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terça-feira, março 10, 2015

Desafinado.





 
Não quero guerra,
preciso de terra boa
onde possa me enraizar
e respirar o vento de novos tempos.


Não quero o último modelo de celular,
nem passar em concurso,
com altos salários.


Sonho com o fim da fome e da exploração,
um novo tempo de braços dados
alinhados com um novo canto.


Quero a paz real.


Quero flores nos cabelos
brilho nos olhares,
crianças correndo
atrás de borboletas.


Não quero bebés em colos pedintes nos faróis,
nem quero a mediocridade desse consumo criminoso.


É preciso novas sementes
que germinem
abraços apertados
verdadeiros
perfumados
apaixonados
pelas pessoas
flores
bichos
e crianças.


Quero esse sonho
brotando em almas
iluminando mentes
apertando corações
no planalto
no sertão
no campo
no Planeta.


Nada de acumular capital
desvairado avarento assassino.


A voz não cala,
mesmo sufocada
pela solidão dos gritos desafinados
que ecoam na escuridão.


Quero combater a desesperança,
semear tempestades,
florir os olhares.




Pedro César Batista

sexta-feira, março 06, 2015

Porta

Nem canta mais a manhã,
O sol se apagou nas folhas levadas ao vento,
Que espalharam sem ilusão o fogo,
Apesar dos abraços dispersos.
Nem mais sabe a direção,
Se perdeu atrás da porta,
Deixando-se iludir pela escuridão,
Apenas com medo da velocidade.
Segue o curso as águas,
Nem se preocupam com represas,
Nem com bordas estreitas,
Apenas buscam nuvens.
Tenta apagar a marca no asfalto,
Crê em ressurreição do solo,
De sementes esmagadas,
Apesar do sangue seco brotando em bocas bíblicas.
Nem canta mais a noite,
As estrelas resolveram naufragar em vinho tinto,
Saboreando gelo seco empacotado em bisnagas.
 Nem sabe mais viver,
Apenas deseja trancar o tempo.

PCB

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Encontro







Nem sabe mais quem é.

Um dia foi luz,
acreditou que poderia fazer fogo,
serviu flores sem pudor.

Veio o tempo,
conheceu muitas cores,
ficou desbotado.

Esqueceu as caminhadas pela W3,
o pão com ovo dividido,
as batalhas nas fábricas,
as reuniões clandestinas.

Encontrou o poder,
agarrou-se em púlpitos,
confundindo-os com seus deuses.

Instalada em luxuosos hotéis,
abandonou a Cidade Nova IV,
discursando em Nova Iorque.

Segue inventando proselitismo,
ainda pensa ser comunista,
banqueteando com banqueiros.

Nem sabe mais quem é.

Um dia foi flor,
entendeu ser semente,
hoje não passa de uma moeda,
campeando um bolso.

Pedro César Batista


sábado, novembro 01, 2014

Prosperidade em série



Falam que há somente este tempo,
com cores desbotadas em iphones do último modelo.

Insistem em dizer que não há outro tempo,
que a vida passou e nada mais se pode fazer,
se não há mais um tempo novo.

Cantam melodias sem poesias,
com palavras que viram moedas,
cantadas em templos que falam em prosperidade
dos negócios, contas bancárias e ações nas bolsas.

Os mais estúpidos bradam
querendo a volta da ditadura,
sem saberem as cores do pau de arara,
dos choques elétricos e da morte
que se espalhavam sem vergonha pelas ruas.

Outros dizem não ter posição,
ignorantes em se tornar cidadão,
nem de papel nem de vidro,
tornam-se amebas na sociedade.

Esse é um tempo de escuridão,
tempo de propagação do medo,
assim sem nenhum pudor
batendo nas portas dos sonhos.

São tão imbecis!

Amanhã ainda nem chegou,
fazendo as flores mais floridas,
mais coloridas e os sorrisos mais verdadeiros.

Ainda haverá amanhã,
virão os carcarás sobrevoando os pampas,
conquistando as pradarias,
espalhando disposição para chover.

As folhas secas a esverdejar,
o sol nas manhãs,
sem medo da escuridão.

Ainda haverá amanhã!


