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sexta-feira, março 09, 2012

Mulheres livres



Lavínia, guerreira que combateu ao lado de Espartacus.
Penélope, que resistiu a conquista e esperou Ulisses.
Dandara ao lado de Zumbi bravamente lutou.
Maria Bonita, ousada e livre, com Lampião bailou no sertão.

Milhares, milhões, bilhões de guerreiras em todo o mundo.
Sem vacilar seguem a sua marcha,
Espalhando sorrisos, sonhos e sementes.
Não se contentam com igualdade, exigem dignidade, respeito e amor.

Mulheres livres e companheiras,
Assim deixaram a sua marca na história.

Raça humana, mulheres e homens, um mundo novo fazer.
Semear esperança, com o encanto de todas as mulheres,
Ao longo da estrada que seguimos.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Borboleta azul



Querer sentir o vento vindo do mar
faz as folhas sentirem-se como flores perfumadas,
pétalas de jasmim, brancas e macias.

Querer estar junto de alguém
é como a terra desejando receber a água e o calor do cuidado para suas sementes,
como uma borboleta que pousa suavemente na pétala vermelha
da rosa do desejo de ser querido em sua plenitude.

Quando isso não acontece
são como gotas da seiva da vida que são desperdiçadas,
em desencontros que se evaporam
em lágrimas famintas por beijos inexistentes.

Meu bem querer verdadeiro
choca-se em rochas do tempo presente,
restando ainda a aurora em meu olhar,
assustado pela dor do abandono.

Amanhã o sol aquecerá meu querer,
entregue aos voos da borboleta azul.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Armadilha



Um olhar sorridente se desmancha em lágrimas,
nem vê a lua chegar cantando a manhã,
seus ouvidos nada ouvem,
seus olhos estão tentando falar e não cantam.

Um abraço se choca com o vento,
transforma-se em asas soltas sobre o mar e rochedos floridos,
sonhando com o calor dos beijos inexistentes,
que tem gosto de vinho azedo
pelo tempo trancado na escuridão.

Rajadas orgásticas inspiram segurança
sobre a tempestade das rosas
espalhadas no olhar que não sente a voz do trovão
armando a cova da desesperança.

sábado, fevereiro 11, 2012

Chegada



Sem dúvida da luz que espera a noite enluarada,
aquecendo os passos da manhã
em direção ao ponto de partida,
confundindo-se com a chegada.

Caminhar



Sempre o caminho mostra aonde chegar,
nem precisa se enganar,
o fazer mostra o destino.

Busca


A lua me chamou,
nem olhei,
ela chamou novamente,
fiz de conta de que não era comigo,
ela se foi e continuei procurando-a.
somos o centro do átomo

em direção ao cosmo

do coração humano

carnis valles



de Wanessa Dias

eu andei feveriando alguns meses
despertando notas
motivando o batuque abafado no imêmore frisson
repisei em ruas
antes dos amantes foliões
seduzidos pelo cordão do entusiasmo
agora
arrogados
sem rastros
perdidos
em ruas abertas para o rio
por onde andam os caminhos segredados?
chão de tantos enredos ensaiados
e
concentração
do arranjo
para o leito palco
que quando quase findos
se sentiam
aplaudidos
por
bocas
línguas
dedos
afinados
combinados
numa coreografia de peles
na passarela dos lençóis
a espalhar os corpos
em sussurros
a fazer perambular
cheiros
das (p)artes
despojadas de castidade
mas feridas pelas horas
que vestidas de cinzas
anunciavam
o samba
da despedida

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Caminho


Um dia repleto de esperança começa,
a chuva inspira sonhos e abraços
capazes de acordar a tempestade
de pessoas combatendo o bom combate,
dar as mãos e louvar as sementes que estão a germinar
flores de todas as cores
de braços dados avançando
comandando nuvens e estrelas.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

O tempo é translúcido,
como a tempestade que limpa os céus. (PCB)

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Galopando


Ancorado sobre o vento,
sem medo do amanhã,
nem das cicatrizes na carne e na alma,
invisíveis a olhares desatentos,
desatraco meu olhar em direção ao abraço,
com perfume de rosas
que vem vindo a galope na história

sábado, janeiro 21, 2012

Pousando em flores



Uma vontade de levantar voo,
cantar desafinado e reunir a orquestra,
animando o entardecer,
receber os beijos que não tenho.

