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quinta-feira, janeiro 09, 2014

Lançamento de Relatos sobre o amor, em Itanhaém (SP).



Relatos sobre o amor, Pedro César Batista (Thesaurus - 2013)

Café da Vila

Itanhaém - SP - Brasil

21h - 18 de janeiro de 2014.

domingo, setembro 01, 2013

Combater a escuridão



Por Pedro César Batista

Durante encontro com populares debatendo a questão ambiental, onde apontava como uma das causas dos danos provocados à natureza o consumo exacerbado, um estudante da UnB saiu com a seguinte preciosidade: “não me vejo sem ser capitalista”. O jovem, com no máximo 20 anos de idade, mora na periferia de Brasília, é filho de família remediada e a sua opinião, consciente ou não, me provocou maiores preocupações com o futuro do planeta e da existência da espécie humana.

O Brasil, no final do mês de agosto de 2013, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ultrapassou os 200 milhões de habitantes, os quais em quase a sua totalidade recebem as informações de alguns veículos de comunicação, sendo que o mais poderoso, a Rede Globo, chega a atingir 99% do território nacional, sendo em muitos lugares a única fonte de informação e acesso a programas culturais. Quantos milhões desses brasileiros têm como única fonte de acesso ao mundo apenas a telinha, do canal de televisão citado ou dos outros que não chegam a meia dúzia?

Necessariamente isso provoca uma hegemonia no pensamento, fazendo com que se reproduzem inúmeros conceitos e discursos propalados, pasteurizando o pensamente como se este fosse uma rocha e não uma ventania, capaz de se transformar a cada novo instante o olhar e o pensar da sociedade e do individuo.

Essa homogeneização do pensar faz com que a liberdade e o indivíduo se tornem conceitos sagrados, tanto quanto os deuses propalados pelos religiosos. A conjugação desses conceitos, para Hannah Arend, possibilitaria a existência de “um mundo politicamente organizado no qual cada homem livre poderia inserir-se por palavras e feitos”. Isto dito significa que o prioritário deve ser a garantia da individualidade livre e que tivesse assegurada não apenas o pensar, mas a garantia do poder ter e ser.

O pensamento se tornou completamente dominado, com o controle na informação, na educação, nos valores éticos e morais, o qual se cristalizou no pensar elaborado e propalado pela poderosa comunicação controlada mundialmente. Para partes significativas da população a história da humanidade acabou, não havendo a possibilidade de se sonhar ou acreditar que ainda haverá um tempo que os conceitos propalados pelas corporações, grandes acionistas e poderosos será transformado, possibilitando a criação de uma nova relação social, onde o consumo, a acumulação e a busca desesperada para ter acesso ao status quo deixe de existir.

Infelizmente se observa que jovens, como o citado no início deste texto, existem em grande quantidade. Mesmo sem conhecerem o processo histórico, em face da manipulação da mídia e do poder econômico, controlador de governos, escolas, universidades e pensamentos, possuem uma arrogância das crianças burguesas, que tem os criados para atender seus desejos.

Assim como os danos ambientais são fruto da lógica capitalista, com o consumo desenfreado, o egoísmo exacerbado e a acumulação de riquezas criminosas, também há os jovens, trabalhadores, homens e mulheres que ainda ousam sonhar e combater a exploração e a maldade criada em mentes de jovens que não têm a liberdade de ser solidários, apenas sendo seres medíocres e tolos que reproduzem, sem pensar nem questionar, nada que o capital e suas correias de transmissão propalam.

O tempo é como o vento, assim como o pensar, caminha com uma velocidade histórica que transforma a espécie humana em simples alimento aos sonhos, que podem ser o de seguir a marcha suicida imposta pelo capital ou a ousadia dos que ainda têm utopias, mesmo correndo o risco de sofrerem as agressões de jovens alimentados com os mais vis desejos e que acreditam que poderão ser senhores dos negócios.