Pedro César Batista

terça-feira, agosto 26, 2014

Lançamento de Jornadas de junho no Rio Grande do Sul



Jornadas de junho

Jornadas de junho (Cromos Editora – 2014), de Pedro César Batista, “tece quadros, comenta projetos, faz crônica, aglutina informações, denúncia monopólios” sobre esse importante momento vivido pelo povo brasileiro em junho de 2014. É o 16º livro do autor que tem uma trajetória que não sobrou lugar para o formalismo. “Ao contrário, Pedro mergulhou nas circunstâncias e nos valores de sua época, racional e apaixonadamente, como se evocasse cada dia o encontro inevitável da estética e da ética em textos marcados por suas impressões digitais, sem qualquer culpa de sentir, pensar e dizer”, escreve Ronald Rocha na apresentação do livro.

O autor reúne em Jornadas de junho dados e análises desde a queda de Collor de Melo, período em que se aprofundou a negação da política com uma ação direcionada pelos que controlam o poder político. Resultado da negação da importância da política e a reprodução da velha prática clientelista que levou centenas de milhares de jovens saírem às ruas em junho de 2013. Movimento que simbolizou uma nova forma de se manifestar, onde a mobilização pelas redes virtuais, a diversidade de atores e bandeiras deixaram claro que a “ousadia, a criatividade e a coragem fizeram com que se comprovasse que ainda há sonhos e lutas”.

O livro analisa a relação da sociedade com os partidos, mostra como se deu a mobilização nas cidades brasileiras, informando dados sobre cada ato, apresenta informações sobre o monopólio do transporte público, os gastos com os estádios e as despesas para a segurança durante a Copa do Mundo. Tem, inclusive, uma sentença judicial que absolve um manifestante acusado de depredar uma viatura policial. Todas essas informações são relacionadas aos movimentos ocorridos em junho e com o que o mundo viveu após a chamada Primavera Árabe.

Jornadas de junho aponta como uma das principais causas das manifestações de junho de 2013 a reprodução da velha política pelo PT, após 11 anos no governo, que mesmo com avanços sociais, preservou o clientelismo e o fisiologismo, o qual a sociedade não aceita mais.

O autor editou livros de poemas, reportagens, contos e um romance, com lançamentos em capitais brasileiras, Portugal e em Nova Iorque (EUA). É jornalista, diretor do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e apresenta o programa Letras & Livros, na TV Comunitária de Brasília.

Lançamentos no Rio Grande do Sul

28/08 - 19h - EMEF Carlos Antonio Wilkens - Cachoeirinha - RS

29/08 - 19h - FACED - UFRGS - Porto Alegre

terça-feira, agosto 05, 2014

Lamento por Gaza.





Por Pedro César Batista

No Atlântico sul a música do vento continua,
o mar segue cristalino
as folhas do ipê estão coloridas no coração do continente,
lilases, brancas e vermelhas,
espalham-se pelo chão
com crianças correndo para abraçar seus pais.

No Atlântico sul ouve-se a guitarra,
os passos bailarem suavemente enlaçados com a lua,
ainda minguante riscando os céus,
com estrelas cadentes e luzes brilhantes.

No cerrado em plena capital,
fala-se de disputas de projetos,
contradições existentes e latentes
em cada olhar, sonho e semente espalhada.

O mesmo acontece no país de ponta a ponta,
discursos e disputas pelos votos.

No Atlântico sul as gaivotas levitam,
as praias espalham a bruma das ondas do mar,
circulares em harmonia da vida
com a sensação de ser flores com asas.

Ainda assim há quem chora,
espalha a indignação e a solidariedade
das crianças dilaceradas,
com suas pétalas arrancadas pelas bombas assassinas
despejadas por criminosos impiedosos
destruindo escolas onde se ensina a resistir,
hospitais para se curar e estancar o sangue derramado
e templos onde se religa com seres divinos.

Ainda assim há no Atlântico sul
quem chora a dor das crianças de Gaza,
quem ousa tenta ultimar a maldade praticada.

Enquanto isso no Atlântico sul ainda há solidariedade,
ainda há quem acredita na vida e na dignidade das crianças
que não se curvaram a escravidão e ao terror,
imposto pelas bombas sionistas assassinas.

