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terça-feira, março 30, 2010

sábado, março 20, 2010

Acordes





A guitarra de Santana
O barulho da chuva
O sangue esmagado
Olhares se desencontrando
Quem sabe uma gaivota?
Movimenta-se o mar
Me chama
Me encanta
Me atrai
Vem cantar comigo
Em noite de luar
Canta a chuva
Me chamando para dançar
Em plena 409 cheia de malandragens
Como uma deusa da luz
Segue Santana
Leva a chuva ao vento
Dança como beija-flor
Quero voar em teus acordes
Com cheiro de terra molhada.

terça-feira, março 16, 2010

Cidadão Pipoca ou salve-se quem puder?





Por Pedro César Batista

Na Grécia antiga havia a Ágora, local onde os cidadãos se reuniam para debater política, filosofia e artes. As camadas subalternas não participavam. Platão pensou na República, elaborada por Montesquieu, implantada em quase todos os países na atualidade. O sistema representativo, assim como faziam os gregos, limitou a discussão aos escolhidos.

Quatro linhas sintetizando milhares de anos. Ousadia inspirada nas palavras do ministro da cultura Juca Ferreira. Recentemente foi pedido por seu partido para se afastar do cargo para se dedicar a campanha da candidata verde, Marina Silva, à Presidência da República. Disse Ferreira que preferiu continuar no governo e ser um “cidadão pipoca”. Na Bahia, terra do ministro, aqueles que não têm acesso aos blocos durante o carnaval, brincando do lado de fora das cordas de segurança, são chamados de “pipoca”. Como na Grécia quem não podia comprar a abada fica de fora.

No Brasil atual parcelas enormes da população não podem comprar abadas de várias espécies: plano de saúde, boa educação, acesso a cultura, viagens, segurança, moradia e, nem mesmo, uma alimentação de qualidade. E lemos que uma autoridade de Estado achincalha a realidade, dizendo que agora vai ser “cidadão pipoca”.

A política é uma ciência para buscar soluções coletivas de uma sociedade. As classes a utilizam na defesa de seus interesses no confronto com seus opositores. Ocorre que esse tema se tornou assunto corriqueiro para indiciar criminosos e auxiliar os que buscam ouro a ficarem rico mais rápido. Para isso, partidos, ideologias e princípios tornaram-se mercadoria sem interesse. Usa-se conforme o momento e a necessidade.

A essência da democracia é a garantia da participação na tomada de decisões pelos governantes na condução dos negócios do Estado. A sociedade para isso tem alguns instrumentos: organização, debates, eleições, conselhos, conferências, etc. A internet trouxe novas ferramentas, as quais otimizam os debates, podendo contribuir para uma relação mais fraterna, solidária e revolucionária para construção da humanidade. Infelizmente não é isso que presenciamos. Prevalece-se o sentimento do “cidadão pipoca” ou o salvem-se quem puder no ritmo frenético desse tempo que vivemos.

segunda-feira, março 15, 2010

quarta-feira, março 10, 2010

Brasília, 50 anos: cidade shopping center




Por Pedro César Batista


Brasília, marco da arquitetura moderna, capital pensada por José Bonifácio, chega aos cinqüenta anos transpirando amor e ódio, cheia de contradições e com fortes características de um grande shopping center. A cidade que, segundo alguns, será salva das catástrofes naturais, com os escolhidos, usuários de seus encantos e belezas, em suas alamedas floridas, arborizadas e o Lago Paranoá, com suas belas margens servindo aos mesmos que serão salvos, mantêm à margem os que não podem comprar os produtos e serviços oferecidos.

Resultado do trabalho dos candangos e da ousadia de um governante, que conseguiu no meio do nada levantou uma cidade, tornou-se símbolo de ostentação. A cidade planejada, depois de 50 anos de sua fundação, superou em muito seu projeto inicial. Pensada para ser uma cidade com fortes relações humanas, onde a vizinhança tivesse a oportunidade de se (re) encontrar no comércio da quadra, nos clubes das quadras, nos locais de trabalho e lazer, em seus inúmeros parques. A solidão dos grandes centros, nesse mundo contemporâneo, transborda nas avenidas da capital federal.

Seis meses após sua inauguração Sartre e Simone de Beauvoir passaram alguns dias na cidade que nascia. Simone registrou: “Guardo a impressão de ter visto nascer um monstro, cujo coração e pulmão funcionam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante.” Cresce a indefinição do que seja de fato essa bela cidade, cosmopolita e interiorana, com coronéis de todas as partes, misturando cores e lados.

