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sexta-feira, fevereiro 10, 2006

SEDE DE VENTO

O vento encanta as folhas,
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.

Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.

O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.

O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.

Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...


segunda-feira, janeiro 30, 2006

NOITE VAZIA, AZIA (Ilhéus - BA - 1980)




















SOL

Se o sol
Durante a noite aparecer
E eu morrer?

Sem ser enterrado,
Fazem de mim um enlatado.

Vivo,
Sendo explorado,
Por fantasmas e mentiras.

Sem eu, sem você,
Sem ninguém saber,
Não quero morrer.

O sol me fez.
Fez a lua
Que é minha e
Dos átomos
Em meus espermas
Jogado no mar,
Esperando um novo sol raiar.
18/12/80


FORTES

Vômitos de fome da fome,
De ser o mar,
De ser um touro,
De ser o povo,
Não só eu,
Tu,
Ele,
Nos,
Vos,
Eles,
Mudando o lodo.
Revolucionando o pão,
Nós os fortes,
Inconscientes.
19/12/80


SOMOS


Dentro do sol o sol,
Entre ele e eu o
Universo, você e eu.
Sem espíritos. Átomos.
Loucos,
Humanos,
Ar,
No mar do mar.
ÁT
O
M
SOMOS.
19/12/80



SOM

Eu,
Perdido na multidão,
Muitos Pedros,
Na multidão.
Deus?
Eu,
Olhando e falando,
Sendo olhado,
Você e eu.
Dois homens,
Pedro e Pedro.
Deus?
Teu patrão dono do trigo,
Sem trigo,
Sem pão,
Sem mesa,
Na multidão.
19/12/80



DOR

Olhos cheios de dor,
Horror do amor,
Por traz o pavor,
Da fome,
Da morte,
Sedenta de vida,
Livre,
No canto de rua,
Sem luz, escura,
Sem sol, enluarado,
Com estrelas andando,
Só.
Olhos nos ares,
Sem falar da dor.
19/12/80


MAR

Na beira do mar,
Com ela passeei.
Mãos dadas.
Um fino,
Embaixo do sol.
Acordado por ela,
Beijos, olhares,
Na beira do mar.
Bela, beleza eu e ela.
Mar, amar,
Embaixo do luar,
Queria, queria ela,
Bela,
Beleza eu e ela.
19/12/80


DUREZA

Duro,
Dureza,
Roubalheira.
Rico,
Beleza.
Ladrão,
Deixa-nos sem pão.
Duro,
Dureza.
Beleza,
Só o mar.
19/12/80


MORTO

Na vida de brasileiro,
Casado ou solteiro,
De estado em estado,
Terra pra plantar,
Terra pra semear.

Sem comer,
Sem terra,
Sem casa.

Um brasileiro,
Explorando muitos brasileiros.

Presos,
Grades,
Tiros.

Morto na rua.

Denunciou.
19/12/80



BEBENDO

Leira
Fogueira
Gengibre.
Nem libra,
Nem cruzeiro.
Nem tostão.
Sem pão,
Irmão com irmão,
Embaixo de sol.
Vamos,
Estamos
Sendo explorados
Tomando chuva
Bebendo gengibre.
21/12/80



DOIS

Ver o mar
Namorando.
Praia,
Lua,
Sol,
Estrela.
Eu na praia,
Olhando a lua.
Queimando ao sol.
Eu uma estrela,
Sem eira, indo,
De praia em praia,
Falando amar.
Eu e o mar.
21/12/80



TEUS OLHOS

À Ana Carla

Na tua pessoa,
Uma mulher,
Bela.
Dentro de mim,
Uma lua,
Um sol,
Uma estrela.
Com olhares belos,
Brilhantes que ofuscam
Os meus, raios,
Teus olhos
Da cor da lua.
22/12/80


