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sexta-feira, maio 25, 2007

FLOR MARIANA

















Viver é maravilhoso.
Viver é brotar e brilhar intensamente.
Viver é ser luz, som e encanto.
Viver é ser Mariana.

Mariana que é calor.
Mariana que é amor.
Mariana que é sonho.
Mariana que é Flor.
Mariana que é vida.

Vida cheia de esperança
semeada pelo teu sorriso.

Vida cheia de cores
semeada pela tua alegria.

Vida cheia de força
semeada com tua existência.

Viver um novo dia
é mais maravilhoso
quando teu sorriso
abre um novo tempo.

Viver um novo sonhosempre encantado por tua luz
irradiando mais vida
e crença no brilho espalhado.

Brilhjo de Mariana.
Luz de Mariana.
Encanto de Mariana
que veio das entranhas
dos mais belos e puros
desejos que a humanidade
seja um jardim de paz.

Mariana é flor encantada.
Mariana é a direção da vida.

Mariana, minha Mariana,
livre e leve,
bela e forte,
linda e iluminada,
entada e brilhante.

Mariana tua riqueza é eterna,
tua energia é universal,
tua luz é o caminho
da vida e de conquistas.

segunda-feira, maio 14, 2007

FRIO PREOCUPANTE

Pedro César Batista

Certo dia, depois de sair de uma licença médica de duas semanas, fui acometido por um profundo e assustador sentimento de impotência diante da insensibilidade da juventude nos dia atuais.

Como privilegiado que sou retornei às aulas da faculdade. Agora, curso direito. Não que eu seja uma pessoa torta. Optei por esse curso por me considerar uma pessoa sensata e preocupada com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Advogando poderei ser mais útil à sociedade, especialmente aos mais necessitados. Não tenho o interesse em ser juiz, procurador em nenhuma escala ou delegado de qualquer polícia. Não tenho pretensão em fazer concurso público. Pretendo exercer essa profissão utilizando-a como uma ferramenta concreta na defesa do Direito. Direito tão distante e usurpado da maioria do povo.

Deixando essas coisas de opções pessoais de lado, a finalidade deste artigo é falar do susto que tomei. Durante uma aula de Direito Civil I, perguntei para a professora, em voz alta, como é meu costume, qual procedimento deveria ter para justificar minha ausência durante 15 dias, pois faria uma cirurgia e teria que me afastar das aulas. A professora, chamada Ana, lembra uma “tia”, como as crianças costumam chamar seus professores, graças ao método que ela utiliza em sala, secamente, respondeu-me que deveria procurar a coordenação de curso e obter a informação que estava pedindo.

Depois da cirurgia, quando tudo transcorreu bem, retornei a sala de aula. São aproximadamente 60 alunos. Sentei e ninguém se interessou em saber como havia sido a internação, o tratamento, o que tinha ocorrido, qualquer coisa relacionada à minha ausência da sala naquelas duas semanas. Apenas dois colegas fizeram-me perguntas e desejaram saúde, atitude que deveria ser comum a todas as pessoas com um mínimo de educação, independente do nível de relacionamento que essas pessoas possuam. A frieza da turma e da “tia” Ana deixou-me assustado. Porque será?

No dia seguinte, em outra turma que estuda Teoria Geral do Processo, aconteceu o oposto, o professor Mário e meus colegas chegaram a fazer circulo ao meu redor para saber como estava depois da cirurgia. Fiquei pensando o motivo daquela contradição. Talvez seja o método utilizado em aula pelos professores, enquanto uma aplica a discórdia, a competição e o terror como método, a aula do outro se dava com entrosamento e respeito entre alunos e o professor.

Se estudantes e docentes de nível superior são tão frios com seus colegas, preocupa-me qual será o comportamento desses profissionais quando forem advogados, juízes, delegados e promotores. Será que terão como parâmetro a efetivação do direito ou apenas a satisfação pessoal de seus interesses, nesse mundo onde o salve-se-quem-puder somente avança?

O futuro da humanidade será bem melhor se repensarmos a nossa prática cotidiana, sabendo que o cuidar do universo passa pelo cuidado e a relação entre as pessoas, à natureza e o planeta, principalmente com os que tiveram o privilégio de serem privilegiados nesse mundo repleto de injustiças e exclusões.

domingo, abril 29, 2007

Manhã de domingo de abril




















Todos caminham,
lembrando uma praia,
o ministro me cumprimenta,
o vendedor de coco
conta estórias sobre a ventania.

