Tempo de inspirar atos de dignidade e indignação, provocar suspiros em mentes descrentes na vida. Tempo de recordar a resistência. Tempo de caminhar de mãos dadas... (pcbatis@gmail.com)
sábado, janeiro 18, 2020
Não à morte.
É janeiro de 2020.
Passaram-se poucos mais de quinze dias.
Começa a segunda década do século XXI.
No natal passado não mais se comemorou o nascimento de Jesus,
As pessoas foram às compras.
Não se falou em amar aos próximos.
Alguns homens, disfarçados de machos, acharam que tinham mulheres como propriedades.
Bastaria escolher as fêmeas,
Usar, abusar e sacrificar.
É janeiro de 2020.
Larissa é estrangulada.
Tem a roupa queimada.
Ninguém vai preso.
Não se sabe quem a matou.
É janeiro de 2020.
Edna é esfaqueada.
O ex-namorado, suspeito, fugiu.
Uma mãe assassinada.
Eliminada pelo ex-companheiro.
Conluiado com a morte.
Outro assassino.
É janeiro de 2020.
É Brasília, a capital do Brasil.
Gabrielly tinha 18 anos.
Casou cedo, acreditava no amor
Levou um tiro. Fatal. Na cabeça.
Gostava de músicas,
Descobria o prazer de viver.
Foram poucos meses de casamento.
A bala foi disparada pelo marido, o assassino.
Ele tinha quase o dobro da idade de Gabrielly,
E tudo era motivo para ciúmes.
É janeiro de 2020.
Uma facada mortal no abdômen.
Uma única estocada tirou a vida de Maria.
Sim. Maria.
O quarto assassinato do patriarcado,
Praticado pelos machistas,
Covardes, assassinos.
Larissa, Edna, Grabrielly e Maria.
Sangue e dor.
A “propriedade” enterrada sob a terra,
Não se podia sorrir, dançar ou ser livre.
Destruída pelo ódio misógino e medroso.
É janeiro de 2020.
Apenas dois dias após a primeira quinzena.
Começou a segunda década do século XXI.
A Idade Média de volta.
Homens assassinos,
Sustentados pelos que afirmam que a mulher é o pescoço,
Que é terra para semear,
Ser inferior,
Diz Paulo, o apóstolo.
O presidente discursa,
Não te estupro por que você não merece.
É janeiro de 2020.
Começou a primeira década do século XXI.
Pedro César Batista
quarta-feira, janeiro 15, 2020
Ritmo.
Faço tudo ao contrário.
Dizem para eu comprar,
Não compro.
Falam para esconder meu amor,
Não escondo.
Afirmam que devo ser um vencedor,
Prefiro ser parceiro.
Tenho que ser o melhor,
Insistem,
Escolho compartilhar.
Preciso seguir a moda,
Ando de meu jeito.
Tenho que ser competitivo,
Busco a solidariedade.
Afirmam que é cada um por si,
Insisto em ter companheir@s.
Assim aprendo um novo tempo,
Onde dar é mais que receber.
Aprendo que amar é dedicar-se aos sonhos,
Entregar-se aos amores que acredito.
Nada de ser mais um repetindo o bordão.
Nada de ser um seguindo o caminho imposto.
Assim sigo contra-correnteza,
Acreditando que as flores brotarão,
e um dia,
Antes que tarde,
A flor mais bela dirá:
Eu te quero.
Ainda assim faço tudo ao contrário.
Pedro César Batista
Foto: Desenho de Alvaro Cunhal, feito na prisão em 1951 (Portugal).
sábado, janeiro 04, 2020
Panfleto
Não tenho frio,
Nem sou gelo,
Venho do norte,
Sou do mato,
Aprendi cedo o calor
Do abraço,
Do punho erguido.
Criança conheci o ronco da onça,
Rodeando o barraco,
De taipa e cavaco.
O fogo sempre acesso,
Não fazia apenas comidas,
Espantava os bichos.
Veio o frio,
Chegou um tempo sem abraço,
Sem fogo,
Sem assustar a onça.
A bravata dos poderosos é ordem,
Tenta espantar o fogo.
Faíscas resistem na escuridão.
Não tenho frio.
A solidão é momentânea.
A maldade ao redor passará.
Olhares esquivos,
Bocas maledicentes,
Os crimes dos assassinos burgueses,
Tudo ficará no passado.
Será fumaça na penumbra,
Nada mais que visagem no tempo.
Chegará o sol,
Aquecerá as sementes,
As flores desabrocharão,
A vida será digna para todos.
Pedro César Batista
Foto minha. Jovens munduruku cortando o cabelo na aldeia Teles Pires (MT).
quinta-feira, setembro 12, 2019
Tempos estranhos
Pedro César Batista
É preciso cuidar do meio ambiente. Diz-me a balconista ao dispensar a sacola plástica para colocar o remédio para pressão arterial que compro na farmácia. Digo-lhe, o principal item a ser cuidado no meio ambiente somos nós, que estamos sendo maltratados de todas as formas: pelo desemprego, baixos salários, descaso, por um governo inimigo de quem mais necessita e quanto mais falo vejo que ela entende claramente, que a espécie humana precisa ser cuidada. Vivemos em um mesmo mundo, enfrentamos os mesmos problemas.
Aumenta de forma visível a quantidade de pessoas que estão nas ruas, enfrentando a fome, a falta de teto, em busca de um posto de trabalho ou mesmo um acalento.