VONTADE

Fuxicos pelas portas,
Todos de pernas tortas,
De cabeças vazias,
Estômagos com azia.
Fome,
Dor,
Gastrite.
Causa: Coca-Cola & Cia.
Nas bocas vazias,
Entrando em olhos fechados,
Pessoas dormindo.
Cansaço,
Mormaço,
Que me queima
De vontade de ter ela.
22/12/80



SALVARÀ

13 pontos,
não fiz,
não sei,
não dei.
13 gritos,
não tem,
não vem,
não sai.
13 dias,
falta p/ o mundo acabar.
13 gritos o salvará.
22/12/80



CRUZ

A lua nasceu.
Pessoas na terra,
Sorriram, choraram,
Gritaram, amaram.
Eu andei do seu lado.
Me crucificaram.
22/12/80


NATAL

Onde nasci?
Onde vivi?
Aqui?
Ali?
Brasil, meu Brasil!!
Explorado por outros,
Por outrem.
A verdade, o fim, transformar.
Nascer por viver,
Em ruas arborizadas, calçadas,
Pessoas andando no sol.
Eu,
Por um nascimento igual.
23/12/80

terça-feira, janeiro 24, 2006

NADA SEI

















Quem pensa que tudo é
poderá terminar como uma nuvem,
sem identidade,
sem forma,
sem alma.

Quem sente-se melhor que os outros,
certamente tem medo do sol,
e da lua então nem se fala,
deve fugir na escuridão,
se escondendo com medo do sereno.

Por isso a moça da sala ao lado
parece ser tão mediocre,
pensa que é encantada,
mas não passa de uma abóbora,
já passada e envelhecida
que não serve para carruagem,
apesar de ainda ser um broto.

Quem pensa que tudo sabe,
deve ter medo da busca,
fugir do novo,
pensando ser um oráculo.

Tenho uma certeza,
muito antiga:
nada sei,
posso ser semente,
posso ser raiz,
posso ser vento!

O novo me chama!

terça-feira, janeiro 17, 2006

OS IMPRESTÁVEIS
















(Parodiando Bertold Brecht)

Há aqueles
que enganam o povo
um dia.

Estes são maus.

Há aqueles
que enganam o povo
muitos dias.

Estes são muito maus.

Há aqueles
que enganam o povo
sempre.

Estes são imprestáveis.

Cuidado!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

AINDA ESPERO

















Nada sei do canto
De meus olhos
Que nada vêem,
Apenas buscam a luz
Das estrelas nas noites enluaradas.

Enquanto sinto a dor
D’alma perdida na escuridão
Escuto os grilos
Cantarem músicas
Que fazem o céu piscar iluminado.

Todo o encanto,
Principalmente o desconhecido,
O sentido do novo,
Onde a visão
Encontra o que nada conhece.

Nem sabe onde vive,
Tampouco onde está,
Sentindo somente o canto
E o perfume do tempo
Onde a vida desabrocha
Flores férteis e coloridas.

Nada sei de meu tempo,
Menos ainda esperar
A incerteza do amanhã.

Ainda assim espero!

terça-feira, janeiro 10, 2006

ODE A IARA
















Cheguei ontem do Pará.

Lá tomei suco de muruci
e dancei carimbó,
comi carangueijo
e muita caldeirada.

Nadei no Rio Guamá,
vi o sol de pôr em Icoaraci,
tomando água de coco
na praia do Cruzeiro.

Sonhei no Mormaço
encontrar uma sereia,
que mergulhou depois de me encantar,
na fresta de luz da lua nas águas escuras da baia guajará.
Ela me encantou e se foi.

Em Soure enfrentei a areia
na praia do Pesqueiro,
ao som do vento e do mestre Lucindo
sob a claridade da lua,
ainda apenas um risco no céu.

Em Salvaterra mergulhei
acompanhando o Mergulhão.
Não fui tão fundo
era muito arriscado,
mas tentei.

