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quarta-feira, novembro 17, 2010

Um tempo que ainda não nasceu




Flutuar em sonhos iluminados e brilhantes,
alicerçados em passos do tempo
encantado e cantado nas avenidas da história,
contada e conquistada
em abraços e braços enlaçados.

Sem ilusão,
cantar a solidão do mercado,
suicida dos sonhos e dos ventos.

Propagar os cantos ensinados
por lábios vermelhos,
em vozes brancas, negras e amarelas,
espalhadas por mares
de cores, olhares e luzes.

Acender a vereda do tempo
que insiste em brotar
de sonhos de memórias que persistem.

Insistem em voar pelos continentes,
encantar ouvidos,
brilhar olhares,
tornando-se rochedos
em multidões que resistem.

Flutuar em um tempo que ainda não nasceu.

sexta-feira, novembro 12, 2010

vem ventania




Chuva, ventania e frio....
esse tempo precisa de calor, abraço e encanto...
venta ventania, vem cantar o amanhã...
canta a força do tempo...
canta a beleza das flores e das sementes...
chuva, ventania e frio...
venta ventania, vem cantar a manhã...
vem trazer o amanhã....

quarta-feira, novembro 10, 2010

sábado, outubro 23, 2010

CÍRCULOS




de Flori Jácamo

Faz tempo que devíamos
ter aberto a porta:
ao homem e a mulher,
ao velho e a criança,
ao outro e a outra,
ao diferente e ao exato.

Para que deixassem de morder o fruto
entre as sombras
e encontrassem suas respostas.

Faz tempo que o humano,
devia ter cruzado
os vértices e as equações;
para acrescentar a poética
das artes
e dos mistérios.
Com pele,
com agudeza,
olhando para o firmamento
e para a Terra.

Faz tempo que devíamos
reunir-nos em tribos,
em comunidades,
em Círculos.
Para não perdermos
nem eu a ti, nem tu a mim,
para florescer,
para criar e continuar o caminho
entrelaçando os mundos.

( oferenda a seu trabalho )

terça-feira, outubro 19, 2010

Desbotado




Não sou amigo do rei,
Nem do sol,
Nem da lua.
O vento me provoca,
Canta a dor das gaivotas desgarradas,
Perdidas na floresta,
Entre almas e moedas.
Olhares assustam-se enquanto ouvidos cantam Janis,
Com medo da calmaria da morte
De desejos e sonhos ainda por descobrir.
O planalto é disputado entre gritos,
Sem descobertas nem encantos,
Nem encontros, somente poeira.
Não desejo ser amigo do rei nem da rainha,
Quero uma borboleta sobrevoando os campos de arroz.
Não fiquei no Guaíba,
Nem no Purus,
Nem no Guamá,
Pensei que o mar me chamava.
Foi ilusão do canto de sereias,
Que ousaram lavar a cor do tempo,
Deixando-o desbotado com a cor da morte.
A escuridão desabrocha em manhãs.
Onde anda o brilho das flores?

quinta-feira, outubro 14, 2010

"LOUCA POR VOCÊ"

Mulher encantada do Marajó (RC)




Senti um grande amor bem no meu peito
Não tem jeito
Não dá pra disfarçar

Me sinto bem ao ter
Você por perto, não me acerto
Fico boba ao te olhar

Senti que não iria
Mas ter você por perto de mim
Meu coração se apaixonou
quando viu você a primeira vez

Mas eu não posso evitar
Essa paixão que me arrasa
Já não consigo controlar
Esse louco amor que me mata

Sou louca por você
E não tem jeito

"AMOR DE ILUSÃO"

Mulher encantada do Marajó (RC)




O amor que estou sentindo
Baby não dá pra aguentar
Você foi para bem longe
Já não posso suportar

Meu amor senti no teu beijo
Que você ia me amar
Mas você foi embora
E me fez chorar

As estrelas já me disseram
Baby que você vai voltar
Amor volta eu estou te esperando
Tudo o que eu quero é te amar

Quando lembro do teu sorriso
Fico louca ao imaginar
Os seus olhos
São como a luz do luar

Ó baby, baby então volta
Para mim
Ó meu amor não me deixe
Triste assim
Você é como a luz
Do luar
O nosso amor nunca pode
Se acabar

segunda-feira, outubro 04, 2010

Foi muito bacana ler suas poesias




Li o sua coletânea de poesias e me inspirou a fazer as seguintes considerações sobre o autor:

Mais que a palavra, o gesto.
Mais que a verdade, a dúvida.
Mais que o suor, o sonho.
Mais que o homem, o humano.

