Lançamento em 17 de abril de 2006.
Atravessando longa faixa de floresta, um dirigente do movimento camponês se dirige a uma reunião na Colônia Vida, um povoado de posseiros que há dois anos ocupam parte das terras da Fazenda São José.
No caminho, ouve a conversa de dois pistoleiros, que acabaram de assassinar um colono. Um mês depois, a polícia, cumprindo ordem de reintegração de posse, despeja da fazenda as famílias de lavradores. Enquanto isso, ruralistas e autoridades locais se reúnem para traçarem planos de combate à crescente ocupação de terras. A imprensa nacional noticia a tática que será empregada em defesa dos latifúndios.
Depois do violento despejo, os sem-terras montam acampamentos provisórios e decidem iniciar uma grande marcha. Pretendem chegar à capital do estado e se reunir com o governador, para reivindicarem a desapropriação das terras de onde foram expulsos injustamente. Com uma semana de caminhada, e sentindo sinais de esgotamento, resolvem bloquear a PA150, principal rodovia do município. A polícia militar é enviada para desobstruir a área.
O que se segue daí são cenas de genocídio, de uma barbaridade premeditada, onde vários manifestantes caem assassinados.
Baseada na luta dos trabalhadores rurais sem terra, Marcha Interrompida é uma obra ficcional sobre o massacre de camponeses, ocorrido em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em 1996.
Tempo de inspirar atos de dignidade e indignação, provocar suspiros em mentes descrentes na vida. Tempo de recordar a resistência. Tempo de caminhar de mãos dadas... (pcbatis@gmail.com)
terça-feira, março 07, 2006
quinta-feira, março 02, 2006
MAIS AINDA

Ainda hoje senti meu olhar se perder na distância do passado.
Buscava desesperadamente o amanhã onde novas sementes possam desabrochar.
Ainda olhava a imagem do tempo encantado,
onde o perfume da manhã confundia-se com o amor.
Ainda esperava ver o olhar brilhando mais que a lua
irradiando o brilho das flores da sacada.
Que tempo é esse onde as pessoas não perdoam?
Que tempo é esse onde o orgulho vale mais?
Ainda hoje senti o gosto do fel em minha garganta.
Pude ver meus olhos buscarem os teus que não mais me veêm.
Ainda sinto a presença do passado
deixando o amanhã mais distante.
Novo dia que mesmo germinando em meu sangue gelado,
no calor da madrugada enluarada,
como o entardecer preguiçoso,
está lento e cauteloso, saudoso.
A lua encanta e canta minha perda,
o louco e desenfreado ardor de tocar tuas mãos
que nem mais me conhecem nem me desejam.
Ainda hoje senti meus olhos perdidos no amanhã
como uma semente desabrochando em minh'alma.
Sem dúvida essa terra se fertilizará,
ainda com mais e belas sementes
regadas nas manhãs ensolaradas...
Ainda hoje meus olhos brilharão mais ainda....
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
SEDE DE VENTO
O vento encanta as folhas,
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.
Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.
O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.
O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.
Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.
Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.
O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.
O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.
Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...
segunda-feira, janeiro 30, 2006
NOITE VAZIA, AZIA (Ilhéus - BA - 1980)

SOL
Se o sol
Durante a noite aparecer
E eu morrer?
Sem ser enterrado,
Fazem de mim um enlatado.
Vivo,
Sendo explorado,
Por fantasmas e mentiras.
Sem eu, sem você,
Sem ninguém saber,
Não quero morrer.
O sol me fez.
Fez a lua
Que é minha e
Dos átomos
Em meus espermas
Jogado no mar,
Esperando um novo sol raiar.
18/12/80
FORTES
Vômitos de fome da fome,
De ser o mar,
De ser um touro,
De ser o povo,
Não só eu,
Tu,
Ele,
Nos,
Vos,
Eles,
Mudando o lodo.
Revolucionando o pão,
Nós os fortes,
Inconscientes.
19/12/80
SOMOS
Dentro do sol o sol,
Entre ele e eu o
Universo, você e eu.
Sem espíritos. Átomos.
Loucos,
Humanos,
Ar,
No mar do mar.
