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quinta-feira, abril 25, 2019

Quem és tu?

Quem és tu?
Falas que quer a revolução, mas não divide o pão,
Vivendo em tua cobertura de milhões,
Ages como um legítimo burguês,
Preocupado com teu conforto e luxo.

Quem és tu?
Falas que és cristão,
Enquanto afirma:
- bandido bom é bandido morto.

Quem és tu?
Que se autoproclama revolucionário,
Agindo como um pequeno burguês,
Atribulado com teu gordo salário.

Quem és tu?
Afirmas que és solidário,
Repartindo teus restos,
Priorizando teus bichos de estimação,
Atormentando os pobres e miseráveis.

Quem és tu?
Discursas contra o imperialismo,
Enquanto organiza tua viagem para Miami e Las Vegas.

Quem és tu?
Com teu rompante cristão comunista,
Sem se sentar com quem não é da tua organização,
Nem se juntar com quem está na mesma trincheira.

Quem és tu?
Diz-se humanista,
Exalando o veneno, maledicência,
Provocando intrigas,
Desanimando a vida.

Quem és tu?
Sempre se fazendo de vítima,
Provocando dores,
Espalhando falsidades,
Colocando-se como um coitado.

Quem és tu?
Falas que representas o povo,
Que ignoras, manipulas,
Promete céus,
Iludindo para preservar teu poder.

Quem és tu?
Que continuas sendo um peixe morto,
Sem enfrentares a correnteza,
Dizendo-se conspirador,
Vivendo como uma folha ao vento.

Quem és tu?
Lambes as botas e sacos de poderosos,
De quem tem qualquer poder,
Destratando os iguais,
Autoproclamando-se justo.

Quem és tu?

Pedro César Batista

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Nossa herança é a revolução

Somos braços e punhos erguidos,
Herdeiros de Bolívar e Chávez,
Lutamos pela unidade latina,
Semeamos utopias,
Colheremos um novo tempo.


Os bloqueios, dores e agressões,
Enfrentamos nas ruas,
Em qualquer trincheira de combate,
Sem nos iludirmos com as mentiras do capital,
Nem nos deixarmos enganar, com seu canto de morte.


Conhecemos a direção a seguir,
São séculos de resistência,
Temos como herança
Os exemplos de Zumbi,
O ânimo de Fidel,
O internacionalismo de Che Guevara,
A ousadia de Marighella.

Espalhamos a revolução.


Não aceitamos o colonizador,
Com suas velhas ou novas práticas,
explorando, saqueando e matando
irmãos e irmãs em todo o planeta.


Seus capitães do mato,
Latem como cães raivosos,
Babam o ódio que o opressor difunde,
Contra quem ousa enfrentá-los.


Quantas vezes os derrotamos,
Expulsamos os assassinos imperialistas
E seguimos construindo o amanhã,
Espalhando um tempo em que a alegria e a paz brilharão.


Somos companheiros de Bolívar e Chávez,
A pólvora espalhando labaredas,
A disposição em conquistar pão e vida.
Estamos em todas as trincheiras
Ousando lutar e vencer.

Somos os novos índios americanos!


Força à Revolução Bolivariana!
Morte ao imperialismo!
Viva Maduro!
Venceremos!


Brasília – DF, 10 de janeiro de 2019
Pedro César Batista

sábado, junho 10, 2017

Opacidade



As cortinas se fecham.
Luzes continuam acesas.

Olhares ávidos se ofuscam,
Querem mais e mais e mais.

Um vício insaciável.

Nem chegou ainda o dia.

O palco permanece resplandecente,
Tanto quanto a lua,
Sem luz própria.

Espelho.

Cada reflexo um umbigo.

Saramago mostrou a epidemia.

Os cães ladram,
Veem e se assustam.

Quando a cortina se levantará?
Quando se verá o outro?
Ver-se no outro.

Uma escuridão sem fim.

