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sexta-feira, junho 02, 2006

Semear jardins






















Adoro as flores,
suas cores,
seus aromas,
suas formas e magia.

Quando ficam grávidas
tornam-se mais ternas,
sensíveis e encantadas.

Seus brotos, tenros,
trazem a força da vida
que as semente detêm.

Flores animam sonhos,
deixam o tempo mais leve
e a luz mais brilhante.

Adoro as flores,
as vermelhas chamam amor,
as brancas chamam paz,
as amarelas carinho,
as azuis lembram o horizonte,
as lilazes encantam os olhares,
as verdes semeiam esparanças.
As coloridas fazem a vida
ficar mais alegre e hermosa.

Adoro a paciência das flores.
Quantas vezes parecem desanimadas
e renascem com mais encanto e força.

Não importa a terra,
mesmo no meio da aridez,
elas brotam, crescem e semeiam
mais e mais flores e sonhos.

As flores são mulheres apaixonadas,
deixam a humanidade mais terna,
mais feliz e esperançosa,
que um dia as pessoas
sejam como flores.

As flores são mulheres que perdoam,
sem medo da escuridão,
e ao amanhecer
serão mais fortes, queridas e encantadoras.

As flores são energia para a vida,
de sentimentos que buscamos.

As flores são fortes,
como o mar que por todos os lados
acredita que pode ser instrumento
de harmonia, ligação e equilíbrio.

Adoro as flores,
não importa se sangro
com espinhos no dia a dia
das maravilhosas rosas.

Sei que preciso semear mais,
deixar a humanidade mais florida.
Quem sabe assim poderei descobrir uma flor
também acreditando na esperança
e possamos deixar o tempo mais sereno e belo.

Quero semear jardins,
mais incentivar a paz e sonhos
de homens e mulheres felizes.

Quero uma flor...

terça-feira, maio 16, 2006

Passeio com a Lua

















15/05/2006

O Mar me chamou
Lançou-me suas espumas,
Tentou me engolir com suas ondas,
Salgadas de tanto amor.

O Mar estava só
E queria me levar.

A Lua não me via,
Lá de cima olhando altaneira,
Movimentando-se sem me dar atenção,
Nem suas mãos ou seu beijo.
O fogo do dragão não me aquecia.

O Mar me chamava
E a Lua não me via,
Brincava com meu sonho,
Meu amor e a minha dor.

Os dois brincavam comigo.

O Mar me chamava,
A Lua se ia e não mais me via,
Mesmo quando cheia
Tomando conta do céu estrelado.

Isso encantava mais ainda meu desejo
De que um dia ela
Voltasse a olhar para meus olhos
E juntos fossemos passear a beira-mar.

A Lua não mais me via.