Esse tempo de descrença e violência vem de muito tempo, fazendo que os mais fracos e alienados se tornem apenas um tijolo da opressão e exploração, servindo aqueles que de fato detêm o controle de mentes e sonhos. Para romper esse tempo é preciso conquistar a liberdade de eliminar a imposição do único pensar, o qual não passa de um vampiro, sugando o amanhã e a solidariedade. Porém, sempre é tempo de levar o fogo aos que vivem na escuridão, como fez Prometeu.

terça-feira, julho 02, 2013

Cinco décimos



I

A porteira se abriu,
germinou outro tempo,
fez a chuva florir sorrisos.
A manhã ainda não havia chegado.
Tudo começou com um choro.
Deslocamentos e sonhos vieram,
determinaram os passos,
a busca trouxe a mata densa,
com seus cheiros e cores,
flores brancas, amarelas, multicores,
o leite das árvores como alimento,
o urro das onças como espanto,
o canto dos pássaros como inspiração,
goiabeiras, cajueiros e sombras
para saborear a vida e as descobertas.

II

O chão batido da casa,
coberta de madeira,
assegurava o calor e segurança,
que todos deveriam ter.
O calor do fogão a lenha
aquecia os corpos,
alimentado pelas caças, aves
e tudo colhido da terra,
que desvirginada,
perfumava os desejos
de uma criança na floresta.

III

Nas noites estreladas,
pirilampos dançavam,
saltitantes apontavam estrelas cadentes,
cometas desconhecidos,
os planetas distantes,
entre as luzes
da lamparina piscando.

IV

Ver a cidade se formando,
primeiras classes,
Pra frente Brasil,
a seleção canarinho foi campeã.
Soldados amontoados em caminhões,
verdes confundem-se com as árvores
e circulam para matar.
Levam armas assassinas oficiais.
O Araguaia pegava fogo,
jovens erguiam sonhos,
resistindo a dor e a morte,
institucionalizadas.
Na pequena vila,
a beira da estrada,
vejo tudo acontecer.

V

Belém apresenta suas luzes e cores,
novas descobertas descortinadas,
sons, avenidas e mangueiras,
servindo seus frutos com a ventania.
Ver - o - peso, a baia, praias e livros.
O homem de gravata de bolinhas,
primeiro filme no Olímpia.
Jogo de bola nas várzeas da Cidade Velha,
paqueras em Batista Campos,
os bailes de carnaval no Forte do Castelo,
os banhos nos igarapés de Benfica.
O mormaço da Presidente Vargas
alimenta noites e caminhos.

VI

Ocupar as ruas,
muros transformam-se em tribunas,
lousas revolucionárias coletivas.
A tremedeira do primeiro discurso.
Anistia ampla, geral e irrestrita,
queremos nossos combatentes livres,
abaixo a ditadura,
meia passagem aos estudantes.
Minhas primeiras passeatas,
a prisão no quartel,
a cavalaria avança e atacamos
com poemas e palavras de ordem
estudar, organizar e resistir.
A aurora despontava nas alamedas
da história construída com coragem e luta.

VII

O sangue prosseguiu a encharcar a terra,
Com um tiro encomendado,
Acertou Gabriel Pimenta,
Outras mortes, muitas mortes se avultam.
Uma nova república nasce envelhecida e carcomida,
Mentindo em nome do povo,
Que luta e combate pelo novo homem e pelo novo mundo.
Nada importa para os matadores,
A carnificina segue seu séquito cínico,
Protegida pelo Estado.

VIII

Como um rio em período chuvoso
Matam meus heróis por defenderem o povo,
Formam-se corredeiras em meio a frágil democracia,
Inundando as alamedas de dores e resistência.
Vem uma estação na ilha de Camilo,
Aprender com o povo e Fidel combatendo,
Forjando outro amanhã
No coração da manhã ensolarada do Caribe.
A Frente Brasil Popular é golpeada,
Logo o marajá é caçado do poder,
A Globo segue manipulando
Mentes e manhãs
Sem nenhum escrúpulo.

IX

Nada apaga as dores,
Seguir a ventania,
Semeando furacões,
Explodindo corações,
Erguendo corpos,
Rompendo trovões,
Grilhões e letargias.
Agora há duas flores
Para adubar e cuidar.
Um tempo maduro,
Terra sem porteiras,
Hortas coletivas,
Casas suspensas
Esvoaçando sonhos.

X

Passa o tempo,
Sem pressa,
Manhãs preguiçosas,
Rompendo a escuridão,
Seguindo caminhos desbravados
Encharcados de nomes e combates.
Nem parece muito,
Tudo foi um piscar de olhos.
Vem mais ainda,
Outro meio século.
Vem fazer o fogo,
Fagulhas da vida propagar.
Jorrar cantigas
Com o povo nas ruas,
Romper cercas,
Aniquilar o sistema podre,
Brindando ao novo que chega.