No livro do Guimarães tem uma passagem que diz “...o Sertão está em toda a parte, o Sertão é dentro da gente.”. Visões heróicas nos permite irrigar esse Sertão, torná-lo fértil e sanar a tal da “aridez das idéias”.

É verdade, Pedro, “o tempo que não volta, segue”. Ela não pertence ao agora, mas também já não é mais do ontem. Até que ponto ele é tangível, eu não sei. Mas o tempo manipulável, o presente, reclama a sua trajetória. Convida a gente a escrever novas páginas desta aventura chamada Vida.

Mas como diz na música do Chico há uma roda-viva no nosso existir, que de repente nos aloca no tempo e no espaço, nos aproxima e nos distancia de pessoas e carrega o nosso destino para lá e para cá.

Hoje pela manhã, eu tive a feliz confirmação que passei no concurso de Especialista em Políticas Públicas no estado Rio de Janeiro. Já comemorei com a família e avisei os amigos. Tenho consciência dos desafios que eu vou enfrentar na carreira. Mas a militância é ideológica e não vai me restringir apenas a atuar dentro de um cargo. As parcerias ficam. Enquanto estiver aqui, vamos “arregaçar as mangas”. E mesmo depois o intercambio continua.

PS: O "Incendiário" eu já mandei para um amigo. Achei muito engraçado.

Abraços fraternos,

Flávia

Nota do autor: Publicado com autorização.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Defender a vida




Estou vivo.
Brotei, nasci,
aqui estou.

Muito obrigado, mãe.

Você se foi.
Estás encaixotada,
triste, não respira.
Nem conversamos.
Você não fala mais.

Choro.
Um nó na garganta.
Tristeza.

Você se foi,
não mais falaremos de flores,
nem dos sonhos,
das dores,
nem mais sorriremos.

Não te verei mais.

Um buraco no coração
que nunca se fechará.
Minha alma se esvaziou.
Um veio que sangrará,
sentirá o frio
de não mais te beijar.

Continuarei a guerrear,
defender a vida,
que não mais tens.

Estou vivo,
graças a ti
que me amou.

Cantarei você,
sua resistência,
sua determinação,
cuidando em seguir,
ir sempre mais.

Seguirei tua marcha,
tua resistência.

sábado, setembro 11, 2010

Saudades. Muitas.

Izaura Ramos Batista, minha mãe, nos deixou ontem. Uma bela mulher de 85 anos, nascida em 11 de fevereiro de 1925, em Urupês (SP). Teve três filhos: Vera, João e eu. Viveu em São Paulo, Paraná, Pará e Distrito Federal. Se foi, inesperadamente, deixando um vazio que jamais será ocupado. Assim como os astros que andam pelas galáxias. Ela, com certeza, brilhará por ter sido um astro.
Deixou muitos escritos, adorava escrever e ler. Gostava de falar, conversar e defender posições. Uma guerreira que soube dar todo o seu amor e dedicação ao que acreditou. Sempre firme, assim mesmo nos deixou.
Seus exemplos e ensinamentos sempre estarão vivos. Sua fé em seus passos, sua firmeza e sagacidade servirão para alimentar a esperança e a luta.
Minha mãe se foi.
Uma dor se apodera de nossa alma.
Nada nunca apagará o brilho que ela deixou.
Vida longa a D. Izaura.

sábado, agosto 21, 2010

Por luz e paz para Belém - Candeeiro do tempo Poemas




Por luz e Paz para Belém

Candeeiro do tempo – Poemas é uma coletânea de poemas dividida em três tempos, cada um representando uma década. Fala de utopias necessárias. Sonhos e lutas que marcaram a caminhada do autor da adolescência aos dias atuais na busca de um mundo melhor, usando como principal arma a palavra escrita, tornando a poesia combustível para animar a alma e a esperança.
O livro é uma síntese do trabalho poético de Pedro César Batista. Começou a publicar ainda na geração que ficou conhecida como do mimeógrafo, no final da década de 1970. Na abertura de seu primeiro livro Tudo tem, no poema “Gritemos”, escreve: “O poder tem os canhões. Nós temos o grito”. Um garoto que declamava seus versos em defesa da liberdade e contra a tortura dos militares que insistiam em ficar no poder.

