Somos poetas, cidadãos e cidadãs, e nos unem o exercício da poesia e a defesa da democracia. Poetas Contra o Golpe tomam a palavra em defesa da democracia tão ameaçada neste país pelos mesmos senhores históricos de todo o sempre: os verdadeiros inimigos do povo e das recentes conquistas obtidas em seu favor. Por isso, viemos a público manifestar nossa posição contrária à tentativa do golpe político-institucional em curso, o qual, no nosso entendimento, visa à retomada de poder pelos grupos partidários e empresariais derrotados nas últimas eleições presidenciais.
O golpista é um fingidor de fato como pessoa, jamais um poeta! Não mede esforços nem consequências para e pelo poder. Alimenta-se das desigualdades, das diferenças, da indiferença e do ódio na permanente construção do abismo social por origem, classe, cor, credo, gênero, dividindo a sociedade por desrespeito e desprezo à maioria da população que de fato constrói a nação.
Afirmamos nosso mais contundente repúdio aos atos de corrupção praticados por esses grupos, pois entendemos que a corrupção desmerece a democracia e agride a cidadania. Defendemos as investigações e as justas punições dela decorrentes. Porém, não aceitamos que apenas um grupo político seja o alvo, porque sabemos que a grande maioria dos partidos políticos brasileiros, inclusive os que articulam o golpe, é historicamente praticante de atos de corrupção e não tem sido alvo de investigações.
Nós poetas em defesa da democracia, da constituição, da liberdade, do estado democrático de direito, tão aviltado no momento, buscamos e lutaremos sempre por um Estado laico, justo, igualitário e libertário alimentando o desejo e o sonho pela unidade da diversidade no país e pelo respeito entre todos e todas.
Somos chamados e chamadas a marcar posição em defesa da democracia, neste momento histórico difícil e delicado em que a sociedade brasileira se percebe crivada pelo clima de ódio que ameaça sobretudo os defensores do estado democrático de direito. Trazemos em resposta a esse momento crítico a nossa fala poética.
Brasília, abril de 2016.
Adeilton Lima - DF
Ademir Demarchi - SP
Alberto Pucheu - RJ
Alexandre Durratos - RJ
Alexandre Guarnieri - RJ
Alexandre Pilati - DF
Altivo Neto - DF
Ana Maria Lopes - DF
Ana Rüshe - SP
Ana Suely - DF
Andre Giusti - DF
André Rocha - DF
Angélica Torres Lima - DF
Aníbal Perea - DF
Antônio Juraci Siqueira - PA
Antônio Miranda - DF
Aroldo Pereira – MG
Beth Jardim - DF
Brenda Marques Pena - MG
Bruno Caetano - DF
Caetano Bernardes - DF
Carla Andrade - DF
Carlos Augusto Cacá - DF
Carlos Machado - SP
Carmem Silva Presotto - RS
Carolina Vieira - DF
Ceiça Targino – DF
Chico Alvim - DF
Chico Nogueira - DF
Cláudio Cardoso - PA
Cláudio poeta Dinho - DF
Corinto Meffe - DF
Dan Juan Nissan Cohen - RJ
Daniel Barros - DF
Daniel Pedro - DF
Dedé - DF
Devana Babu - DF
Eliana Castela - AC
Elicio Pontes - DF
Ézio Pires - DF
Fernando Freire - DF
Fred Maia - DF
Germano Arte Seletiva - DF
Guido Heleno - DF
Gustavo Dourado - DF
Ironita Mota Pereira - DF
Ismar Lemes - DF
Iverson Carneiro – RJ
Jairo Fará - MG
Joana Chagas da Silva - PA
João Bosco Maia - PA
João Victor Pacífico - DF
Joãozinho da Vila - DF
Joaquim Mariano - SP
Joelson Meira - BA
Jorge Amancio - DF
Jorge Antunes - DF
José Leal - Alemanha
José Sóter - DF
Jovino Machado-MG
Júlio Alves - RS
Lacerda Alencar - DF
Leila Jalul Bretz - AC
Leonam Cunha - RN
Lilia Diniz - MA
Lisa Alves - DF
Lucia Araújo - DF
Luiz Felipe Vitelli - DF
Luiz Turiba - DF
Lurdiana Araújo - DF
Manoel Herzog - SP
Marcão Aborígene - DF
Marcelo Morão-RJ
Marcos Freitas - DF
Maria Alice Bragança - RS
Maria Glória - DF
Maria Maia - DF
Maria Vieira dos Santos - RJ
Marina Andrade - DF
Marina Mara - DF
Marli Silva Fróes -MG
Nanda Fer Pimenta - DF
Neli Germano - RS