Ainda há solidariedade em todo o mundo
contra a dor espalhadas pelos genocidas
que matam as crianças em Gaza.

terça-feira, julho 22, 2014

Explosões sem tempo



Que tempo é esse
Que se repete
Tanto em tragédia como em farsa?

Que tempo é esse
Em que se nega o que se fala
Usando todos os discursos para se chegar ao poder?

Que tempo é esse
Em que as prisões insistem em ter cor
E somente o mesmo lado ser aprisionado?

Que tempo é esse
Em que há dirigentes que têm medo do coletivo,
Usando-o somente para compor acordos,
Mesmo se dizendo justos e modernos?

Que tempo é esse?

Ainda não aprendi a verdade,
Apenas sei que ela tem lado,
Ainda assim a busco,
Nem importa que será outra no dia seguinte.

Cadê o tempo em que as flores,
Mesmo sem água,
Insistirão em florescer?

Que tempo é esse
Em que a amizade é virtual
E comunidades se diluem em redes?

Que tempo é esse
Onde as luzes
Propagam a escuridão?

Que tempo é esse
Em que se defende e propaga
A morte de crianças
palestinas, indígenas e de favelas
Como fosse natural?

Que tempo é esse
Em que aliar-se aos assassinos de seus filhos
Somente para ter poder é aceitável?

Esse tempo,
Ainda assim,
Explode sementes
Desabrocha indignação
Indica explosões.

Que tempo é esse?

Por Pedro César Batista

domingo, julho 13, 2014

Trilhas de rosas vermelhas

apontam novas cores,

despertam sede,

forjam aço nos passos

latentes por desabrochar.

PCB

quarta-feira, junho 18, 2014

A luta do povo e a copa: participação em todas as frentes.

Por Pedro César Batista

Completa-se um ano neste mês de junho quando mais de um milhão de pessoas foram às ruas no Brasil, em sua maioria jovens, que pela primeira vez saiam em manifestação, reivindicando direitos e mostrando ao mundo que, mais uma vez, o Brasil se reinventa na busca de uma nova sociedade.

Após um longo período sem grandes mobilizações populares, em junho de 2013 às manifestações massivas mostraram a força da população quando esta se mobiliza, mesmo sem a consciência da importante ação política executada, foram obtidas muitas conquistas após esse histórico mês de junho. Durante as manifestações ocorreu uma ferrenha disputa ideológica e política entre as forças políticas organizadas para dar a direção ao movimento que estava nas ruas. Muitas bandeiras foram pautadas pela mídia, mas as principais reivindicações foram as históricas bandeiras das lutas do povo brasileiro: saúde, educação, transporte, democracia e liberdade. As lutas contra o sistema não chegaram a ser pautadas, com exceção da bandeira da reforma política e a luta contra a corrupção, enquanto a luta contra o modelo de produção e as relações promíscuas entre a elite econômica e política no país não receberam a atenção merecida nos protestos. A velha direita, comandada pela grande imprensa, especialmente a Globo, tentou direcionar o movimento contra o governo petista e as organizações de esquerda. Estas, por sua vez, não mostraram a força necessária para o enfrentamento, pois os grupos mais à esquerda, ligados aos movimentos populares e sociais não estavam preparados para o tsunami vivenciado nas ruas do país. Assim mesmo, os manifestantes, que em sua grande parte era inorgânica, foi às ruas e arrancou vitórias, colocando em pauta a necessidade das grandes mobilizações populares, tendo, ainda, servido como uma aula política e histórica aos jovens que se manifestaram.

O recente lançamento, pelo Governo Federal, do Decreto da Política Nacional de Participação Social, regulamentando o direito a participação política previsto na Constituição Federal, depois de 25 anos após a sua promulgação, foi fruto dessa pressão social. Não é por acaso que o DEM e o PSDB fizeram tantas críticas ao decreto da Presidência da República, pois justamente a ausência dos setores mais pobres, os quais não têm voz nem vez na política, na definição dos rumos da política brasileira têm assegurado a manutenção do status quo, da concentração da riqueza e do controle político pelos mais ricos sobre o Estado brasileiro, especialmente com a preservação do monopólio da mídia.