Vieram outros títulos com poemas, biografias e um romance. Candeeiro do tempo - Poemas é seu 14º título. Seus poemas sempre usaram a metáfora para falar da utopia por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Poesia e prosa comprometidas com a vida.

Para o lançamento em Belém fez um chamamento a outr@s artistas da terra, construindo um ato em defesa de Belém.

http://holofotevirtual.blogspot.com/2010/08/novos-poemas-de-pedro-cesar-batista-com.html

Holofote Virtual: Em Brasília, o lançamento será em uma biblioteca. Em Belém, no Bar do Parque...

Pedro César Batista: O Bar do Parque é o centro da cidade de Belém. Local onde reunia seus artistas e seu povo, não a-toa está localizado ao lado do Teatro da Paz. E o que escuto quando chego em Belém e falo que vou ao Bar do Parque? Que é perigoso, que é isso e aquilo... no entanto, a violência e o abandono do Bar do Parque é o reflexo de que como está sendo tratada a cidade de Belém, pode-se dizer a forma que se trata a vida.

A falta de paz e de luz que tem provocado medo e insegurança aos que se assustam ao passar pela Praça da República - a praça mais bela do Brasil - é o mesmo que contamina toda a cidade.

Também vivi parte da minha infância e toda a adolescência nos bairros de Campina, Cidade Velha e Batista Campos. Não aceito o que fazem com Belém. É preciso resgatar o Bar do Parque como o símbolo da criatividade, da poesia e da alegria, que toda a população de Belém merece e carrega em sua alma...


Lançamento

Por luz e paz para Belém

5 de setembro
11h
Bar do Parque
Praça da República

Serviço:
Candeeiro do tempo – Poemas – 116 páginas
Verbis Editora – Brasília – DF
Contatos: pcbatis@gmail.com

terça-feira, julho 27, 2010

Candeeiro do tempo - Poemas



Candeeiro do tempo – Poemas é uma coletânea de poemas dividida em três tempos, cada um representando uma década. Fala das utopias que ainda existem para o autor. Sonhos que marcaram sua caminhada da adolescência aos dias atuais na busca de um mundo melhor, usando como principal arma a palavra escrita, tornando a poesia combustível para animar a alma e a esperança.
O livro é uma síntese do trabalho poético de Pedro César Batista. Começou a publicar ainda na geração que ficou conhecida como do mimeógrafo, no final da década de 1970, quando residia em Brasília. Na abertura de seu primeiro livro Tudo tem, no poema “Gritemos”, escreve: “O poder tem os canhões. Nós temos o grito”. Um garoto que declamava seus versos em defesa da liberdade e contra a tortura dos militares que insistiam em ficar no poder.
Vieram outros títulos com poemas, biografias e um romance. Seus poemas sempre usaram a metáfora para falar da utopia por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Poesia e prosa comprometidas com a vida.
Publicou uma entrevista com Gilson Menezes, o primeiro prefeito petista no Brasil, resgatando as experiências desenvolvidas. Muitas deixadas de lado com o passar dos tempos. Escreveu ainda sobre advogado e único deputado assassinado no Brasil, depois da abertura política, devido sua militância em defesa da reforma agrária, em João Batista, mártir da luta pela reforma agrária.
Marcha interrompida é um romance que denúncia o massacre contra os trabalhadores rurais sem-terra ocorrido em 1996, na cidade de Eldorado dos Carajás (PA). Em 2008 lançou esse livro na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque (EUA).
Em Candeeiro do tempo – Poemas volta a mostrar sua veia poética, com poemas como “Iluminado”: “Toda luz vem do céu/ da boca aberta, faminta / por sonhos e beijos”, destacado pelo prefaciador como “pensa e age o poeta cidadão”.
Na apresentação de seu novo livro, Pedro César Batista escreve que Candeeiro do tempo – Poemas são “três partes que desnudo, mostrando-me, assim, fatiado, apesar de tentar ser inteiro na direção” que vem trilhando com seus livros e em sua vida. Na primeira parte do livro, em Tempos áridos, tem poemas escritos até 1989. Tempo de Germinar, a segunda, poemas elaborados até 2003 e em Sementes do amanha, poemas escritos na década que atual. Em Manhas de domingo de abril retrata Brasília, onde “muitos seguem no asfalto do eixão, passando sobre as marcas bem definidas das freiadas bruscas e desesperadas antes dos pardais”. Em Cetro do Rei escreve que “a frieza toma conta dessa humanidade, que disso nada tem, somente deseja o cetro do rei”. “Não quero o lucro, nem o mercado, nem o cercado do consumo”, desabafa em Chamado.
Candeeiro do tempo – Poemas é prefaciado pelo jornalista Guido Heleno, com capa e ilustração de Léo Pimental.
O autor é jornalista, escritor e poeta, pauta sua carreira em temas sociais, políticos e em questões relacionadas aos Direitos Humanos. Candeeiro do tempo – Poemas é seu 14º livro. Publicou ainda Tudo tem – poemas (1979), E ai – poemas (1980), Poesia Matutaí – poemas (1982), Letras Livres – poemas (1982), Coração de Boi – poemas (1983), Sonhos reais – poemas (1997) e 63 poemas de amor para uma flor dos pampas no cerrado (2004). Participou das coletâneas Revoada de poetas em Ilhéus (1980) e Enluadonovo (1983). Em 1991 escreveu Conivência e Impunidade; em 2004, Gilson Menezes, o operário prefeito e ,em 2008, João Batista, mártir da luta pela reforma agrária. Em 2006 lançou o romance Marcha interrompida.
Sua atividade profissional tem sido assessorar os movimentos sociais. Integra a Organização Não Governamental Movimento de Olho na Justiça.