Em Joanes o vento me balançou
na Pousada Ventania,
onde encontrei a confiança
e a esperança,
mesmo ouvindo o chôro das folhas do coqueiro
encobrindo a menina bela e enamorada
pelo boto que também não apareceu na noite estrelada.

Cheguei ontem ao centro do Brasil,
meu coração sente saudade
das calderadas feitas com amor,
das caminhadas embaladas pelas águas,
dos rios caudalosos que me envolveram.

Cheguei ontem,
a lua começa a crescer,
tanto quanto o sonho
em poder caminhar
todas as manhãs
nas margens do Amazonas.

Sonho em descobrir Iara,
para que ela me leve
para o fundo do rio,
onde viveremos prazeirozamente
para a eternidade.

Meu coração está triste...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

VEREDA

VEREDA NO CÉU

18/12/05


Donde andam os campos floridos,
A areia alva envolvendo minha alma,
O vento exalando o cheiro de éter?

Esse tempo perfura meus olhos,
Entristece o olhar que se perde
Nas folhagens do bongaville
Vermelho e amarelo envolvido pelo verde das folhagens.

Onde o tempo vai depois dessa dor?

Enquanto milhões esquentam as calçadas frias,
Com suas pequeninas mãos fuçando o lixo
Em busca do alimento para seus corpos,
Suas almas choram a dor da solidão.

Outros miúdos, nem os percebem,
Se os vêem, demonstram nada sentir.

Como não consigo chorar mais,
Nem pelo amor que não mais me quer,
Tampouco com o negrume da tristeza
Invadindo os olhinhos fulminantes
Que olham as luzes do natal
E o orgulho dos compradores,
Meu coração tenta germinar vida.

Onde estão os campos floridos?
Onde andam os ventos do amor?
E a revolta buscando vida, onde posso achar?

As flores vermelhas e amarelas
Não alegram a manhã de domingo
Que antecede o nascimento de Jesus.

Muitas sementes desabrocham,
O que brotará?

Ainda verei olhos solidários de verdade,
Sem pensar nos votos do poder?

O vento ainda traz o silvo dos pássaros,
Madredeus toca me animando a seguir...

Caminho, sempre caminharei,
Murchando meus pulmões,
Sem mais voz para gritar,
Solitário encontrarei uma vereda
No céu escuro sem estrelas.
Seguirei...

FÉ NO BEIJA-FLOR

18/12/05

Um raio adentra meu ser,
Encantando-o por mais crer
Ainda nesse Beija-Flor que me avista
Enquanto olho no horizonte
Esperando rever a Flor que busco
Na manhã ensolarada.

A chuva se foi.

Meus olhos secaram,
Deixando de olhar seus olhos
Que não mais querem me ver.

As crianças andrajos me vêem,
Minha alma se perde de dor
Desejando fazê-las flores ser
E os pássaros as guiarem
Na direção do ritmo do mar,
Sereno com o céu estrelado.

Que raio encantador é esse
Permitindo a solidão deixar de ser só,
Transformando-a em luz de fé
Nas sementes do amanhã!

segunda-feira, outubro 31, 2005

UM GRITO CALA

Um grito cala,
a boca fica fechada,
os olhos perdem o brilho.

Onde estou?

Um passo se perde
encontra a escuridão.
Perde o rumo
na busca do amanhã.

Onde estou?

O riso fica amarelo,
dentes são mostrados,
a maioria desdentados
e ligam a TV.
Sonham com Miame.
O lixo é a fonte
de encanto e conquista.
Somente isso lhes resta.

Onde estou?

As bocas calam,
as mãos se separam,
a noite esfriou.

Onde estou
que os olhos não se abrem?

Bocas querem tudo engolir,
deixam apenas o arroto
para seu irmão.

Onde estou?

Estrelas aparecem
as luzes brilham
com gosto de avareza e dor.

Não basta a idéia solta,
sem corrente nem sangue, nem alma.