A corrupção tem sido historicamente um dos principais instrumentos de manipulação dos detentores do poder econômico. Mesmo o governo do presidente Lula tendo sido o responsável pela criação da Controladoria Geral da União – CGU, órgão responsável pelo combate aos corruptos, assim como fizeram em 1964, os mesmos de sempre insistem em afirmar que a corrupção foi inventada agora e que a impunidade reina. Há corrupção, mas existe o combate, pois centenas de servidores públicos foram cassados nestes últimos anos, o que nunca havia acontecido na história. Entretanto, a mídia tem pautado já há vários anos que a corrupção é a maior de todos os tempos, além de que a política, os políticos e os partidos não prestam. Tudo isso com a finalidade de manipular a sociedade para que tenham mais facilidade para preservar o controle ideológico da população, sem destacar que somente a organização e luta da própria sociedade poderá mudar os rumos da história.

Estamos em plena Copa do Mundo, organizada pela FIFA - um grupo privado formado por pessoas conhecidas pela prática do tráfico de influência e corrupção em todo o planeta -, vivendo uma overdose de futebol nesses dias, momento propicio para tentar entender a força da participação social. O Comitê Popular contra a Copa tentou fazer manifestações massivas para denunciar a forma que o evento foi realizado, não tendo conseguido até o momento reviver as mobilizações de junho de 2013. O povo está na frente das televisões assistindo os jogos, atento e completamente paralisado. Tudo isso mostra que há uma enorme fragilidade orgânica da população brasileira, pois mesmo estando vivendo o período democrático mais longo da história, não há a consciência necessária para enfrentar a força dos detentores do grande capital, menos ainda um nível de organização capaz de dar continuidade às conquistas obtidas a partir das mobilizações de junho de 2013.

Muitos partidos mais ligados ao povo e de esquerda acabaram se isolando, alguns em grandes salas do poder, outros, estão crentes que foram os escolhidos por alguma divindade e se sentem donos da verdade. Por isso, fortalecer a participação social, como previsto no decreto presidencial, através dos Conselhos que debatem política pública, retomando às mobilizações de massa, utilizar os meios virtuais para debate, organização e propagação de lutas torna-se fundamental e decisivo para a garantia do aprofundamento das conquistas.

É preciso voltar a estudar a história e política, aplicando critérios e métodos de análise revolucionário, sem dogmas, mas com uma perspectiva científica, sem reproduzir modelos ou se sujeitar aos pensamentos propagados a partir do Consenso de Washington, que criou o pensamento único.

Aproxima-se mais uma eleição, quando milhares de candidatos disputaram o voto dos milhões de eleitores. É fundamental avançar, impedir de todas as formas que haja retrocesso, porém sem deixar de lado a necessidade de instrumentalizar o momento para debater a realidade, incentivar a organização e participação o trabalho permanente de conscientização e organização contra o sistema perverso e criminoso que transforma pessoas em objetos, nada mais.

Mais do que nunca é necessário a organização de militantes e movimentos revolucionários que defendam as lutas e bandeiras de interesse da maioria do povo brasileiro e dos trabalhadores de todo o mundo, enfrentando o poderio do monopólio dos veículos de comunicação e dos poderosos que concentram as riquezas. Capitular na caminhada, tornando-se instrumento da dominação a serviço do capital representa uma traição a histórica luta dos trabalhadores.

terça-feira, junho 03, 2014

Jornadas de junho - Belém - Pará

Lançamento de Jornadas de junho (Editora Cromos - 2014) em Belém - Pará.

terça-feira, abril 22, 2014





Jornadas de junho (Cromos Editora – 2014), de Pedro César Batista, “tece quadros, comenta projetos, faz crônica, aglutina informações, denúncia monopólios” sobre esse importante momento vivido pelo povo brasileiro em junho de 2014. É o 16º livro do autor que tem uma trajetória que não sobrou lugar para o formalismo. “Ao contrário, Pedro mergulhou nas circunstâncias e nos valores de sua época, racional e apaixonadamente, como se evocasse cada dia o encontro inevitável da estética e da ética em textos marcados por suas impressões digitais, sem qualquer culpa de sentir, pensar e dizer”, escreve Ronald Rocha na apresentação do livro.

