa do latifúndio e a conivência do Judiciário. Comprova, assim, que a estrutura do Estado está a serviço dos grandes detentores de riquezas, seja no campo ou na cidade. A crise econômica é a prova disso. Mais uma vez o pagamento da irresponsabilidade do capital e de governantes é colocada sobre as costas dos trabalhadores.

ICC - Como analisa o processo de reforma agrária no Brasil? E o MST, como avalia suas ações e, muitas vezes, a tentativa de criminalização dos movimentos sociais?

Pedro - Somente onde ocorreram mobilizações, com acampamentos, ocupações e resistências conquistou-se a terra. Assim foi desde a implantação da República, em 1889. Passamos por várias ditaduras, com pequenos momentos democráticos, e desde o final de 1950, com as Ligas Camponesas; essa foi a única forma que se possibilitou avançar na luta. Atualmente as ações do MST, MLST, Contag, CPT e outros grupos pelo campo brasileiro comprovam que o único caminho tem sido a luta. O dia em que houver um governo que se disponha a romper com o latifúndio terá de fato uma guerra declarada. Hoje os latifundiários matam com a complacência dos agentes públicos e os assassinos ainda vão à mídia afirmar que quem é violento são os que morrem por lutar pela terra. A criminalização dos movimentos faz parte dessa estratégia da elite econômica brasileira em aprofundar seu poder e tentar isolar os movimentos sociais. Mas não conseguirão. Em 10 de março passado foi lançado, em ato no Senado Federal, a Aliança Camponesa Ambientalistas, composta por movimentos que lutam pela terra e que defendem a biodivesidade e o meio ambiente. Verificou-se que a agricultura familiar está intimamente ligada a luta em defesa do meio ambiente, enquanto o agronegócio, com todo apoio oficial, continua criminalizando os movimentos e devastando a natureza. A criminalização faz parte das ações do latifúndio e seus asseclas para intimidar a luta pela reforma agrária. A resposta foi a criação da Aliança Camponesa Ambientalistas, que precisa ser agregada por todos os verdadeiros democratas e apoiadores da reforma agrária e defensores do meio ambiente. Essa luta é única.

ICC - Neste contexto, como vê o Governo Lula e as políticas públicas para a população, a reforma agrária e urbana, a democracia?

Pedro - O Governo Lula ao mesmo tempo em que avançou nas relações com a sociedade civil, criando instrumentos de participação e debates, deixou a desejar em muitos aspectos. Fundamentalmente por colocar à frente de funções estratégicas, figuras que aplicam a velha prática do clientelismo. Assim mesmo temos avançado bastante. Poderíamos ter avançado mais, mas estamos no caminho da consolidação da democracia, onde as pessoas não mais precisarão de ajuda oficial para se alimentar, mas estarão livres de todas as amarras do assistencialismo e da dependência, pois as políticas públicas estarão efetivadas.

ICC - Além de escritor e ativista social, você é jornalista? Qual seu olhar sobre a imprensa em nosso País, em nosso dia a dia? A imprensa cumpre seu papel?

Pedro - Há dois lados da imprensa. A grande imprensa e a alternativa. A grande sustenta-se na mídia eletrônica e cumpre um desserviço ao povo brasileiro e aos interesses nacionais. Desinforma a população usado-se de contra-gotas para manter o controle ideológico sustentado no consumo desenfreado. Recentemente a Folha de S. Paulo chegou a tentar mudar a história, chamando a época da ditadura de ditabranda. Esses senhores acreditam que podem mudar tudo, desde que sirva aos seus interesses. A mesma concentração da terra existe nos meios de comunicação. É preciso fazer a reforma agrária das comunicações. Por que não se discutiu com a sociedade se devia ou não se renovar as concessões das emissoras de TV? Não há nenhum país no mundo onde uma emissora de TV tem quase 100% de audiência em todo o território nacional. Apenas aqui e não se debate isso. Felizmente por outro lado há a imprensa alternativa, que circula nas entidades e apresenta as verdadeiras opiniões e interesses dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. São milhões de tablóides e informativos que circulam por todo o País. Há ainda outras publicações que não se enquadram na mídia dominante, as quais cumprem importante papel formador de opinião e informativo para a sociedade. Temos a internet que nos oportuniza muitas informações, são muitos sites, blogs e jornais que não se enquadram no sistema de mercado, propagando outros conceitos e valores, diferentes dos impostos pela mídia do capital.

ICC - Quando você coordenou o Orçamento Participativo em Peruíbe, houve uma grande mobilização da sociedade, em especial das associações de moradores e demais movimentos sociais. Acredita que o OP é um instrumento que fortalece a democracia direta?

Pedro - Sem dúvida essa experiência nascida na primeira gestão do PT, em Diadema, depois consolidada na gestão de Porto Alegre, comprova que é possível utilizar os recursos públicos de forma transparente e crível com os interesses reais da cidadania. Para isso é preciso que os governantes estejam dispostos a oportunizar a sociedade parte do poder. A cidadania, com o OP, passa a ter poder real, decidindo onde, como e em que aplicar os recursos públicos. Infelizmente o processo iniciado em Peruíbe não foi dado sequência, assim como ocorre um processo de desmobilização desse revolucionário projeto em todo o Brasil. Os parlamentares precisariam compreender que o OP pode lhes fortalecer, desde que eles deixem de ser os despachantes de obras e serviços da administração passando a exercer seu verdadeiro papel de fiscalizador e legislador. Se a sociedade, os governantes e os parlamentares se disporem a criar novos mecanismos sem dúvida o OP poderá fomentar instrumentos que consolidem a democracia direta. Esse modelo deve ser incentivado e aprofundado, com ele todos ganham, menos os corruptos e demagogos.