ÁT
O
M
SOMOS.
19/12/80
SOM
Eu,
Perdido na multidão,
Muitos Pedros,
Na multidão.
Deus?
Eu,
Olhando e falando,
Sendo olhado,
Você e eu.
Dois homens,
Pedro e Pedro.
Deus?
Teu patrão dono do trigo,
Sem trigo,
Sem pão,
Sem mesa,
Na multidão.
19/12/80
DOR
Olhos cheios de dor,
Horror do amor,
Por traz o pavor,
Da fome,
Da morte,
Sedenta de vida,
Livre,
No canto de rua,
Sem luz, escura,
Sem sol, enluarado,
Com estrelas andando,
Só.
Olhos nos ares,
Sem falar da dor.
19/12/80
MAR
Na beira do mar,
Com ela passeei.
Mãos dadas.
Um fino,
Embaixo do sol.
Acordado por ela,
Beijos, olhares,
Na beira do mar.
Bela, beleza eu e ela.
Mar, amar,
Embaixo do luar,
Queria, queria ela,
Bela,
Beleza eu e ela.
19/12/80
DUREZA
Duro,
Dureza,
Roubalheira.
Rico,
Beleza.
Ladrão,
Deixa-nos sem pão.
Duro,
Dureza.
Beleza,
Só o mar.
19/12/80
MORTO
Na vida de brasileiro,
Casado ou solteiro,
De estado em estado,
Terra pra plantar,
Terra pra semear.
Sem comer,
Sem terra,
Sem casa.
Um brasileiro,
Explorando muitos brasileiros.
Presos,
Grades,
Tiros.
Morto na rua.
Denunciou.
19/12/80
BEBENDO
Leira
Fogueira
Gengibre.
Nem libra,
Nem cruzeiro.
Nem tostão.
Sem pão,
Irmão com irmão,
Embaixo de sol.
Vamos,
Estamos
Sendo explorados
Tomando chuva
Bebendo gengibre.
21/12/80
DOIS
Ver o mar
Namorando.
Praia,
Lua,
Sol,
Estrela.
Eu na praia,
Olhando a lua.
Queimando ao sol.
Eu uma estrela,
Sem eira, indo,
De praia em praia,
Falando amar.
Eu e o mar.
21/12/80
TEUS OLHOS
À Ana Carla
Na tua pessoa,
Uma mulher,
Bela.
Dentro de mim,
Uma lua,
Um sol,
Uma estrela.
Com olhares belos,
Brilhantes que ofuscam
Os meus, raios,
Teus olhos
Da cor da lua.
22/12/80
VONTADE
Fuxicos pelas portas,
Todos de pernas tortas,
De cabeças vazias,
Estômagos com azia.
Fome,
Dor,
Gastrite.
Causa: Coca-Cola & Cia.
Nas bocas vazias,
Entrando em olhos fechados,
Pessoas dormindo.
Cansaço,
Mormaço,
Que me queima
De vontade de ter ela.
22/12/80
SALVARÀ
13 pontos,
não fiz,
não sei,
não dei.
13 gritos,
não tem,
não vem,
não sai.
13 dias,
falta p/ o mundo acabar.
13 gritos o salvará.
22/12/80
CRUZ
A lua nasceu.
Pessoas na terra,
Sorriram, choraram,
Gritaram, amaram.
Eu andei do seu lado.
Me crucificaram.
22/12/80
NATAL
Onde nasci?
Onde vivi?
Aqui?
Ali?
Brasil, meu Brasil!!
Explorado por outros,
Por outrem.
A verdade, o fim, transformar.
Nascer por viver,
Em ruas arborizadas, calçadas,
Pessoas andando no sol.
Eu,
Por um nascimento igual.
23/12/80
terça-feira, janeiro 24, 2006
NADA SEI

Quem pensa que tudo é
poderá terminar como uma nuvem,
sem identidade,
sem forma,
sem alma.
Quem sente-se melhor que os outros,
certamente tem medo do sol,
e da lua então nem se fala,
deve fugir na escuridão,
se escondendo com medo do sereno.