Seus moradores cada vez mais se portam como consumidores, tendo como Deus o vil metal. Até as bandas internacionais de pop stars descobriram a mina para vender shows. As largas avenidas são ampliadas e recebe complexos viários como presente de aniversário. O criador desse novo canteiro de obras aproveitou para cobrar propinas e terminou na cadeia. O vice-governador, especulador imobiliário, teve que renunciar para não acabar fazendo companhia ao principal chefe da roubalheira.

Os habitantes da cidade shopping center têm acesso aos bens de consumo da melhor espécie, uma qualidade de vida que todos os humanos merecem. Essas características possibilitam fazer esse paralelo, quem mora em Brasília, ou seja, no Plano Piloto, possuindo bons empregos, tem acesso à arte, a cultura, a educação, a viagens, planejamento familiar, crescimento intelectual e excelente qualidade de vida. Quem não pode se sacode, não tem transporte coletivo, não tem saúde, trabalha em subempregos e recebe educação de péssima qualidade.

Como um shopping center Brasília existe, muitas luzes, bons produtos, segurança, cultura e vida. O aeroporto possui um enorme fluxo, diferenciando-se da rodoviária central, onde milhares de trabalhadores lembram um formigueiro entrando nos ônibus sujos, velhos, lotados e caros. Quem tem poder econômico usufrui de seus serviços e produtos, quem não tem poder aquisitivo é serviçal, força subalterna dos habitantes da capital federal. O sonho de seu pensador virou a força do consumo e do capital, resultando em representantes corruptos e cínicos.

Em sua nova etapa a cidade precisa servir a todos os seus habitantes, permitir que suas alamedas, suas casas de espetáculos e shows, sua qualidade de vida, seu belo horizonte, suas flores, atendam e sirvam ao conjunto da população. A cidade não merece ser o shopping center da minoria que ostenta poder e privilégios. A vida oferecida pela cidade tem que ser justa, solidária e coletiva, incluindo os filhos e filhas dos candangos que construíram a cidade. A sede do poder brasileiro precisa ser exemplo ético e de dignidade humana.

segunda-feira, março 08, 2010

Dia Internacional da Mulher

Vida pura

08/03/2010, Brasília - DF


Mulher é semente de sonhos,
combatente pela vida,
inspiradora da conquista
de um mundo mais justo e fraterno.

Mulher é a primeira a sentir a dor,
da sociedade patriarcal,
da opressão de gênero e de classe
que se abate sobre os excluídos,
a primeira a sofrer a violência do capital.

Mulher é como noite enluarada,
encanta corações e almas,
anima a esperança,
encanta as borboletas nas manhãs
ainda umidecidas de amor.

Mulher é sempre vermelha,
do sangue que derrama todo mês,
do amor que dá a quem ama,
da força que semeia em sua vida,
da sensação de segurança que transmite.

Mulher lembra Rosa Luxemburgo,
Dandara e sua ousadia guerreira,
Anita Garibaldi, Pagu,
Margarida Alves,
Olga Benário,
Cora Coralina,
Haydeé Santamaria,
Mercedes Sosa,
Alexandra kolontai,
Simone de Beauvoir,
Frida Kahlo,
Maria Quitéria.


Mulher é terra livre,
mãe universal,
astro infinito,
resplancendo galaxias,
fortalecendo universos.

Mulher é vida,
é conquista da vida,
é terra fértil,
é coragem e luta.

Mulheres em luta - II

terça-feira, março 02, 2010

É preciso inspiração






O medo, a insegurança e a paranóia tomam conta das pessoas. O consumo é a energia de bilhões de seres perdidos no planeta. Um ritmo industrial que o planeta não suporta. Cresce a solidão por todos os lados, os humanos encontram-se em máquinas eletrônicas que determinam seus passos, sonhos e desejos. 2001 - Uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, é presente nos lares. As relações são artificiais, virtuais, o real é inseguro, dá medo. Tudo é assustador. A mediocridade e ogoísmo se disseminam com a velocidade do desenvolvimento técnico-científico. A sensibilidade é coisa que não se vê com frequência, aliás, tornou-se raridade.

O tempo avança com uma velocidade inimaginável. Junto a mídia manipula as consciências, os telejornais, com seus bonecos ventríluocos, conseguem falar de moda logo depois de uma catástrofe, como se nada tivesse ocorrido. As almas parecem não mais se assutarem com as pessoas. Até quando resistiremos a isso? Essa velocidade faz o medo se apossar das pessoas. Um medo que fragiliza a espécie. Inventam-se situações absurdas para propagar a insegurança individual, a hipocondria, a busca desesperada pela saúde artifificial. As guerras imperialistas continuam, com ataques aos mais pobres com medo de que estes se rebelem. Os mais pobres sonham com os modelos impostos pelo mercado, com o que a mídia massacra em mentes, corações e corpos.

