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terça-feira, dezembro 20, 2011

Amanhã




A terra vermelha

do Planalto

é da cor

dos olhos do amanhã.

Ignorado




ignorado irado pirado voar
liberar o sonho

ignorado irado cantar
arar a mente e plantar rosas

ignorado amar olhar o tempo
sentir o hálito do novo trazendo o conhecimento

ignorado cantar a descoberta
sangrando pétalas de rosas....

Rede




Conectado na rede
desligado de voce,
navegação solitária
buscando um porto....real.

Voo livre




Mata verde enverdecida
fértil
por alegria brotando em olhares
despertos da escuridão do poder
em voo livre como chuva
deslizando ao entardecer....

total



Nada de dia nem de noite
o tempo não tem hora
descobre-se a qualquer tempo
em pura e total entrega...

terça-feira, dezembro 13, 2011

Renascer Prometeu




Tróia foi destruída na escuridão do cavalo grego
Pelo amor a Helena que provocou a guerra,
Enquanto Penelope enganava reis e generais,
Certa da volta de seu Ulisses que um dia retornou.

Iracema não teve a mesma sorte com Martin.

Afrodite e Vênus desabrocharam o amor,
Nascida no mar e criadas por Zeus trouxeram a beleza e o encanto.
E Eva, para Saramago, seduziu o anjo
Que cuidava do Éden e então, com Adão,
Caíram no mundo mundano,
Mostrando o sabor do prazer
Que faz olhares brilharem.

Lavínia enfrentou o império romano ao lado de Spártacus,
Julieta optou pelo fim sem o seu amado Romeu,
Gilliatt em sua pesca preferiu o gosto salgado do mar,
Isolda não mais quis viver sem Tristão,
então resta esperar o renascimento do amor,
inteiro apaixonado pela vida e pelos sonhos.

Será preciso uma redescoberta de Zeus,
Com Prometeu renascendo nas almas,
Que precisam entregar-se aos sonhos.

sábado, dezembro 03, 2011

Sem-vergonha



O fulgor de meus beijos
Afogam minha solidão
Tornam-se magmas expelidos
Rompendo átomos floridos
Rosas, margaridas, cravos, marias-sem-vergonha,
Inteiras na beira do tempo
Sem medo de se mostrar
Estalam no fogo da vida.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Aula




Aprender ser como o vento
da História,
com suas tempestades e trovões,
plantando manhãs ensolaradas,
com rosas vermelhas
desabrochando
em olhares.

sexta-feira, novembro 25, 2011

O que somos?



Se humanos somos, algo está errado, violentamos uns aos outros, destruímos a natureza, competimos de forma estúpida e desesperadamente todos buscam o ouro e o poder, os verdadeiros deuses que movem a raça. Se isso é ser humano, precisamos mudar a denominação da espécie ou o conceito sobre o que é ser humano, pois essas atitudes, segundo o conceito de humano, nada humana são. O que somos?

terça-feira, novembro 22, 2011

olhar



Um caminhar anima a chuva,
traz o vento e o aroma do tempo,
um novo tempo com um novo aroma,
enquanto o vento caminha rumo ao sol,
que escondido dança com as gotas d'água
que se confundem com as pegadas na estrada,
dos que ousam lutar por um novo olhar.

segunda-feira, novembro 14, 2011




Rosas vermelhas despontam,
a seiva de sonhos e da vida domina o aroma,
estrelas cadentes brotam,
a chuva continua...

terça-feira, novembro 08, 2011

Passeando nas nuvens




Uma cor cinza se apodera da luz,
Pedras azuis tomam conta do caminho
Um despenhadeiro brilhante desponta no horizonte
Sentimentos de medo e solidão fazem as flores caírem dos caules
Uma claridade atrai para uma flor desabrochando que chama à vida
A música rasga profundamente a alma com a leveza de uma navalha
Deixa a mostra sonhos desencontrados nos passos fincados em nuvens
Memórias do descaso se fortalecem provocando dores
Sem terra nem ar nem tempo nem amanhã
Sem brilho repleto de escuridão seguir os passos do jardim
Onde está a vida que quer abandonar a marcha do tempo?
Onde as flores não mais serão plásticas?
Uma voz suave canta as desavenças da história
Canta canta canta desesperadamente
E a cor cinza insiste em se apoderar de olhares que ficam turvos.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Sem cerimonia



Um som invade a luz do tempo,
torna o fogo líquido,
envolvente e dócil.