quarta-feira, abril 19, 2006

Prefácio Marcha Interrompida

Caro Leitor
Se você é daqueles que se impressionam com as coisas que lê, fica indignado, chora, perde o sono, xinga, sente a informação como um chute na boca do estômago – então é melhor não ler este livro. Pedro César Batista não economizou na descrição dos detalhes, na construção paulatina de uma história que vai nos aproximando de seres humanos concretos, de carne e osso. No fim do livro, você vai se sentir muito mal.
Não há no livro generalizações sociológicas. Não há leis gerais pomposas que, a pretexto de desvendar os mecanismos históricos do massacre de Eldorado dos Carajás, na verdade apagam o ser humano e entorpecem a consciência. Não há a quem recorrer, não há “luz no fim do túnel”, não há a promessa de um “amanhã feliz”. Comecemos pelo fim:
“Os que passam nos carros fazem o sinal da cruz. Os motoristas podem ver, devido à luz dos faróis, pedaços de massa encefálica e de carne desmantelada sobre o asfalto ensangüentado. Eles não tem como desviar. São obrigados a passar por cima dessa lama de destroços humanos.”
O próprio título do livro já é uma denúncia da condição atroz daqueles lavradores: poderá haver algo mais terrível do que uma marcha interrompida, quando o que se espera é que o final da marcha traga a paz?
Tive a oportunidade de visitar o assentamento que abriga a maioria dos que participaram da marcha interrompida, situado na região de Eldorado. É o que apresenta, entre todos os assentamentos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os maiores índices de suicídios, de viciados em drogas, de violência doméstica e de casos embriaguez. Não é por acaso. Eles foram vítimas de uma operação implacável e covarde de guerra. Os sobreviventes são apenas isso: sobreviventes.
Pedro César Batista abre de novo a chaga, cumpridos dez anos do massacre. Mas ele não cai na tentação de idealizar os marchantes. Ao contrário. Apresenta cada um deles em sua dimensão humana – Antônio da Maria, Oziel, Mônica e tantos outros -, com todas as contradições inerentes a qualquer um de nós. Compartilhamos os seus medos e as suas alegrias.
Ficamos estarrecidos com a selvagem tortura que leva Oziel à morte. Somos subitamente transportados, neste momento, do sul do Pará para o Estádio Nacional de Santiago do Chile, onde, em 1973, os algozes de Pinochet usaram métodos bem semelhantes para humilhar e assassinar gente como o eterno Victor Jara.
Ficamos chocados ao saber que entre os marchantes há informantes da polícia: “O que esses caminhantes não imaginam é que entre eles há dois infiltrados. Crêem que todos os participantes são pessoas comprometidas com a conquista de terras para produzirem o seu sustento. Mas, há dois componentes que não têm o mesmo ideal e acreditam em outros valores e têm outros interesses e compromissos: Hermenegildo e Edimar.”
Ratos. Há ratos entre os que marcham. Ratos que sabem onde tudo vai acabar. E isso nos enche de fúria. “Profissionais experientes, dissimulados e frios”, descreve Batista, ao explicar como fizeram para ganhar a confiança dos demais, e como faziam para entregar aos superiores as suas posições.
Assim a trama vai sendo construída, até chegar ao desfecho final. É preciso ter muito estômago para suportar tamanha ignomínia. Pedro César Batista faz um relato forte, pungente, cru. Resta apenas esperar que a indignação causada pelo relato multiplique a vontade de acabar com os ratos, grandes e pequenos, que infestam o país.

José Abex Jr. – jornalista e professor da PUC/SP




sexta-feira, abril 07, 2006

terça-feira, março 07, 2006

MARCHA INTERROMPIDA

Lançamento em 17 de abril de 2006.


Atravessando longa faixa de floresta, um dirigente do movimento camponês se dirige a uma reunião na Colônia Vida, um povoado de posseiros que há dois anos ocupam parte das terras da Fazenda São José.
No caminho, ouve a conversa de dois pistoleiros, que acabaram de assassinar um colono. Um mês depois, a polícia, cumprindo ordem de reintegração de posse, despeja da fazenda as famílias de lavradores. Enquanto isso, ruralistas e autoridades locais se reúnem para traçarem planos de combate à crescente ocupação de terras. A imprensa nacional noticia a tática que será empregada em defesa dos latifúndios.
Depois do violento despejo, os sem-terras montam acampamentos provisórios e decidem iniciar uma grande marcha. Pretendem chegar à capital do estado e se reunir com o governador, para reivindicarem a desapropriação das terras de onde foram expulsos injustamente. Com uma semana de caminhada, e sentindo sinais de esgotamento, resolvem bloquear a PA150, principal rodovia do município. A polícia militar é enviada para desobstruir a área.
O que se segue daí são cenas de genocídio, de uma barbaridade premeditada, onde vários manifestantes caem assassinados.
Baseada na luta dos trabalhadores rurais sem terra, Marcha Interrompida é uma obra ficcional sobre o massacre de camponeses, ocorrido em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em 1996.



quinta-feira, março 02, 2006

MAIS AINDA























Ainda hoje senti meu olhar se perder na distância do passado.
Buscava desesperadamente o amanhã onde novas sementes possam desabrochar.

Ainda olhava a imagem do tempo encantado,
onde o perfume da manhã confundia-se com o amor.

Ainda esperava ver o olhar brilhando mais que a lua
irradiando o brilho das flores da sacada.

Que tempo é esse onde as pessoas não perdoam?

Que tempo é esse onde o orgulho vale mais?

Ainda hoje senti o gosto do fel em minha garganta.
Pude ver meus olhos buscarem os teus que não mais me veêm.

Ainda sinto a presença do passado
deixando o amanhã mais distante.
Novo dia que mesmo germinando em meu sangue gelado,
no calor da madrugada enluarada,
como o entardecer preguiçoso,
está lento e cauteloso, saudoso.