É visível também que as discussões se dão em torno de questões efêmeras, apartadas, segmentadas, por estações, eleições ou momentâneas. Parece que houve uma ruptura com o passado e o futuro foi esquecido. Não há mais continuidade no tempo. Mesmo alguns que se dizem estar conectados com a história, o que vejo é a busca pela venda de seus produtos, serviços ou marcas.
Sem dúvida, em tudo há exceções.
Ao mesmo tempo, existe uma parte considerável da sociedade criminosa, que pratica consciente seus crimes. Destrói todas as formas de vida da natureza, desacredita a espécie humana, propaga e se sustenta mentindo, com desonestidade e saqueando o trabalho, destruindo sonhos, propagando a injustiça como o melhor dos mundos. Consegue adeptos, mesmo entre os necessitados e quem se diz cristão.
A resistência se dispersa. Uma sensação de que quem ousa se dedicar a enfrentar as forças da opressão e da morte, não tem mais valor, apenas serve quem é de seus grupos, correntes, tendências ou de seus círculos pequeno-burgueses, que falam, falam e falam, são pós-modernos, são superiores, ou mesmo se dizendo fieis à história, descartam e seguem buscando fiéis seguidores.
O tempo é árido. O ar faz falta. A respiração cada momento fica mais pesada. O coração insiste em pulsar, apesar de tudo.
Foto: Lunae Parracho
segunda-feira, setembro 02, 2019
Universo de criança
Vivi em uma casa de taipa,
Onde o fogão sempre fumegava,
A noite estrelas dançavam no céu,
Com aves repousando sobre os cavacos.
Ao seu redor cajueiros de todos os tipos,
Alimentavam os passarinhos,
Encantavam o menino,
Que se divertia assando castanhas.
Curitiba sempre ao lado latindo,
Quando não caçava veados.
Sempre abatia um,
Alimentando a família,
Com suculentos bifes assados na lenha.
O rio, lá longe,
Servia para pegar água,
Lavar roupa,
Pescar e tomar banho.
Para o menino,
Junto com Curitiba,
Tudo era festa.
Pescar,
Subir em árvores,
Correr atrás de bezerros,
Cuidar do Tico,
Carneiro órfão.
A mãe tudo fazia,
Queijos e manteiga,
Coalhada e pacas,
Inteiras, assadas.
Doces de caju, goiaba e leite.
Uma infância inesquecível.
A casa de taipa,
Com duas portas,
Duas janelas,
Dois cômodos.
A cozinha e a sala.
O fogão sempre fumegava.
As redes de dia amarradas,
Pela noite, armadas.
Antes de dormir,
Contar estrelas,
Ouvir as estórias,
Contadas pela mãe.
O grapette com pão doce,
Trazidos pelo pai,
Quando chegava da cidade,
Era novidade e felicidade.
Tempo feliz,
Comida plantada,
Colhida e cozida,
No fogão,
Que Sempre fumegava.
Pedro César Batista
sábado, agosto 31, 2019
Olhar
Para olhos cegos
Mostro versos e flores
Desnudo a história.
Se fechados seguirem
Preparo tempestades
Estouro fronteiras e cercas.
Caso se neguem ver
Prepararei o fogo
Acenderei trovões.
Se não ousarem olhar
Cantarei ao amanhecer
Farei o calor aquece-los.
Se ainda seguirem cegos
Cabe seguir
Ousar fazer o amanhã.
Pedro César Batista
sexta-feira, maio 24, 2019
Utopia
Assimilar cada nova manhã ao aspirar ao aroma de café,
Sentir o cheiro do tempo e satisfazer os estágios da vida,
Perceber a hora de seguir em frente e abrir veredas.
Enfrentar os imbecis, maldosos e crentes em seus altos salários,
No orgulho e opulência nutridos regularmente contra os mais pobres,
Germinar a era em que sofrerão a cobrança de seus atos,
Beberão a força do desconhecido e do alicerce que destrói a amargura.
Ocasião em que todos os oportunistas, saber-se-ão parasitas,
Que apenas visam atender seus egos, contentar o bolso,
Tomar um cargo e lhe importa apenas garantir seu bem-estar.
Em cada gota de sonhos ou do sangue derramados
Fazer trincheiras e barricadas de aço,
Sulcos férteis onde se semeará indignação, disposição e cuidados
Desabrochar multidões de estrelas vermelhas, foices e martelos.
Pedro César Batista
quinta-feira, abril 25, 2019
Quem és tu?
Quem és tu?
Falas que quer a revolução, mas não divide o pão,
Vivendo em tua cobertura de milhões,
Ages como um legítimo burguês,
Preocupado com teu conforto e luxo.
Quem és tu?
Falas que és cristão,
Enquanto afirma:
- bandido bom é bandido morto.
Quem és tu?
Que se autoproclama revolucionário,
Agindo como um pequeno burguês,
Atribulado com teu gordo salário.
Quem és tu?
Afirmas que és solidário,
Repartindo teus restos,
Priorizando teus bichos de estimação,
Atormentando os pobres e miseráveis.
Quem és tu?
Discursas contra o imperialismo,
Enquanto organiza tua viagem para Miami e Las Vegas.
Quem és tu?
Com teu rompante cristão comunista,
Sem se sentar com quem não é da tua organização,
Nem se juntar com quem está na mesma trincheira.