Pousar n'alma ao amanhecer,
cantar o canto do vento em pleno voo,
sentir a luz do sol aquecer o coração,
deslizar no solo enraizando manhãs.

Luzes apagadas, sorrisos fechados,
olhares sem ver, braços sem abraçar,
passos seguem em direção ao pôr do sol
onde as portas do céu se abrem em total entrega.

Trovões festejam a aurora,
Germina a vida por todos os cantos,
Sorrisos transbordam sem se esconder,
Então decido tirar a chave da porta
Deixando-a aberta para o entardecer chegar.

Voar ao infinito em pétalas de flores,
Perfumar os beijos e molhar os corpos
Entregando-se a seiva que brota da pele macia
Perfumada de desejos pelo que o tempo semear.

Levantar voo sem vontade de plainar
Pousar em um jardim florido
De mãos dadas
E com o sorriso estampado nos corpos.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Acordado



Ser tua pele suor prazer
Teu cheiro hálito perfume
Teu gozo caminhar abraço
Teu beijo pêlo êxtase
Ser teu sonho realidade vida
Apenas o desejo de ter teu amor
Apenas a vontade de ouvir te quero
Ser teu verso anverso reverso
Teu encanto desejo busca
Tua poesia falada escrita declamada
Um sonho acordado.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Olhar florido




Sensibilidade e passos das flores
molham a chuva de luz e esperança,
sem susto das dores nem da desilusão,
espalham fertilidade e cuidado,
desejam apenas que sorrisos se espalhem
fazendo os olhares brilharem um novo olhar.

sábado, janeiro 14, 2012

Ritmo



Faço tudo ao contrário.

Dizem para eu comprar,
Não compro.

Falam para esconder meu amor,
Não escondo.

Afirmam que devo ser um vencedor,
Prefiro ser parceiro.

Tenho que ser o melhor,
Insistem,
Escolho compartilhar.

Preciso seguir a moda,
Ando de meu jeito.

Tenho que ser competitivo,
Busco a solidariedade.

Afirmam que é cada um por si,
Insisto em ter companheiros.

Assim aprendo um novo tempo,
Onde dar é mais que receber.

Aprendo que amar é dedicar-se aos sonhos,
Entregar-se aos amores que acredito.

Nada de ser mais um repetindo o bordão.
Nada de ser um seguindo o caminho imposto.

Assim sigo contra-correnteza,
Acreditando que as flores brotarão,
e um dia,
Antes que tarde,
A flor mais bela dirá:
Eu te quero.

Ainda assim faço tudo ao contrário.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Goiaba vermelha




O perfume da goiaba
vermelha abre a memoria
traz as manhãs que caminhava sobre árvores,
o perfume das águas onde pesquei na infância,
as cores das manhãs embaladas nas correrias entre o gado no curral.

O perfume da goiaba
branca desperta um tempo de cantigas,
onde o vento me fazia dormir
ouvindo minha mãe ler histórias de curupiras e sacis,
com estrelas piscando e caindo nas noites enluaradas,
onde os vaga-lumes mostravam o caminho dos sonhos
que começavam a chegar e desabrochar novos passos,
dentro da floresta perfumada e musicada pelas flores e pássaros
livres cantando a esperança ainda uma criança.

O perfume da goiaba
vermelha e branca se misturou no campo,
desabrochou trilhas floridas e encantadas,
animou os passarinhos a cantarem mais
e inspirou as pipiras, as araras, os papagaios
e a vida que mais animada fruiu.