Noélia Ribeiro - DF
Olivia Maria Maia - DF
Patrícia Giseli - MG
Paulo Dagomé - DF
Paulo Ferraz - SP
Paulo Nunes - PA
Pedro César Batista. - DF
Pedro Tostes - SP
Raul Ernesto Lorrosa Bellesta - DF
Rego Júnior - DF
Renato Fino - DF
Ricardo Mainiere - RS
Ricardo Silvestrin - RS
Rita de Cássia da Silva - PA
Rita Melem - PA
Rita Prado - PA
Roberto Amaral - MG
Ronaldo Costa Fernandes - DF
Ronaldo Mousinho - DF
Ronaldo Rhusso - RJ
Rubens Jardim - SP
Sérgio Duboc - DF
Solange Padilha - RJ
Sônia Situba - PA
Tereza Vignoli - SP
Theo Alves - RN
Tita Lima Lima - DF
Tom Pureza - DF
Vanderlei Costa - DF
Vicente Sa - DF
Vinicius Borba - DF
Wanessa Dias - DF
Wélcio de Toledo - DF
Yonaré Flávio - DF
Tempo de inspirar atos de dignidade e indignação, provocar suspiros em mentes descrentes na vida. Tempo de recordar a resistência. Tempo de caminhar de mãos dadas... (pcbatis@gmail.com)
quinta-feira, abril 14, 2016
quarta-feira, março 09, 2016
Fatos
Bradam
pedindo prisão,
Defendem a pena de morte,
Incentivam a justiça pelas próprias mãos.
Defendem a pena de morte,
Incentivam a justiça pelas próprias mãos.
Acusam
como fossem primários em corrupção,
como fossem primários em corrupção,
com
discursos ecoados em rede nacional.
Velha
prática herdada de seus antepassados,
Negar a verdade
Garantir propriedades,
Caluniar.
Negar a verdade
Garantir propriedades,
Caluniar.
Os
índios eram preguiçosos,
Os negros indolentes,
As mulheres fracas.
Os negros indolentes,
As mulheres fracas.
Seguem
formando seguidores,
Incapazes de olhar para trás
Indispostos a se mirarem como classe.
Incapazes de olhar para trás
Indispostos a se mirarem como classe.
Multidões
que não receberam heranças,
Não possuem sobrenome de senhores coloniais,
Nem de quatrocentões.
Não possuem sobrenome de senhores coloniais,
Nem de quatrocentões.
Criam
soldados
De velhas oligarquias.
De velhas oligarquias.
Outros,
serviçais conscientes, rosnam
não querem falar de política,
Tentam falsear seus vínculos.
não querem falar de política,
Tentam falsear seus vínculos.
Seguem
latindo,
como cães treinados,
Aptos a atacarem
quem ousar enfrentar
Seus líderes.
como cães treinados,
Aptos a atacarem
quem ousar enfrentar
Seus líderes.
Escancaram
cinismo,
Exalam podridão histórica
Sem gaguejar continuam acusando,
aumentando suas riquezas,
encharcadas em sangue.
Exalam podridão histórica
Sem gaguejar continuam acusando,
aumentando suas riquezas,
encharcadas em sangue.
Pedro César Batista
quinta-feira, janeiro 21, 2016
Autorretrato social
sou sem rosto
morador sem teto
colocado na
marginalidade
homossexual
discriminado
mulher violentada
criança faminta
sou sem cores
jovem desempregado
sou assassinado
pela polícia
covarde
sou da África,
fui sequestrado
fizeram-me escravo
sou operário
sou lavadeira da
beira do rio
sou boia fria
sou as mãos
sou os pés
sou o trabalho
sou do campo
sem-terra
planto comida
que falta em meu
prato
sou diarista
lavo banheiros
limpo chão
cozinho e sirvo
respiro fogo
minha pele não tem
cor
cheira mal
durmo sob marquise
sou discurso
sou promessa
sou número
sou sem rosto
sou condenado
sou descartável
sou sem cores
quarta-feira, janeiro 06, 2016
Quem sou.
Sou
negro, um jovem negro. Mais um.
Sou índio, uma criança indígena. Mais uma.
Sou palestino, uma criança palestina. Resistindo.
Sou mulher, uma jovem mulher. Combatente.
Sou trabalhador, desempregado. Organizado.
Sou da periferia, do mato, da aldeia. Sou da colmeia.
Sou quilombo, conquisto o amanhã. O novo.
Vivo em cabanas, ergo o sol. Faço vida.
Semeio e colho alimentos,
Pesco em todos os mares,
Alimento o mundo.
Minha voz não sai na mídia,
Minha voz é sufocada, resiste,
Embala o fogo da vida. Grita, sem medo.
Enfrento as balas da polícia,
As mentiras dos poderosos,
Preconceitos dos moralistas religiosos.