Pedro César Batista

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Flutuar em sonhos e sonos letárgicos,
alicerçados em passos de um novo tempo
encantado e cantado nas avenidas da história
encontrada, desencontrada e conquistada
em abraços, braços e passos seguindo.
Sem ilusão,
cantar a solidão do mercado
suicida do vento,
cantador em lábios vermelhos e em vozes brancas, negras, amarelas,
espalhadas sobre o mar,
emaranhado de cores, olhares e luzes,
acendendo a vereda de um tempo
que insiste em desabrochar nos cantos,
de sonhos semeados na memória que persiste.
Insiste em voar pelos continentes, pelos ouvidos entrar,
tornando-se rochedos nas multidões que resistem.
Flutuar em um tempo que ainda não nasceu.

batendo a porta


Não será o medo nas ruas,
nem o cinismo de vendedores de sonhos cinzentos,
nem a dor explodindo em cabeças,
a seca em olhares com brilhos artificiais.

Há uma semente que não morre, resiste e desabrocha,
provoca a claridade em céus, afugenta a escuridão
e espalha flores vermelhas.

A rouquidão da alegria enfeitiça o tempo,
provoca gargalhadas em manhãs que
estão a bater nas portas.


Cortinas do tempo



Um dia o tempo passará e as cortinas se fecharão.
O sabor do fel se transformará em girassol
e a imagem cinzenta ficará translúcida.
O palco será a avenida da colheita,
semeada pela entrega e o cuidado com os sonhos.
Então abraços e sorrisos se encontrarão em manhãs ensolaradas.

domingo, novembro 27, 2016

Proibido atravessar!