Lançamentos
Brasília - DF
5 de agosto de 2010
19h30
Biblioteca Demonstrativa de Brasília
W3 Sul EQS 506/507

Belém - PA
5 de setembro
11h
Bar do Parque
Praça da República

Serviço:
Candeeiro do tempo – Poemas – 115 páginas
Verbis Editora – Brasília – DF
Contatos:
Pedro Batista (61) 9162 6682 - pcbatis@gmail.com

sábado, julho 10, 2010

Um povo que tem muito a ensinar.


“Dame La mano y danzaremos;
Dame La mano y me amarás.
Como una sola flor seremos,
Como una flor, y nada mas...

Gabriela Mistral

Conhecer a terra de Manuel Rodriguez, Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Victor Jara e Violeta Parra foi mais um passo na busca de inspiração para a caminhada na construção de um mundo melhor. Mais uma oportunidade para fortalecer laços e criar amizades na luta do povo latinoamericano, alimentando sonhos e fortalecendo a resistência ao neoliberalismo.

O Chile tem uma história rica, cheia de conquistas e com muitas experiências de lutas populares. Em 1818 proclamou a república, tendo vivido ao longo da história a liberdade e a democracia. O seu povo sempre respirou a democracia e foi politizado, mesmo enfrentando a violência dos poderosos, como o massacre no início do século XX, em Santa Maria de Iquique, quando milhares de trabalhadores que lutavam por condições mínimas de sobrevivência foram mortos.
O golpe de 11 de setembro de 1973, dado por um grupo de militares, comandados pelo sanguinário Pinochet, coordenados pela CIA EUA, tomou o poder e impôs a violência desmedida, o obscurantismo e a dor. Foram longos 17 anos com os militares no poder, perseguindo, prendendo, torturando e matando. Deixaram um saldo de 30 mil mortos em um país com uma população de cerca de 17 milhões de habitantes (2010). Mais um massacre na história dos chilenos.

(O Brasil somente implantou a república em 1889 - quase 70 anos após o Chile. Em nossa história conhecemos espasmos de liberdade. As ditaduras e a opressão predominaram. Durante a última ditadura no país os militares brasileiros, através da Operação Condor, chegaram a treinar os torturadores de Pinochet. Felizmente estamos sustentando a democracia, apesar de ainda faltar muito para uma sociedade justa como necessitamos.)

O Presidente socialista Salvador Allende resistiu ao golpe de 73, sendo assassinado dentro do Palácio de La Moneda. Mesmo com milhares de mortos, os chilenos resistiram e derrotaram a ditadura em 1990. Assim tem sido a luta desse povo irmão, buscando preservar a democracia e a liberdade.

A hospitalidade dedicada lembra o povo brasileiro. Tem suas características próprias, certo jeito europeu, misturado com as culturas indígenas ao sul da América. Apaixonado pelo futebol, mas capaz de colocar em primeiro lugar seu patriotismo e a defesa nacional, sem deixar de lado o fortalecimento de sua cultura e seus ideais de justiça.

Todos os governos após Pinochet foram de uma aliança de centro esquerda, denominada Concertácion, que preservou a política econômica da ditadura e consolidou o neoliberalismo. Na eleição presidencial de janeiro de 2010 foi eleito, em segundo turno, Sebatian Pinera, remanescente do grupo do grupo pinochetista. Pinera, inclusive, é dono do time de futebol Colo Colo e um milionário.