Uns usam tênis de marcas caras,
diferente da praia,

onde todos ficam descalços.

Outros caminham de chinelos,

puxando seus vira-latas.

Crianças correm em bicicletas,
senhoras praticam cooper,
mostram seus corpos,
muitos belos corpos,
como se donzelas fossem.

Casais de mãos dadas

descem a ladeira
sobre o asfalto,

rumo ao final da asa

do avião pousado,

em pleno planalto central.

As marcas de pneus,
antes dos pardáis,
estão bem definidas,
diferente do sol que ainda se esconde,
o vento gelado trazido pelas nuvens
deixa o tempo ficar cinzento.

As nuvens seguem para o sul.

Prefiro o norte,
lá o vento é mais quente,
as flores mais alegres,
os pássaros mais cantadores.

É domingo no eixão,
e mesmo sem o mar,
vejo o horizonte por todos os lados

nessa cinzenta manhã
de final de abril,
mês de aniversário da cidade.

Logo será maio,
tempo de recordar as lutas dos trabalhadores
e carinhos dos que tem mãe
para isso lembrarem,
darem e receberem.

É domingo,
as pessoas caminham.
Para onde vão?
Alguns devem saber,
outros já imaginam ter chegado,
outros ainda nem sabem

onde querem ir.

O mar os espera,
com suas praias,
onde as desigualdades são menores,
todos andam descalços

e seus peixes matam a fome

dos famintos que dormem,

ainda dormem,

sob as ávores

que ladeiam a larga avenida.

Lá não é preciso dizer,
- ainda hoje há os que dizem -
sabe com quem está falando?

É manhã de domingo
e muitos seguem no asfalto do eixão,
passando sobre as marcas bem definidas
das freiadas bruscas e desesperadas
dos motoristas antes dos pardais.


As crianças e adultos em suas bicicletas
nem mesmo percebem quem os observa,
apenas sentem o vento frio do outono os acompanha

na ladeira abaixo rumo ao norte.

quinta-feira, abril 26, 2007

Nada de armas.
Falta-lhes ousadia.
Não tem revolução

porra nenhuma.

O que querem são mentes

para seduzir.

Ideologias sustentando egos.

E uma pseudo-práxis lida
em orelhas de livros

mofados.
Débil até os ossos.
Cínicas em demasia.


Lúcia Araújo


Sou feito de estrelas.
Meus olhos devoram o sol nascente.
Carrego em meu ventre
o alimento das plantas,
as dores dos esquecidos,
os sonhos do povo,
as virtudes dos libertinos.
Em silêncio
pinto com meu sorriso
um arco-iris encantado.
E chamo o mundo pra dançar.!


Lúcia Araújo


segunda-feira, abril 09, 2007

BRILHO
















Tempo que não volta,
anda para a frente.
Busca encontrar o sol
ou quem sabe o destino do tempo.
Quem sabe o perfume das planatas
ou então o brilho ds estrelas.

Busca sempre
o sonho e o sorriso
das crianças nos adultos
e o cheiro da água salgada
no corpo molhado de suor do amor.

Ou então apenas caminha para o amanhecer
levando o tempo que não veio ainda.

Ou será que viver é ser uma flor
espalhando sementes,
com pétalas se esvoaçando com os olhares
desejos de um jardins para todos.

Os olhares perdem-se
e tentam se encontrar
em estradas iluminadas ou escuras.

Seguem pelos cantos dos olhos
sempre buscando o tempo de viver.

Nada viver,
apenas cantar
a lágrima que costumeiramente escorrega
pelos cantos dos sonhos.
E desejos buscados,
sempre.

(23.03.2001)




sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Luz da vida

Dores brilham estrelas na escuridão,
iluminando sonhos perdidos no tempo.

Viver é sonhar,
semear a luz do novo tempo,
onde se possa sempre colher alegria.

Tudo tem nada,
uns pensam ser
para viver,
sempre,
querendo mais ter.

Dores lembram olhares,
fechados na escuridão
de sementes híbridas.

