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segunda-feira, dezembro 26, 2011

Explosão terrena




Estoura olhar do tempo,
faz brotar o grito da aurora,
desmascarar o teatro de péssima qualidade,
mofado nos palácios,
germina a seiva da esperança na solidariedade
escondida nas crianças
famintas pelo planeta,
dissemina flores
no lugar de riquezas,
propaga a vida,
usa a avareza para revirar a história.

Estoura olhar do vento,
leva para bem longe o medo,
o desespero e a solidão,
arrasta para terras longínquas o egoísmo e a tristeza dos deprimidos,
a fé pelo metal causador da opressão que mais dor provoca,
espalha abraços verdadeiros e prolongados,
semeia jardins que jorrem
pétalas nas avenidas e prédios assustados.

Estoura olhar da história,
ilumina os passos
desencontrados e dispersos,
ensina a direção da resistência em busca
dos sonhos coletivos,
aponte o brilho na escuridão dos olhares
acuados com a força do capital,
descortine um novo palco
onde os protagonistas
sejam sinceros nas palavras e justos nas ações,
permitindo todas as crianças, jovens, adultos e idosos
colherem suas flores
preferidas,
sem terem que destruir jardins.

Estoure vida por todos os poros da terra.
espalhando fonte de entrega sem medo do amanhã.

quarta-feira, dezembro 21, 2011

História



Tiraram a costela para encantar o homem com a formosura da mulher.
Negaram a descoberta do fogo e o desenvolvimento da espécie.
Inventaram a propriedade das terras, das pessoas e manipularam as almas.
Criaram um Deus, onipresente, entorpecendo olhares e abraços. Temível.

Justificaram a opressão, a fome e impuseram o medo.
Usaram a morte para destruir a vida, jardins, culturas e civilizações.
Sem pudor mataram, saquearam e mentiram.

Uma moeda se tornou valiosa controlando desejos,
Negando o trabalho, a criatividade, a arte e a natureza.
Fizeram um estado controlador, manipulado pelos contadores de mentiras.

E mais mentiras vieram.
E mais mentiras vieram.

Vieram santos e mercados em bolsas sanguinolentas envenenadas.
Vieram armas sutis, cirúrgicas para crianças e adultos.
Até o amor conseguiram torná-lo assustador, amedrontador.

Tudo é o medo.

Tudo é a busca pela moeda sangrenta, armada e controladora dos tempos.
Assim mentem ainda,
Controlando os abraços que se afrouxam,
Os beijos que fogem,
As costelas que se enrijecem.

Uma história mal contada que virou sagrada e bíblica.

Brasília. 21.12.11

terça-feira, dezembro 20, 2011

Momentos




Tem momentos na vida
que passam com a velocidade
do arco iris.

É preciso se deixar molhar,
assim os campos

não se perderão

na névoa da memória.

Amanhã




A terra vermelha

do Planalto

é da cor

dos olhos do amanhã.

Ignorado




ignorado irado pirado voar
liberar o sonho

ignorado irado cantar
arar a mente e plantar rosas

ignorado amar olhar o tempo
sentir o hálito do novo trazendo o conhecimento

ignorado cantar a descoberta
sangrando pétalas de rosas....

Rede




Conectado na rede
desligado de voce,
navegação solitária
buscando um porto....real.

Voo livre




Mata verde enverdecida
fértil
por alegria brotando em olhares
despertos da escuridão do poder
em voo livre como chuva
deslizando ao entardecer....

total



Nada de dia nem de noite
o tempo não tem hora
descobre-se a qualquer tempo
em pura e total entrega...

terça-feira, dezembro 13, 2011

Renascer Prometeu




Tróia foi destruída na escuridão do cavalo grego
Pelo amor a Helena que provocou a guerra,
Enquanto Penelope enganava reis e generais,
Certa da volta de seu Ulisses que um dia retornou.

Iracema não teve a mesma sorte com Martin.

Afrodite e Vênus desabrocharam o amor,
Nascida no mar e criadas por Zeus trouxeram a beleza e o encanto.
E Eva, para Saramago, seduziu o anjo
Que cuidava do Éden e então, com Adão,
Caíram no mundo mundano,
Mostrando o sabor do prazer
Que faz olhares brilharem.

Lavínia enfrentou o império romano ao lado de Spártacus,
Julieta optou pelo fim sem o seu amado Romeu,
Gilliatt em sua pesca preferiu o gosto salgado do mar,
Isolda não mais quis viver sem Tristão,
então resta esperar o renascimento do amor,
inteiro apaixonado pela vida e pelos sonhos.

Será preciso uma redescoberta de Zeus,
Com Prometeu renascendo nas almas,
Que precisam entregar-se aos sonhos.

sábado, dezembro 03, 2011

Sem-vergonha



O fulgor de meus beijos
Afogam minha solidão
Tornam-se magmas expelidos
Rompendo átomos floridos
Rosas, margaridas, cravos, marias-sem-vergonha,
Inteiras na beira do tempo
Sem medo de se mostrar
Estalam no fogo da vida.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Aula




Aprender ser como o vento
da História,
com suas tempestades e trovões,
plantando manhãs ensolaradas,
com rosas vermelhas
desabrochando
em olhares.

sexta-feira, novembro 25, 2011

O que somos?