Sou o povo,
Cantando sem medo de sicários,
Capaz de fazer esperança na dor. Florir sorrisos.
Sou o olhar que não se esconde,
O abraço que não se afrouxa,
O passo que não vacila. Marcha, firme.
Venho dos morros,
Das favelas e dos acampamentos. Levanto utopias.
Venho do amanhã,
Quando o ontem nada mais será que um quadro,
Um triste e velho quadro pendurado na parede,
Encardida pelas lágrimas de tanto sorrir
E bailar para a lua. Vermelha e cheia.
Sou o povo que não se curva,
Sou a vida que não morre,
Disposto a derramar o sangue,
Fazer flores onde a terra ainda está árida.
Sou o fogo que não se apaga. Sou labareda.
Sou índio, uma criança indígena. Mais uma.
Sou palestino, uma criança palestina. Resistindo.
Sou mulher, uma jovem mulher. Combatente.
Sou trabalhador, desempregado. Organizado.
Sou da periferia, do mato, da aldeia. Sou da colmeia.
Sou quilombo, conquisto o amanhã. O novo.
Vivo em cabanas, ergo o sol. Faço vida.
Semeio e colho alimentos,
Pesco em todos os mares,
Alimento o mundo.
Minha voz não sai na mídia,
Minha voz é sufocada, resiste,
Embala o fogo da vida. Grita, sem medo.
Enfrento as balas da polícia,
As mentiras dos poderosos,
Preconceitos dos moralistas religiosos.
Sou o povo,
Cantando sem medo de sicários,
Capaz de fazer esperança na dor. Florir sorrisos.
Sou o olhar que não se esconde,
O abraço que não se afrouxa,
O passo que não vacila. Marcha, firme.
Venho dos morros,
Das favelas e dos acampamentos. Levanto utopias.
Venho do amanhã,
Quando o ontem nada mais será que um quadro,
Um triste e velho quadro pendurado na parede,
Encardida pelas lágrimas de tanto sorrir
E bailar para a lua. Vermelha e cheia.
Sou o povo que não se curva,
Sou a vida que não morre,
Disposto a derramar o sangue,
Fazer flores onde a terra ainda está árida.
Sou o fogo que não se apaga. Sou labareda.
quarta-feira, dezembro 30, 2015
Há muita poesia para germinar.
Por Pedro César
Batista
Um novo ano se
aproxima. O ano que fica deixará ensinamentos sobre a necessidade de
se conhecer a história do desenvolvimento humano e da sociedade.
Reafirma-se a necessidade de se saber de onde viemos, como aqui
chegamos e ter claro para onde desejamos ir. Em algumas horas
entraremos no 16º ano do século XXI, meu 52º ano de aprendizados e
descobertas, mais de meio século de vida e sonhos.
Na adolescência
acompanhei os estertores da ditadura de 1964. Presenciei a polícia
com seus cães nos atacar porque queríamos democracia. Quantas vezes
a polícia esteve em nossa casa para intimidar e ameaçar. Conheci o
arbítrio, com invasões de domicílios, prisões arbitrárias,
espancamentos, torturas e mortes. Certa vez fui agredido fisicamente
pelo delegado Mário Malato, dentro do DOPS, após ser preso devido
uma greve, enquanto outros companheiros eram brutalmente espancados.
A luta do povo levou
a mudanças, as quais foram conquistadas e legitimadas pela
Constituição de 88, que trouxe um arcabouço jurídico assegurando
a liberdade, direitos e o direito a participação na definição dos
rumos do país. Trouxe uma democracia que manteve o controle nas mãos
de poucos, apesar de assegurar a liberdade de se organizar,
manifestar e pensar. O voto não mexeu com nenhuma estrutura.
Dias depois da
promulgação da Constituição a UDR, comandada por Ronaldo Caiado,
matou meu irmão, João Batista. A UDR, organização paramilitar,
impediu importantes avanços durante o processo constituinte, além
de ter assassinado centenas de defensores da reforma agrária.
Assassinos e torturadores, no lugar de serem punidos, tornaram-se
parlamentares, seguiram impunes.
Ainda assim,
companheiros chegaram ao governo, mudanças ocorreram, nenhuma
estrutural, consolidando a liberdade, apesar do mercado e dos EUA
seguirem controlando sonhos, desejos e almas. Cada vez mais sutis e
poderosos. A Guerra da Quarta Geração segue em curso, destruindo
nações, propagando mentiras e arregimentando seguidores. A luta de
classes não deixou de existir, apenas adquiriu novos formatos.