Quem és tu?
Diz-se humanista,
Exalando o veneno, maledicência,
Provocando intrigas,
Desanimando a vida.
Quem és tu?
Sempre se fazendo de vítima,
Provocando dores,
Espalhando falsidades,
Colocando-se como um coitado.
Quem és tu?
Falas que representas o povo,
Que ignoras, manipulas,
Promete céus,
Iludindo para preservar teu poder.
Quem és tu?
Que continuas sendo um peixe morto,
Sem enfrentares a correnteza,
Dizendo-se conspirador,
Vivendo como uma folha ao vento.
Quem és tu?
Lambes as botas e sacos de poderosos,
De quem tem qualquer poder,
Destratando os iguais,
Autoproclamando-se justo.
Quem és tu?
Pedro César Batista
Falas que quer a revolução, mas não divide o pão,
Vivendo em tua cobertura de milhões,
Ages como um legítimo burguês,
Preocupado com teu conforto e luxo.
Quem és tu?
Falas que és cristão,
Enquanto afirma:
- bandido bom é bandido morto.
Quem és tu?
Que se autoproclama revolucionário,
Agindo como um pequeno burguês,
Atribulado com teu gordo salário.
Quem és tu?
Afirmas que és solidário,
Repartindo teus restos,
Priorizando teus bichos de estimação,
Atormentando os pobres e miseráveis.
Quem és tu?
Discursas contra o imperialismo,
Enquanto organiza tua viagem para Miami e Las Vegas.
Quem és tu?
Com teu rompante cristão comunista,
Sem se sentar com quem não é da tua organização,
Nem se juntar com quem está na mesma trincheira.
Quem és tu?
Diz-se humanista,
Exalando o veneno, maledicência,
Provocando intrigas,
Desanimando a vida.
Quem és tu?
Sempre se fazendo de vítima,
Provocando dores,
Espalhando falsidades,
Colocando-se como um coitado.
Quem és tu?
Falas que representas o povo,
Que ignoras, manipulas,
Promete céus,
Iludindo para preservar teu poder.
Quem és tu?
Que continuas sendo um peixe morto,
Sem enfrentares a correnteza,
Dizendo-se conspirador,
Vivendo como uma folha ao vento.
Quem és tu?
Lambes as botas e sacos de poderosos,
De quem tem qualquer poder,
Destratando os iguais,
Autoproclamando-se justo.
Quem és tu?
Pedro César Batista
sexta-feira, janeiro 11, 2019
Nossa herança é a revolução
Somos braços e punhos erguidos,
Herdeiros de Bolívar e Chávez,
Lutamos pela unidade latina,
Semeamos utopias,
Colheremos um novo tempo.
Os bloqueios, dores e agressões,
Enfrentamos nas ruas,
Em qualquer trincheira de combate,
Sem nos iludirmos com as mentiras do capital,
Nem nos deixarmos enganar, com seu canto de morte.
Conhecemos a direção a seguir,
São séculos de resistência,
Temos como herança
Os exemplos de Zumbi,
O ânimo de Fidel,
O internacionalismo de Che Guevara,
A ousadia de Marighella.
Espalhamos a revolução.
Não aceitamos o colonizador,
Com suas velhas ou novas práticas,
explorando, saqueando e matando
irmãos e irmãs em todo o planeta.
Seus capitães do mato,
Latem como cães raivosos,
Babam o ódio que o opressor difunde,
Contra quem ousa enfrentá-los.
Quantas vezes os derrotamos,
Expulsamos os assassinos imperialistas
E seguimos construindo o amanhã,
Espalhando um tempo em que a alegria e a paz brilharão.
Somos companheiros de Bolívar e Chávez,
A pólvora espalhando labaredas,
A disposição em conquistar pão e vida.
Estamos em todas as trincheiras
Ousando lutar e vencer.
Somos os novos índios americanos!
Força à Revolução Bolivariana!
Morte ao imperialismo!
Viva Maduro!
Venceremos!
Brasília – DF, 10 de janeiro de 2019
Pedro César Batista
Herdeiros de Bolívar e Chávez,
Lutamos pela unidade latina,
Semeamos utopias,
Colheremos um novo tempo.
Os bloqueios, dores e agressões,
Enfrentamos nas ruas,
Em qualquer trincheira de combate,
Sem nos iludirmos com as mentiras do capital,
Nem nos deixarmos enganar, com seu canto de morte.
Conhecemos a direção a seguir,
São séculos de resistência,
Temos como herança
Os exemplos de Zumbi,
O ânimo de Fidel,
O internacionalismo de Che Guevara,
A ousadia de Marighella.
Espalhamos a revolução.
Não aceitamos o colonizador,
Com suas velhas ou novas práticas,
explorando, saqueando e matando
irmãos e irmãs em todo o planeta.
Seus capitães do mato,
Latem como cães raivosos,
Babam o ódio que o opressor difunde,
Contra quem ousa enfrentá-los.
Quantas vezes os derrotamos,
Expulsamos os assassinos imperialistas
E seguimos construindo o amanhã,
Espalhando um tempo em que a alegria e a paz brilharão.
Somos companheiros de Bolívar e Chávez,
A pólvora espalhando labaredas,
A disposição em conquistar pão e vida.
Estamos em todas as trincheiras
Ousando lutar e vencer.
Somos os novos índios americanos!
Força à Revolução Bolivariana!