Apesar de tudo ainda tenho no Selvagem, personagem de Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo, meu favorito. É preciso sonhar e acreditar. Única possibilidade de assegurar sobrevida a espécie. Ainda podemos, basta se rebelar, continuar se inspirando no voo do beija-flor, no canto do sabiá, no sorriso de uma criança.

domingo, fevereiro 21, 2010

Controle remoto



Passos rumos ao sol,
Molham-se em lágrimas às escuras
Diante de pedras caminhantes
Fugindo do calor
Tão frias que se tornaram.

Olhares que não vêem,
Observam o lado,
Nem parece sexta-feira,
Os tamborins ainda tocam
Espalhando fagulhas na escuridão.

Mãos estão trêmulas
Abraços desapertados
Frouxos não levantam vôo,
Rastejam na esplanada.

Gritos são sufocados,
Aparelhos de TV dominam,
Medos despontam
De controles remotos
Em cabeças, mentes e corações.

O sol quer ver flores,
Flutuar a beira-mar
Em corpos sepultados
Para semear manhãs.

Passos encharcados na escuridão
Brilham contra o vento,
Querem o tempo que não quer chegar
Risos nascendo em flores pelas avenidas.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Pouso noturno





A noite é uma fornalha,
O sangue fervilha em busca do mar,
Que me chama em movimentos
Universais de flores, rochas e ventania.

Quem não me quer?
Quem não ouve meus reclamos?
Quem me deixa sozinho à beira da estrada?

Meus passos travam pesados como planetas,
Circulam em universos sem deixar lágrimas borbulharem
na luz cósmica transformada em semente de alegria.

Tropeçar faz animar as nuvens em seu vôo,
As águas ficam mais puras e ensaguinoladas
Repletas de gritos de êxtase sufocados.

As estrelas pululam nas entranhas da floresta,
Vagalumes festejam o breu da existência
Cheia de cantos, desencantos e encantos.

A noite chamusca a dor do abandono,
Da descrença e das sementes murchas
Em crianças vendidas em bordéis na esplanada.

O sangue precisa navegar,
Voar alto,
Ser gaivota
Pousando na areia.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Cinema Invictus, rumo à vida.






Ver os filmes de Clint Eastwood anima a alma. Consegue reproduzir personagens da vida real com a verdadeira magnitude humana. Em Invictus mostra a capacidade de Nelson Mandela mudar a realidade, mobilizando o esporte e deixando uma semente de nação. O filme não ecoa apenas os gritos dentro do campo de rugby, ilumina os gritos da história de resistência do povo sul-africano e o coração do primeiro presidente negro desse país.

Em Gran Torino, Eastwood transforma um veterano da guerra da Coréia, antipático e solitário, que não fala com os vizinhos migrantes do Laos, em amigo e defensor dos moradores da rua. Toda a rudez e agressividade podem virar ternura e fraternidade. Já em Menina de Ouro, assim como em Gran Torino, a morte aparece levando os protagonistas. Antes de atravessarem o rio da vida, a essência dos protagonista, seus sonhos, conquistas e dores brotam das telas.

Invictus é a história real, recente e viva de um povo que derrotou o apartheid. Mandela, depois de 27 anos preso em uma cela de 12 metros, tornou-se presidente da África do Sul. Transformou o tempo, as relações humanas, políticas e almas com a maestria dos deuses. “Sou capitão da minha alma”, escreveu no poema inspirador da conquista que o filme retrata.

Imobilizador, ainda posso dizer sobre os filmes de Eastwood. Não me lembro de alguma vez, após assistir uma de suas películas, tenha tido pressa para levantar da poltrona e sair da sala. Com muita simplicidade, em Invictus, Morgan Freeman faz o papel do presidente que acabou com o apartheid. Sabe-se que ali é uma representação, assim mesmo, viaja-se na alma da história desse homem único. O mesmo pode-se afirmar dos protagonistas de outros filmes. O diretor tem conseguido mostrar que ainda viveremos a humanidade, como dizia Milton Santos.

sábado, janeiro 30, 2010

LIÇÃO DE AMOR

E por não querer sofrer
Não ser como flor seca
Por não ter água ou horizonte
Procuro espaço na terra
Para caminhar cantar e plantar.

E por não querer sofrer
Não aceito a mentira
Da falta de água ou horizonte
Para poder ser gente.