Uma terra de grandes poetas. Gabriela Mistral fala do sonho de um mundo melhor, assim como Pablo Neruda – que morreu dias depois do golpe militar, ainda hoje inspira sonhos, esperança e resistência. Ambos receberam o Nobel de Literatura. As canções de Victor Jara e Violeta Parra continuam sendo cantadas e animando a resistência chilena e popular em todo o mundo.
As políticas neoliberais impostas por vários governos na América Latina sustentam-se no consumismo. Muitos turistas não conhecem a história da luta do povo chileno, mas voltam aos seus países lotados de compras.

As elites evitam debater e resgatar a vida de seus mártires, mesmo tendo tornado público os arquivos da ditadura, o que no Brasil ainda é heresia até mesmo falar. Governantes serviçais ao neoliberalismo em todo o continente tentam impedir o povo de conhecer os crimes praticados por ditadores a serviço dos EUA.

O Chile é uma terra de vinho, poesia, resistência e luta. Mesmo com toda a força do sistema seu povo segue glorioso em sua caminhada. Temos muito a aprender com eles.

Por Pedro César Batista

quinta-feira, julho 08, 2010

Neruda

Isla Negra, Chile, 29 de junho de 2010


Um novo copo,

sem corpo,

sem sangue,

somente as lágrimas

que não caem.

O fogo abrasa o vento

que esfria a alma de tanto caminhar

em direção ao mar.

Ondas que passam,

labaredas crescem,

sem chegar aos céu

que se distancia.

O chão se abre

querendo fazer-me semente

de um tempo por vir.

Sem querer, insisto.

Viver é minha sina.

Ler Neruda não basta.

Ouvir Violeta não adianta.

Vinho não embriada.

Somente o frio é real.

O fogo se assusta,

sente a necessidade do sopro do amor e da vida.

Ainda assim sigo,

preciso navegar,

receber o abraço do vento

as pétalas das flores

no rosto enrijecido.

O copo se torna velho,

encardido pelo vinho

que adentra minhas veias

entupidas pelo sistema.

Onde estou?

Aonde vou?

As rajadas dos sonhos me acompanham,

alegres, apesar da solidão.

Uns poucos insistem em impedir

o porvir de um novo tempo;

outros, persistem na semeadura da esperança.

O mar bate nas rochas

que o repelem;

continua avançando.

Quem dera ser o mar,

viajar no tempo,

pelos continentes,

propagar vida e inspiração.

Quem dera ser o mar?

Pedra é o que sou,

recebendo a força das águas,

que me golpeiam,

insistentemente.

xxxx

Um novo ano começa em meu corpo,

como um novo copo

que se esvaziará em poemas,

na lua cheia,

contando estrelas

que se apagarão.

Novos dias vão florir,

perfumar almas e sonhos

por tempo feliz.

terça-feira, junho 29, 2010

Busca do tempo


O tempo passa. Muito rapido. Os cabelos ficam grisalhos. Os olhares mais profundos e longos. A pele ensejando mais repouso e acalentos - que fogem. O tempo avanca. Veloz. Assim como a rajada do vento frio aqui em Santiago. As pessoas caminham rápido pelas ruas. Os metrös, os onibus lotados. Todos correm. Onde irao? Onde vou? Desejos e a realidade se chocam. Conflitam. Encontram-se em sonhos e em dores das perdas e desilusoes.

Faz frio onde estou. Muito frio, porem estou agasalhado, alimentado e abastecido de sonhos e duvidas como vivenciá-los. Isso aumenta o frio. Aumenta a solidao. Cresce com a mesma velocidade do tempo que me acompanha. Fortalece a escolha feita ainda adolescente. Escolha cheia de perdas, dores, sangue e prisoes. Assim alimenta a alma da certeza de que foi o melhor caminho.

Vi muitas conquistas. Vi muitas dores. Vi amigos mortos. Vi amigos esquecerem o povo e a luta. Vi muitos permanecerem firmes independente das dores e desilusoes. Muitas imagens e lembrancas repletas de importancia historica para o povo, a humanidade e para a vida. Muitas aprendizagens que fortalecem a certeza de que acertei na escolha. Minhas perdas pessoais sao mui pequeñas e insignificantes diante de tantas injusticas combatidas e derrotadas. Quanta vida semeada e germinada na caminhada.