O autor reúne em Jornadas de junho dados e análises desde a queda de Collor de Melo, período em que se aprofundou a negação da política com uma ação direcionada pelos que controlam o poder político. Resultado da negação da importância da política e a reprodução da velha prática clientelista que levou centenas de milhares de jovens saírem às ruas em junho de 2013. Movimento que simbolizou uma nova forma de se manifestar, onde a mobilização pelas redes virtuais, a diversidade de atores e bandeiras deixaram claro que a “ousadia, a criatividade e a coragem fizeram com que se comprovasse que ainda há sonhos e lutas”.

O livro analisa a relação da sociedade com os partidos, mostra como se deu a mobilização nas cidades brasileiras, informando dados sobre cada ato, apresenta informações sobre o monopólio do transporte público, os gastos com os estádios e as despesas para a segurança durante a Copa do Mundo. Tem, inclusive, uma sentença judicial que absolve um manifestante acusado de depredar uma viatura policial. Todas essas informações são relacionadas aos movimentos ocorridos em junho e com o que o mundo viveu após a chamada Primavera Árabe.

Jornadas de junho aponta como uma das principais causas das manifestações de junho de 2013 a reprodução da velha política pelo PT, após 11 anos no governo, que mesmo com avanços sociais, preservou o clientelismo e o fisiologismo, o qual a sociedade não aceita mais.

O autor editou livros de poemas, reportagens, contos e um romance, com lançamentos em capitais brasileiras, Portugal e em Nova Iorque (EUA). É jornalista, diretor do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e apresenta o programa Letras & Livros, na TV Comunitária de Brasília.

Serviço:

Jornadas de Junho – Cromos Editora – 132 p.
Lançamento dia 17 de abril de 2014, às 19h.
Estande 61 – Sindicato dos Escritores do DF
II Bienal Brasil do Livro e da Leitura – Brasília

Contatos e informações:

pcbatis@gmail.com

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Lançamento de Relatos sobre o amor, em Itanhaém (SP).



Relatos sobre o amor, Pedro César Batista (Thesaurus - 2013)

Café da Vila

Itanhaém - SP - Brasil

21h - 18 de janeiro de 2014.

domingo, setembro 01, 2013

Combater a escuridão



Por Pedro César Batista

Durante encontro com populares debatendo a questão ambiental, onde apontava como uma das causas dos danos provocados à natureza o consumo exacerbado, um estudante da UnB saiu com a seguinte preciosidade: “não me vejo sem ser capitalista”. O jovem, com no máximo 20 anos de idade, mora na periferia de Brasília, é filho de família remediada e a sua opinião, consciente ou não, me provocou maiores preocupações com o futuro do planeta e da existência da espécie humana.

O Brasil, no final do mês de agosto de 2013, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ultrapassou os 200 milhões de habitantes, os quais em quase a sua totalidade recebem as informações de alguns veículos de comunicação, sendo que o mais poderoso, a Rede Globo, chega a atingir 99% do território nacional, sendo em muitos lugares a única fonte de informação e acesso a programas culturais. Quantos milhões desses brasileiros têm como única fonte de acesso ao mundo apenas a telinha, do canal de televisão citado ou dos outros que não chegam a meia dúzia?

Necessariamente isso provoca uma hegemonia no pensamento, fazendo com que se reproduzem inúmeros conceitos e discursos propalados, pasteurizando o pensamente como se este fosse uma rocha e não uma ventania, capaz de se transformar a cada novo instante o olhar e o pensar da sociedade e do individuo.

Essa homogeneização do pensar faz com que a liberdade e o indivíduo se tornem conceitos sagrados, tanto quanto os deuses propalados pelos religiosos. A conjugação desses conceitos, para Hannah Arend, possibilitaria a existência de “um mundo politicamente organizado no qual cada homem livre poderia inserir-se por palavras e feitos”. Isto dito significa que o prioritário deve ser a garantia da individualidade livre e que tivesse assegurada não apenas o pensar, mas a garantia do poder ter e ser.

O pensamento se tornou completamente dominado, com o controle na informação, na educação, nos valores éticos e morais, o qual se cristalizou no pensar elaborado e propalado pela poderosa comunicação controlada mundialmente. Para partes significativas da população a história da humanidade acabou, não havendo a possibilidade de se sonhar ou acreditar que ainda haverá um tempo que os conceitos propalados pelas corporações, grandes acionistas e poderosos será transformado, possibilitando a criação de uma nova relação social, onde o consumo, a acumulação e a busca desesperada para ter acesso ao status quo deixe de existir.