Morte ao imperialismo!
Viva Maduro!
Venceremos!
Brasília – DF, 10 de janeiro de 2019
Pedro César Batista
sábado, junho 10, 2017
Opacidade
As cortinas se fecham.
Luzes continuam acesas.
Olhares ávidos se ofuscam,
Querem mais e mais e mais.
Um vício insaciável.
Nem chegou ainda o dia.
O palco permanece resplandecente,
Tanto quanto a lua,
Sem luz própria.
Espelho.
Cada reflexo um umbigo.
Saramago mostrou a epidemia.
Os cães ladram,
Veem e se assustam.
Quando a cortina se levantará?
Quando se verá o outro?
Ver-se no outro.
Uma escuridão sem fim.
Pedro César Batista
terça-feira, fevereiro 07, 2017
Flutuar em sonhos e sonos letárgicos,
alicerçados em passos de um novo tempo
encantado e cantado nas avenidas da história
encontrada, desencontrada e conquistada
em abraços, braços e passos seguindo.
Sem ilusão,
cantar a solidão do mercado
suicida do vento,
cantador em lábios vermelhos e em vozes brancas, negras, amarelas,
espalhadas sobre o mar,
emaranhado de cores, olhares e luzes,
acendendo a vereda de um tempo
que insiste em desabrochar nos cantos,
de sonhos semeados na memória que persiste.
Insiste em voar pelos continentes, pelos ouvidos entrar,
tornando-se rochedos nas multidões que resistem.
Flutuar em um tempo que ainda não nasceu.
alicerçados em passos de um novo tempo
encantado e cantado nas avenidas da história
encontrada, desencontrada e conquistada
em abraços, braços e passos seguindo.
Sem ilusão,
cantar a solidão do mercado
suicida do vento,
cantador em lábios vermelhos e em vozes brancas, negras, amarelas,
espalhadas sobre o mar,
emaranhado de cores, olhares e luzes,
acendendo a vereda de um tempo
que insiste em desabrochar nos cantos,
de sonhos semeados na memória que persiste.
Insiste em voar pelos continentes, pelos ouvidos entrar,
tornando-se rochedos nas multidões que resistem.
Flutuar em um tempo que ainda não nasceu.
Marcadores: poesia, luta, revolução, vida
história,
literatura,
poesia,
utopias
batendo a porta
Não será o medo nas ruas,
nem o cinismo de vendedores de sonhos cinzentos,
nem a dor explodindo em cabeças,
a seca em olhares com brilhos artificiais.
Há uma semente que não morre, resiste e desabrocha,
provoca a claridade em céus, afugenta a escuridão
e espalha flores vermelhas.
A rouquidão da alegria enfeitiça o tempo,
provoca gargalhadas em manhãs que
estão a bater nas portas.
Cortinas do tempo
Um dia o tempo passará e as cortinas se fecharão.
O sabor do fel se transformará em girassol
e a imagem cinzenta ficará translúcida.
O palco será a avenida da colheita,
semeada pela entrega e o cuidado com os sonhos.
Então abraços e sorrisos se encontrarão em manhãs ensolaradas.
domingo, novembro 27, 2016
Proibido atravessar!
O dia ainda estava distante. A madrugada fria era iluminada pela lua, apenas uma linha curva no horizonte estrelado. Luzinete reunia-se com suas colegas de trabalho. Haviam ficado toda a noite despertas, não para atender os clientes, que escasseavam cada vez mais. Risomar, uma das mulheres do grupo, estava apreensiva com o que viria pela manhã.
Todas trabalhavam na mesma casa, mesmo cada uma tendo vindo de um lugar. A maioria era dos Estados do Sul. Jovens saíram de suas casas. Quase todas falaram o mesmo para seus familiares, que iriam trabalhar na usina que estava em construção. Trabalhariam em serviços gerais. O que não deixava de ser verdade. Atendiam todos que lá trabalhavam. Servindo sempre no que fossem pedidas por seus clientes.
Há uns três meses começavam enfrentar necessidades. Raramente aparecia alguém em busca de seus dotes. Começava faltar dinheiro para as despesas. Nem a alimentação era mais farta como no tempo que chegaram na cidade. Era preciso tomar uma atitude.
Luzinete comandava as mulheres. Caminhava a frente do grupo, de mais de trinta mulheres, deixando evidente sua altivez. Ricardinho, era o único homem no grupo, era cliente de Rosinha. Fechariam a rodovia barrando o trânsito. Ali era o único caminho por onde passavam dezenas de caminhões, levavam cimento para a obra que funcionava dia e noite. Decidiram fechar a rodovia e tentar para o serviço no canteiro. Foi a forma encontrada para tentar mudar a situação.
O dia amanheceu e as mulheres, corajosamente, formaram um cinturão humano para impedir que os caminhões, que formavam uma longa fila, aguardando o início dos serviços de balsa, pudessem atravessar o rio e seguissem para o canteiro de obras da hidrelétrica. Os caminhões betoneiras precisavam chegar logo. A construção, como uma jiboia insaciável, tinha fome. Não parava nenhum momento de receber a massa que levantava aquela enorme barreira de concreto no meio da floresta. E ali estavam as mulheres bloqueando a entrada dos caminhões carregados de cimento para não entrarem na balsa.