O tempo avanca. Forte, cruel e iluminado. Sigo com ele, desejo ir longe, muito longe. Mesmo solitário na caminhada quero seguir adiante pelo porvir repleto de criancas felizes e sorridentes caminhando por suas imaginacoes e sonhos de maos dadas, com seus bichos de estimacao, suas maes e pais. O tempo ensina e encanta. Faz querer adentrar em suas ondas e se transformar em forca capaz de virar o mundo e fazer o povo ser fogo para incendiar a exploracao e a mentira da burguesia e exploracao milenar. Velhos sonhos ainda adolescenes e juvenis para a historia do mundo.

Hoje o Brasil venceu no futebol o Chile, durante o futebol do chile -
http://militantedocampo.blogspot.com/2010/06/como-desejaria-estar-errado.html
como se isso tivesse alguma importancia para a vida. Isso somente fará aumentar o volume da riqueza de alguns, mais nada. Entao o que comemorar, se minha virada de ano na vida ainda mantem as mesmas necessidades históricas e coletivas. O que comemorar? Estou em uma terra bela, cheia de lutas e história, só e sonhando. Ainda sonhando, apesar de meus 47 anos que chegam. O tempo avanca. O sigo em sua busca.

A vida dos outros

http://perfumedodeserto.blogspot.com/2010/06/vida-dos-outros-ou-o-que-fazemos-com.html?showComment=1277778840235_AIe9_BGZQibFrCSo4JBS1DkuiJZEM6fAC-dWAmTf3XC_Liz-swpY-T8PNDkN0LoePTsIMMPY5SW0aZgJLFbVgmf68xIiEfWPYQRF2B71zdVZNRM_IIRhhn9fKO7289icWK2p3K6-75z3w3ndehhVJB3cr5TubXX_72B4drEiUguQapSO6W9TUuX94xyceWAYoMdC9FEPDziOLtT6B-CjhwROJaccZmZtQIOlZcjyYCjun52J7Ll9W5X5-QOwqVHdvtkLjFSTpxZ0#c7119087692964291849

Um filme intrigante. Principalmente quando se analisava as pesquisas realizadas nas duas Alemanhas, anos depois de se tornarem uma apenas, em meiados da decada de 1990. Os que eram do ocidente queriam sua treanquilidade de volta, pois se sentiam "invadidos" pelos orientais, que tiravam seu sossego. Os que eram do oriente tinham saudades de suas casas, seus empregos e a "seguranca" que possuiam. Segundo essas pesquisas feitas no inicio dos anos 90, todos os alemanhaes, tanto do oriente, como do ocidente, desejavam o muro de volta.
Porém, mais intrigante eh a realidade atual. Estou no Chile e nasce aqui um novo partido, fundado pelo filho de um dirigente do MIR - Movimento de Esquerda Revolucionario assassinado perla ditadura de Pinochet. Marco Enríquez, o filho com um grupo organiza o Partido Progressista: "no somos ni de izquierda ni de derecha, sino que somos un partido abierto, transversal, que recoge los planteamientos que tanto uno y otro lado de la política comparten. Nosotros queremos modernizar nuestra sociedad de cara al siglo XXI y al bicentenario de Chile". No entanto, vejo aqui no Chile, assim como há em quase todo o planeta, a maioria recebendo baixos salários, sem ter assegurado seus direitos elementares, tais como saude e educacao. A violencia dos ricos, atraves do Estado, contra os mais pobres eh a mesma de qualquer outro lugar no mundo. Hoje, inclusive, durante a repressao dos carabineiros depois do jogo em que a selecao chilena perdeu para o Brasil, um jovem foi morto, apos ser preso, devido espancamentos sofrido dos policiais - herdeiros de Pinochet.
Nesse momento atual onde a uma uniformidade de sonhos, criados e impostos pela hegemonia liberal, que se diz humanista, mas visa os mesmos valores de sempre, dinheiro, status e poder. Consumir, luxo, riquezas é o que se busca em todo canto. Diante desse quadro o que valeu os sonhos do velho alemao, Marx, ou dos chilenos Neruda, Vitor Jara ou Violeta Parra. Como dizia Lenin: O que fazer?
Vamos continuar reunindo, resistindo, voltando as ruas, aos poroes e as garagens, tentando semear chamas do fogo da rebeldia em busca da vida e da dignidade.

quarta-feira, junho 09, 2010

V


IV


III