Se humanos somos, algo está errado, violentamos uns aos outros, destruímos a natureza, competimos de forma estúpida e desesperadamente todos buscam o ouro e o poder, os verdadeiros deuses que movem a raça. Se isso é ser humano, precisamos mudar a denominação da espécie ou o conceito sobre o que é ser humano, pois essas atitudes, segundo o conceito de humano, nada humana são. O que somos?

terça-feira, novembro 22, 2011

olhar



Um caminhar anima a chuva,
traz o vento e o aroma do tempo,
um novo tempo com um novo aroma,
enquanto o vento caminha rumo ao sol,
que escondido dança com as gotas d'água
que se confundem com as pegadas na estrada,
dos que ousam lutar por um novo olhar.

segunda-feira, novembro 14, 2011




Rosas vermelhas despontam,
a seiva de sonhos e da vida domina o aroma,
estrelas cadentes brotam,
a chuva continua...

terça-feira, novembro 08, 2011

Passeando nas nuvens




Uma cor cinza se apodera da luz,
Pedras azuis tomam conta do caminho
Um despenhadeiro brilhante desponta no horizonte
Sentimentos de medo e solidão fazem as flores caírem dos caules
Uma claridade atrai para uma flor desabrochando que chama à vida
A música rasga profundamente a alma com a leveza de uma navalha
Deixa a mostra sonhos desencontrados nos passos fincados em nuvens
Memórias do descaso se fortalecem provocando dores
Sem terra nem ar nem tempo nem amanhã
Sem brilho repleto de escuridão seguir os passos do jardim
Onde está a vida que quer abandonar a marcha do tempo?
Onde as flores não mais serão plásticas?
Uma voz suave canta as desavenças da história
Canta canta canta desesperadamente
E a cor cinza insiste em se apoderar de olhares que ficam turvos.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Sem cerimonia



Um som invade a luz do tempo,
torna o fogo líquido,
envolvente e dócil.

Notas desencontradas tocam
e pássaros se perdem em pleno voo.

Labaredas se tornam abanos poéticos,
incendeiam nuvens que viram rochas
flutuantes em tapetes de rosas voadoras.

Asas quebram-se por voarem rasteiras,
chocam-se em palavras afiadas e cegas.

Querem cantar a ventania
tentando entrar em portas fechadas,
acordes brilham na escuridão
de olhares brilhantes e negros de insonia.

A sonoridade flutua
nas almas estão presas no fogo do desejo.

Sem cerimonia tiram a maquiagem e abrem a janela,
recebe a luz do som deslocando o tempo.

A luz e o som se encontram na escuridão,
fazendo a manhã anoitecer.

segunda-feira, outubro 31, 2011

Sou pássaro voando




Quem dera ser uma rajada de vento,
espalhar sonhos de vida e liberdade,
sementes de resistência e dignidade.

Como sou um pássaro em terra,
resta-me caminhar em direção ao sol.

Um dia a tempestade acordará em sonhos,
respirando o hálito das flores
que apesar dos espinhos,
ainda inspiram ventania.

Quem dera ser uma nesga de luz,
despertaria a escuridão,
levando-a a bailar em noite de lua cheia.

Beijos de Vênus




Domingo é dia de luzes,
não importa que estejam apagadas,
as flores perfumam o tempo,
a música inspira o trabalho,
explodem sensações de prazer por existir.
Uma vontade enorme de voar,
caminhar sobre as nuvens até o infinito
onde terei os beijos de Vênus.

quinta-feira, outubro 27, 2011

A dama da festa





Meu corpo se move
No ritmo das águas que me levam,
Lavam e salgam meus sonhos,
Ainda adocicados de desejos
Por um tempo de equilíbrio
Com entrega e calor,
Verdadeiros,
Inteiros.

Onda vai onda vem.

Segura-me o vento,
Enquanto a lua se prepara
Para adentrar no baile.

O brilho do sol
Começa a se despedir a oeste.

Logo ela virá
E se entregará ao mar
Tornando-se a rainha do prazer.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Palavras voadoras



Navegar é como escrever,
as palavras vem em ondas,
crescentes e em movimento intenso,
que nos empurra mais para o vento.

O vento é como escrever,
rasga as faces sem vergonha,
acariciando até almas desconhecidas
que se jogam em pleno voo ao infinito.

Escrever é como fogo,
vem das entranhas do magma do coração,
soltando lavras que inundam olhares
que ainda continuam fechados.

Continuarei caminhando,
quem sabe uma palavra me leve
ao infinito onde sinta a luz
do vento navegar o fogo
que necessitamos para voar.