Pedro César Batista - 29 de junho de 2013

quarta-feira, junho 05, 2013

Venta forte



Derrubar fronteiras,
cantar a intifada planetária,
uma intermitência contínua,
até aniquilar o medo,
enterrar a desesperança
e erigir um novo horizonte
com oliveiras carregadas,
resistência sem susto,
o sorriso se espalhando.

Quantos árabes ainda morrerão?

Quantos guaranis, pataxós, mundurucus será preciso enterrar?

Quantas crianças ainda precisarão morrer?

Nem as mentiras da TV ou dos sermões
deterá o vento,
com suas tempestades
sangrando almas e corpos
com punhos erguidos.

(pcb)

Fim de tarde



Por detrás da Esplanada,
em plena tarde de domingo,
a criança tenta apanhar goiaba,
outra vem pedir moedas.

Sua mãe lava roupas,
em uma torneira no fundo do ministério.

Um bebe espera no carrinho.

Os cabelos longos da menina,
com o olhar de sobrevivente,
avança sem destemor,
acostumada com a dor e a fome,
para pedir.

Sua infância foi aniquilada,
cata coisas, comidas e resiste.

A menina da goiabeira,
como uma guerreira anuncia a defesa,
fala firme como fosse ser agredida,
pronta para atacar.

A mãe continua esfregando as roupas,
as crianças acalmam,
ainda acreditam na vida,
enquanto as goiabas verdes saciam a fome.

© Pedro César Batista - 2013
Foto minha.

aquecer

Passos da história,
ondas em movimento,
avançar sobre rochas,
seguir um novo tempo,
aquecer utopias,
semear indignação,
resistência fazer brotar nos olhares,
em braços abraçados
pela vida e por manhãs
ensolaradas distribuir flores,
de todas as cores,
em cada canto do amanhã.

(pcb)

Terra pensa


Nem sabe o sol que a lua o espera ,
sedente e cheia de desejos.

Nem imagina a terra,
o prazer da semente em germinar.

Cantando a ventania acredita espalhar esperança,
perfumar os olhares e amainar os sentimentos.

Ainda assim as crianças permanecem logo ali,
espalhadas pelos faróis pedindo moedas.

(pcb)

segunda-feira, maio 13, 2013

Falso positivo



Forte guerreiro,
Animado para (re) começar,
Sempre (re) construir a luta,
(Re) Fazer a resistência,
(Re) Animar a esperança.

Falso positivo comprovado,
Ainda estás jovem,
Sem nada atrapalhando a circulação
De sonhos, do sangue e do ar
Que leva o perfume do amanhã.

Cantas a manhã como se fosse criança,
Cantas a luz como se fosse o sol,
Cantas a vida como uma mãe,
Cantas a luta como mar
Avançando sobre o tempo e a terra.

Forte guerreiro,
Derrubaste os meus,
Um em Abade, outro em Peruíbe,
Sem avisar,
Fizeste um vazio aparecer,
Então vens assustar-me,
Ameaçando parar o baile da vida.

Muito ainda se entregará,
Fará dos sonhos anima de Fênix,
Inspirando labaredas para semear,
Semear em tua cor,
Vermelha,
As flores e suas sementes.

(PCB)

segunda-feira, abril 29, 2013

Pedro César Batista lança Relatos sobre o amor na Feira Pan – Amazônica do Livro



O escritor e jornalista Pedro César Batista lançará em primeira mão durante a Feira Pan – Amazônica, no dia 4 de maio, às 18h, no Estande do autor Paraense o livro Relatos sobre o amor.

O livro, que é o 15º título do autor, é uma coletânea de contos – relatos sobre situações relacionadas ao cotidiano das pessoas comuns, tratando de relacionamentos, buscas e crises existenciais provocadas por encontros e desencontros.

Segundo o jornalista Guido Heleno no livro Relatos sobre amor “os ambientes e personagens alteram-se, com extrema realidade, incorporando o dia a dia de muitos, de tantos – crianças, jovens, adultos, idosos, homens e mulheres – mas com a linguagem literária adequada”.

Para o Guido Heleno “Pedro César Batista é desses escritores atentos, para os quais a vida em sociedade não é apenas seguir rotinas e roteiros. Seu olhar crítico, consubstanciado na vivência rica em participação e lutas, permite a ele exercer o talento de escritor, seja em verso ou em prosa, com louvável e reconhecida qualidade literária”.