Os caminhoneiros nada podiam fazer. Aliás, adorariam atender à reivindicação das mulheres operárias, elas exigiam clientes para vender prazer. Chegaram na Cidade no início da construção, e agora sentiam-se abandonadas, sem trabalho. A cidade possuía 27 pontos de atendimento, com mulheres que trabalhavam na venda do corpo. Ainda assim, o município vizinho tinha mais e melhores serviços e os homens não mais frequentavam a cidade de Luzinete. Elas resistiam, vendo seus ex-clientes passarem diante delas e não parar. Agora estavam ali, naquela manhã, antes do sol acordar, impedindo que a balsa recebesse os caminhões.
Foi quando chegou o prefeito e fez um apelo para que desbloqueassem a entrada da balsa e deixassem os caminhões seguir viagem. Elas seguiam irredutíveis. Sairiam dali apenas se fosse assinado um compromisso para os homens voltarem a comprar seus serviços. Os caminhoneiros se divertiam, apesar de terem de cumprir horário para a entrega da carga.
Veio o delegado de Polícia, estava acompanhado de três policiais. Tentou convencer as mulheres, que seguiram firmes abraçadas formando uma barreira humana, aparentemente frágil, apesar de demonstrar ser intransponível. Logo apareceu o gerente da construtora. Chegou em um helicóptero na beira do Rio, que, ao pousar, formou uma imensa nuvem vermelha de poeira. Ele insistiu para que o acesso a balsa fosse liberado. Nada. Elas seguiam firmes. O número de pessoas no local havia crescido. Outros comerciantes de juntaram as garotas. Todos queriam clientes.
Foi quando um caminhoneiro chegou junto a Luzinete e fez a proposta de que elas fizessem uma tabela de preços que permitisse todos terem condições de comprar os serviços prestados. Ela e as colgas aceitaram a proposta. Colocaram uma condição apenas, a de que o documento fosse assinado pelo prefeito, delegado de polícia, o gerente da empreiteira e fosse chamado o padre para benzer o acordo. Exigiram que o documento deveria constar que a empresa incluiria no pagamento dos operários a garantia do serviço que elas prestariam aos seus empregados, mas isso não daria, muitos eram casados e suas esposas não sabiam que seus maridos frequentavam os bordéis da região. Por fim, chegou-se, a um acordo com uma tabela de preços, com a previsão das condições de pagamento, que deveriam ser feitos diretamente pela empresa.
Tudo parecia estar sendo resolvido, quando as mulheres apresentaram mais uma exigência para a liberação do acesso a balsa. Havia passado mais de três horas, desde o começo do bloqueio. Como uma cobra preguiçosa, os caminhões, uns atrás do outros, seguiam parados, em uma procissão que crescia a cada instante. Havia acabado de chegar a informação de que o cimento estava acabando e a liberação precisava ser urgente. O serviço não poderia parar. Foi quando Risomar impôs uma condição, aceita por suas companheiras, para que se liberasse a passagem. Pediram a realização de uma missa campal e que o acordo fosse assinado, publicamente, por todos. Imediatamente procuraram o padre, que disse que não faria este sacrilégio, entretanto, terminou por ceder. Reunidos na margem do rio, a missa aconteceu e o documento foi assinado, liberando a passagem dos caminhões.
domingo, setembro 25, 2016
Amanhecer
Para Wanessa Dias.
Romper o medo da noite,
Quebrar os vidros do tempo.
Amanhecer,
Navegar com exatidão.
Não esquecer o sol.
Navegar com o vento.
Onde tudo muda.
Até amigos somem.
Ficaram no caminho?
Saberão ainda cantar ciranda?
Onde estarão os parentes?
Aquele abraço forte?
Camaradas,
Esconderam-se na lua minguante.
Deslizarei ao infinito,
No azul acolhedor,
Disposto a seguir amanhã.
Fazer das noites alimento
Capaz de satisfazer o fogo.
Brasa crescente,
Levantando voo,
Observado por Netuno e Nyx
Que não assustam.
segunda-feira, junho 20, 2016
Aurora
Apesar das mentiras,
Existem flores que não são de plásticos.
Existem flores que não são de plásticos.
O chão,
Vermelho,
Pede água,
Salgado com o sangue Guarani kaiowá
E dos meninos assassinados pela polícia.
Vermelho,
Pede água,
Salgado com o sangue Guarani kaiowá
E dos meninos assassinados pela polícia.
Apesar da tristeza
A lua crescente desponta no horizonte.
A lua crescente desponta no horizonte.
O dia não veio do acaso,
Enfrentou a escuridão e a noite,
Fria.
Enfrentou a escuridão e a noite,
Fria.
Ainda há sorrisos irradiando a indignação,
Erguendo punhos e fortalecendo abraços,
Longos e calorosos.
Erguendo punhos e fortalecendo abraços,
Longos e calorosos.
O novo virá,
Cheio de flores e alegria.
Cheio de flores e alegria.
Não duvide !!!!
quinta-feira, abril 14, 2016
POETAS CONTRA O GOLPE !
Somos poetas, cidadãos e cidadãs, e nos unem o exercício da poesia e a defesa da democracia. Poetas Contra o Golpe tomam a palavra em defesa da democracia tão ameaçada neste país pelos mesmos senhores históricos de todo o sempre: os verdadeiros inimigos do povo e das recentes conquistas obtidas em seu favor. Por isso, viemos a público manifestar nossa posição contrária à tentativa do golpe político-institucional em curso, o qual, no nosso entendimento, visa à retomada de poder pelos grupos partidários e empresariais derrotados nas últimas eleições presidenciais.