O dia ainda estava distante. A madrugada fria era iluminada pela lua, apenas uma linha curva no horizonte estrelado. Luzinete reunia-se com suas colegas de trabalho. Haviam ficado toda a noite despertas, não para atender os clientes, que escasseavam cada vez mais. Risomar, uma das mulheres do grupo, estava apreensiva com o que viria pela manhã.
Todas trabalhavam na mesma casa, mesmo cada uma tendo vindo de um lugar. A maioria era dos Estados do Sul. Jovens saíram de suas casas. Quase todas falaram o mesmo para seus familiares, que iriam trabalhar na usina que estava em construção. Trabalhariam em serviços gerais. O que não deixava de ser verdade. Atendiam todos que lá trabalhavam. Servindo sempre no que fossem pedidas por seus clientes.
Há uns três meses começavam enfrentar necessidades. Raramente aparecia alguém em busca de seus dotes. Começava faltar dinheiro para as despesas. Nem a alimentação era mais farta como no tempo que chegaram na cidade. Era preciso tomar uma atitude.
Luzinete comandava as mulheres. Caminhava a frente do grupo, de mais de trinta mulheres, deixando evidente sua altivez. Ricardinho, era o único homem no grupo, era cliente de Rosinha. Fechariam a rodovia barrando o trânsito. Ali era o único caminho por onde passavam dezenas de caminhões, levavam cimento para a obra que funcionava dia e noite. Decidiram fechar a rodovia e tentar para o serviço no canteiro. Foi a forma encontrada para tentar mudar a situação.
O dia amanheceu e as mulheres, corajosamente, formaram um cinturão humano para impedir que os caminhões, que formavam uma longa fila, aguardando o início dos serviços de balsa, pudessem atravessar o rio e seguissem para o canteiro de obras da hidrelétrica. Os caminhões betoneiras precisavam chegar logo. A construção, como uma jiboia insaciável, tinha fome. Não parava nenhum momento de receber a massa que levantava aquela enorme barreira de concreto no meio da floresta. E ali estavam as mulheres bloqueando a entrada dos caminhões carregados de cimento para não entrarem na balsa.
Os caminhoneiros nada podiam fazer. Aliás, adorariam atender à reivindicação das mulheres operárias, elas exigiam clientes para vender prazer. Chegaram na Cidade no início da construção, e agora sentiam-se abandonadas, sem trabalho. A cidade possuía 27 pontos de atendimento, com mulheres que trabalhavam na venda do corpo. Ainda assim, o município vizinho tinha mais e melhores serviços e os homens não mais frequentavam a cidade de Luzinete. Elas resistiam, vendo seus ex-clientes passarem diante delas e não parar. Agora estavam ali, naquela manhã, antes do sol acordar, impedindo que a balsa recebesse os caminhões.
Foi quando chegou o prefeito e fez um apelo para que desbloqueassem a entrada da balsa e deixassem os caminhões seguir viagem. Elas seguiam irredutíveis. Sairiam dali apenas se fosse assinado um compromisso para os homens voltarem a comprar seus serviços. Os caminhoneiros se divertiam, apesar de terem de cumprir horário para a entrega da carga.
Veio o delegado de Polícia, estava acompanhado de três policiais. Tentou convencer as mulheres, que seguiram firmes abraçadas formando uma barreira humana, aparentemente frágil, apesar de demonstrar ser intransponível. Logo apareceu o gerente da construtora. Chegou em um helicóptero na beira do Rio, que, ao pousar, formou uma imensa nuvem vermelha de poeira. Ele insistiu para que o acesso a balsa fosse liberado. Nada. Elas seguiam firmes. O número de pessoas no local havia crescido. Outros comerciantes de juntaram as garotas. Todos queriam clientes.
Foi quando um caminhoneiro chegou junto a Luzinete e fez a proposta de que elas fizessem uma tabela de preços que permitisse todos terem condições de comprar os serviços prestados. Ela e as colgas aceitaram a proposta. Colocaram uma condição apenas, a de que o documento fosse assinado pelo prefeito, delegado de polícia, o gerente da empreiteira e fosse chamado o padre para benzer o acordo. Exigiram que o documento deveria constar que a empresa incluiria no pagamento dos operários a garantia do serviço que elas prestariam aos seus empregados, mas isso não daria, muitos eram casados e suas esposas não sabiam que seus maridos frequentavam os bordéis da região. Por fim, chegou-se, a um acordo com uma tabela de preços, com a previsão das condições de pagamento, que deveriam ser feitos diretamente pela empresa.
Tudo parecia estar sendo resolvido, quando as mulheres apresentaram mais uma exigência para a liberação do acesso a balsa. Havia passado mais de três horas, desde o começo do bloqueio. Como uma cobra preguiçosa, os caminhões, uns atrás do outros, seguiam parados, em uma procissão que crescia a cada instante. Havia acabado de chegar a informação de que o cimento estava acabando e a liberação precisava ser urgente. O serviço não poderia parar. Foi quando Risomar impôs uma condição, aceita por suas companheiras, para que se liberasse a passagem. Pediram a realização de uma missa campal e que o acordo fosse assinado, publicamente, por todos. Imediatamente procuraram o padre, que disse que não faria este sacrilégio, entretanto, terminou por ceder. Reunidos na margem do rio, a missa aconteceu e o documento foi assinado, liberando a passagem dos caminhões.

domingo, setembro 25, 2016

Amanhecer



Para Wanessa Dias.


Romper o medo da noite,
Quebrar os vidros do tempo.
Amanhecer,
Navegar com exatidão.

Não esquecer o sol.
Navegar com o vento.
Onde tudo muda.

Até amigos somem.
Ficaram no caminho?
Saberão ainda cantar ciranda?
Onde estarão os parentes?
Aquele abraço forte?
Camaradas,
Esconderam-se na lua minguante.

Deslizarei ao infinito,
No azul acolhedor,
Disposto a seguir amanhã.

Fazer das noites alimento
Capaz de satisfazer o fogo.
Brasa crescente,

Levantando voo,
Observado por Netuno e Nyx
Que não assustam.