A vida é híbrida,
o tempo parece sem fim,
glutões e orgulhosos prevalecem,
a estupidez predomina,
filhos destratam seus pais
que não mais choram.

O tempo vem e vai,
deixando apenas as estrelas
das dores iluminando
novos caminhos e horizontes.



segunda-feira, fevereiro 12, 2007

10 anos sem Renato Russo

Quase duas horas de volta no tempo. Foi isso o que senti durante a apresentação da peça "Renato Russo", monólogo apresentado por Bruce Gomlevsky e dirigido por Mauro Mendonça Filho. Com todas as cadeiras ocupadas e muitas extras o Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB, de Brasília, mais uma vez, mostrou um grande expetáculo. Conseguir o ingresso foi uma maratona. Foi preciso enfrentar grandes filas, depois de ter que chegar às 7 da matina para conseguir comprar. E todos ingressos da semana eram vendidos em um único dia ainda pela manhã. As filas eram enormes, inclusive com distribuição de senhas. Muita gente saudosa e ansiosa por ver esse grande show.

O ator Bruce Gomlevsky, com uma apresentação impecável, representou Renato Russo por quase duas horas. O compositor foi mostrado desde a infância, quando viveu, aos 8 anos, em Nova Yorque, até seus útlimos dias de vida. Ainda criança o cantor adquiriu o interesse pela música. Adolescente, depois de um acidente, foi obrigado a viver por dois anos em uma cadeira de rodas. Preso em seu quarto curtia muito rock. Sua solidão lhe trouxe uma grande empatia com Bob Dylan, eu grande inspirador. Sempre foi muito ousado e questionador. Sua juventude, em Brasília, foi muito conturbada. A capital federal foi, e ainda é, um centro energético de uma juventude privilegiada e também contestadora, muitos sem saber a causa, porém, como o criador do Aborto Elétrico, o Trovador Solitário e da Legião Urbana, muitos tem claro o que buscam. E Renato entregou-se completamente a música.

Suas composições foram cantadas durante a apresentação, fazendo o público acompanhar com muita empolgação e envolvimento as canções apresentadas. Lágrimas correram. Relembrar velhos sucessos da Legião Urbana foi voltar no tempo. O tempo em que se lutava pelas eleições diretas para presidente do Brasil, o afastamento de Collor e os grandes shows fazendo a juventude ficar completamente esperançosa e sonhadora. Tempos passados, tempos modernos passados no tempo.

Interessante que em 1988 fui candidato a vereador, na cidade de Ananindeua, Pará, pelo PSB, partido que presidia. Fiz toda a campanha tocando "Que país é esse?". Tentava sensibilizar as pessoas com a canção da Legião. Muito rock e questionamento. Não fui eleito, o país continuou o mesmo, com "sujeira pra todo lado" e logo depois perderíamos Renato Russo.

Durante o show no CCBB pode-se ver também todas as crises existenciais que o cantor viveu. A sua saída do Brasíl depois do show em Brasília, quando brigou com o público, siginificou um importante marco em sua trajetória pessoal e profissional. Foi viver em Nova Yorque, onde viveu seu grande relacionamento amoroso. Voltou ao Brasil depois de ter o seu dinheiro confiscado pelo governo Collor e a mãe de seu filho ter falecido.

São dez anos sem Renato Russo. Dez anos de saudades desse grande poeta mobilizador e questionador do sistema. Mesmo sendo Renato, assim como Cazuza, filho da burguesia, um privilegiado, compôs e cantou o novo, o sonho de um mundo novo, "quem me dera acreditar que todas as pessoas fossem felizes", já dizia.

Um show imperdível. Valeu a pena enfrentar horas na fila para assistir.



quarta-feira, janeiro 31, 2007

Barriga vazia

É um alivio estar de barriga vazia
quando se pode alimentar todo dia.

Cabeça vazia e barriga cheia,
fazendo o que se deseja,
sem se preocupar com os que
não podem encher a barriga
e ficam como sacos vazios,
todos os dias.

Cabeça cheia e barriga vazia,
todo santo dia,
acaba virando atéu
de tanto rezar e continuar com fome.

Alguns de barriga cheia,
privilegiados neste mundo,
ficam todo dia,
santo ou não,
com o corpo leve
indo para onde quer,
nem se interessar
pelo que acontece ao redor.