Infelizmente se observa que jovens, como o citado no início deste texto, existem em grande quantidade. Mesmo sem conhecerem o processo histórico, em face da manipulação da mídia e do poder econômico, controlador de governos, escolas, universidades e pensamentos, possuem uma arrogância das crianças burguesas, que tem os criados para atender seus desejos.

Assim como os danos ambientais são fruto da lógica capitalista, com o consumo desenfreado, o egoísmo exacerbado e a acumulação de riquezas criminosas, também há os jovens, trabalhadores, homens e mulheres que ainda ousam sonhar e combater a exploração e a maldade criada em mentes de jovens que não têm a liberdade de ser solidários, apenas sendo seres medíocres e tolos que reproduzem, sem pensar nem questionar, nada que o capital e suas correias de transmissão propalam.

O tempo é como o vento, assim como o pensar, caminha com uma velocidade histórica que transforma a espécie humana em simples alimento aos sonhos, que podem ser o de seguir a marcha suicida imposta pelo capital ou a ousadia dos que ainda têm utopias, mesmo correndo o risco de sofrerem as agressões de jovens alimentados com os mais vis desejos e que acreditam que poderão ser senhores dos negócios.

Esse tempo de descrença e violência vem de muito tempo, fazendo que os mais fracos e alienados se tornem apenas um tijolo da opressão e exploração, servindo aqueles que de fato detêm o controle de mentes e sonhos. Para romper esse tempo é preciso conquistar a liberdade de eliminar a imposição do único pensar, o qual não passa de um vampiro, sugando o amanhã e a solidariedade. Porém, sempre é tempo de levar o fogo aos que vivem na escuridão, como fez Prometeu.

terça-feira, julho 02, 2013

Cinco décimos



I

A porteira se abriu,
germinou outro tempo,
fez a chuva florir sorrisos.
A manhã ainda não havia chegado.
Tudo começou com um choro.
Deslocamentos e sonhos vieram,
determinaram os passos,
a busca trouxe a mata densa,
com seus cheiros e cores,
flores brancas, amarelas, multicores,
o leite das árvores como alimento,
o urro das onças como espanto,
o canto dos pássaros como inspiração,
goiabeiras, cajueiros e sombras
para saborear a vida e as descobertas.

II

O chão batido da casa,
coberta de madeira,
assegurava o calor e segurança,
que todos deveriam ter.
O calor do fogão a lenha
aquecia os corpos,
alimentado pelas caças, aves
e tudo colhido da terra,
que desvirginada,
perfumava os desejos
de uma criança na floresta.

III

Nas noites estreladas,
pirilampos dançavam,
saltitantes apontavam estrelas cadentes,
cometas desconhecidos,
os planetas distantes,
entre as luzes
da lamparina piscando.

IV

Ver a cidade se formando,
primeiras classes,
Pra frente Brasil,
a seleção canarinho foi campeã.
Soldados amontoados em caminhões,
verdes confundem-se com as árvores
e circulam para matar.
Levam armas assassinas oficiais.
O Araguaia pegava fogo,
jovens erguiam sonhos,
resistindo a dor e a morte,
institucionalizadas.
Na pequena vila,
a beira da estrada,
vejo tudo acontecer.

V

Belém apresenta suas luzes e cores,
novas descobertas descortinadas,
sons, avenidas e mangueiras,
servindo seus frutos com a ventania.
Ver - o - peso, a baia, praias e livros.
O homem de gravata de bolinhas,
primeiro filme no Olímpia.
Jogo de bola nas várzeas da Cidade Velha,
paqueras em Batista Campos,
os bailes de carnaval no Forte do Castelo,
os banhos nos igarapés de Benfica.
O mormaço da Presidente Vargas
alimenta noites e caminhos.

VI

Ocupar as ruas,
muros transformam-se em tribunas,
lousas revolucionárias coletivas.
A tremedeira do primeiro discurso.
Anistia ampla, geral e irrestrita,
queremos nossos combatentes livres,
abaixo a ditadura,
meia passagem aos estudantes.
Minhas primeiras passeatas,
a prisão no quartel,
a cavalaria avança e atacamos
com poemas e palavras de ordem
estudar, organizar e resistir.
A aurora despontava nas alamedas
da história construída com coragem e luta.