Pedro César Batista

segunda-feira, junho 20, 2016

Aurora

Apesar das mentiras,
Existem flores que não são de plásticos.
O chão,
Vermelho, 
Pede água,
Salgado com o sangue Guarani kaiowá
E dos meninos assassinados pela polícia.
Apesar da tristeza
A lua crescente desponta no horizonte.
O dia não veio do acaso,
Enfrentou a escuridão e a noite,
Fria.
Ainda há sorrisos irradiando a indignação,
Erguendo punhos e fortalecendo abraços,
Longos e calorosos.
O novo virá,
Cheio de flores e alegria.
Não duvide !!!!

quinta-feira, abril 14, 2016

POETAS CONTRA O GOLPE !

Somos poetas, cidadãos e cidadãs, e nos unem o exercício da poesia e a defesa da democracia. Poetas Contra o Golpe tomam a palavra em defesa da democracia tão ameaçada neste país pelos mesmos senhores históricos de todo o sempre: os verdadeiros inimigos do povo e das recentes conquistas obtidas em seu favor. Por isso, viemos a público manifestar nossa posição contrária à tentativa do golpe político-institucional em curso, o qual, no nosso entendimento, visa à retomada de poder pelos grupos partidários e empresariais derrotados nas últimas eleições presidenciais. 

O golpista é um fingidor de fato como pessoa, jamais um poeta! Não mede esforços nem consequências para e pelo poder. Alimenta-se das desigualdades, das diferenças, da indiferença e do ódio na permanente construção do abismo social por origem, classe, cor, credo, gênero, dividindo a sociedade por desrespeito e desprezo à maioria da população que de fato constrói a nação.

Afirmamos nosso mais contundente repúdio aos atos de corrupção praticados por esses grupos, pois entendemos que a corrupção desmerece a democracia e agride a cidadania. Defendemos as investigações e as justas punições dela decorrentes. Porém, não aceitamos que apenas um grupo político seja o alvo, porque sabemos que a grande maioria dos partidos políticos brasileiros, inclusive os que articulam o golpe, é historicamente praticante de atos de corrupção e não tem sido alvo de investigações. 

Nós poetas em defesa da democracia, da constituição, da liberdade, do estado democrático de direito, tão aviltado no momento, buscamos e lutaremos sempre por um Estado laico, justo, igualitário e libertário alimentando o desejo e o sonho pela unidade da diversidade no país e pelo respeito entre todos e todas. 

Somos chamados e chamadas a marcar posição em defesa da democracia, neste momento histórico difícil e delicado em que a sociedade brasileira se percebe crivada pelo clima de ódio que ameaça sobretudo os defensores do estado democrático de direito. Trazemos em resposta a esse momento crítico a nossa fala poética. 

Brasília, abril de 2016. 