Os novos tempos
trouxeram novos paradigmas, propagados e sustentados pela mídia,
igrejas e a educação, baseados no individualismo e no
desconhecimento do passado da história, provocando uma ruptura com o
tempo de desenvolvimento social que nos permitiu chegar aos dias
atuais. Predomina, em muitos casos, o imediatismo, hedonista e
dissimulado, criado pela sociedade de consumo, unicamente voltado
para a satisfação de interesses privados e conservadores.
Se em 2015 vivemos o
surrealismo de jovens defendendo a volta dos militares e a propagação
avassaladora de mentiras históricas, torna-se premente retomar o fio
do tempo, dar-lhe uma direção que priorize a continuidade do
desenvolvimento das liberdades, do respeito e da dignidade humana.
2016 será um ano de intensos combates, dos quais não fugiremos,
somente reforçaremos nossas trincheiras, nossos ideais e sonhos. O
tempo segue, há muitas sementes para espalhar, muitas luas para
vivenciar e muita poesia para germinar.
sábado, dezembro 19, 2015
Vibrar
Ah, o olhar!!
Sem ferrolhos
Nem portas
Espaceando pelo luar
Aguçando o amanhã.
Ah, o mar!!!
Sem fronteiras
Nem porteiras
Nem propriedades.
Ah, o pulsar!
Coração vermelho
Corajoso
Audacioso
Vibrar sem susto.
Amanhã
Raiara o sol
Fará chispas
Incendiará o mofo
Traças sem graça fugirão.
Ah, abrir os olhos!
Ver
Aprender a cantar
Colher rosas vermelhas.
Ah, caminhar!!!!
Sem ferrolhos
Nem portas
Espaceando pelo luar
Aguçando o amanhã.
Ah, o mar!!!
Sem fronteiras
Nem porteiras
Nem propriedades.
Ah, o pulsar!
Coração vermelho
Corajoso
Audacioso
Vibrar sem susto.
Amanhã
Raiara o sol
Fará chispas
Incendiará o mofo
Traças sem graça fugirão.
Ah, abrir os olhos!
Ver
Aprender a cantar
Colher rosas vermelhas.
Ah, caminhar!!!!
PCB
Inexorável
Nada sei do amanhã
Apenas que é inexorável
Apenas que é inexorável
Nada
sei da mentira
Somente que predomina
Somente que predomina
Ainda assim venta
Sonhos e resistências
De todos os tempos
Em todos os mares
Em todos os cantos
Sonhos e resistências
De todos os tempos
Em todos os mares
Em todos os cantos
Janelas se abrem
Sementes se espalham e se espelham
Olhares refletem batalhas
Flores coloridas
Rosas vermelhas despontam
Sementes se espalham e se espelham
Olhares refletem batalhas
Flores coloridas
Rosas vermelhas despontam
Castelos se desmoronam
casebres se erguem
Cabanos ressuscitam em cada olhar
fogueiras se acendem
casebres se erguem
Cabanos ressuscitam em cada olhar
fogueiras se acendem
Nada sei do tempo
importa recolher lenha
fazer labareda
espalhar acalentos
cantos e o novo
que desponta
como o desabrochar de uma flor.
importa recolher lenha
fazer labareda
espalhar acalentos
cantos e o novo
que desponta
como o desabrochar de uma flor.
pcb
domingo, novembro 29, 2015
Uma vontade de entrincheirar-se
Romper dias novos
Espalhar sorrisos e rosas vermelhas
Adubar o amanhã
sem se espantar com os raios...
Nem acovardar-se diante da burguesia
e seus serviçais e lacaios
Uma vontade de colher beijos
Colher sonhos
Colher água pura.
Uma disposição para o combate.
Onde anda o pelotão?
Onde estão os camaradas?
Onde estão as estrelas ?
Romper dias novos
Espalhar sorrisos e rosas vermelhas
Adubar o amanhã
sem se espantar com os raios...
Nem acovardar-se diante da burguesia
e seus serviçais e lacaios
Uma vontade de colher beijos
Colher sonhos
Colher água pura.
Uma disposição para o combate.
Onde anda o pelotão?
Onde estão os camaradas?
Onde estão as estrelas ?
Ainda haverá tempo de colheita coletiva
Não me venha com mentiras,
a verdade nem tem cor,
ela é encharcada em sangue.
Não adianta querer dizer que representa o amanhã,
tua velhice e podridão
são históricas,
assim como a dor de combater pela vida.
Nem pense que me enganas,
com tua modernidade,
discursos de autoajuda,
repletos de securas e desamor.
Apenas teus privilégios importam.
Falas em prazer,
desde que seja o teu.
Cantas a solidariedade,
sustentada em teus restos.
Não me venhas mentir,
mesmo havendo aqueles que ainda vão ao teu oráculo,
ele é fétido e reflete a escuridão que propagas.
És camaleão,
sempre adequa-se para manipular,
para seguir acumulando
às custas do trabalho
de quem enfrenta todas as necessidades.