VII

O sangue prosseguiu a encharcar a terra,
Com um tiro encomendado,
Acertou Gabriel Pimenta,
Outras mortes, muitas mortes se avultam.
Uma nova república nasce envelhecida e carcomida,
Mentindo em nome do povo,
Que luta e combate pelo novo homem e pelo novo mundo.
Nada importa para os matadores,
A carnificina segue seu séquito cínico,
Protegida pelo Estado.

VIII

Como um rio em período chuvoso
Matam meus heróis por defenderem o povo,
Formam-se corredeiras em meio a frágil democracia,
Inundando as alamedas de dores e resistência.
Vem uma estação na ilha de Camilo,
Aprender com o povo e Fidel combatendo,
Forjando outro amanhã
No coração da manhã ensolarada do Caribe.
A Frente Brasil Popular é golpeada,
Logo o marajá é caçado do poder,
A Globo segue manipulando
Mentes e manhãs
Sem nenhum escrúpulo.

IX

Nada apaga as dores,
Seguir a ventania,
Semeando furacões,
Explodindo corações,
Erguendo corpos,
Rompendo trovões,
Grilhões e letargias.
Agora há duas flores
Para adubar e cuidar.
Um tempo maduro,
Terra sem porteiras,
Hortas coletivas,
Casas suspensas
Esvoaçando sonhos.

X

Passa o tempo,
Sem pressa,
Manhãs preguiçosas,
Rompendo a escuridão,
Seguindo caminhos desbravados
Encharcados de nomes e combates.
Nem parece muito,
Tudo foi um piscar de olhos.
Vem mais ainda,
Outro meio século.
Vem fazer o fogo,
Fagulhas da vida propagar.
Jorrar cantigas
Com o povo nas ruas,
Romper cercas,
Aniquilar o sistema podre,
Brindando ao novo que chega.

Pedro César Batista - 29 de junho de 2013

quarta-feira, junho 05, 2013

Venta forte



Derrubar fronteiras,
cantar a intifada planetária,
uma intermitência contínua,
até aniquilar o medo,
enterrar a desesperança
e erigir um novo horizonte
com oliveiras carregadas,
resistência sem susto,
o sorriso se espalhando.

Quantos árabes ainda morrerão?

Quantos guaranis, pataxós, mundurucus será preciso enterrar?

Quantas crianças ainda precisarão morrer?

Nem as mentiras da TV ou dos sermões
deterá o vento,
com suas tempestades
sangrando almas e corpos
com punhos erguidos.

(pcb)

Fim de tarde



Por detrás da Esplanada,
em plena tarde de domingo,
a criança tenta apanhar goiaba,
outra vem pedir moedas.

Sua mãe lava roupas,
em uma torneira no fundo do ministério.

Um bebe espera no carrinho.

Os cabelos longos da menina,
com o olhar de sobrevivente,
avança sem destemor,
acostumada com a dor e a fome,
para pedir.

Sua infância foi aniquilada,
cata coisas, comidas e resiste.

A menina da goiabeira,
como uma guerreira anuncia a defesa,
fala firme como fosse ser agredida,
pronta para atacar.

A mãe continua esfregando as roupas,
as crianças acalmam,
ainda acreditam na vida,
enquanto as goiabas verdes saciam a fome.

© Pedro César Batista - 2013
Foto minha.

aquecer

Passos da história,
ondas em movimento,
avançar sobre rochas,
seguir um novo tempo,
aquecer utopias,
semear indignação,
resistência fazer brotar nos olhares,
em braços abraçados
pela vida e por manhãs
ensolaradas distribuir flores,
de todas as cores,
em cada canto do amanhã.

(pcb)

Terra pensa


Nem sabe o sol que a lua o espera ,
sedente e cheia de desejos.

Nem imagina a terra,
o prazer da semente em germinar.

Cantando a ventania acredita espalhar esperança,
perfumar os olhares e amainar os sentimentos.

Ainda assim as crianças permanecem logo ali,
espalhadas pelos faróis pedindo moedas.

(pcb)

segunda-feira, maio 13, 2013