Por isso a moça da sala ao lado
parece ser tão mediocre,
pensa que é encantada,
mas não passa de uma abóbora,
já passada e envelhecida
que não serve para carruagem,
apesar de ainda ser um broto.
Quem pensa que tudo sabe,
deve ter medo da busca,
fugir do novo,
pensando ser um oráculo.
Tenho uma certeza,
muito antiga:
nada sei,
posso ser semente,
posso ser raiz,
posso ser vento!
O novo me chama!
terça-feira, janeiro 17, 2006
OS IMPRESTÁVEIS
segunda-feira, janeiro 16, 2006
AINDA ESPERO

Nada sei do canto
De meus olhos
Que nada vêem,
Apenas buscam a luz
Das estrelas nas noites enluaradas.
Enquanto sinto a dor
D’alma perdida na escuridão
Escuto os grilos
Cantarem músicas
Que fazem o céu piscar iluminado.
Todo o encanto,
Principalmente o desconhecido,
O sentido do novo,
Onde a visão
Encontra o que nada conhece.
Nem sabe onde vive,
Tampouco onde está,
Sentindo somente o canto
E o perfume do tempo
Onde a vida desabrocha
Flores férteis e coloridas.
Nada sei de meu tempo,
Menos ainda esperar
A incerteza do amanhã.
Ainda assim espero!
terça-feira, janeiro 10, 2006
ODE A IARA

Cheguei ontem do Pará.
Lá tomei suco de muruci
e dancei carimbó,
comi carangueijo
e muita caldeirada.
Nadei no Rio Guamá,
vi o sol de pôr em Icoaraci,
tomando água de coco
na praia do Cruzeiro.
Sonhei no Mormaço
encontrar uma sereia,
que mergulhou depois de me encantar,
na fresta de luz da lua nas águas escuras da baia guajará.
Ela me encantou e se foi.
Em Soure enfrentei a areia
na praia do Pesqueiro,
ao som do vento e do mestre Lucindo
sob a claridade da lua,
ainda apenas um risco no céu.
Em Salvaterra mergulhei
acompanhando o Mergulhão.
Não fui tão fundo
era muito arriscado,
mas tentei.
Em Joanes o vento me balançou
na Pousada Ventania,
onde encontrei a confiança
e a esperança,
mesmo ouvindo o chôro das folhas do coqueiro
encobrindo a menina bela e enamorada
pelo boto que também não apareceu na noite estrelada.
Cheguei ontem ao centro do Brasil,
meu coração sente saudade
das calderadas feitas com amor,
das caminhadas embaladas pelas águas,
dos rios caudalosos que me envolveram.
Cheguei ontem,
a lua começa a crescer,
tanto quanto o sonho
em poder caminhar
todas as manhãs
nas margens do Amazonas.
Sonho em descobrir Iara,
para que ela me leve
para o fundo do rio,
onde viveremos prazeirozamente
para a eternidade.
Meu coração está triste...
segunda-feira, dezembro 19, 2005
VEREDA NO CÉU
18/12/05
Donde andam os campos floridos,
A areia alva envolvendo minha alma,
O vento exalando o cheiro de éter?
Esse tempo perfura meus olhos,
Entristece o olhar que se perde
Nas folhagens do bongaville
Vermelho e amarelo envolvido pelo verde das folhagens.
Onde o tempo vai depois dessa dor?
Enquanto milhões esquentam as calçadas frias,
Com suas pequeninas mãos fuçando o lixo
Em busca do alimento para seus corpos,
Suas almas choram a dor da solidão.
Outros miúdos, nem os percebem,
Se os vêem, demonstram nada sentir.
Como não consigo chorar mais,
Nem pelo amor que não mais me quer,
Tampouco com o negrume da tristeza
Invadindo os olhinhos fulminantes
Que olham as luzes do natal
E o orgulho dos compradores,
Meu coração tenta germinar vida.
Onde estão os campos floridos?
Onde andam os ventos do amor?
E a revolta buscando vida, onde posso achar?
As flores vermelhas e amarelas
Não alegram a manhã de domingo
Que antecede o nascimento de Jesus.