O perfume da goiaba
dá uma vontade de seguir
sem deixar o sabor do tempo
onde tudo começou.

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Olhos do sol



Ninguém jamais poderá retirar o brilho dos olhos do sol,
nem o encanto do sorriso da lua enamorada,
menos ainda a disposição em dedicar-se aos sonhos do amor.

Néctar


Sinto um gosto de vida e sonho....

um néctar que anima a caminhar...

Direção


O vento do novo sopra
abre veredas olhares
incendeia os passos
que sabem onde quer chegar....

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Explosão terrena




Estoura olhar do tempo,
faz brotar o grito da aurora,
desmascarar o teatro de péssima qualidade,
mofado nos palácios,
germina a seiva da esperança na solidariedade
escondida nas crianças
famintas pelo planeta,
dissemina flores
no lugar de riquezas,
propaga a vida,
usa a avareza para revirar a história.

Estoura olhar do vento,
leva para bem longe o medo,
o desespero e a solidão,
arrasta para terras longínquas o egoísmo e a tristeza dos deprimidos,
a fé pelo metal causador da opressão que mais dor provoca,
espalha abraços verdadeiros e prolongados,
semeia jardins que jorrem
pétalas nas avenidas e prédios assustados.

Estoura olhar da história,
ilumina os passos
desencontrados e dispersos,
ensina a direção da resistência em busca
dos sonhos coletivos,
aponte o brilho na escuridão dos olhares
acuados com a força do capital,
descortine um novo palco
onde os protagonistas
sejam sinceros nas palavras e justos nas ações,
permitindo todas as crianças, jovens, adultos e idosos
colherem suas flores
preferidas,
sem terem que destruir jardins.

Estoure vida por todos os poros da terra.
espalhando fonte de entrega sem medo do amanhã.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

História



Tiraram a costela para encantar o homem com a formosura da mulher.
Negaram a descoberta do fogo e o desenvolvimento da espécie.
Inventaram a propriedade das terras, das pessoas e manipularam as almas.
Criaram um Deus, onipresente, entorpecendo olhares e abraços. Temível.

Justificaram a opressão, a fome e impuseram o medo.
Usaram a morte para destruir a vida, jardins, culturas e civilizações.
Sem pudor mataram, saquearam e mentiram.

Uma moeda se tornou valiosa controlando desejos,
Negando o trabalho, a criatividade, a arte e a natureza.
Fizeram um estado controlador, manipulado pelos contadores de mentiras.

E mais mentiras vieram.
E mais mentiras vieram.

Vieram santos e mercados em bolsas sanguinolentas envenenadas.
Vieram armas sutis, cirúrgicas para crianças e adultos.
Até o amor conseguiram torná-lo assustador, amedrontador.

Tudo é o medo.

Tudo é a busca pela moeda sangrenta, armada e controladora dos tempos.
Assim mentem ainda,
Controlando os abraços que se afrouxam,
Os beijos que fogem,
As costelas que se enrijecem.

Uma história mal contada que virou sagrada e bíblica.

Brasília. 21.12.11

terça-feira, dezembro 20, 2011

Momentos




Tem momentos na vida
que passam com a velocidade
do arco iris.

É preciso se deixar molhar,
assim os campos

não se perderão

na névoa da memória.

Amanhã




A terra vermelha

do Planalto

é da cor

dos olhos do amanhã.

Ignorado




ignorado irado pirado voar
liberar o sonho

ignorado irado cantar
arar a mente e plantar rosas

ignorado amar olhar o tempo
sentir o hálito do novo trazendo o conhecimento

ignorado cantar a descoberta
sangrando pétalas de rosas....

Rede




Conectado na rede
desligado de voce,
navegação solitária
buscando um porto....real.