Outros desejando encher a barriga,
alguns milhões e mais milhões,
toda hora e todo dia,
sonhando em poder fazer isso.

Terminam buscando nas latas,
nas ruas, nos restos deixados
um pouco de pão e feijão.

Tanto tentam que não conseguem,
continuando tentando matar a fome,
aumentando o peso da cabeça
que fica leve e desesperada.

Uns tanto,
outros nada.

Somente a dor da barriga vazia
que não consegue encher permanece.


terça-feira, janeiro 02, 2007

Semear Flores

Acordar com o canto dos pássaros,
sabendo que a chuva semeia esperança
e espanta o calor que anima as flores.

O vento rasga meus sonhos,
deixa-os mais vulneráveis
e rochosos nas manhãs de janeiro.

Janeiro que não veio ainda,
veio mais uma vez um novo ano,
cheio de meses perdidos no tempo.

Os pássaros continuam cantando,
animando meus sonhos adormecidos
de semear um novo tempo.

O tempo não vem,
a vida não vem,
vem apenas a nostalgia do amanhã.

Será que as flores ainda brotarão?


quarta-feira, dezembro 27, 2006

Onde vamos parar?








terça-feira, dezembro 26, 2006

Que tempo é esse?

Quem sabe onde descobrir um novo tempo?
Será que a chuva semeia o sol?

Venta calor enquanto passos sem direção caminham,
desesperadamente gastam
deixando sonhos nos caixas que mais riquezas acumulam.
Os passos sem direção seguem
orientam-se pelas luzes do natal e os cantos eletrônicos
das marcas mais conhecidas.

Que tempo de calor e medo é esse,
onde as pessoas deixam de existir,
tornando-se mais e mais produtos
consumíveis a cada nova propaganda na TV?

Existirá ainda sonho
descolado da marca da moda?

Que tempo é esse?

O vento é quente
deixando o ar mais pesado
e o medo de morrer sem ver a manhã
brotar nos olhares assustados.

Que tempo é esse?


segunda-feira, dezembro 18, 2006

A política foi inventada pelos humanos mas não é nada humana
















A política, ciência social criada pelos seres humanos para organizar a vida em comunidade deveria servir aos interesses coletivos. No entanto, torna- se cada vez mais instrumento para servir somente a manipulação e a exploração do povo por grupos minoritários alheios e distantes aos que se dizem representar. A comprovação disso foi o auto-aumento concedido pelos parlamentares.

É preciso reverter essa prática sob pena de se aprofundar cada vez mais o fosso entre a sociedade e seus pseudos-representantes.

Dados mostram que mesmo havendo um pequeno aumento do IDH brasileiro, a sociedade brasileira permanece longe de alcançar o grupo de países mais desenvolvidos. Os dirigentes do legislativo e do executivo aprofundam essa contradição. O salário mínimo continua tendo um valor insignificante, impossível de atender o dispositivo constitucional que assegura o direito a alimentação, vestuário, saúde, transporte, educação e lazer. Impossível para uma pessoa acessar estes direitos com R$ 350,00. Para uma família, composta do casal e dois filhos, satisfazer suas necessidades básicas é mais difícil ainda.

Conforme dados do DIESE o salário mínimo deveria ter o valor nominal de R$ 1.600,00. Se assim fosse, os deputados com seu acintoso reajuste de vencimentos teria um salário mensal inferior a 20 salários mínimos. Em nenhum momento o governo ou o parlamento discutiu a proposta de um salário mínimo de R$ 1.600,00. Debatem entre si e acompanhados pelas centrais sindicais chapas branca se o reajuste será de R$ 25,00 ou de R$ 17,00. O argumento é o mesmo de sempre: a economia não suportaria pagar um salário mínimo com esse valor.