Muitas sementes desabrocham,
O que brotará?
Ainda verei olhos solidários de verdade,
Sem pensar nos votos do poder?
O vento ainda traz o silvo dos pássaros,
Madredeus toca me animando a seguir...
Caminho, sempre caminharei,
Murchando meus pulmões,
Sem mais voz para gritar,
Solitário encontrarei uma vereda
No céu escuro sem estrelas.
Seguirei...
Donde andam os campos floridos,
A areia alva envolvendo minha alma,
O vento exalando o cheiro de éter?
Esse tempo perfura meus olhos,
Entristece o olhar que se perde
Nas folhagens do bongaville
Vermelho e amarelo envolvido pelo verde das folhagens.
Onde o tempo vai depois dessa dor?
Enquanto milhões esquentam as calçadas frias,
Com suas pequeninas mãos fuçando o lixo
Em busca do alimento para seus corpos,
Suas almas choram a dor da solidão.
Outros miúdos, nem os percebem,
Se os vêem, demonstram nada sentir.
Como não consigo chorar mais,
Nem pelo amor que não mais me quer,
Tampouco com o negrume da tristeza
Invadindo os olhinhos fulminantes
Que olham as luzes do natal
E o orgulho dos compradores,
Meu coração tenta germinar vida.
Onde estão os campos floridos?
Onde andam os ventos do amor?
E a revolta buscando vida, onde posso achar?
As flores vermelhas e amarelas
Não alegram a manhã de domingo
Que antecede o nascimento de Jesus.
Muitas sementes desabrocham,
O que brotará?
Ainda verei olhos solidários de verdade,
Sem pensar nos votos do poder?
O vento ainda traz o silvo dos pássaros,
Madredeus toca me animando a seguir...
Caminho, sempre caminharei,
Murchando meus pulmões,
Sem mais voz para gritar,
Solitário encontrarei uma vereda
No céu escuro sem estrelas.
Seguirei...
FÉ NO BEIJA-FLOR
18/12/05
Um raio adentra meu ser,
Encantando-o por mais crer
Ainda nesse Beija-Flor que me avista
Enquanto olho no horizonte
Esperando rever a Flor que busco
Na manhã ensolarada.
A chuva se foi.
Meus olhos secaram,
Deixando de olhar seus olhos
Que não mais querem me ver.
As crianças andrajos me vêem,
Minha alma se perde de dor
Desejando fazê-las flores ser
E os pássaros as guiarem
Na direção do ritmo do mar,
Sereno com o céu estrelado.
Que raio encantador é esse
Permitindo a solidão deixar de ser só,
Transformando-a em luz de fé
Nas sementes do amanhã!
Um raio adentra meu ser,
Encantando-o por mais crer
Ainda nesse Beija-Flor que me avista
Enquanto olho no horizonte
Esperando rever a Flor que busco
Na manhã ensolarada.
A chuva se foi.
Meus olhos secaram,
Deixando de olhar seus olhos
Que não mais querem me ver.
As crianças andrajos me vêem,
Minha alma se perde de dor
Desejando fazê-las flores ser
E os pássaros as guiarem
Na direção do ritmo do mar,
Sereno com o céu estrelado.
Que raio encantador é esse
Permitindo a solidão deixar de ser só,
Transformando-a em luz de fé
Nas sementes do amanhã!
segunda-feira, outubro 31, 2005
UM GRITO CALA
Um grito cala,
a boca fica fechada,
os olhos perdem o brilho.
Onde estou?
Um passo se perde
encontra a escuridão.
Perde o rumo
na busca do amanhã.
Onde estou?
O riso fica amarelo,
dentes são mostrados,
a maioria desdentados
e ligam a TV.
Sonham com Miame.
O lixo é a fonte
de encanto e conquista.
Somente isso lhes resta.
Onde estou?
As bocas calam,
as mãos se separam,
a noite esfriou.
Onde estou
que os olhos não se abrem?
Bocas querem tudo engolir,
deixam apenas o arroto
para seu irmão.
Onde estou?
Estrelas aparecem
as luzes brilham
com gosto de avareza e dor.