Voo livre




Mata verde enverdecida
fértil
por alegria brotando em olhares
despertos da escuridão do poder
em voo livre como chuva
deslizando ao entardecer....

total



Nada de dia nem de noite
o tempo não tem hora
descobre-se a qualquer tempo
em pura e total entrega...

terça-feira, dezembro 13, 2011

Renascer Prometeu




Tróia foi destruída na escuridão do cavalo grego
Pelo amor a Helena que provocou a guerra,
Enquanto Penelope enganava reis e generais,
Certa da volta de seu Ulisses que um dia retornou.

Iracema não teve a mesma sorte com Martin.

Afrodite e Vênus desabrocharam o amor,
Nascida no mar e criadas por Zeus trouxeram a beleza e o encanto.
E Eva, para Saramago, seduziu o anjo
Que cuidava do Éden e então, com Adão,
Caíram no mundo mundano,
Mostrando o sabor do prazer
Que faz olhares brilharem.

Lavínia enfrentou o império romano ao lado de Spártacus,
Julieta optou pelo fim sem o seu amado Romeu,
Gilliatt em sua pesca preferiu o gosto salgado do mar,
Isolda não mais quis viver sem Tristão,
então resta esperar o renascimento do amor,
inteiro apaixonado pela vida e pelos sonhos.

Será preciso uma redescoberta de Zeus,
Com Prometeu renascendo nas almas,
Que precisam entregar-se aos sonhos.

sábado, dezembro 03, 2011

Sem-vergonha



O fulgor de meus beijos
Afogam minha solidão
Tornam-se magmas expelidos
Rompendo átomos floridos
Rosas, margaridas, cravos, marias-sem-vergonha,
Inteiras na beira do tempo
Sem medo de se mostrar
Estalam no fogo da vida.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Aula




Aprender ser como o vento
da História,
com suas tempestades e trovões,
plantando manhãs ensolaradas,
com rosas vermelhas
desabrochando
em olhares.

sexta-feira, novembro 25, 2011

O que somos?



Se humanos somos, algo está errado, violentamos uns aos outros, destruímos a natureza, competimos de forma estúpida e desesperadamente todos buscam o ouro e o poder, os verdadeiros deuses que movem a raça. Se isso é ser humano, precisamos mudar a denominação da espécie ou o conceito sobre o que é ser humano, pois essas atitudes, segundo o conceito de humano, nada humana são. O que somos?

terça-feira, novembro 22, 2011

olhar



Um caminhar anima a chuva,
traz o vento e o aroma do tempo,
um novo tempo com um novo aroma,
enquanto o vento caminha rumo ao sol,
que escondido dança com as gotas d'água
que se confundem com as pegadas na estrada,
dos que ousam lutar por um novo olhar.

segunda-feira, novembro 14, 2011




Rosas vermelhas despontam,
a seiva de sonhos e da vida domina o aroma,
estrelas cadentes brotam,
a chuva continua...

terça-feira, novembro 08, 2011

Passeando nas nuvens




Uma cor cinza se apodera da luz,
Pedras azuis tomam conta do caminho
Um despenhadeiro brilhante desponta no horizonte
Sentimentos de medo e solidão fazem as flores caírem dos caules
Uma claridade atrai para uma flor desabrochando que chama à vida
A música rasga profundamente a alma com a leveza de uma navalha
Deixa a mostra sonhos desencontrados nos passos fincados em nuvens
Memórias do descaso se fortalecem provocando dores
Sem terra nem ar nem tempo nem amanhã
Sem brilho repleto de escuridão seguir os passos do jardim
Onde está a vida que quer abandonar a marcha do tempo?
Onde as flores não mais serão plásticas?
Uma voz suave canta as desavenças da história
Canta canta canta desesperadamente
E a cor cinza insiste em se apoderar de olhares que ficam turvos.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Sem cerimonia



Um som invade a luz do tempo,
torna o fogo líquido,
envolvente e dócil.

Notas desencontradas tocam
e pássaros se perdem em pleno voo.

Labaredas se tornam abanos poéticos,
incendeiam nuvens que viram rochas
flutuantes em tapetes de rosas voadoras.

Asas quebram-se por voarem rasteiras,
chocam-se em palavras afiadas e cegas.