Adeilton Lima - DF
Ademir Demarchi - SP
Alberto Pucheu - RJ 
Alexandre Durratos - RJ
Alexandre Guarnieri - RJ
Alexandre Pilati - DF
Altivo Neto - DF 
Ana Maria Lopes - DF 
Ana Rüshe - SP
Ana Suely - DF
Andre Giusti - DF
André Rocha - DF
Angélica Torres Lima - DF
Aníbal Perea - DF
Antônio Juraci Siqueira - PA 
Antônio Miranda - DF 
Aroldo Pereira – MG
Beth Jardim - DF 
Brenda Marques Pena - MG
Bruno Caetano - DF 
Caetano Bernardes - DF 
Carla Andrade - DF 
Carlos Augusto Cacá - DF 
Carlos Machado - SP
Carmem Silva Presotto - RS 
Carolina Vieira - DF 
Ceiça Targino – DF
Chico Alvim - DF
Chico Nogueira - DF 
Cláudio Cardoso - PA 
Cláudio poeta Dinho - DF 
Corinto Meffe - DF 
Dan Juan Nissan Cohen - RJ
Daniel Barros - DF 
Daniel Pedro - DF
Dedé - DF 
Devana Babu - DF 
Eliana Castela - AC
Elicio Pontes - DF 
Ézio Pires - DF 
Fernando Freire - DF 
Fred Maia - DF 
Germano Arte Seletiva - DF 
Guido Heleno - DF 
Gustavo Dourado - DF 
Ironita Mota Pereira - DF
Ismar Lemes - DF 
Iverson Carneiro – RJ
Jairo Fará - MG
Joana Chagas da Silva - PA 
João Bosco Maia - PA 
João Victor Pacífico - DF
Joãozinho da Vila - DF 
Joaquim Mariano - SP
Joelson Meira - BA
Jorge Amancio - DF
Jorge Antunes - DF
José Leal - Alemanha 
José Sóter - DF 
Jovino Machado-MG
Júlio Alves - RS
Lacerda Alencar - DF 
Leila Jalul Bretz - AC
Leonam Cunha - RN
Lilia Diniz - MA
Lisa Alves - DF 
Lucia Araújo - DF
Luiz Felipe Vitelli - DF
Luiz Turiba - DF 
Lurdiana Araújo - DF 
Manoel Herzog - SP 
Marcão Aborígene - DF 
Marcelo Morão-RJ
Marcos Freitas - DF 
Maria Alice Bragança - RS 
Maria Glória - DF
Maria Maia - DF
Maria Vieira dos Santos - RJ
Marina Andrade - DF 
Marina Mara - DF 
Marli Silva Fróes -MG 
Nanda Fer Pimenta - DF 
Neli Germano - RS
Noélia Ribeiro - DF 
Olivia Maria Maia - DF 
Patrícia Giseli - MG
Paulo Dagomé - DF 
Paulo Ferraz - SP
Paulo Nunes - PA
Pedro César Batista. - DF 
Pedro Tostes - SP 
Raul Ernesto Lorrosa Bellesta - DF 
Rego Júnior - DF 
Renato Fino - DF 
Ricardo Mainiere - RS
Ricardo Silvestrin - RS
Rita de Cássia da Silva - PA 
Rita Melem - PA 
Rita Prado - PA 
Roberto Amaral - MG 
Ronaldo Costa Fernandes - DF 
Ronaldo Mousinho - DF
Ronaldo Rhusso - RJ 
Rubens Jardim - SP
Sérgio Duboc - DF 
Solange Padilha - RJ
Sônia Situba - PA
Tereza Vignoli - SP
Theo Alves - RN
Tita Lima Lima - DF 
Tom Pureza - DF 
Vanderlei Costa - DF 
Vicente Sa - DF 
Vinicius Borba - DF 
Wanessa Dias - DF 
Wélcio de Toledo - DF 
Yonaré Flávio - DF

quarta-feira, março 09, 2016

Fatos

Bradam pedindo prisão,
Defendem a pena de morte,
Incentivam a justiça pelas próprias mãos.
Acusam
como fossem primários em corrupção,
com discursos ecoados em rede nacional.
Velha prática herdada de seus antepassados,
Negar a verdade
Garantir propriedades,
Caluniar.
Os índios eram preguiçosos,
Os negros indolentes,
As mulheres fracas.
Seguem formando seguidores,
Incapazes de olhar para trás
Indispostos a se mirarem como classe.
Multidões que não receberam heranças,
Não possuem sobrenome de senhores coloniais,
Nem de quatrocentões.
Criam soldados
De velhas oligarquias.
Outros, serviçais conscientes, rosnam
não querem falar de política,
Tentam falsear seus vínculos.
Seguem latindo,
como cães treinados,
Aptos a atacarem
quem ousar enfrentar
Seus líderes.
Escancaram cinismo,
Exalam podridão histórica
Sem gaguejar continuam acusando,
aumentando suas riquezas,
encharcadas em sangue.