Como disse a senadora Heloisa Helena "é preciso muito óleo de peroba" para lustrar a cara de pau dos governantes e parlamentares. A história nacional mostra que o brasileiro sempre deu um jeitinho para resolver seus problemas, isso vem ocorrendo há séculos. Será que por toda a história que ainda virá as pessoas continuarão permitindo que a política no lugar de ser um instrumento de ação coletiva, comunitária e a serviço dos interesses públicos continue sendo ferramente criminosa usada por alguns para manipular massas? Será que essa ciência a serviço da sociedade não será colocada a serviço dos interesses comuns da nação? Até quando o povo brasileiro permanecerá alegre sendo tão vilipendiado? Até quando?



segunda-feira, dezembro 04, 2006

Semear a solidariedade e combater a lógica capitalista

A busca desenfreda pelo lucro, pelo acúmulo de riquezas e pelo controle do mercado global desenvolvida pelas empresas transnacionais representa o grande vilão do aquecimento grobal e da pobreza, outro grande mal vivido pelos habitantes da Terra.

No filme "Encontro com Milton Santos ou a globalização vista do lado de cá", lançado durante o Festival de Cinema de Brasília, o geografo diz que vivemos uma oportunidade rara de construirmos a humanidade. Diz ele que até o momento anda não conhecemos essa realidade, porque o termo humanidade significa novas relações entre os seres humanos que habitam o planeta. Relações essas desconhecidas, mas que vem sendo contruidas ao longo da história. Segundo Milton Santos, falecido em 2001, a hora é de esperança e ação na construção desse antigo sonho.

Em recente entrevista de Fábio Conder Comparato a Rachel Bertol, de O Globo, em 29/7/06, o professor da USP, afirma que os habitantes do "planeta esférico, com dimensão limitada e população crescente" tem dois caminhos apenas: "ou nos chocamos ou estabelecemos uma vida harmoniosa". Diz que falta uma visão comunitária às pessoas e que uma sociedade não vive harmonicamente tendo com base o interesse individual. Para ele "a situação poderá mudar quando o povo deixar de ser expectador e passar a ser considerado o ator principal". Comparato afirma que na "autêntica república o bem comum do povo está acima dos interesses particulares, de famílias, partidos, igrejas, corporações".

A população planetária, especialmente as populações nacionais, precisa mudar seus paradigmas, construindo uma nova relação em que a preocupação com o outro, em que o saber cuidar, como diz Leonardo Boff, seja ação cotidiana no comportamento humano. O capitalismo não permite isso. O capitalismo e seus agentes, para atingirem suas metas econômicas, educam as pessoas de forma individualista e egoísta, destroem o biosistema, quebram a cadeia genética, dizimam civilizações e culturas, fomentam guerras.

Hugo Chavez em seu discurso, comemorando sua vitória eleitoral, na eleição de 3/12/06, diz que é preciso construir uma relação democrática de paz e amor, baseada no exemplos de Cristo, para construir o socialismo venezuelano. Interessante essa fala. Porque somente com novas práticas é possível mudar. Ao repetir os erros do autoritarismo, da usura e do egoísmo capitalista, será impossível reverter o quadro do aquecimento global.

É hora de agir, coletivamente e individualmente, na construção da Humanidade que Milton Santos fala. É hora de semear o respeito, a solidariedade e a fraternidade, única formar de assegurar um mundo mais justo e melhor para todos os moradores do planeta.




quarta-feira, novembro 01, 2006

Continuismo neoliberal do petismo.

Somente passaram três dias que o presidente Lula foi reeleito e já existem indícios claros como será seu segundo mandato. Vejamos: aumento de gasolina e do alcool, crise energética, conchavos com o PMDB semelhantes aos ocorridos secularmente, sustentado na base do toma-lá-dá-cá, discurso diferente da prática, continuidade da política econômica de FHC/Palocci...tudo como Dantes do Qualtel de Abrantes.

A crise vivida nos aeroportos é outro indício da forma de governar de Lula e seus aliados. Conforme denúncia de Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, desde 2003 vem sendo falado que faltam profissionais. Passado todo esse tempo nada foi feito. Como sempre, tentam tapar o sol com a peneira. Que seriedade tem esse governo?

A reunião da direção do PT, ocorrida ontem, defendeu a retomada de bandeiras mais à esquerda. Inclsuive muitos militantes desse partido acreditam que isso acontecerá. Será que Jáder Barbalho, Sarney, Renan Calheiros, Gedel, Palloci, Genoino, Maluf, Delfin Neto, e outros, velhos e novos, aliados de Lula permitirão? Será que Lula quer isso? Muita ilusão acreditar que isso acontecerá.