Teu cinismo nunca teve pudor,
nem economizou a morte
contra os que te enfrentam.
Ainda assim,
Palmares resistiu,
a Comuna mostrou o amanhã,
Santa Clara festejou,
Hanói ainda vive.
Ho Chi Minh não mais está nas cavernas,
seus sonhos espalharam-se por todos os continentes.
Prometeu ainda ousa te enfrentar.
Pensas que serás eterno,
enquanto o chumbo derrete,
o céu diluvia-se sobre o deserto,
fazendo o sertão produzir felicidade.
Teu tempo,
cínico burguês,
não tardará a findar.
Serás como fumaça ao entardecer,
confundindo-se com a noite,
deixando apenas as estrelas e a lua iluminarem os passos,
com crianças de mãos dadas espalhando rosas vermelhas,
amarelas e amores perfeitos,
coloridos e dispostos a adubar sonhos.
Não tardará chegar o tempo de luzes,
com flores sendo colhidas por todas as pessoas,
em todas as manhãs.
Pedro César Batista
segunda-feira, outubro 19, 2015
Alinhavar
Um fio conecta o
tempo,
sustenta-se no
fulgor da vida,
levita e realiza-se
em sonhos.
Longínquo e
universal,
catalisa o saber,
experiências e
dores,
cantadas e versadas
em suor e sangue.
Atravessa oceanos,
enlaça flores e
espinhos,
amores e rebeldias,
sem se desesperar
com mentiras,
intrigas e balas
mortais.
Um fio de amor,
herdeiro do combate,
da indignação e da
vida
capaz de adubar a
manhã,
florir os abraços,
tornando-os
verdadeiros.
Um fio tecido em
combates,
conquistas dos que
necessitam,
capaz de conceber o
futuro
sem o critério da
exclusão.
Pedro César Batista
quinta-feira, setembro 03, 2015
Mar-morto
Nem bem comecei a
viver,
aprendia a descobrir
o calor e a cor do sol,
sentir o cheiro do
vento.
Começava a olhar o
horizonte,
a aprender a
navegar,
a buscar a vida,
que começava a se
desvendar
aos meus olhos
marejados.
Meu tempo foi
encurtado,
mal havia começado
a andar,
a dar os primeiros
passos,
falar minhas
primeiras palavras.
Nem descobri a vida,
tentei escapar da
fome,
sobreviver a guerra,
esconder-me das
balas assassinas,
financiadas pelos
ricos de países ricos.
Chorei de medo,
chorei devido o
frio,
chorei sem entender
que a morte chegava.
Tudo porque
saquearam minha terra,
massacraram meu
povo,
destruíram nossa
comunidade.
Dizimaram a vida sem
dó,
destruíram tudo,
roubaram nossas
riquezas,
somente isso
interessava ao invasor.
Nem cheguei a
aprender a gritar,
não aprendi a
repudiar a mentira,
nem a combater o
opressor.
Terminei na beira da
praia,
jogado pelas ondas
do mar.
Nem cheguei a
aprender a cantar,
não cantei a vida,
não cantei a
liberdade,
nem conheci a
esperança.
Meu fim chegou antes
do meio dia,
como fosse uma
pétala,
arrancada e jogada
ao mar.
Pedro César Batista
quinta-feira, junho 18, 2015
Estupitização coletiva
Por Pedro César Batista
A decisão da Comissão da Câmara dos Deputados, ao aprovar a redução
da maioridade penal, não é isolada. Faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas
em todo o mundo para tornar as pessoas cada vez mais agressivas, desumanas, alheias
a solidariedade e incapazes de se indignar diante de injustiças e de
compreender as verdadeiras causas do crescimento da violência.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, cumpre
um papel determinado, como comprova sua trajetória, em manipular os fatos,
criando “cunhas” para confundir a realidade, passando a ideia de um justiceiro,
quando não passa de um serviçal dos responsáveis pela concentração de riquezas,
manipulação de informações e propagandistas da morte, medo e da violência.
A grande imprensa, propriedade dos mesmos que controlam a
maioria dos parlamentares, segue manipulando informações, mentindo,
tergiversando os fatos, criando culturas que propagam a agressividade, o egoísmo,
o consumo e o medo. Negam a importância da política na história da humanidade
com uma desfaçatez assustadora, formando massas que repetem sem pensar o que
escutam e veem em telas coloridas que ocupam salas, cozinhas, quartos e mentes em
todos os lugares.