A lua encanta e canta minha perda,
o louco e desenfreado ardor de tocar tuas mãos
que nem mais me conhecem nem me desejam.

Ainda hoje senti meus olhos perdidos no amanhã
como uma semente desabrochando em minh'alma.

Sem dúvida essa terra se fertilizará,
ainda com mais e belas sementes
regadas nas manhãs ensolaradas...

Ainda hoje meus olhos brilharão mais ainda....

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

SEDE DE VENTO

O vento encanta as folhas,
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.

Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.

O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.

O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.

Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...


segunda-feira, janeiro 30, 2006

NOITE VAZIA, AZIA (Ilhéus - BA - 1980)




















SOL

Se o sol
Durante a noite aparecer
E eu morrer?

Sem ser enterrado,
Fazem de mim um enlatado.

Vivo,
Sendo explorado,
Por fantasmas e mentiras.

Sem eu, sem você,
Sem ninguém saber,
Não quero morrer.

O sol me fez.
Fez a lua
Que é minha e
Dos átomos
Em meus espermas
Jogado no mar,
Esperando um novo sol raiar.
18/12/80


FORTES

Vômitos de fome da fome,
De ser o mar,
De ser um touro,
De ser o povo,
Não só eu,
Tu,
Ele,
Nos,
Vos,
Eles,
Mudando o lodo.
Revolucionando o pão,
Nós os fortes,
Inconscientes.
19/12/80


SOMOS


Dentro do sol o sol,
Entre ele e eu o
Universo, você e eu.
Sem espíritos. Átomos.
Loucos,
Humanos,
Ar,
No mar do mar.
ÁT
O
M
SOMOS.
19/12/80



SOM

Eu,
Perdido na multidão,
Muitos Pedros,
Na multidão.
Deus?
Eu,
Olhando e falando,
Sendo olhado,
Você e eu.
Dois homens,
Pedro e Pedro.
Deus?
Teu patrão dono do trigo,
Sem trigo,
Sem pão,
Sem mesa,
Na multidão.
19/12/80



DOR

Olhos cheios de dor,
Horror do amor,
Por traz o pavor,
Da fome,
Da morte,
Sedenta de vida,
Livre,
No canto de rua,
Sem luz, escura,
Sem sol, enluarado,
Com estrelas andando,
Só.
Olhos nos ares,
Sem falar da dor.
19/12/80


MAR

Na beira do mar,
Com ela passeei.
Mãos dadas.
Um fino,
Embaixo do sol.
Acordado por ela,
Beijos, olhares,
Na beira do mar.
Bela, beleza eu e ela.
Mar, amar,
Embaixo do luar,
Queria, queria ela,
Bela,
Beleza eu e ela.
19/12/80


DUREZA

Duro,
Dureza,
Roubalheira.
Rico,
Beleza.
Ladrão,
Deixa-nos sem pão.
Duro,
Dureza.
Beleza,
Só o mar.
19/12/80


MORTO

Na vida de brasileiro,
Casado ou solteiro,
De estado em estado,
Terra pra plantar,
Terra pra semear.

Sem comer,
Sem terra,
Sem casa.

Um brasileiro,
Explorando muitos brasileiros.

Presos,
Grades,
Tiros.

Morto na rua.

Denunciou.
19/12/80



BEBENDO

Leira
Fogueira
Gengibre.
Nem libra,
Nem cruzeiro.
Nem tostão.
Sem pão,
Irmão com irmão,
Embaixo de sol.
Vamos,
Estamos
Sendo explorados
Tomando chuva
Bebendo gengibre.
21/12/80



DOIS

Ver o mar
Namorando.
Praia,
Lua,
Sol,
Estrela.
Eu na praia,
Olhando a lua.
Queimando ao sol.
Eu uma estrela,
Sem eira, indo,
De praia em praia,
Falando amar.
Eu e o mar.
21/12/80



TEUS OLHOS

À Ana Carla

Na tua pessoa,
Uma mulher,
Bela.
Dentro de mim,
Uma lua,
Um sol,
Uma estrela.
Com olhares belos,
Brilhantes que ofuscam
Os meus, raios,
Teus olhos
Da cor da lua.
22/12/80


VONTADE

Fuxicos pelas portas,
Todos de pernas tortas,
De cabeças vazias,
Estômagos com azia.
Fome,
Dor,
Gastrite.
Causa: Coca-Cola & Cia.
Nas bocas vazias,
Entrando em olhos fechados,
Pessoas dormindo.
Cansaço,
Mormaço,
Que me queima
De vontade de ter ela.
22/12/80