Onde estou?

terça-feira, outubro 04, 2005

ÍNDICE

I - Publicações (Títulos e capas)
II - E quem não é? (Poesia)
III - Tudo Tem (1979)
IV - Coração de Boi (1983/85)
V - O canto das Borboletas apaixonadas (poesia)
VI - Um novo tempo é maravilhoso (foto)
VII - Plantio Variado (poesias)
VIII - O encanto do vento e do tempo (foto)
IX - Sempre poder voar com os pássaros (foto)
X - 63 Poemas de amor para uma Flor dos Pampas no cerrado (2004)
XI - Flores Novas (poesias)

PUBLICAÇÕES - VI

"TUDO TEM" - Independente - 1979 - Belém - PA


PUBLICAÇÕES - V

"63 Poemas de amor para uma Flor dos pampas no cerrado" - Independente - 2004 - Brasília - DF

PUBLICAÇÕES - IV

"Gilson Menezes - O operário prefeito - Experiências e Desafios" - BrasilGrafia - 2004 - Brasília - DF

PUBLICAÇÕES - III

"CORAÇÃO DE BOI" (Poesia)- Imprensa Oficial do Estado do Pará - 1985 - Belém - PA

PUBLICAÇÕES - II

"SONHOS REAIS" - Independente - 1987 - Peruibe - SP - Brasil

PUBLICAÇÕES - I

"CONIVÊNCIA E IMPUNIDADE" - CEPE - 1991 - São Paulo - SP

quinta-feira, setembro 29, 2005

E QUEM NÃO É?




E QUEM NÃO É?

Quem não é louco
Será mais ou menos equilibrado?
Nada mais existe no mundo só meu.
Olhos cintilantes corpo teso.
Sou a verdade e a salvação,
Não é ilusão,
Sou de carne e osso.
Uns fazem o mal,
Outros nem percebem o bem.
Quantos se encontram nas ruas,
Nas repartições, nas igrejas,
Detendo poder e ilusões.
Quantos?
Uns querem jóias outros amor.
Uns sentem-se donos do mundo.
Outros, nem o percebem.
A dor pode ser falta de um beijo,
Enquanto outros gemem a injúria.
Sonham com a felicidade
Ou espalham a dor.
Tanto faz que semeiam ilusão.
Ao amanhecer são primavera,
Molha o tempo meio dia.
Ao entardecer deixam frutos
E dormem com frio.
Muito frio que nada os aquece.
O tempo se vai e crêem
Ainda serem recém nascidos.
O tempo voa e brincam de pássaros
Espalhando medo ou alegria.
São livres com o vento
Ou presos em gaiolas de suas mentes.
Alucinados com o brilho do sol.
O sol aumenta o calor,
Enquanto sentem calafrios.
Nada sabem do real,
Nem de onde pisar,
Nem a dor ou alegria.
Pensam ser únicos neste mundo.
Crêem ter a certeza da eternidade.
Nada importa.
Quem não é louco
Será mais ou menos equilibrado?
Ou o equilíbrio universal
Das galáxias, astros e dos ventos
Ainda chega aos seres humanos?
Ou as pessoas não querem o equilíbrio
E buscam distância da fraternidade?
Quem sabe diga-me,
Estou precisando descobrir
Qual caminho trilhar.
Quero compreender minha existência.
Quero que todos os brilhos
Sejam fraternos e solidários.
Quero que todos brilhem:
Loucos, desequilibrados,
Pássaros, religiosos e operários,
Namorados e questionadores do universo.
O Brilho deve ser constante!!

18-02-03 - PCB

TUDO TEM - 1979




“TUDO TEM” Obra inédita de Pedro César Batista.
“80” Ano da luta, Belém- Pará- Brasil.