O golpista é um fingidor de fato como pessoa, jamais um poeta! Não mede esforços nem consequências para e pelo poder. Alimenta-se das desigualdades, das diferenças, da indiferença e do ódio na permanente construção do abismo social por origem, classe, cor, credo, gênero, dividindo a sociedade por desrespeito e desprezo à maioria da população que de fato constrói a nação.
Afirmamos nosso mais contundente repúdio aos atos de corrupção praticados por esses grupos, pois entendemos que a corrupção desmerece a democracia e agride a cidadania. Defendemos as investigações e as justas punições dela decorrentes. Porém, não aceitamos que apenas um grupo político seja o alvo, porque sabemos que a grande maioria dos partidos políticos brasileiros, inclusive os que articulam o golpe, é historicamente praticante de atos de corrupção e não tem sido alvo de investigações.
Nós poetas em defesa da democracia, da constituição, da liberdade, do estado democrático de direito, tão aviltado no momento, buscamos e lutaremos sempre por um Estado laico, justo, igualitário e libertário alimentando o desejo e o sonho pela unidade da diversidade no país e pelo respeito entre todos e todas.
Somos chamados e chamadas a marcar posição em defesa da democracia, neste momento histórico difícil e delicado em que a sociedade brasileira se percebe crivada pelo clima de ódio que ameaça sobretudo os defensores do estado democrático de direito. Trazemos em resposta a esse momento crítico a nossa fala poética.
Brasília, abril de 2016.
Adeilton Lima - DF
Ademir Demarchi - SP
Alberto Pucheu - RJ
Alexandre Durratos - RJ
Alexandre Guarnieri - RJ
Alexandre Pilati - DF
Altivo Neto - DF
Ana Maria Lopes - DF
Ana Rüshe - SP
Ana Suely - DF
Andre Giusti - DF
André Rocha - DF
Angélica Torres Lima - DF
Aníbal Perea - DF
Antônio Juraci Siqueira - PA
Antônio Miranda - DF
Aroldo Pereira – MG
Beth Jardim - DF
Brenda Marques Pena - MG
Bruno Caetano - DF
Caetano Bernardes - DF
Carla Andrade - DF
Carlos Augusto Cacá - DF
Carlos Machado - SP
Carmem Silva Presotto - RS
Carolina Vieira - DF
Ceiça Targino – DF
Chico Alvim - DF
Chico Nogueira - DF
Cláudio Cardoso - PA
Cláudio poeta Dinho - DF
Corinto Meffe - DF
Dan Juan Nissan Cohen - RJ
Daniel Barros - DF
Daniel Pedro - DF
Dedé - DF
Devana Babu - DF
Eliana Castela - AC
Elicio Pontes - DF
Ézio Pires - DF
Fernando Freire - DF
Fred Maia - DF
Germano Arte Seletiva - DF
Guido Heleno - DF
Gustavo Dourado - DF
Ironita Mota Pereira - DF
Ismar Lemes - DF
Iverson Carneiro – RJ
Jairo Fará - MG
Joana Chagas da Silva - PA
João Bosco Maia - PA
João Victor Pacífico - DF
Joãozinho da Vila - DF
Joaquim Mariano - SP
Joelson Meira - BA
Jorge Amancio - DF
Jorge Antunes - DF
José Leal - Alemanha
José Sóter - DF
Jovino Machado-MG
Júlio Alves - RS
Lacerda Alencar - DF
Leila Jalul Bretz - AC
Leonam Cunha - RN
Lilia Diniz - MA
Lisa Alves - DF
Lucia Araújo - DF
Luiz Felipe Vitelli - DF
Luiz Turiba - DF
Lurdiana Araújo - DF
Manoel Herzog - SP
Marcão Aborígene - DF
Marcelo Morão-RJ
Marcos Freitas - DF
Maria Alice Bragança - RS
Maria Glória - DF
Maria Maia - DF
Maria Vieira dos Santos - RJ
Marina Andrade - DF
Marina Mara - DF
Marli Silva Fróes -MG
Nanda Fer Pimenta - DF
Neli Germano - RS
Noélia Ribeiro - DF
Olivia Maria Maia - DF
Patrícia Giseli - MG
Paulo Dagomé - DF
Paulo Ferraz - SP
Paulo Nunes - PA
Pedro César Batista. - DF
Pedro Tostes - SP
Raul Ernesto Lorrosa Bellesta - DF
Rego Júnior - DF
Renato Fino - DF
Ricardo Mainiere - RS
Ricardo Silvestrin - RS
Rita de Cássia da Silva - PA
Rita Melem - PA
Rita Prado - PA
Roberto Amaral - MG
Ronaldo Costa Fernandes - DF
Ronaldo Mousinho - DF
Ronaldo Rhusso - RJ
Rubens Jardim - SP
Sérgio Duboc - DF
Solange Padilha - RJ
Sônia Situba - PA
Tereza Vignoli - SP
Theo Alves - RN
Tita Lima Lima - DF
Tom Pureza - DF
Vanderlei Costa - DF
Vicente Sa - DF
Vinicius Borba - DF
Wanessa Dias - DF
Wélcio de Toledo - DF
Yonaré Flávio - DF
O golpista é um fingidor de fato como pessoa, jamais um poeta! Não mede esforços nem consequências para e pelo poder. Alimenta-se das desigualdades, das diferenças, da indiferença e do ódio na permanente construção do abismo social por origem, classe, cor, credo, gênero, dividindo a sociedade por desrespeito e desprezo à maioria da população que de fato constrói a nação.