SALVARÀ

13 pontos,
não fiz,
não sei,
não dei.
13 gritos,
não tem,
não vem,
não sai.
13 dias,
falta p/ o mundo acabar.
13 gritos o salvará.
22/12/80



CRUZ

A lua nasceu.
Pessoas na terra,
Sorriram, choraram,
Gritaram, amaram.
Eu andei do seu lado.
Me crucificaram.
22/12/80


NATAL

Onde nasci?
Onde vivi?
Aqui?
Ali?
Brasil, meu Brasil!!
Explorado por outros,
Por outrem.
A verdade, o fim, transformar.
Nascer por viver,
Em ruas arborizadas, calçadas,
Pessoas andando no sol.
Eu,
Por um nascimento igual.
23/12/80

terça-feira, janeiro 24, 2006

NADA SEI

















Quem pensa que tudo é
poderá terminar como uma nuvem,
sem identidade,
sem forma,
sem alma.

Quem sente-se melhor que os outros,
certamente tem medo do sol,
e da lua então nem se fala,
deve fugir na escuridão,
se escondendo com medo do sereno.

Por isso a moça da sala ao lado
parece ser tão mediocre,
pensa que é encantada,
mas não passa de uma abóbora,
já passada e envelhecida
que não serve para carruagem,
apesar de ainda ser um broto.

Quem pensa que tudo sabe,
deve ter medo da busca,
fugir do novo,
pensando ser um oráculo.

Tenho uma certeza,
muito antiga:
nada sei,
posso ser semente,
posso ser raiz,
posso ser vento!

O novo me chama!

terça-feira, janeiro 17, 2006

OS IMPRESTÁVEIS
















(Parodiando Bertold Brecht)

Há aqueles
que enganam o povo
um dia.

Estes são maus.

Há aqueles
que enganam o povo
muitos dias.

Estes são muito maus.

Há aqueles
que enganam o povo
sempre.

Estes são imprestáveis.

Cuidado!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

AINDA ESPERO

















Nada sei do canto
De meus olhos
Que nada vêem,
Apenas buscam a luz
Das estrelas nas noites enluaradas.

Enquanto sinto a dor
D’alma perdida na escuridão
Escuto os grilos
Cantarem músicas
Que fazem o céu piscar iluminado.

Todo o encanto,
Principalmente o desconhecido,
O sentido do novo,
Onde a visão
Encontra o que nada conhece.

Nem sabe onde vive,
Tampouco onde está,
Sentindo somente o canto
E o perfume do tempo
Onde a vida desabrocha
Flores férteis e coloridas.

Nada sei de meu tempo,
Menos ainda esperar
A incerteza do amanhã.

Ainda assim espero!

terça-feira, janeiro 10, 2006

ODE A IARA
















Cheguei ontem do Pará.

Lá tomei suco de muruci
e dancei carimbó,
comi carangueijo
e muita caldeirada.

Nadei no Rio Guamá,
vi o sol de pôr em Icoaraci,
tomando água de coco
na praia do Cruzeiro.

Sonhei no Mormaço
encontrar uma sereia,
que mergulhou depois de me encantar,
na fresta de luz da lua nas águas escuras da baia guajará.
Ela me encantou e se foi.

Em Soure enfrentei a areia
na praia do Pesqueiro,
ao som do vento e do mestre Lucindo
sob a claridade da lua,
ainda apenas um risco no céu.

Em Salvaterra mergulhei
acompanhando o Mergulhão.
Não fui tão fundo
era muito arriscado,
mas tentei.

Em Joanes o vento me balançou
na Pousada Ventania,
onde encontrei a confiança
e a esperança,
mesmo ouvindo o chôro das folhas do coqueiro
encobrindo a menina bela e enamorada
pelo boto que também não apareceu na noite estrelada.

Cheguei ontem ao centro do Brasil,
meu coração sente saudade
das calderadas feitas com amor,
das caminhadas embaladas pelas águas,
dos rios caudalosos que me envolveram.

Cheguei ontem,
a lua começa a crescer,
tanto quanto o sonho
em poder caminhar
todas as manhãs
nas margens do Amazonas.