Direitos Autorais reservados a UESP-Pa (União dos Estudantes Secundarista e Primário do Pará).
Editado pelo autor.
Cada “TUDO TEM” custa apenas Cr$ 20,00 (vinte cruzeiros) e boa sorte.
Por correspondência:
Av. Gentil Bittencourt, 1390
Aptº 427-B
Belém – Pará 66.000

**********

TUDO TEM

Feijão e inflação
Policia e repressão
Tortura e estudante
Tudo arbitrariamente
Barriga vazia
Todos os dias
Governo e corrupção
Direito a estrangeiro
Dever a brasileiro
Policia e ladrão
Abertura a ditadura
Direito a tortura
Dinheiro a ninguém
Fome todos tem.

*********

PODER

Na terra tem seres
Não humanos
Nos seres tem rancor
Em alguns amores
No rancor tem ódio
Não paz
No ódio tem o homem
Não seres
No homem tem injustiça
Não direitos
Na injustiça tem deveres
Não liberdade
No dever tem o povo
Não o poder.

*****

FOME HUMANA

Quando um alicate
Come unha
Peito engole bala
Carne torna-se elétrica
Ou
Não se sabe nada
A injustiça
Aparece
E a justiça
Padece
Sem poder
Somente querer
Existir.

*******

MULHER

Mulher amada
Mulher olhada
Mulher maltratada
Mulher sonhada
Mulher,
Mulher homem
Mulher Maria
Mulher sofria
Mulher também
Era mulher
Uma bela mulher.

*******

POLICIA-LADRÃO

Policia-Ladrão
Ladrão - Policia
Já não sei mais
Quem é policia
Ou quem é ladrão.
******

VANTAJOSO

Dizem que
Temos vantagens
Como?
Só vejo
São as desvantagens.

*****

SEM ILUSÃO

O que era
Do povão
Hoje se dera
A inflação
Povo sofrido
Dilacerado o coração
Marcado pelo óleo
Marcado pelo feijão
Nem vê macarrão
Não usa petróleo
Somente carvão
Carne, só ilusão
Coitado do povão
Com esse mal
Com esse mal
Com esse governo
E essa tal
Da inflação.

*******

DIA E NOITE

Pulmão recolhe
Oxigênio do ar
Salina bebe
Água de mar
Capitalismo some
Os diretos do povo
Povo sente
O cúmulo da inflação
Tudo mente
Boca de machão
Tudo sofre
Corpo de estudante
Nada come
O povo brasileiro.


******


Nasci para a vida
Cresci para a vida
Morro pela vida.

******

INICIO

Na vida
Têm humanos
Tem injustiças
Tem amor
Tem tortura
Tem terror
Tem morte
Tem um inicio

*******


TUDO

Tudo
É você mudo
Tudo
É a fome
É a covardia
Tudo
É a injustiça
Tudo
É a tortura
Tudo
É você ai.




*******
GRITEMOS

O poder
Tem os canhões
Nós temos
O grito


******


EXISTENTE

Aqui no Brasil
O tudo
Que falam
É o nada que existe.


******


VOU TE CONTAR...

A América
Vou te contar
O Brasil
É de lascar.


******


TUDO ACASO

Acaso
Ou surpresa
Derrepente acontece
Acaso
Ou maldade
Hoje e ontem
Aconteceu
Acaso
Ou sujeira
Derramaram sangue
Acontece
Acaso
Ou desperdício
Derramaram feijão
Acontece
Acaso
Ou destino
Estou amando
Está acontecendo.

*****


PAZ E AMOR

O mundo é tudo
Más não é nada
Para quem é mudo
Mudo só pena
Fale o Maximo
Para não te dominarem
Falem, todos também
O mundo será ótimo
Se houver sangue
Se todos
Cantarem
Para que haja paz
Diga: paz e amor

*****


HOMEM = SUPER

Não somos super
Somos somente homens
Tudo que precisamos
E a nossa união

******

SONHO

Um sonho
De um humano
Que vê a verdade
Onde existe
Muita maldade
Fome e sangue
Este sonho
Seria um mundo
Onde existisse
Muita paz
Muita justiça
Somente um todo
Feito de humanos.

******


DESABROCHE...