E por não querer sofrer
Caminho com os pássaros e seus cantos
Como fossem gritos no ar.

E por não querer sofrer
Acredito na liberdade
Como realidade do mar
De meus sonhos de amar.

E por não querer cantar
Todo sofrimento de meus sonhos
Sonho mais ainda.

De toda vontade de viver
Como sementes de girassóis
Ou filhotes de gaivotas.

E por não querer sofrer
Não vamos sofrer
Seguimos os passos do vento
Buscando ventania...

sábado, janeiro 09, 2010

Chamado





Quem me chama?
Sou um ser humano?
Não moro sob marquises,
nem sou o bicho de Bandeira.
Quem sou?
Ouço o canto dos pássaros,
alimento a vida dos príncipes,
moro como um general.
Quem sou?
Tenho minhas crias felizes,
tenho um amor,
tenho sonhos.
Quem sou?
Não desejo ouro,
nem pastores ou padres,
nem castelos,
nem ações na bolsa.
Canto o vento que me escuta,
as flores que me encantam,
as luzes que brilham.
Quem me chama?
Não desejo esse tempo,
com sabedores de tudo,
dos caminhos
das alquimias da felicidade,
dos conhecimentos científicos,
sem pés no chão nem amor.
Quero um abraço,
um sorriso de uma flor,
um canto de uma onda no mar,
chamando-me para ir ao seu encontro.
Se lá ficarei não sei.
Quero saber onde estou,
onde pousarei de meus passos
combatendo a fome,
as mentiras,
as dores,
os exploradores,
saqueadores de almas livres.
Não quero o lucro,
nem o mercado,
nem o cercado do consumo.
Quero voar ao infinito.
Quero companhia nas noites frias,
onde os estômagos não reclamem
da falta de alimentos,
saboreando a plena existência,
nem precisa ser humana,
mas viva como todos os seres.
Quero saber onde estou?
Meu tempo finda,
não resiste ao chamado do mar.

terça-feira, dezembro 29, 2009

2010 - caminhada continua...





O tempo anda cinzento,
muitas pessoas estão frias,
multidões continuam famintas
e obrigadas a viver na escuridão.

Nada disso desanima a caminhada,
os passos seguem
em busca de um mundo melhor,
mais fraterno e mais justo.

Sozinho não adianta muito,
precisamos nos dar às mãos,
fortalecer os abraços
e animar o sonho.

Tudo é possível,
precisamos estar juntos
no plantio e na colheita.

terça-feira, dezembro 15, 2009

I CONFECOM

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Viva a resistência! Fora Arruda!!

Viva a resistência! Fora Arruda!!

Pedro César Batista, escritor e jornalista.

A internet e a televisão brasileira têm mostrado uma grande quantidade de imagens com a divisão do resultado da corrupção dos governantes do Distrito Federal. O esquema, segundo a Polícia Federal, era chefiado pelo governador Roberto Arruda, envolvia secretários, um terço dos parlamentares da Câmara Distrital e três desembargadores do TJDF. São tantas as gravações que sempre aparece uma nova denúncia. As mais recentes mostraram o repasse a parlamentares federais de vários estados, inclusive o envolvimento do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

Como resposta a essa bandalheira, um grupo de estudantes e lideranças de várias organizações de Brasília ocupou a sede do legislativo local. Foram apresentados, por vários grupos e pessoas, sete pedidos de afastamento do governador. Pipocam manifestações por todos os lados na defesa da punição desses corruptos. Especialmente o impeachment do governador, que não é réu primário, depois que violou o painel do Senado.

Em 2004 o Brasil conheceu o que ficou conhecido por mensalão. Ocorreram manifestações de rua e ainda hoje há ações tramitando no STF. Agora, o PFL, digo DEM, mostra um esquema semelhante, bem mais estruturado, pois envolveu os três poderes. Um esquema que vem desde os tempos do coronel Joaquim Roriz, que foi obrigado a renunciar para não ser cassado. Se dentro do Congresso Nacional e nas estruturas do aparelho de Estado do Distrito Federal isso ocorre, podemos imaginar o que acontece no interior do Brasil, um país continental.

Conquistamos o restabelecimento das liberdades políticas após derrotar a ditadura militar, afastamos Collor de Melo da Presidência da República, com a descoberta do esquema montado pela gang que estava no poder. Naquele momento havia uma unidade das forças democráticas e populares para desenvolver as lutas e enfrentar os inimigos. Juntos, partidos, centrais sindicais, igrejas, movimentos populares e estudantis conseguiram realizar grandes mobilizações. Milhões de pessoas foram às ruas defender a ética na política.