O novo mandato nada mais será do que a continuação do passado. Foram oito anos de de FHC, mais quatro de Lula, ou seja doze anos de uma mesma política economica que privilegia assegurar o lucro do grande capital e repassar as migalhas para os miseráveis. Nada mudará, inclusive na questão ética e moral. O tempo mostrará para quem Lula governa de fato.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Espero estar errado!

Não votei em nenhum dos dois candidatos a presidência do Brasil na eleição de ontem. Entre ter que pagar uma multa e votar, escolhi comparecer a sessão eleitoral e anular meu voto. Nenhuma proposta apresentada me convenceu. Pelo contrário, ambas, segundo meu entendimento, eram parte de um mesmo projeto.

Ainda ontem, devido os avanços da tecnologia, ficamos sabendo a esmagadora vitória obtida pelo presidente Lula. Foi reeleito e consagrado com uma votação expressiva. Em seu discurso após o resultado, afirmou que optará pelos pobres, mas governará para todos. Como fazer isso?

A população mais pobre e a pequena burguesia votaram maciçamente no candidato petista. Os primeiros, entre os quais os 11 milhões que já recebem a Bolsa Família, acreditando que Lula governa para eles já que abaixou o preço do arroz (!). Os segundos sonhando um dia viver o mundo que o governo lulista propicia os mais abastados. Assim como o governo anterior, o atual também possibilita que os mais ricos fiquem cada vez mais ricos. Enquanto distribuem migalhas para o povo, dedicam o recheio aos mais poderosos. Acredito que a economia é como um cobertor. Para cobrir todos alguém terá que ficar descoberto.

Como penso que os dois candidatos que disputaram o segundo turno eram parte de um mesmo projeto não votei em nenhum. E quando o presidente reeleito afirma que continuará governando para todos e privilegiará agora os mais humildes, penso que isso será muito difícil. Claro, espero estar errado e o presidente certo. Também desejo um país melhor, principalmente uma política que assegure para todas as crianças o sorriso estampado no rosto, bem alimentadas e podendo estudar e sonhar com um mundo diferente. Espero que esteja errado e o presidente Lula certo, possibilitando que o sonho de uma sociedade mais justa retorne às mentes do povo brasileiro (não apenas a diminuição do preço do arroz).

segunda-feira, outubro 23, 2006

Voto nulo porque ainda acredito na mudança.
















A política deveria nos dar uma consciência acima da maioria dos cidadãos. Ela nos dá informações que nos permite, aparentemente, ter mais clareza que aqueles que não se interessam por esse tema.

Será que um cidadão que está apenas preocupado em assegurar o cumprimento de suas obrigações para garantir o seu sustento e não se interessa pelo que os dirigentes de seu país fazem não está interessado em política? Bertold Brecht em seu famoso poema Analfabeto Político responsabilizou pelas mazelas que a sociedade vive todos aqueles que "batem no peito dizendo que odeiam política". Será que de fato essas pessoas são responsáveis pelas manobras e falcatruas que os dirigentes públicos cometem?

Dia 29 de outubro anularei meu voto. Nunca me enquadrei no estilo definido por Brecht, pelo contrário, desde a juventude estive integrado aos movimentos. Ainda garoto participei da luta pela anistia e o fim da ditadura. Foram quase três décadas de dedicação à politica. Dei meu sangue, minha juventude e meus sonhos. E onde chegamos depois que foi eleito, pela primeira vez na história nacional, um operário para presidente da república?

A política transformou-se em um grande negócio onde os líderes, inclusive alguns oriundos das lutas do povo e do movimento sindical, tornaram-se empresários da política. Seus parceiros, seus familiares, seus grupos assaltam descaradamente o Estado em benefício próprio. Pior ainda é que são tão cínicos que vão aos MCS e afirmam que está tudo bem.

Acredito que a política ainda é o caminho da mudança. No entanto a estrutura atual, com partidos-empresas, líderes-vendidos-traidores, demagogos de todas as espécies não dá para votar. O voto nulo é um caminho, neste momento, para protestar contra tudo isso. P. ex. Lula e Alkimim defendem a mesma política econômica e interesses e se dizem diferente. E ainda há gente que acredita nisso.