Afirmamos nosso mais contundente repúdio aos atos de corrupção praticados por esses grupos, pois entendemos que a corrupção desmerece a democracia e agride a cidadania. Defendemos as investigações e as justas punições dela decorrentes. Porém, não aceitamos que apenas um grupo político seja o alvo, porque sabemos que a grande maioria dos partidos políticos brasileiros, inclusive os que articulam o golpe, é historicamente praticante de atos de corrupção e não tem sido alvo de investigações.
Nós poetas em defesa da democracia, da constituição, da liberdade, do estado democrático de direito, tão aviltado no momento, buscamos e lutaremos sempre por um Estado laico, justo, igualitário e libertário alimentando o desejo e o sonho pela unidade da diversidade no país e pelo respeito entre todos e todas.
Somos chamados e chamadas a marcar posição em defesa da democracia, neste momento histórico difícil e delicado em que a sociedade brasileira se percebe crivada pelo clima de ódio que ameaça sobretudo os defensores do estado democrático de direito. Trazemos em resposta a esse momento crítico a nossa fala poética.
Brasília, abril de 2016.
Adeilton Lima - DF
Ademir Demarchi - SP
Alberto Pucheu - RJ
Alexandre Durratos - RJ
Alexandre Guarnieri - RJ
Alexandre Pilati - DF
Altivo Neto - DF
Ana Maria Lopes - DF
Ana Rüshe - SP
Ana Suely - DF
Andre Giusti - DF
André Rocha - DF
Angélica Torres Lima - DF
Aníbal Perea - DF
Antônio Juraci Siqueira - PA
Antônio Miranda - DF
Aroldo Pereira – MG
Beth Jardim - DF
Brenda Marques Pena - MG
Bruno Caetano - DF
Caetano Bernardes - DF
Carla Andrade - DF
Carlos Augusto Cacá - DF
Carlos Machado - SP
Carmem Silva Presotto - RS
Carolina Vieira - DF
Ceiça Targino – DF
Chico Alvim - DF
Chico Nogueira - DF
Cláudio Cardoso - PA
Cláudio poeta Dinho - DF
Corinto Meffe - DF
Dan Juan Nissan Cohen - RJ
Daniel Barros - DF
Daniel Pedro - DF
Dedé - DF
Devana Babu - DF
Eliana Castela - AC
Elicio Pontes - DF
Ézio Pires - DF
Fernando Freire - DF
Fred Maia - DF
Germano Arte Seletiva - DF
Guido Heleno - DF
Gustavo Dourado - DF
Ironita Mota Pereira - DF
Ismar Lemes - DF
Iverson Carneiro – RJ
Jairo Fará - MG
Joana Chagas da Silva - PA
João Bosco Maia - PA
João Victor Pacífico - DF
Joãozinho da Vila - DF
Joaquim Mariano - SP
Joelson Meira - BA
Jorge Amancio - DF
Jorge Antunes - DF
José Leal - Alemanha
José Sóter - DF
Jovino Machado-MG
Júlio Alves - RS
Lacerda Alencar - DF
Leila Jalul Bretz - AC
Leonam Cunha - RN
Lilia Diniz - MA
Lisa Alves - DF
Lucia Araújo - DF
Luiz Felipe Vitelli - DF
Luiz Turiba - DF
Lurdiana Araújo - DF
Manoel Herzog - SP
Marcão Aborígene - DF
Marcelo Morão-RJ
Marcos Freitas - DF
Maria Alice Bragança - RS
Maria Glória - DF
Maria Maia - DF
Maria Vieira dos Santos - RJ
Marina Andrade - DF
Marina Mara - DF
Marli Silva Fróes -MG
Nanda Fer Pimenta - DF
Neli Germano - RS
Noélia Ribeiro - DF
Olivia Maria Maia - DF
Patrícia Giseli - MG
Paulo Dagomé - DF
Paulo Ferraz - SP
Paulo Nunes - PA
Pedro César Batista. - DF
Pedro Tostes - SP
Raul Ernesto Lorrosa Bellesta - DF
Rego Júnior - DF
Renato Fino - DF
Ricardo Mainiere - RS
Ricardo Silvestrin - RS
Rita de Cássia da Silva - PA
Rita Melem - PA
Rita Prado - PA
Roberto Amaral - MG
Ronaldo Costa Fernandes - DF
Ronaldo Mousinho - DF
Ronaldo Rhusso - RJ
Rubens Jardim - SP
Sérgio Duboc - DF
Solange Padilha - RJ
Sônia Situba - PA
Tereza Vignoli - SP
Theo Alves - RN
Tita Lima Lima - DF
Tom Pureza - DF
Vanderlei Costa - DF
Vicente Sa - DF
Vinicius Borba - DF
Wanessa Dias - DF
Wélcio de Toledo - DF
Yonaré Flávio - DF
quarta-feira, março 09, 2016
Fatos
Bradam
pedindo prisão,
Defendem a pena de morte,
Incentivam a justiça pelas próprias mãos.
Defendem a pena de morte,
Incentivam a justiça pelas próprias mãos.