No passado a igreja propagava a caridade, oriunda da prática
da nobreza em dar esmolas aos mais necessitados, contrapondo-se aos revolucionários
que secularmente praticam a solidariedade de classe, para poder enfrentar o poder,
os exércitos, policiais, pistoleiros e a violência dos poderosos. Surgiram até
cultos da prosperidade, incentivando o consumo e a prática desesperada para ter
bens e usar todos os meios para ser melhores e mais ricos que os outros,
enquanto os pastores mais e mais enriquecem sustentados por seus rebanhos –
verdadeiros rebanhos.
Nesse contexto, a posição predominante de parlamentares que
respondem por assassinatos, é sintomática já que são ligados a setores que
acumularam enormes riquezas graças a prática da violência e da mentira. Isso
simboliza que há uma sintonia entre os parlamentares e os donos do poder com o
que tem sido imposto a população no mundo, criando verdadeiras massas
embrutecidas, que não são capazes de respeitar os mais idosos, as grávidas, nem
crianças, aplaudindo quando ocorre um linchamento e quando se leva mais um ao
cadafalso. Os controladores do mundo formam estúpidos e idiotas em larga
escala.
Se a estupidização tem sido massiva, por outro lado, falta a
retomada das ações, como escrito por Clodomir Santos de Morais, em larga escala
para a formação e organização política revolucionária, indicando às condições objetivas
para enfrentar o poder criminoso da burguesia que controla o mundo.
Não quero, nunca, mesmo depois de morto, ser acusado de ter
sido um estupidizado, seja alienado pelo capital, ou um sectário, com discurso
de esquerda, distante das ações que poderão levar a retomada de utopias e a
formação de pessoas mais justas e verdadeiramente humanas. Em cada ato, palavra
e sonho importa seguir caminhando para enfrentar essa onda de estupidez que se
propaga.
domingo, maio 17, 2015
Crime continuado e transcontinental
Por Pedro César Batista
O mundo
passivamente assiste ao êxodo do povo africano, mostrado nos telejornais como
fosse um programa ao vivo de televisão, um big brother transcontinental. Os
africanos fogem da destruição, da fome e da miséria impostas pelos países
ricos, que, secularmente, exploram, saqueiam e matam povos. Buscaram mão de
obra, tornando milhões de africanos escravos. Seguiram saqueando povos por todo
o planeta, para isso instalaram ditaduras e títeres por todos os continentes. Na África fizeram a política da terra
arrasada, tendo recentemente destruído o Estado Líbio, transformando uma nação
próspera e rica em um local onde mercenários e bandidos, financiados pelos
países saqueadores, praticam massacres e saques sem nenhum controle. Sem falar
do apartheid, que durante décadas, massacrou o povo sul africano, com o mesmo argumento da raça pura usado por um
chefe de um desses estados que se sustentam com butins. O mundo inteiro viu o genocídio
em Ruanda, que deixou quase um milhão de mortos, sem nada fazer. Depois vão
levar cestas básicas, remédios e fazerem cínicos discursos.
No Oriente
Médio, no pós-guerra, usando o argumento que era para fazer justiça, os mesmos
países ricos, iniciaram uma outra grande injustiça da história recente da
humanidade, tomaram o território do povo palestino, tendo até o momento já
ocupado mais de 90% das terras desse heroico povo,que apesar de massacrado
(apenas na último ataque de Israel, mais de 1000 crianças foram assassinadas,
sem falar nos adultos), resiste e defende seu direito de possuir seu estado,
dignidade e ser respeitado. No Iraque, com mentiras, novamente, pois são
contumazes nisso, destronaram essa nação, que vive agora sob o ataque do Estado
Islâmico, um grupo terrorista, treinado, criado e financiado pelos EUA. O que
importa é manter o povo sob ataque militar cerrado, destruindo identidades,
culturas e, por todos os meios, tentando destruir o futuro desses povos.
Na América
não foi diferente. Dizimaram os povos indígenas como se fossem animais, sem
nenhuma pena, educando as crianças brancas transmitindo que os índios eram
agressivos, violentos e preguiçosos. Na América Latina muitas etnias resistiram
e resistem, bravamente, aos ataques que sofrem, como é o caso do Povo Guarani,
no Mato Grosso, que chega ao ponto de ter que ver seus filhos se suicidarem por
não terem esperança de um novo tempo, onde haja dignidade. Se os bandeirantes
caçavam ouro e índios, agora os proprietários de terras, sócios dos ricos dos
países mais poderosos, querem garantir suas riquezas e lucros a qualquer preço.
Entre o sul, com os ataques ao Mapuches até a Guatemala, onde os descentes dos
Maias sofrem constantes agressões e vivem explorados de forma cruel, os poucos
ricos do planeta, assim como fazem no Oriente Médio e na África, seguem agindo
da maneira mais covarde, desumana e violenta para seguir acumulando riquezas e
propagando mentiras. No Brasil, vemos os jovens negros e moradores de perifeira
sendo rechaçados de quaisquer oportunidades de viverem dignamente, a polícia os
assassinando e parlamentares querendo reduzir a idade penal, mais uma mentira
criminosa dos setores reacionários e criminosos.