O autor editou livros de poesias, biografias e um romance. Relatos sobre amor é sua estréia com um olhar novo e uma nova proposta na literatura, trazendo por meio de relatos da vida cotidiana a pluralidade, do mundo atual, sentimentos e paixões em 13 contos, a maioria sobre a alma feminina e suas buscas.

O primeiro lançamento de Relatos sobre o amor ocorrerá na Feira do Livro – Pan – Amazônica do Livro de Belém. Estão marcados novos lançamentos para Brasília (25.05), São José do Rio Preto (SP), em junho e em agosto no Rio de Janeiro, Salvador e Santos.

Serviço:

4 de maio de 2013, sábado, 18h.
Estande do Escritor Paraense
Feira Pan – Amazônica do Livro
Belém – Pará
Informações:
pcbatis@gmail.com
(61) 8322 9805
pedrocesarbatista.blogspot.com

sábado, abril 27, 2013

In - certeza



Onde andará Atena que não vem?

Viver como Penélope,
Satisfazer a dor para alimentar o amor,
A espera de Odisseu é o caminho?

Quem sabe Zeus desistiu da justiça?

Ou então as flores foram arrastadas pelas ondas,
Deixando apenas as memórias vazias?

Onde andará o sonho?

Calipso ainda tenta sequestrar a esperança?

A fúria de Poseidon alimenta o medo,
Um medo tão grande como suas águas geladas e furiosas.

Onde andará Atena que não vem?

Dançar conforme a música não faz bem,
É preciso fazer Penélope ter seu amado.

É preciso dar a Odisseu a paz dos guerreiros.

© Pedro César Batista - 2013

segunda-feira, abril 22, 2013

Bússola

Meu coração é minha bússola,
não tem receio em erguer os punhos,
combater a morte,
nem semear rosas e sonhos.

Pcb

Domingo



Domingo bate a máquina,
estender as roupas,
esquentar a panela
fazer pressão no fogo,
no coração que amolece.

Domingo sem frio,
para se aquecer,
sem chuva
para se queimar,
sem lua para poetisar.

PCB
Finda março,
abril vem para trazer o novo,
sementes brotarão,
o fogo fará a dor virar cinzas.
É necessário voar,
fazer tempestade,
desabrochar o novo.

(pcb)
,

Soltam-se as estrelas,
navegam em balões coloridos,
sustentam-se em seus horizontes.

Flutuam sobre o descaso,
sem se assustarem com o dia.
Soltam-se as partículas do encontro.
Flutuam em meio da terra,
abandonada e firmes.

(pcb)

Brasília central



Cidade com as cores das borboletas,
com o traço das aves libertas,
com a terra cor de sangue,
encharcada pelo suor dos seus construtores,
candangos e poetas de obras levantadas no cerrado.

Nem sou teu filho,
nem tua cria,
nem teu amante,
nem teu amor,
somente aprendo com tua diversidade,
ser lagarto em teus sonhos,
nas lutas de teu povo,
no grito de teu ventre,
que germina a esperança e um novo tempo.

Voo em tuas asas,
esperando pousar em um tempo,
onde tuas belezas e encantos sejam coletivas,
onde tua forma de borboleta
seja o céu assim todas as manhãs.

(pcb)

quinta-feira, abril 18, 2013

Escuridão



Cada olhar mira a alvorada,
Ambiciona arrebatar o vento ensolarado,
Difundir o canto dos pássaros apaixonados,
Sem temor se não deteriorar as palavras,
Nem assombrar o tempo.

Será que ainda saberemos aliciar o amor,
Ou semear girassóis?

Quem sabe nada aprenderemos,
Nem consideraremos as dores e martírios alheios.

Jamais dançaremos ao anoitecer.

O clamor será silencioso,
Nada refletirá,
Nem destroçará a solidão.

As palavras esmagadas,
Tentaram germinar e não crescerão,
As páginas permanecerão em branco,
Manchadas por café.

A opacidade do som ensurdecerá os semblantes,
Que contemplaram o lado
E tentarão dissimular abraçando o horizonte,
Com rochedos ecoando para o alto.

Não sabemos a direção,
Não importam os sulcos da história
Alagados em sangue e lágrimas,
Movidos pelo impulsos fluímos
Ladeados com a obscuridade.