Acusam
como fossem primários em corrupção,
como fossem primários em corrupção,
com
discursos ecoados em rede nacional.
Velha
prática herdada de seus antepassados,
Negar a verdade
Garantir propriedades,
Caluniar.
Negar a verdade
Garantir propriedades,
Caluniar.
Os
índios eram preguiçosos,
Os negros indolentes,
As mulheres fracas.
Os negros indolentes,
As mulheres fracas.
Seguem
formando seguidores,
Incapazes de olhar para trás
Indispostos a se mirarem como classe.
Incapazes de olhar para trás
Indispostos a se mirarem como classe.
Multidões
que não receberam heranças,
Não possuem sobrenome de senhores coloniais,
Nem de quatrocentões.
Não possuem sobrenome de senhores coloniais,
Nem de quatrocentões.
Criam
soldados
De velhas oligarquias.
De velhas oligarquias.
Outros,
serviçais conscientes, rosnam
não querem falar de política,
Tentam falsear seus vínculos.
não querem falar de política,
Tentam falsear seus vínculos.
Seguem
latindo,
como cães treinados,
Aptos a atacarem
quem ousar enfrentar
Seus líderes.
como cães treinados,
Aptos a atacarem
quem ousar enfrentar
Seus líderes.
Escancaram
cinismo,
Exalam podridão histórica
Sem gaguejar continuam acusando,
aumentando suas riquezas,
encharcadas em sangue.
Exalam podridão histórica
Sem gaguejar continuam acusando,
aumentando suas riquezas,
encharcadas em sangue.
Pedro César Batista
quinta-feira, janeiro 21, 2016
Autorretrato social
sou sem rosto
morador sem teto
colocado na
marginalidade
homossexual
discriminado
mulher violentada
criança faminta
sou sem cores
jovem desempregado
sou assassinado
pela polícia
covarde
sou da África,
fui sequestrado
fizeram-me escravo
sou operário
sou lavadeira da
beira do rio
sou boia fria
sou as mãos
sou os pés
sou o trabalho
sou do campo
sem-terra
planto comida
que falta em meu
prato
sou diarista
lavo banheiros
limpo chão
cozinho e sirvo
respiro fogo
minha pele não tem
cor
cheira mal
durmo sob marquise
sou discurso
sou promessa
sou número
sou sem rosto
sou condenado
sou descartável
sou sem cores
quarta-feira, janeiro 06, 2016
Quem sou.
Sou
negro, um jovem negro. Mais um.
Sou índio, uma criança indígena. Mais uma.
Sou palestino, uma criança palestina. Resistindo.
Sou mulher, uma jovem mulher. Combatente.
Sou trabalhador, desempregado. Organizado.
Sou da periferia, do mato, da aldeia. Sou da colmeia.
Sou quilombo, conquisto o amanhã. O novo.
Vivo em cabanas, ergo o sol. Faço vida.
Semeio e colho alimentos,
Pesco em todos os mares,
Alimento o mundo.
Minha voz não sai na mídia,
Minha voz é sufocada, resiste,
Embala o fogo da vida. Grita, sem medo.
Enfrento as balas da polícia,
As mentiras dos poderosos,
Preconceitos dos moralistas religiosos.
Sou o povo,
Cantando sem medo de sicários,
Capaz de fazer esperança na dor. Florir sorrisos.
Sou o olhar que não se esconde,
O abraço que não se afrouxa,
O passo que não vacila. Marcha, firme.
Venho dos morros,
Das favelas e dos acampamentos. Levanto utopias.
Venho do amanhã,
Quando o ontem nada mais será que um quadro,
Um triste e velho quadro pendurado na parede,
Encardida pelas lágrimas de tanto sorrir
E bailar para a lua. Vermelha e cheia.
Sou o povo que não se curva,
Sou a vida que não morre,
Disposto a derramar o sangue,
Fazer flores onde a terra ainda está árida.
Sou o fogo que não se apaga. Sou labareda.
Sou índio, uma criança indígena. Mais uma.
Sou palestino, uma criança palestina. Resistindo.
Sou mulher, uma jovem mulher. Combatente.
Sou trabalhador, desempregado. Organizado.
Sou da periferia, do mato, da aldeia. Sou da colmeia.
Sou quilombo, conquisto o amanhã. O novo.
Vivo em cabanas, ergo o sol. Faço vida.
Semeio e colho alimentos,
Pesco em todos os mares,
Alimento o mundo.
Minha voz não sai na mídia,
Minha voz é sufocada, resiste,
Embala o fogo da vida. Grita, sem medo.
Enfrento as balas da polícia,
As mentiras dos poderosos,
Preconceitos dos moralistas religiosos.
Sou o povo,
Cantando sem medo de sicários,
Capaz de fazer esperança na dor. Florir sorrisos.
Sou o olhar que não se esconde,
O abraço que não se afrouxa,
O passo que não vacila. Marcha, firme.
Venho dos morros,
Das favelas e dos acampamentos. Levanto utopias.
Venho do amanhã,
Quando o ontem nada mais será que um quadro,
Um triste e velho quadro pendurado na parede,
Encardida pelas lágrimas de tanto sorrir
E bailar para a lua. Vermelha e cheia.
Sou o povo que não se curva,
Sou a vida que não morre,
Disposto a derramar o sangue,
Fazer flores onde a terra ainda está árida.
Sou o fogo que não se apaga. Sou labareda.
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