Sonho em descobrir Iara,
para que ela me leve
para o fundo do rio,
onde viveremos prazeirozamente
para a eternidade.

Meu coração está triste...

segunda-feira, dezembro 19, 2005

VEREDA

VEREDA NO CÉU

18/12/05


Donde andam os campos floridos,
A areia alva envolvendo minha alma,
O vento exalando o cheiro de éter?

Esse tempo perfura meus olhos,
Entristece o olhar que se perde
Nas folhagens do bongaville
Vermelho e amarelo envolvido pelo verde das folhagens.

Onde o tempo vai depois dessa dor?

Enquanto milhões esquentam as calçadas frias,
Com suas pequeninas mãos fuçando o lixo
Em busca do alimento para seus corpos,
Suas almas choram a dor da solidão.

Outros miúdos, nem os percebem,
Se os vêem, demonstram nada sentir.

Como não consigo chorar mais,
Nem pelo amor que não mais me quer,
Tampouco com o negrume da tristeza
Invadindo os olhinhos fulminantes
Que olham as luzes do natal
E o orgulho dos compradores,
Meu coração tenta germinar vida.

Onde estão os campos floridos?
Onde andam os ventos do amor?
E a revolta buscando vida, onde posso achar?

As flores vermelhas e amarelas
Não alegram a manhã de domingo
Que antecede o nascimento de Jesus.

Muitas sementes desabrocham,
O que brotará?

Ainda verei olhos solidários de verdade,
Sem pensar nos votos do poder?

O vento ainda traz o silvo dos pássaros,
Madredeus toca me animando a seguir...

Caminho, sempre caminharei,
Murchando meus pulmões,
Sem mais voz para gritar,
Solitário encontrarei uma vereda
No céu escuro sem estrelas.
Seguirei...

FÉ NO BEIJA-FLOR

18/12/05

Um raio adentra meu ser,
Encantando-o por mais crer
Ainda nesse Beija-Flor que me avista
Enquanto olho no horizonte
Esperando rever a Flor que busco
Na manhã ensolarada.

A chuva se foi.

Meus olhos secaram,
Deixando de olhar seus olhos
Que não mais querem me ver.

As crianças andrajos me vêem,
Minha alma se perde de dor
Desejando fazê-las flores ser
E os pássaros as guiarem
Na direção do ritmo do mar,
Sereno com o céu estrelado.

Que raio encantador é esse
Permitindo a solidão deixar de ser só,
Transformando-a em luz de fé
Nas sementes do amanhã!

segunda-feira, outubro 31, 2005

UM GRITO CALA

Um grito cala,
a boca fica fechada,
os olhos perdem o brilho.

Onde estou?

Um passo se perde
encontra a escuridão.
Perde o rumo
na busca do amanhã.

Onde estou?

O riso fica amarelo,
dentes são mostrados,
a maioria desdentados
e ligam a TV.
Sonham com Miame.
O lixo é a fonte
de encanto e conquista.
Somente isso lhes resta.

Onde estou?

As bocas calam,
as mãos se separam,
a noite esfriou.

Onde estou
que os olhos não se abrem?

Bocas querem tudo engolir,
deixam apenas o arroto
para seu irmão.

Onde estou?

Estrelas aparecem
as luzes brilham
com gosto de avareza e dor.

Não basta a idéia solta,
sem corrente nem sangue, nem alma.

Onde estou?

terça-feira, outubro 04, 2005

ÍNDICE

I - Publicações (Títulos e capas)
II - E quem não é? (Poesia)
III - Tudo Tem (1979)
IV - Coração de Boi (1983/85)
V - O canto das Borboletas apaixonadas (poesia)
VI - Um novo tempo é maravilhoso (foto)
VII - Plantio Variado (poesias)
VIII - O encanto do vento e do tempo (foto)
IX - Sempre poder voar com os pássaros (foto)
X - 63 Poemas de amor para uma Flor dos Pampas no cerrado (2004)
XI - Flores Novas (poesias)

PUBLICAÇÕES - VI

"TUDO TEM" - Independente - 1979 - Belém - PA


PUBLICAÇÕES - V

"63 Poemas de amor para uma Flor dos pampas no cerrado" - Independente - 2004 - Brasília - DF

PUBLICAÇÕES - IV

"Gilson Menezes - O operário prefeito - Experiências e Desafios" - BrasilGrafia - 2004 - Brasília - DF