Notas desencontradas tocam
e pássaros se perdem em pleno voo.

Labaredas se tornam abanos poéticos,
incendeiam nuvens que viram rochas
flutuantes em tapetes de rosas voadoras.

Asas quebram-se por voarem rasteiras,
chocam-se em palavras afiadas e cegas.

Querem cantar a ventania
tentando entrar em portas fechadas,
acordes brilham na escuridão
de olhares brilhantes e negros de insonia.

A sonoridade flutua
nas almas estão presas no fogo do desejo.

Sem cerimonia tiram a maquiagem e abrem a janela,
recebe a luz do som deslocando o tempo.

A luz e o som se encontram na escuridão,
fazendo a manhã anoitecer.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Sou pássaro voando




Quem dera ser uma rajada de vento,
espalhar sonhos de vida e liberdade,
sementes de resistência e dignidade.

Como sou um pássaro em terra,
resta-me caminhar em direção ao sol.

Um dia a tempestade acordará em sonhos,
respirando o hálito das flores
que apesar dos espinhos,
ainda inspiram ventania.

Quem dera ser uma nesga de luz,
despertaria a escuridão,
levando-a a bailar em noite de lua cheia.

Beijos de Vênus




Domingo é dia de luzes,
não importa que estejam apagadas,
as flores perfumam o tempo,
a música inspira o trabalho,
explodem sensações de prazer por existir.
Uma vontade enorme de voar,
caminhar sobre as nuvens até o infinito
onde terei os beijos de Vênus.

quinta-feira, outubro 27, 2011

A dama da festa





Meu corpo se move
No ritmo das águas que me levam,
Lavam e salgam meus sonhos,
Ainda adocicados de desejos
Por um tempo de equilíbrio
Com entrega e calor,
Verdadeiros,
Inteiros.

Onda vai onda vem.

Segura-me o vento,
Enquanto a lua se prepara
Para adentrar no baile.

O brilho do sol
Começa a se despedir a oeste.

Logo ela virá
E se entregará ao mar
Tornando-se a rainha do prazer.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Palavras voadoras



Navegar é como escrever,
as palavras vem em ondas,
crescentes e em movimento intenso,
que nos empurra mais para o vento.

O vento é como escrever,
rasga as faces sem vergonha,
acariciando até almas desconhecidas
que se jogam em pleno voo ao infinito.

Escrever é como fogo,
vem das entranhas do magma do coração,
soltando lavras que inundam olhares
que ainda continuam fechados.

Continuarei caminhando,
quem sabe uma palavra me leve
ao infinito onde sinta a luz
do vento navegar o fogo
que necessitamos para voar.

domingo, outubro 23, 2011

Fogo que nos leva.



Arraial do Cabo, 15 de outubro de 2011.


O mar arde em chamas em movimento,
Provoca a esperança na vida em terra fértil,
Erguendo uma luz multicor nas manhãs e nos entardeceres.

O mar é fogo d’água que alimenta almas,
Fortalece corpos, provoca olhares brilhantes e desejos ardentes
Em romper a melancolia da solidão.

Faz entregar-se a imensidão de encantos e forças trazidas por Iemanjá.

E Posseidon, em sua carruagem de ouro puxada por velozes cavalos,
Faz despertar sobre ás águas as brasas e as fagulhas da vida,
Romper a dor de corações assustados e inundados pelo medo.

O mar avermelha-se como um coração em plena entrega
Aos corpos, peixes, mergulhões e gaivotas que se liberam em seus sonhos.

O mar é harmonia e sincronia na lua cheia,
Quando as sereias saem às terras para encantar e colorir olhares.

O sal de teu fogo vem de além mar,
Foi derramado por homens e mulheres arrancadas de suas raízes
Que chorosos, alegres, felizes ou assustados pisaram em terras novas e desconhecidas.

O mar embala as redes que se enchem de alimentos,
Acabando com a dor da fome de comida, por aprendizagem e por luzes.

Fortalece ainda mais o desejo de imprecisão
Com teus movimentos que chacoalham o Triunfo,
Que avança como vento aumentando tuas chamas.

Não importa que provoque a recordação de fontes em terra (in)segura,
Apenas inspira a seguir avante.