Vem ai
A mais bela das flores
Aquela que precisamos.
- Quem a traz?
Eu, você
Os brasileiros
- Como?
Vão acordar e levantar
Como uma rosa
Levaremos o amor
Que derrubará a corrupção
E a flor
Vai desabrochar.

******


REALIDADE

Nesta noite
Com regime
De arbítrio
Vira a terra
Um sonho
Feito de justiça
E igualdade
Para todos
Pana que
Dentro da verdade
Existe o sonho.


********

A TODA HORA

Qualquer hora
Em qualquer lugar
A mesma coisa
Toda hora
No mesmo lugar
Muitas coisas
Agora
Neste lugar
Há uma coisa
(muita corrupta)
Ontem
Há mesma hora
Naquele lugar
A mesma coisa
A injustiça agora.


******


EXEMPLO

No dia
Em que nasci
Disseram:
Este vai ser
O exemplo
De machão.
Enganaram-se
Nasci homem.

******

PEDRO I

Fui
Pedro ontem
Sou
Pedro hoje
Serei
Pedro amanhã


*****

BRASIL-EIRO

Neste dia
De angustia
De todos
Os modos
Do povo
Que odeia
Que passa fome
Sem ao menos
Reconhecer
Sem lutar
Por seus direitos
Um povo
Feito de preconceitos
Desigualdade
E injustiça.


******

VIRÁ

A justiça
Do homem
Morreu
Contudo
A da natureza
Um dia virá.

*******

ACREDITAR

Olhar um sonho
E ver a verdade
Olhar tudo
E ver a justiça
Olhar alguém
E ver a paz
Olhar o povo
E ver a igualdade
Olhar esta poesia
E acreditar.

CORAÇÃO DE BOI - 1984

Dedico á Ogma,
Uma flor
Que me deu
Nova vida.



******


Pedro César Batista, nascido em 26/06/1963, em Álvares Florence- SP, veio para o Pará aos dois anos. Aqui vive ate hoje e daqui não pretende sair.

É militante do Movimento Popular, ex- Diretor da UBES- União Brasileira dos estudantes Secundaristas (gestão 83/84), eleito pelo movimento Estudantil AVANTE, do qual foi fundador. No primeiro Congresso Paraense de Escritores, ficou na suplência do Conselho Provisório.

Começou a publicar no mimeógrafo (março de 80), em Belém, o livreto “Tudo Tem”. Em junho do mesmo ano publicou “E aí?”, em Brasília. Na capital do Pará, publicou “Poesia Matutai”, e “Letras Livres”, com dois companheiros. Participou das coletâneas: “Revoada de Poetas em Ilhéus” (Bahia), “Os Inéditos” (Brasília) e “Enluadonovo” (Pará).

Seu livro “Coração de Boi” sai agora em 2ª edição ampliada e ilustrada, desde que a 1ª foi feita no Maranhão, em fevereiro de 1983.


*******


A
Todos
Os trabalhadores
(Lavradores,
Pescadores,
Sofredores,
Pensadores)...
Do Maranhão,
Do Brasil,
Do mundo:
Coração de boi!




*****


Um coração bem grande
Revoltado
Ansioso
Corajoso
Como o do nosso povo.




***


Passou-se a eleição
O gado
Vive a seca
O pasto
Está pisado
E nada bom
Foi o resultado.

Quem ganhou
Foram os culpados
Da seca.

Virá chuva
Com luta do povo
Unido lado a lado
Derrotar os safados.

Do sangue do coração
Nascerá
Uma bela plantação.




***


Música é lira
Lira e seca.
Boi morto
Coração grande,
Como vida
Da música da seca.
Aqui
No maranhão sempre ação,
Como luta,
Balaiada,
Fazendo o novo povo.
Povo com nova música,
Com coração grande
De boi.




***



Noite de calor,
Caminhar,
Respirar...
No mar
O dia raiando...
Como viver
A trabalhar
Para o mundo
Em flores
Transformar.