Os motins dos sonhos se fecham,
Levantam fortalezas em cabos cibernéticos,
Reproduzidos em telas na palma da mão,
Que vibra buscando flores,
Sem saber cultivar o coração.

Uma vermelhidão apodera-se da íris,
Marcas cartelizadas ajuízam fantasias,
Cobiçadas por uma sede sem fim.

© Pedro César Batista – 2013

terça-feira, abril 16, 2013

Relatos sobre o amor



O livro Relatos sobre o amor fala dos (des) encontros, satisfação e vivências nos relacionamentos.

Destaca-se no livro a voz feminina com suas dores, superações, conquistas e experiências no mundo patriarcal.

O livro Relatos sobre o amor, de Pedro César Batista, envereda principalmente no universo feminino, ao apresentar uma combinação da angustia e a satisfação da conquista da liberdade e de rebeldia que algumas mulheres conseguiram obter com suas marcas indeléveis, apesar do machismo, ousaram enfrentar o patriarcado.

Integrado por 13 contos – relatos, onde prevalece a voz feminina, o autor destaca nos textos homens e mulheres com suas práticas comuns e revolucionárias, sempre reproduzindo uma busca pelo seu par, levando a encontros, provocando a solidão e o prazer, com as idiossincrasias da pós-modernidade, marcadas, ainda, pela moral judaico – cristã.

A assessora de imprensa paraense, Ana Lúcia Araújo, que vive há 20 anos em Portugal, diz sobre o autor que “Encontra no texto a coerência e a frontalidade que se espera de quem parece se propor como “um olho a mais” em cada um dos seus leitores. Um olho que não fecha, que está sempre vigilante”. Diz ainda que Pedro “escreve sobre a vida, sobre a morte, sobre o amor entre as pessoas, a amizade, a natureza, com a revolta e a calma que devem alimentar constantemente todas as histórias e mudanças. Leio-o e penso no quanto foi difícil fazermos a lição do Che e endurecermos sem perder a ternura. Ele vai conseguindo”.

Wanessa Dias, professora de língua portuguesa, destaca no prefácio que “há nos relatos ora uma satisfação momentânea do gozo, ora encantos e o sofrer deles e por eles, quando o tempo, por isso, não é capaz de fazer desaparecer os bel-prazeres um dia conhecidos e, por vezes, sonhados. Não são, por isso, caminhos meramente refeitos ou acúmulos de episódios e lamúrias num enredo bem estruturado”.

Relatos sobre o amor é o 15º livro do autor, que publicou seu primeiro título Tudo tem, em 1979, ainda no mimeógrafo. Nesse tempo enveredou em diversos mundos das letras, escreveu biografias, um romance e dedica-se à poesia. Seu livro anterior, Candeeiro do tempo (Verbis – 2010), é uma coletânea que reúne poemas de três décadas. Realizou lançamentos em Portugal e em Nova Iorque (EUA), na ONU, além de diversas capitais e cidades brasileiras. Quando iniciou seu trabalho teve as dificuldades inerentes ao tempo da ditadura, que serviu apenas para alimentar a sua letra de resistência e sua militância por vida e libertação.

Serviço:

Relatos sobre o amor será lançado em 04 de maio de 2013, sábado, às 18h, no Estande do Autor Paraense, na Feira Pan – Amazônica do Livro, em Belém (PA).

Relatos sobre amor

Autor: Pedro César Batista
Thesaurus Editora
Brasília – DF - 2013
132 p.
R$ 20,00

Informações:
pcbatis@gmail.com

Ainda



Quantos gritos retornam às gargantas,
sem sair do umbigo de quem quer espelho?

Quantas vozes se perdem no som do vento,
sem formar tempestade,
nem se deixar virar arco íris nas manhãs?

Quantas crianças ainda batem o pé,
sem perceberem que o tempo passou,
fazendo-as adultas em suas idades quase senil?

Quantas palavras são espalhadas,
sem saírem das molduras de egos alucinados?

Ainda assim os besouros, pesados, barulhentos,
resistem e voam,
sem medo das alturas.

Ainda assim as manhãs espalham a luz da lua,
que não quer ir para outras terras,
desejando reunir as vozes, os sonhos e abraços,
fazendo um céu vermelho sobre o mar.

Ainda assim há vozes....

(pcb)