Apesar de
todos esses crimes impunes, praticados por Estados e serviçais, a mando dos
donos do mundo, ainda há resistência e sonho, com povos, comunidades, grupos e pessoas seguindo a
caminhada do sol, espalhando luz e fogo, certos de que ainda haverá um novo
amanhã, onde as crianças, sejam de que parte do mundo for, poderão viver em paz
e sorrirem sem medo da fome ou das bombas e balas que têm alvo certo, o de tentar
apagar o amanhã.
Ps:
-
Fundamental não se esquecer da palavra de ordem do Manifesto Comunista, de Karl
Marx: trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!
- Desenho
de uma criança-prisioneira no campo de concentração nazista, em Theresienstadt
– Tchecoslováquia.
terça-feira, março 10, 2015
Desafinado.
Não quero
guerra,
preciso de
terra boa
onde possa me
enraizar
e respirar o
vento de novos tempos.
Não quero o
último modelo de celular,
nem passar em
concurso,
com altos
salários.
Sonho com o
fim da fome e da exploração,
um novo tempo
de braços dados
alinhados com
um novo canto.
Quero a paz
real.
Quero flores
nos cabelos
brilho nos
olhares,
crianças
correndo
atrás de
borboletas.
Não quero
bebés em colos pedintes nos faróis,
nem quero a
mediocridade desse consumo criminoso.
É preciso novas
sementes
que germinem
abraços
apertados
verdadeiros
perfumados
apaixonados
pelas pessoas
flores
bichos
e crianças.
Quero esse
sonho
brotando em
almas
iluminando
mentes
apertando
corações
no planalto
no sertão
no campo
no Planeta.
Nada de
acumular capital
desvairado avarento
assassino.
A voz não cala,
mesmo
sufocada
pela solidão
dos gritos desafinados
que ecoam na
escuridão.
Quero
combater a desesperança,
semear
tempestades,
florir os
olhares.
Pedro César
Batista
sexta-feira, março 06, 2015
Porta
Nem canta mais a manhã,
O sol se apagou nas folhas levadas ao vento,
Que espalharam sem ilusão o fogo,
Apesar dos abraços dispersos.
Nem mais sabe a direção,
Se perdeu atrás da porta,
Deixando-se iludir pela escuridão,
Apenas com medo da velocidade.
Segue o curso as águas,
Nem se preocupam com represas,
Nem com bordas estreitas,
Apenas buscam nuvens.
Tenta apagar a marca no asfalto,
Crê em ressurreição do solo,
De sementes esmagadas,
Apesar do sangue seco brotando em bocas bíblicas.
Nem canta mais a noite,
As estrelas resolveram naufragar em vinho tinto,
Saboreando gelo seco empacotado em bisnagas.
Nem sabe mais viver,
Apenas deseja trancar o tempo.
PCB
sexta-feira, fevereiro 13, 2015
Encontro
Nem sabe mais quem é.
Um dia foi luz,
acreditou que poderia fazer fogo,
serviu flores sem pudor.
Veio o tempo,
conheceu muitas cores,
ficou desbotado.
Esqueceu as caminhadas pela W3,
o pão com ovo dividido,
as batalhas nas fábricas,
as reuniões clandestinas.
Encontrou o poder,
agarrou-se em púlpitos,
confundindo-os com seus deuses.
Instalada em luxuosos hotéis,
abandonou a Cidade Nova IV,
discursando em Nova Iorque.
Segue inventando proselitismo,
ainda pensa ser comunista,
banqueteando com banqueiros.
Nem sabe mais quem é.
Um dia foi flor,
entendeu ser semente,
hoje não passa de uma moeda,
campeando um bolso.
Pedro César Batista
sábado, novembro 01, 2014
Prosperidade em série
Falam que há somente este tempo,
com cores desbotadas em iphones do último modelo.
Insistem em dizer
que não há outro tempo,
que a vida passou e nada mais se pode fazer,
se não há mais um tempo novo.
Cantam melodias sem poesias,
com palavras que viram moedas,
cantadas em templos que falam em prosperidade
dos negócios, contas bancárias e ações nas bolsas.
Os mais estúpidos bradam
querendo a volta da ditadura,
sem saberem as cores do pau de arara,
dos choques elétricos e da morte
que se espalhavam sem vergonha pelas ruas.
Outros dizem não ter posição,
ignorantes em se tornar cidadão,
nem de papel nem de vidro,
tornam-se amebas na sociedade.
Esse é um tempo de escuridão,
tempo de propagação do medo,
assim sem nenhum pudor
batendo nas portas dos sonhos.