Se a sociedade não reinventar a política, construindo canais onde cada cidadão, seja o operário que luta por sua sobrevivência, o intelectual, o profissional liberal, o desempregado, ou seja, todos os homens e mulheres possam de forma direta decidir os destinos nada mudará. É preciso repensar a forma de fazer política, como está não sairemos da lama em que nos meteram.

O risco é que não havendo uma mudança caminhamos para a barbárie onde o terror se instale e a sociedade não mais possa assegurar a civilidade nas relações humanas. Ainda é tempo.

quinta-feira, outubro 19, 2006

O NOVO PT

Há muito tempo o PT abandonou sua origem operária, sua história de lutas e as suas propostas para transformar a sociedade. No início dos anos 90 foram expulsos do partido alguns grupos mais a esquerda, depois outros, até a saída do grupo, mais recentemente, que formou o PSOL. A organização de base, os grupos de estudo e ações de base foram abandonadas ao longo desse tempo, terminando por ser um partido formado por burocratas e cabos eleitorais contratados em períodos eleitorais.

O slogan da campanha de reeleição do presidente Lula "Não troque o certo pelo duvidoso" traz um fato novo e preocupante. Com essa consigna o partido assume uma posição conservadora e, pode-se até dizer, reacionária, ao reproduzir o velho discurso que propaga o medo do novo. A natureza sempre se renova quando faz algum tipo de troca, as pessoas sempre crescem e aprendem quando descobrem algo novo e as experiências novas na busca da solidariedade, fraternidade e justiça social sempre foram bem-vindas. O que não seria da humanidade se não existissem os ousados que sempre se arriscam para descobrir aquilo que aparentemente é duvidoso. Pedro Kilkery, poeta baiano do final do século XIX disse "olhos novos para o novo" e sempre é importante olharmos o novo com atenção e curiosidade.

Não estou afirmando que o candidato do PSDB seja o novo, pois ambos, Lula e Alkimim, defendem a mesma plataforma econômica e política, o que quer dizer que os dois representam o velho. No entanto um partido que nasceu do seio da luta democrática, das lutas sindicais e da luta do povo, sustentar-se com um discurso conservador e incentivando o medo é muito perigoso. O mimetismo petista tem sido assustador.

O que virá em seguida de um partido que retrocede tanto é preocupante. A sua história tem sido de expulsões, autoritarismo e conchavos com setores que sempre exploraram o povo. Graças a esses acordos conseguiu eleger, em 2002, o seu candidato a presidente. No entanto não esperávamos que mudasse tanto, negando suas bandeiras, sua história e lutas desenvolvidas e aliando-se ao que há de pior na política nacional.

Oxalá o senador Cristovan Buarque esteja errado quando afirmou que o lado autoritário petista predominará caso o presidente Lula seja reeleito. Apesar de tudo estarei com minha consciência tranquila, não votarei em nenhum dos dois candidatos a reeleição, anularei meu voto e continuarei a semear sonhos e esperança na construção de uma sociedade mais fraterna e justa. Que nome terá não sei, mas com certeza não será o capitalismo criminoso que coopta pseudos líderes de trabalhadores.

terça-feira, setembro 19, 2006

Democracia Direta ou Barbárie.






















Em 1998 escrevi o artigo acima. Foi logo após as eleições, quando FHC foi reeleito (no primeiro turno). Passaram-se 8 anos e tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Talvez um pouco pior. Antes ainda havia esperanças, o sonho de que se chegássemos ao governo faríamos diferente. Antes ainda podiamos identificar aqueles que acreditávamos estavam ao lado do povo. E, em tão pouco tempo, o sonho e a esperança foram traidos.