Querem cantar a ventania
tentando entrar em portas fechadas,
acordes brilham na escuridão
de olhares brilhantes e negros de insonia.

A sonoridade flutua
nas almas estão presas no fogo do desejo.

Sem cerimonia tiram a maquiagem e abrem a janela,
recebe a luz do som deslocando o tempo.

A luz e o som se encontram na escuridão,
fazendo a manhã anoitecer.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Sou pássaro voando




Quem dera ser uma rajada de vento,
espalhar sonhos de vida e liberdade,
sementes de resistência e dignidade.

Como sou um pássaro em terra,
resta-me caminhar em direção ao sol.

Um dia a tempestade acordará em sonhos,
respirando o hálito das flores
que apesar dos espinhos,
ainda inspiram ventania.

Quem dera ser uma nesga de luz,
despertaria a escuridão,
levando-a a bailar em noite de lua cheia.

Beijos de Vênus




Domingo é dia de luzes,
não importa que estejam apagadas,
as flores perfumam o tempo,
a música inspira o trabalho,
explodem sensações de prazer por existir.
Uma vontade enorme de voar,
caminhar sobre as nuvens até o infinito
onde terei os beijos de Vênus.

quinta-feira, outubro 27, 2011

A dama da festa





Meu corpo se move
No ritmo das águas que me levam,
Lavam e salgam meus sonhos,
Ainda adocicados de desejos
Por um tempo de equilíbrio
Com entrega e calor,
Verdadeiros,
Inteiros.

Onda vai onda vem.

Segura-me o vento,
Enquanto a lua se prepara
Para adentrar no baile.

O brilho do sol
Começa a se despedir a oeste.

Logo ela virá
E se entregará ao mar
Tornando-se a rainha do prazer.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Palavras voadoras



Navegar é como escrever,
as palavras vem em ondas,
crescentes e em movimento intenso,
que nos empurra mais para o vento.

O vento é como escrever,
rasga as faces sem vergonha,
acariciando até almas desconhecidas
que se jogam em pleno voo ao infinito.

Escrever é como fogo,
vem das entranhas do magma do coração,
soltando lavras que inundam olhares
que ainda continuam fechados.

Continuarei caminhando,
quem sabe uma palavra me leve
ao infinito onde sinta a luz
do vento navegar o fogo
que necessitamos para voar.

domingo, outubro 23, 2011

Fogo que nos leva.



Arraial do Cabo, 15 de outubro de 2011.


O mar arde em chamas em movimento,
Provoca a esperança na vida em terra fértil,
Erguendo uma luz multicor nas manhãs e nos entardeceres.

O mar é fogo d’água que alimenta almas,
Fortalece corpos, provoca olhares brilhantes e desejos ardentes
Em romper a melancolia da solidão.

Faz entregar-se a imensidão de encantos e forças trazidas por Iemanjá.

E Posseidon, em sua carruagem de ouro puxada por velozes cavalos,
Faz despertar sobre ás águas as brasas e as fagulhas da vida,
Romper a dor de corações assustados e inundados pelo medo.

O mar avermelha-se como um coração em plena entrega
Aos corpos, peixes, mergulhões e gaivotas que se liberam em seus sonhos.

O mar é harmonia e sincronia na lua cheia,
Quando as sereias saem às terras para encantar e colorir olhares.

O sal de teu fogo vem de além mar,
Foi derramado por homens e mulheres arrancadas de suas raízes
Que chorosos, alegres, felizes ou assustados pisaram em terras novas e desconhecidas.

O mar embala as redes que se enchem de alimentos,
Acabando com a dor da fome de comida, por aprendizagem e por luzes.

Fortalece ainda mais o desejo de imprecisão
Com teus movimentos que chacoalham o Triunfo,
Que avança como vento aumentando tuas chamas.

Não importa que provoque a recordação de fontes em terra (in)segura,
Apenas inspira a seguir avante.