Decorridos 20 anos podemos verificar a pulverização das ações em defesa da construção da cidadania e de um mundo melhor. O discurso feito pelo ideólogo da ditadura, Golbery do Couto e Silva, parece ter vingado. Enquanto na Argentina os milicos que prenderam, torturaram e mataram são julgados e condenados, aqui, em terras verde-amarelas, Delfin Neto, o todo poderoso da ditadura, transformou-se em guru do presidente, um ex-preso político. Ao mesmo tempo, as organizações que enfrentaram as balas e a morte nesse tempo de horror, agora disputam uma fatia de poder, aparições no jornal das 8 ou o medo do surgimento de novos atores. A palavra de ordem “O povo unido jamais será vencido” foi abandonada, ficando apenas o discurso para agregar amigos, afilhados e seguidores.

No caso de Brasília essa divisão fica evidente. Porque foram apresentados oito pedidos de impeachment de Roberto Arruda, no lugar dos movimentos, partidos e pessoas interessadas realizarem uma plenária para agirem de forma unitária. Porque a população não participa, mesmo se revoltando, das manifestações contra os corruptos e a corrupção? Lembro-me do tempo em que as organizações tentavam “recrutar” novos militantes, agora, percebe-se uma insegurança nos dirigentes e militantes quando aparece alguém que não é do grupo.

Isso tudo chama a atenção. O Brasil continua como um dos países com a maior concentração de renda no mundo, o analfabetismo ainda é uma chaga em nossa sociedade, a corrupção é algo corriqueiro nos atos da maioria dos políticos, que abandonaram a política e passaram a atuar como meliantes, e, apesar de tudo, não se constrói a unidade em defesa da ética, da justiça social e não são realizadas as mobilizações necessárias.

A cara de pau de políticos corruptos, mostrada em rede, negando o que é visto não é um fato concreto que exige a unidade dos que se dizem ao lado dos mais pobres e necessitados? Será que a prática política da direita, a busca desesperada pelo poder, contaminou a maioria?

O poeta angolano Agostinho Neto, líder da luta pela independência daquele povo, deixou escrito: “não basta que seja justa e pura a nossa causa, é necessário que a justeza e a pureza estejam dentro de nós”. Na atualidade, onde o sentimento neoliberal se tornou uma pandemia, será impossível resgatar esse sentimento?

domingo, outubro 25, 2009

Trovões brilharam sonhos
























Luzes se foram
o olhar esperançoso ficou
com o caminho ensinado
como espalhar sementes

Lenin e Mayakovisky
marcaram o tempo
conquistas e sangue
poesia e vida

Uma escuridão de cores
entardece sonhos
ilusão cósmica moderna

Passaram-se 92 anos
trovões brilharam sonhos
vibraram mais fé na esperança e na vida

A resistência do tempo
anima o vermelho sangue
que corre no espírito
das estrelas que insistem
em semear brilho e conquistas

Luzes sempre chegam
cantam flores e espinhos
iluminam passos e alvos
no centro do planeta homem

terça-feira, agosto 25, 2009

TeFé



Uma sereia

e um boto se encontraram

e nada falaram.

O rio se escondia,

entregando-se para a noite

que chegava.


Cada qual seguiu seu rumo.


O tempo,
quente e parado,
como uma noiva,
tudo observava.


Tanto sangue e dores
Lavados naquelas águas
Cheia de vida.


Um encontro do tempo e do vento,
Cantando o riso da floresta,
Ainda virgem,
Cheia de prazer,
Dado e vivido,
em gotas de suor encarnado.


Corpos,
Copos,
Fome,
Saciar.


Saciar um novo tempo,
Mirando o verde do olhar
Ainda procurando a sereia
Na beira d’água.


Buscando o encanto,
Buscando o vento,
Buscando o desconhecido,
Ainda ontem perdido,
Nas curvas do quadrado
Desencontrado.


O vento é folha seca,
Flutuando no espaço
olhando às águas
quentes dos sonhos.


Sereia quem és tu,
Que, como o boto,
Continua boiando ao entardecer
Como se a manhã
Fosse um feitiço
Descoberto em terras desconhecidas?

terça-feira, agosto 18, 2009

Balanço o mar

Venho e canto

Balanço o mar

Um tempo vem e vai

Um tempo que não existe


Venho e canto

Balanço o mar

Um tempo que virá

Um tempo que nascerá


Venho e canto

Canto

Canto

Um tempo que virá

Venho e canto

O tempo que nascerá.