Pedro César Batista

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Autorretrato social



sou sem rosto
morador sem teto
colocado na marginalidade
homossexual discriminado
mulher violentada
criança faminta

sou sem cores
jovem desempregado
sou assassinado
pela polícia covarde

sou da África,
fui sequestrado
fizeram-me escravo

sou operário
sou lavadeira da beira do rio
sou boia fria

sou as mãos
sou os pés
sou o trabalho

sou do campo
sem-terra
planto comida
que falta em meu prato

sou diarista
lavo banheiros
limpo chão
cozinho e sirvo

respiro fogo
minha pele não tem cor
cheira mal
durmo sob marquise

sou discurso
sou promessa
sou número

sou sem rosto
sou condenado
sou descartável
sou sem cores


quarta-feira, janeiro 06, 2016

Quem sou.




Sou negro, um jovem negro. Mais um.
Sou índio, uma criança indígena. Mais uma.
Sou palestino, uma criança palestina. Resistindo.
Sou mulher, uma jovem mulher. Combatente.
Sou trabalhador, desempregado. Organizado.
Sou da periferia, do mato, da aldeia. Sou da colmeia.
Sou quilombo, conquisto o amanhã. O novo.
Vivo em cabanas, ergo o sol. Faço vida.
Semeio e colho alimentos,
Pesco em todos os mares,
Alimento o mundo.
Minha voz não sai na mídia,
Minha voz é sufocada, resiste,
Embala o fogo da vida. Grita, sem medo.
Enfrento as balas da polícia,
As mentiras dos poderosos,
Preconceitos dos moralistas religiosos.
Sou o povo,
Cantando sem medo de sicários,
Capaz de fazer esperança na dor. Florir sorrisos.
Sou o olhar que não se esconde,
O abraço que não se afrouxa,
O passo que não vacila. Marcha, firme.
Venho dos morros,
Das favelas e dos acampamentos. Levanto utopias.
Venho do amanhã,
Quando o ontem nada mais será que um quadro,
Um triste e velho quadro pendurado na parede,
Encardida pelas lágrimas de tanto sorrir
E bailar para a lua. Vermelha e cheia.
Sou o povo que não se curva,
Sou a vida que não morre,
Disposto a derramar o sangue,
Fazer flores onde a terra ainda está árida.
Sou o fogo que não se apaga. Sou labareda.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Há muita poesia para germinar.



Por Pedro César Batista


Um novo ano se aproxima. O ano que fica deixará ensinamentos sobre a necessidade de se conhecer a história do desenvolvimento humano e da sociedade. Reafirma-se a necessidade de se saber de onde viemos, como aqui chegamos e ter claro para onde desejamos ir. Em algumas horas entraremos no 16º ano do século XXI, meu 52º ano de aprendizados e descobertas, mais de meio século de vida e sonhos.

Na adolescência acompanhei os estertores da ditadura de 1964. Presenciei a polícia com seus cães nos atacar porque queríamos democracia. Quantas vezes a polícia esteve em nossa casa para intimidar e ameaçar. Conheci o arbítrio, com invasões de domicílios, prisões arbitrárias, espancamentos, torturas e mortes. Certa vez fui agredido fisicamente pelo delegado Mário Malato, dentro do DOPS, após ser preso devido uma greve, enquanto outros companheiros eram brutalmente espancados.

A luta do povo levou a mudanças, as quais foram conquistadas e legitimadas pela Constituição de 88, que trouxe um arcabouço jurídico assegurando a liberdade, direitos e o direito a participação na definição dos rumos do país. Trouxe uma democracia que manteve o controle nas mãos de poucos, apesar de assegurar a liberdade de se organizar, manifestar e pensar. O voto não mexeu com nenhuma estrutura.

Dias depois da promulgação da Constituição a UDR, comandada por Ronaldo Caiado, matou meu irmão, João Batista. A UDR, organização paramilitar, impediu importantes avanços durante o processo constituinte, além de ter assassinado centenas de defensores da reforma agrária. Assassinos e torturadores, no lugar de serem punidos, tornaram-se parlamentares, seguiram impunes.

Ainda assim, companheiros chegaram ao governo, mudanças ocorreram, nenhuma estrutural, consolidando a liberdade, apesar do mercado e dos EUA seguirem controlando sonhos, desejos e almas. Cada vez mais sutis e poderosos. A Guerra da Quarta Geração segue em curso, destruindo nações, propagando mentiras e arregimentando seguidores. A luta de classes não deixou de existir, apenas adquiriu novos formatos.