Nem és um cabo, nem um arraial, nem um salvador, é um universo
Ligando povos, descobertas e encontros ainda por nascer.

Faz dos enjôos os desejos de navegar,
Seguir com teu fogo a cantoria das cordas desamarradas dos caís
E alçam vôos em fagulhas que se misturam às estrelas incendiando olhares.

Vem você com seus movimentos incendiar o vento.

Vem abanar minha alma em teu rumo,
Fazer-me parte do teu fogo que propaga e se torna caís seguro,
Enquanto as velas balançam rumo ao norte.

Não mais procuram terras nem ouro nem atracações,
Querem mais labaredas em alto mar,
Ser fogo incendiando a luz da busca por rochas suspensas,
Onde o vento entre pelas janelas de cabeças e olhares
E se transformam em flores sobre as mesas em manhãs.

Teu fogo é combustível para as naus que sabem aonde chegar
E insistem na imprecisão de teu jeito,
De teus encantos e mistérios,
Da tua incerteza em relação ao pôr do sol
Que chega com a lua,
Provocante que desponta vermelha em teu seio.

Você faz a incerteza da existência
Seguir em busca dos ventos com mais labaredas
Que farão meu corpo levitar em tuas brasas e desejos.

O mar é fogo sem saber que é água,
Anima corações a voar livres das verdades e certezas.

É pássaro sem terra nem dono,
Aumenta as chamas nas águas,
Faz da terra combustível para animar a cavalgada oceânica
Nessa imensidão das labaredas que provocam sonhos e delírios.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Vou

Eu sei que eu vou,
Sei para onde vou.
A lua ilumina o sol,
Que a esquenta ao amanhecer.
Entrega absoluta e verdadeira.
Assim vou para onde vou,
Pairando no tempo que me leva.
Praias me chamam a caminhar.
Eu sei que vou,
Sei para onde vou.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Um passo a cada nó



Assim começarei minha primeira viagem em alto mar. Não sei caminhar sobre as águas, apenas dou algumas braçadas, que, depois de muitos anos como fumante, deixam-me pesado como um tronco de madeira, que deseja flutuar. Em O Triunfo II, em companhia do mestre do mares António Abreu Freire e do professor João Peralta, iniciarei meu primeiro nó para aprender as destrezas e manhãs dos movimentos das águas que nos levará a vários portos. Embarcarei e irei aprender o sabor dos enjoos e da resistência do corpo, seguindo o roteiro de Martins Soares Moreno. Amanhã cedo, quarta-feira, 5 de outubro, estarei a bordo.

Embarcaria somente em Salvador, mas o tempo me favoreceu, pois, após uma viagem no último final de semana, ainda poderei partir de Guarujá, sentindo como serão todos os nós que navegaremos a margem desse continental Brasil, terra que ainda dará a seu povo a fartura e encantos que oferece, não apenas o carnaval e o futebol, paixões que adoro cantar e falar nas caminhadas da vida. Aprenderei agora a flutuar, velejar, entender a bússola, os ventos, as marés, a solidão de estar em meio às águas sem ninguém nem nada quando estivermos em nossos plantões de vigília. Agora vou navegar, sem precisão, pois os ventos nos guiará, trazendo o tempo onde a lua cheia se aproxima.

Com certeza serão dias de muito aprendizados ao lado dos mestres Antônio e Peralta. Aprenderei a contar a vida que eles me mostrarão em alto mar, a direção do vento para seguir acreditando que a vida vale a pena viver. Viver sem o o medo do luxo, nem da dor do lixo, apenas acreditando que a vida serve para construir sonhos, sonhos coletivos, sonhos individuais, sonhos de uma vida forte e bela como o mar para todos os habitantes da terra, especialmente aos mais novos, que precisam (re)descobrir a importância de sonhar, nem que para isso seja precisar caminhar sobre pedras, deixando o mar e os ventos te levar na direção da paz. Assim aprenderemos a ser mais justos, mais dignos e sinceros com nossos corações e nossas almas, cada instante ou a cada nova maré, mais forte e consciente da importância de viver para navegar.