ICC - A América Latina vive um novo momento, em particular com a ascensão de governo progressistas, como Lula, Chávez, Morales, Corrêa, Vasquez, Ortega e agora Maurício Funes em El Salvador. Como avalia este cenário e o futuro da América Latina?

Pedro - A crise do capitalismo comprova o que Marx escreveu há mais de 150 anos no Manifesto Comunista que o capitalismo é seu próprio coveiro. E é isso que estamos vivendo. Mais uma crise, com os negócios indo à bancarrota e o Estado os salvando, retirando recursos da saúde e educação pública, da moradia, da seguridade social para preservar seus patrimônios bilionários. A América Latina significa que há esperança. A resistência desses governantes de esquerda que enfrentam de forma criativa e ousada os poderosos do Norte mostra que a Humanidade não se curvará à opressão do capital. Chaves e Evo zeraram o analfabetismo. Evo enfrentou os latifundiários na Bolívia e aprovou uma nova constituição, impondo um novo limite a propriedade rural naquele País. Correa realizou a auditoria da dívida. E muitas lutas ainda serão travadas. É preciso fortalecer a unidade latina, resgatar o sonho de Bolívar e de Che Guevara, construir um continente onde todos sejamos capazes de viver com dignidade e semear a esperança no planeta.

ICC - Suas considerações finais.



Pedro - Acredito que somente com a mobilização, organização e consciência política das camadas populares seremos capazes de construir efetivamente uma pátria livre e soberana. A luta pela terra, a conquista da reforma agrária, o resgate da memória dos combatentes que ficaram no caminho, entre eles a de João Carlos Batista, somente animará a luta. É preciso resgatar referenciais; a política não pode continuar como balcão de negócios, precisamos trazê-la de volta aos interesses comunitários, populares e coletivos, deve estar a serviço da vida e da justiça social, não do mercado.

quarta-feira, março 04, 2009

Mulheres em luta



















Flores acreditam em seus sonhos
Flores semeiam rebeldia
Flores resistem à opressão
Flores de luta
Mulheres semeando estrelas
Plantando a confiança no amanhã
Flores desabrocham
mesmo em terras áridas
Semeiam árvores
formam florestas
conquistam a liberdade
Flores semeiam sonhos
Propagam a rebeldia
Derrotam a opressão
Mulheres e flores
encantam e cantam
um novo tempo.


8 de março - dia de luta por um novo tempo de justiça, paz e fraternidade entre mulheres e homens.

Quaresmeira
















Quaresmeira lilás
copa fechada florida
inspira o céu
ilumina o sol
encanta o universo
Quaresmeira florida
copa fechada lilás
brilha o olhar
alimenta a alma
Quaresmeira encantada
florida e lilás
inspira um novo tempo...

terça-feira, março 03, 2009

Cyber Amor

Beatriz Ribeiro e Pedro Cesar Batista




















Instigadores do bem e da vida
Inspiradores do amor e do prazer,
Inspiradores do encontro e dos sonhos

Almas que se logam e se amam
Vivendo maravilhosos momentos

Instigadores do bem e da vida
Uma deliciosa loucura que dá muito prazer

Almas que se logam para amar
Almas que se juntam para reverenciar o amor
Descobrem que o tempo sempre oferta um novo começo
Tempo de recomeçar um novo começo
Tempo de respeitar o tempo
Aprendendo com o suspirar
Respirar o desconhecido e a grandiosidade da vida.

Que tempo é esse?

Tempo de agradecer a importância da vida
Inexplicável com tantos desejos nesse novo tempo
Nesse novo recomeçar
Onde sementes cibernéticas éticas reais brotam
Corações nessa viagem frenética,
Cheia de esperança desejam encontrar alguém
Real como pedra ou nuvens adubando o sol
Molhando as flores, Belíssimas, pelo jardim
Onde a humanidade será rosas, jasmins, amores-perfeitos, lírios...
Flores na imensidão do Cosmo.

E perdidos na multidão estão aqueles que não encontram
Um porto seguro para suas mágoas e dores.
Navegando acreditam em seus sonhos
Então navegam, navegam, navegam
Com a certeza que chegarão ao horizonte
Refeitos depois da longa caminhada

Almas que se logam e se amam...

domingo, março 01, 2009

Manhãs ensolaradas















Nada canta em meus ouvidos,
ouço apenas os pedidos dos pássaros presos por liberdade.
Nada encanta meu olhar,
vejo apenas a dor da fome nos faróis.
Nada brilha meu coração,
sangrando pela tristeza do desamor.
Nada ilumina meus passos,
apenas seguem firmes sua caminhada.

Meus pulsos mantem-se levantados,
acreditam no amanhã,
apesar das noites mal dormidas.

As luzes dos pássaros,
o voo das borboletas,
o sorriso das crianças,
as sementes brotando,
a água do riacho correndo,
o povo que sonha,
sempre animarão meu canto,
meu olhar,
meus passos,
meus pulsos
na semeadura de manhãs ensolaradas.

Nada desanima o sol,
nada desencanta os pássaros,
nada apaga o brilho das fontes,
nada desacredita as flores,
transformando-se em frutos
para todos os seres se alimentarem.

Nada desacredita a terra
que brota fé nas florestas.

Meus ouvidos escutam esse tempo,
meus passos o mira e o persegue.