Nem és um cabo, nem um arraial, nem um salvador, é um universo
Ligando povos, descobertas e encontros ainda por nascer.

Faz dos enjôos os desejos de navegar,
Seguir com teu fogo a cantoria das cordas desamarradas dos caís
E alçam vôos em fagulhas que se misturam às estrelas incendiando olhares.

Vem você com seus movimentos incendiar o vento.

Vem abanar minha alma em teu rumo,
Fazer-me parte do teu fogo que propaga e se torna caís seguro,
Enquanto as velas balançam rumo ao norte.

Não mais procuram terras nem ouro nem atracações,
Querem mais labaredas em alto mar,
Ser fogo incendiando a luz da busca por rochas suspensas,
Onde o vento entre pelas janelas de cabeças e olhares
E se transformam em flores sobre as mesas em manhãs.

Teu fogo é combustível para as naus que sabem aonde chegar
E insistem na imprecisão de teu jeito,
De teus encantos e mistérios,
Da tua incerteza em relação ao pôr do sol
Que chega com a lua,
Provocante que desponta vermelha em teu seio.

Você faz a incerteza da existência
Seguir em busca dos ventos com mais labaredas
Que farão meu corpo levitar em tuas brasas e desejos.

O mar é fogo sem saber que é água,
Anima corações a voar livres das verdades e certezas.

É pássaro sem terra nem dono,
Aumenta as chamas nas águas,
Faz da terra combustível para animar a cavalgada oceânica
Nessa imensidão das labaredas que provocam sonhos e delírios.

quinta-feira, outubro 06, 2011

Vou

Eu sei que eu vou,
Sei para onde vou.
A lua ilumina o sol,
Que a esquenta ao amanhecer.
Entrega absoluta e verdadeira.
Assim vou para onde vou,
Pairando no tempo que me leva.
Praias me chamam a caminhar.
Eu sei que vou,
Sei para onde vou.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Um passo a cada nó



Assim começarei minha primeira viagem em alto mar. Não sei caminhar sobre as águas, apenas dou algumas braçadas, que, depois de muitos anos como fumante, deixam-me pesado como um tronco de madeira, que deseja flutuar. Em O Triunfo II, em companhia do mestre do mares António Abreu Freire e do professor João Peralta, iniciarei meu primeiro nó para aprender as destrezas e manhãs dos movimentos das águas que nos levará a vários portos. Embarcarei e irei aprender o sabor dos enjoos e da resistência do corpo, seguindo o roteiro de Martins Soares Moreno. Amanhã cedo, quarta-feira, 5 de outubro, estarei a bordo.

Embarcaria somente em Salvador, mas o tempo me favoreceu, pois, após uma viagem no último final de semana, ainda poderei partir de Guarujá, sentindo como serão todos os nós que navegaremos a margem desse continental Brasil, terra que ainda dará a seu povo a fartura e encantos que oferece, não apenas o carnaval e o futebol, paixões que adoro cantar e falar nas caminhadas da vida. Aprenderei agora a flutuar, velejar, entender a bússola, os ventos, as marés, a solidão de estar em meio às águas sem ninguém nem nada quando estivermos em nossos plantões de vigília. Agora vou navegar, sem precisão, pois os ventos nos guiará, trazendo o tempo onde a lua cheia se aproxima.

Com certeza serão dias de muito aprendizados ao lado dos mestres Antônio e Peralta. Aprenderei a contar a vida que eles me mostrarão em alto mar, a direção do vento para seguir acreditando que a vida vale a pena viver. Viver sem o o medo do luxo, nem da dor do lixo, apenas acreditando que a vida serve para construir sonhos, sonhos coletivos, sonhos individuais, sonhos de uma vida forte e bela como o mar para todos os habitantes da terra, especialmente aos mais novos, que precisam (re)descobrir a importância de sonhar, nem que para isso seja precisar caminhar sobre pedras, deixando o mar e os ventos te levar na direção da paz. Assim aprenderemos a ser mais justos, mais dignos e sinceros com nossos corações e nossas almas, cada instante ou a cada nova maré, mais forte e consciente da importância de viver para navegar.

Embarcarei amanhã pronto a seguir às ordens dos mais experientes, que nos levará a conhecer um pouco mais da história e das terras brasileiras, agora com o olhar partindo das águas do Atlântico.