Não basta a idéia solta,
sem corrente nem sangue, nem alma.
Onde estou?
a boca fica fechada,
os olhos perdem o brilho.
Onde estou?
Um passo se perde
encontra a escuridão.
Perde o rumo
na busca do amanhã.
Onde estou?
O riso fica amarelo,
dentes são mostrados,
a maioria desdentados
e ligam a TV.
Sonham com Miame.
O lixo é a fonte
de encanto e conquista.
Somente isso lhes resta.
Onde estou?
As bocas calam,
as mãos se separam,
a noite esfriou.
Onde estou
que os olhos não se abrem?
Bocas querem tudo engolir,
deixam apenas o arroto
para seu irmão.
Onde estou?
Estrelas aparecem
as luzes brilham
com gosto de avareza e dor.
Não basta a idéia solta,
sem corrente nem sangue, nem alma.
Onde estou?
terça-feira, outubro 04, 2005
ÍNDICE
I - Publicações (Títulos e capas)
II - E quem não é? (Poesia)
III - Tudo Tem (1979)
IV - Coração de Boi (1983/85)
V - O canto das Borboletas apaixonadas (poesia)
VI - Um novo tempo é maravilhoso (foto)
VII - Plantio Variado (poesias)
VIII - O encanto do vento e do tempo (foto)
IX - Sempre poder voar com os pássaros (foto)
X - 63 Poemas de amor para uma Flor dos Pampas no cerrado (2004)
XI - Flores Novas (poesias)
II - E quem não é? (Poesia)
III - Tudo Tem (1979)
IV - Coração de Boi (1983/85)
V - O canto das Borboletas apaixonadas (poesia)
VI - Um novo tempo é maravilhoso (foto)
VII - Plantio Variado (poesias)
VIII - O encanto do vento e do tempo (foto)
IX - Sempre poder voar com os pássaros (foto)
X - 63 Poemas de amor para uma Flor dos Pampas no cerrado (2004)
XI - Flores Novas (poesias)
PUBLICAÇÕES - IV
quinta-feira, setembro 29, 2005
E QUEM NÃO É?

E QUEM NÃO É?
Quem não é louco
Será mais ou menos equilibrado?
Nada mais existe no mundo só meu.
Olhos cintilantes corpo teso.
Sou a verdade e a salvação,
Não é ilusão,
Sou de carne e osso.
Uns fazem o mal,
Outros nem percebem o bem.
Quantos se encontram nas ruas,
Nas repartições, nas igrejas,
Detendo poder e ilusões.
Quantos?
Uns querem jóias outros amor.
Uns sentem-se donos do mundo.
Outros, nem o percebem.
A dor pode ser falta de um beijo,
Enquanto outros gemem a injúria.
Sonham com a felicidade
Ou espalham a dor.
Tanto faz que semeiam ilusão.
Ao amanhecer são primavera,
Molha o tempo meio dia.
Ao entardecer deixam frutos
E dormem com frio.
Muito frio que nada os aquece.
O tempo se vai e crêem
Ainda serem recém nascidos.
O tempo voa e brincam de pássaros
Espalhando medo ou alegria.
São livres com o vento
Ou presos em gaiolas de suas mentes.
Alucinados com o brilho do sol.
O sol aumenta o calor,
Enquanto sentem calafrios.
Nada sabem do real,
Nem de onde pisar,
Nem a dor ou alegria.
Pensam ser únicos neste mundo.
Crêem ter a certeza da eternidade.
Nada importa.
Quem não é louco
Será mais ou menos equilibrado?
Ou o equilíbrio universal
Das galáxias, astros e dos ventos
Ainda chega aos seres humanos?
Ou as pessoas não querem o equilíbrio
E buscam distância da fraternidade?
Quem sabe diga-me,
Estou precisando descobrir
Qual caminho trilhar.
Quero compreender minha existência.
Quero que todos os brilhos
Sejam fraternos e solidários.
Quero que todos brilhem:
Loucos, desequilibrados,
Pássaros, religiosos e operários,
Namorados e questionadores do universo.
O Brilho deve ser constante!!
18-02-03 - PCB
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