Embarcarei amanhã pronto a seguir às ordens dos mais experientes, que nos levará a conhecer um pouco mais da história e das terras brasileiras, agora com o olhar partindo das águas do Atlântico.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Cortinas do tempo




Um dia o tempo passará e as cortinas se fecharão.
A cor do fel se transformará em girassol
e a imagem cinzenta ficará translúcida.
O palco será a avenida da colheita,
semeada pela entrega e o cuidado com os sonhos.
Então abraços e sorrisos se encontrarão em manhãs ensolaradas.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Resistência




Tempo de inspirar atos de dignidade e indignação,
provocar suspiros em mentes descrentes na vida.
Tempo de recordar a resistência.
Tempo de caminhar de mãos dadas... (PCB)

domingo, setembro 11, 2011

Isaura



Isaura resistente e forte.
Venceu batalhas, dores
Plantou flores,
Semeou jardins, pomares,
Espalhou florestas.
Forte como o vento em momentos de maresia,
cuidando do tempo
que a ventania provoca.

Mãe, amiga e companheira,
leitora de Gorki.
Quantos folhetos distribuiu?
Quantas reuniões ajudou a sensibilizar?

Isaura resistente e forte.

Militou e ajudou a organizar enquanto viveu.
Chorou tempestades com a dor da perda
de seu filho assassinado pelos covardes do poder.


Isaura deixou o exemplo
da ternura e firmeza na defesa da verdade.
Esse ano sem você foi uma eternidade,
fazendo mais ainda crer em teus ensinamentos.
Sempre ser verdadeiro na busca da vida.
Em busca de terra fértil
onde a dignidade seja adubo do plantio.

Isaura resistente e forte,
tua falta é irreparável,
assim resta-nos seguir a busca
de muitas mães e filhos amorosos
e comprometidos com a luta
e sonhos por paz e felicidade para todos.
Nada de dor, nem tristeza,
tua vida foi luz.

sexta-feira, agosto 26, 2011

açaí




já não tenho mais teus beijos,
estão vou tomar açaí,
respirar o hálito
quente do fogo
que me traga em versos,
o canto da Iara
a me chamar para nadar
nas águas do igarapé

já não tenho mais teus beijos,
vou tomar açaí

quarta-feira, agosto 24, 2011

Ventania



Meu relógio é ventania,
desembrulha a história,
arranca sorrisos,
esmaga a dor da desesperança,
constrói sonhos
e avança semeando jardins de resistência.
Sem tempo a esperar.

sexta-feira, agosto 19, 2011

beijo




"Teu beijo é nestlé,
globalizado,
anda no Hopi Hari.
Quero um beijo com gosto de açaí,
terra e cheiro de suor.
Teu abraço é global,
quero calor ou frio,
sabor humano,
sem mercado,
apenas beijos e abraços verdadeiros".

quinta-feira, agosto 18, 2011

Busca




Sem medo da escuridão sigo a direção das flores.
Com certeza encontrarei terra firme e fértil,
onde descansar minhas desilusões e acender o sol.

domingo, agosto 14, 2011

batendo a porta



Não será o medo nas ruas,
nem o cinismo de vendedores de sonhos cinzentos,
nem a dor explodindo em cabeças,
a seca em olhares com brilhos artificiais.

Há uma semente que não morre, resiste e desabrocha,
provoca a claridade em céus, afugenta a escuridão
e espalha flores vermelhas.

A rouquidão da alegria enfeitiça o tempo,
provoca gargalhadas em manhãs que
estão a bater nas portas.


sábado, agosto 06, 2011


No Porto amanheci nas ruas cantando fado,
em noite de São João com sardinhas e pimentões assados,
com cerveja e balões nos céus,
sem saber que o tempo não avançava...
pensei cantar a noite quente,
enquanto dançava a ventania da vida,
que parava em meu olhar.....