São tão imbecis!
Amanhã ainda nem chegou,
fazendo as flores mais floridas,
mais coloridas e os sorrisos mais verdadeiros.
Ainda haverá amanhã,
virão os carcarás sobrevoando os pampas,
conquistando as pradarias,
espalhando disposição para chover.
As folhas secas a esverdejar,
o sol nas manhãs,
sem medo da escuridão.
Ainda haverá amanhã!
terça-feira, agosto 26, 2014
Lançamento de Jornadas de junho no Rio Grande do Sul
Jornadas de junho
Jornadas de junho (Cromos Editora – 2014), de Pedro César Batista, “tece quadros, comenta projetos, faz crônica, aglutina informações, denúncia monopólios” sobre esse importante momento vivido pelo povo brasileiro em junho de 2014. É o 16º livro do autor que tem uma trajetória que não sobrou lugar para o formalismo. “Ao contrário, Pedro mergulhou nas circunstâncias e nos valores de sua época, racional e apaixonadamente, como se evocasse cada dia o encontro inevitável da estética e da ética em textos marcados por suas impressões digitais, sem qualquer culpa de sentir, pensar e dizer”, escreve Ronald Rocha na apresentação do livro.
O autor reúne em Jornadas de junho dados e análises desde a queda de Collor de Melo, período em que se aprofundou a negação da política com uma ação direcionada pelos que controlam o poder político. Resultado da negação da importância da política e a reprodução da velha prática clientelista que levou centenas de milhares de jovens saírem às ruas em junho de 2013. Movimento que simbolizou uma nova forma de se manifestar, onde a mobilização pelas redes virtuais, a diversidade de atores e bandeiras deixaram claro que a “ousadia, a criatividade e a coragem fizeram com que se comprovasse que ainda há sonhos e lutas”.
O livro analisa a relação da sociedade com os partidos, mostra como se deu a mobilização nas cidades brasileiras, informando dados sobre cada ato, apresenta informações sobre o monopólio do transporte público, os gastos com os estádios e as despesas para a segurança durante a Copa do Mundo. Tem, inclusive, uma sentença judicial que absolve um manifestante acusado de depredar uma viatura policial. Todas essas informações são relacionadas aos movimentos ocorridos em junho e com o que o mundo viveu após a chamada Primavera Árabe.
Jornadas de junho aponta como uma das principais causas das manifestações de junho de 2013 a reprodução da velha política pelo PT, após 11 anos no governo, que mesmo com avanços sociais, preservou o clientelismo e o fisiologismo, o qual a sociedade não aceita mais.
O autor editou livros de poemas, reportagens, contos e um romance, com lançamentos em capitais brasileiras, Portugal e em Nova Iorque (EUA). É jornalista, diretor do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e apresenta o programa Letras & Livros, na TV Comunitária de Brasília.
Lançamentos no Rio Grande do Sul
28/08 - 19h - EMEF Carlos Antonio Wilkens - Cachoeirinha - RS
29/08 - 19h - FACED - UFRGS - Porto Alegre
terça-feira, agosto 05, 2014
Lamento por Gaza.
Por Pedro César Batista
No Atlântico sul a música do vento continua,
o mar segue cristalino
as folhas do ipê estão coloridas no coração do continente,
lilases, brancas e vermelhas,
espalham-se pelo chão
com crianças correndo para abraçar seus pais.
No Atlântico sul ouve-se a guitarra,
os passos bailarem suavemente enlaçados com a lua,
ainda minguante riscando os céus,
com estrelas cadentes e luzes brilhantes.
No cerrado em plena capital,
fala-se de disputas de projetos,
contradições existentes e latentes
em cada olhar, sonho e semente espalhada.
O mesmo acontece no país de ponta a ponta,
discursos e disputas pelos votos.
No Atlântico sul as gaivotas levitam,
as praias espalham a bruma das ondas do mar,
circulares em harmonia da vida
com a sensação de ser flores com asas.
Ainda assim há quem chora,
espalha a indignação e a solidariedade
das crianças dilaceradas,
com suas pétalas arrancadas pelas bombas assassinas
despejadas por criminosos impiedosos
destruindo escolas onde se ensina a resistir,
hospitais para se curar e estancar o sangue derramado
e templos onde se religa com seres divinos.
Ainda assim há no Atlântico sul
quem chora a dor das crianças de Gaza,
quem ousa tenta ultimar a maldade praticada.
Enquanto isso no Atlântico sul ainda há solidariedade,
ainda há quem acredita na vida e na dignidade das crianças
que não se curvaram a escravidão e ao terror,
imposto pelas bombas sionistas assassinas.
Ainda há solidariedade em todo o mundo
contra a dor espalhadas pelos genocidas
que matam as crianças em Gaza.
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