Mar mundo
Cheio de flores,
De vida...




***



Trazer o rango,
Como boi
Sem coração
(fígado)
Com coisa
De rio
chorando
Por vida.




***


Vi o ar olhar
O rio
Sangrava
Meu
S
A
N
G
U
E....




***


...por olhar
Meu coração
Gritei:
Paixão é você
verde
mar
Com dor de amor.




***

Cana
Com
Mãos
Dadas
Com
Cachaça
Com desejo
Proibidos.
Você
Campo
De flores.


***


Rapte-me
Menina boa
Com sangue
Jorrando
De vida
Nova
Cheirando
Campo
Florido.



***



Ter ¼ de coração
Comprado no açougue,
Quero inteiro
Vindo do coração.



***


Alcântara

Pedra sob pedra
Vidas velhas
Nas lembranças.
Jovens em rodas:
Um mais um...
A chegar de todos
Os lugares.
Belos, vivos, novos
Olhos
Para o mar
Fazendo
Vida ter o ar.




***


Um velho
De um coco
(talhado)
Parecido gente,
Da prateleira do bar
Olhava todos
Com olhos fechados




***



Nu

Eu nu na rua
Sem rosto,
Sem braço,
Sem mão,
Sem pé,
Sem boca,
Sem ouvidos,
Sem olhos,
Sem pernas,
Sem você
Olhando a lua.


***



Dor

Olhos cheio de dor,
Horror do amor,
Por traz o pavor
Da fome,
Da morte,
Sedenta de vida,
Livre,
No canto de rua,
Sem luz, escura,
Sem sol, enluarada,
Com estrelas andando,
Só.
Olhos nos ares,
Sem falar da dor.


***


A
mar
Ar
Pela vida
Para viver...

A
Mar
Ar
Respirar...



***



Dá-me a mão,
Como se fosse flor,
Jasmim,
Colhido no coração,
Com olhos acreditando
Nas mãos
Que semeiam
A nova plantação.


***


A flor
Nasce
Como a vida
Para amar
As flores.

***


Boi sem coração
Apaixona
Deixando-se
Sangrar
Ficando
De coração grande
Sem saber sal força
Não estourando a cerca
Para com coração ficar.


***



Parado
Na estrada
Parado
Entro eu
Muito boi
Muita coisa
Muita cor
Muito amor
Por você
Flor
Nova de vida.


***



Coroatá
Como você
De repente
Coração de boi
Sonhos
Amores
Beijos
Você.



***
Paixão é você
Olho
De coração
Com amor
De vida
De beijar eu
Sem você
Sentindo tu...



***



Nova flor
Vida flor
Criança flor
Chora como o sol
Ao ver
A lua
Tendo que se ir
De meus olhos
Criança fofa.


***


Vi minha cabeça rolar.
Estava decapitada.
Vi meu sangue saltar.
Estava embriagado.

Ao nascer do dia
Bebeu sangue
Olhando a trilha
Para seguimos:
Unidade contra a situação.
Sem coitado
Nem miserável.
O coração com todos dentro
Fazendo o sangue vivo
Fertilizar a justiça
Estava ao teu lado
E agora...

***

Olhos do coração
Fazendo canção
Para
A nova Plantação.




Lacerda Alencar, poeta-irmão,
Cearense-candango, tem seu poema “Espia” a seguir, junto ás declarações de Jorge Alcântara, irmão do Maranhão.




Espia

Olha!!
Você um dia me sorriu.
Noutro dia falou comigo.

Fui te procurar,
Não te encontrei.
Minha sina é viver assim.
(Lacerda Alencar)

***
O gostar é tão louco
Que
Nos apavoramos
De gostar
Tanto.
(Jorge Alcântara)




A edição desta obra pela
Imprensa Oficial do Estado, encaixa-se
no plano desta Autarquia, de apoio
aos novos valores da cultura local.