Se FHC comprou votos para a reeleição, Lula pagou mensalão. Se FHC tinha entre seus parceiros múmias da política nacional, como ACM, Renan, Lula ressuscitou Sarney, Jader Barbalho, Orestes Quercia e outros representantes do neocoronelismo (muitos dos quais antes estavam com os tucanos). Se FHC privatizou os bens públicos, Lula priorizou destinar a arrecadação para pagamento dos juros da dívida, em detrimento de investir em verdadeiras políticas públicas, aliás, gaba-se de ter pago o FMI. Grande feito. Chega a dizer que está triste, porque os ricos não o estão apoiando como deviam, apesar de terem ganho muito dinheiro em seu governo. E coloca muito dinheiro nisso. Nem na era FHC os ricos ganharam tanto. Entretando o petista foi mais eficiente, dedicou migalhas do orçamento público aos mais pobres, dando a bolsa-esmola, assegurando asasim alguns milhões de votos. Os correligionários de Lula também inovaram transportando doláres em cuecas e deixando rastros por onde passavam. Lula montou no cavalo tucano e disse que era dele. Se FHC mandou esquecer o que escreveu, o próprio Lula esqueceu o que dizia e seu passado, fazendo tudo diferente do que falava que ia fazer.

A ignorância cresce cada vez mais. O egoísmo se fortalece. A política tornou-se um grande negócio entre cumpadres. Os três poderes da república estão completamente de costas para o povo. O que importa é o poder. A sociedade assiste a tudo impassível. Essa calma aparente pode trazer tempestade. Precisamos de muita água para lavar essa sujeira que domina mentes e corações dos que detêm e detiveram o poder, controlam a economia e o pensamento. Precisamos de uma tempestade. Muita água para limpar isso tudo. O que falta para isso acontecer?

A cada nova eleição os eleitos e seus partidos distanciam-se mais do papel de representantes da sociedade. É cada um tentando levar mais para atender seus interesses pessoais e de seus grupos. Estamos em pleno século XXI e os políticos portam-se como senhores feudais, ainda no limiar do século XVIII. O sistema representativo não atende mais as necessidades do coletivo social. A população é imensa e crescente. Os miseráveis surgem em multidões nos grandes centros urbanos. A riqueza continua nas mãos de poucos. Estes vivem em seus castelos, com seus seguranças privados e seus privilégios, com saúde e escolas boas. E o Estado? Continua servindo apenas aos ricos e poderosos, incluído aí a chamada classe média. Fortalece-se uma cultura elitista e excludente. Onde vamos parar? Qual o caminho para impedir que assim continue? Como mudar os rumos da história e fazer com que as pessoas sejam mais fraternas e solidárias? Qual o caminho para reformar ou transformar o Estado? Quais os instrumentos para que as pessoas possam se tornar sujeitos de sua história? Uma revolução nos moldes tradicionais significaria o esfacelamento de nosso país e do planeta? Ou esse ainda é o caminho? Para onde seguir?

Vamos pensar em continuar semeando a esperança, em construir a esperança e a fraternidade em nosso dia-a-dia. Vamos construir a democracia real. Com o fazer? Vamos descobrir. Não podemos aceitar passavamente, de maneira egoísta e covarde, a bárbarie que os traídores do povo e os exploradores de sempre tentam impor nas relações institucionais e na sociedade. Também não podemos copiar modelos e paradigmas comprovadamente reacionários e inadequados para os dias de hoje. Não podemos ficar parados, todos vamos pagar um preço muito alto.

terça-feira, agosto 15, 2006

Encantadora Lúcia

Gotas escorregam molhando meu corpo,
o calor alimenta minha esperança
no fogo que brotará das entranhas da humanidade.

Pulsa minha alma pensando na mulher que amo,
minhas veias se enrijessem como sementes frescas
endurecidas para virar vida rasgando a terra
e transformarem-se em flores para colorir a escuridão do universo.

Colorir o universo,
criar sempre sonhos,
semear permanentemente a esperança,
sabendo que a dor nunca cessará.

Amar é crer no coração!

Vem sempre me embalar,
sempre deixar-me crer no fim da solidão,
viver os beijos que tenho dado eternamente,
sentir o gozo em cada espasmo que dermos
caminhando ao entardecer em Olhos D'água.

Acreditar no fogo sempre.

Fazer a morte dominar a mentira,
a exploração transformar-se em lixo cósmico
levado pelos metéoros que navegam
deixando nada mais que o vácuo no espaço.

As gotas continuam caindo,
sinto mais ainda o amor me dominar,
semear minh'alma que cria vida
quando meu corpo toca o dela.

Enquanto vejo o sol se pôr
espero ela me chamar para seguirmos
o caminho onde somente semearemos flores
para combater as dores e as mentiras.

É muito bom estar amando...
É muito bom estar sendo amado...