Os novos tempos trouxeram novos paradigmas, propagados e sustentados pela mídia, igrejas e a educação, baseados no individualismo e no desconhecimento do passado da história, provocando uma ruptura com o tempo de desenvolvimento social que nos permitiu chegar aos dias atuais. Predomina, em muitos casos, o imediatismo, hedonista e dissimulado, criado pela sociedade de consumo, unicamente voltado para a satisfação de interesses privados e conservadores.

Se em 2015 vivemos o surrealismo de jovens defendendo a volta dos militares e a propagação avassaladora de mentiras históricas, torna-se premente retomar o fio do tempo, dar-lhe uma direção que priorize a continuidade do desenvolvimento das liberdades, do respeito e da dignidade humana. 2016 será um ano de intensos combates, dos quais não fugiremos, somente reforçaremos nossas trincheiras, nossos ideais e sonhos. O tempo segue, há muitas sementes para espalhar, muitas luas para vivenciar e muita poesia para germinar.



sábado, dezembro 19, 2015

Vibrar



Ah, o olhar!!
Sem ferrolhos
Nem portas
Espaceando pelo luar
Aguçando o amanhã.
Ah, o mar!!!
Sem fronteiras
Nem porteiras
Nem propriedades.
Ah, o pulsar!
Coração vermelho
Corajoso
Audacioso
Vibrar sem susto.
Amanhã
Raiara o sol
Fará chispas
Incendiará o mofo
Traças sem graça fugirão.
Ah, abrir os olhos!
Ver
Aprender a cantar
Colher rosas vermelhas.
Ah, caminhar!!!!

PCB

Inexorável

Nada sei do amanhã
Apenas que é inexorável
Nada sei da mentira
Somente que predomina 
Ainda assim venta
Sonhos e resistências
De todos os tempos
Em todos os mares
Em todos os cantos
Janelas se abrem
Sementes se espalham e se espelham
Olhares refletem batalhas
Flores coloridas
Rosas vermelhas despontam
Castelos se desmoronam
casebres se erguem
Cabanos ressuscitam em cada olhar
fogueiras se acendem
Nada sei do tempo
importa recolher lenha
fazer labareda
espalhar acalentos
cantos e o novo
que desponta
como o desabrochar de uma flor.
pcb

domingo, novembro 29, 2015

Uma vontade de entrincheirar-se
Romper dias novos
Espalhar sorrisos e rosas vermelhas
Adubar o amanhã
sem se espantar com os raios...

Nem acovardar-se diante da burguesia
e seus serviçais e lacaios


Uma vontade de colher beijos
Colher sonhos
Colher água pura.


Uma disposição para o combate.


Onde anda o pelotão?
Onde estão os camaradas?
Onde estão as estrelas ?

Ainda haverá tempo de colheita coletiva


Não me venha com mentiras,
a verdade nem tem cor,
ela é encharcada em sangue.

Não adianta querer dizer que representa o amanhã,
tua velhice e podridão
são históricas,
assim como a dor de combater pela vida.

Nem pense que me enganas,
com tua modernidade,
discursos de autoajuda,
repletos de securas e desamor.

Apenas teus privilégios importam.

Falas em prazer,
desde que seja o teu.

Cantas a solidariedade,
sustentada em teus restos.

Não me venhas mentir,
mesmo havendo aqueles que ainda vão ao teu oráculo,
ele é fétido e reflete a escuridão que propagas.

És camaleão,
sempre adequa-se para manipular,
para seguir acumulando
às custas do trabalho
de quem enfrenta todas as necessidades.

Teu cinismo nunca teve pudor,
nem economizou a morte
contra os que te enfrentam.

Ainda assim,
Palmares resistiu,
a Comuna mostrou o amanhã,
Santa Clara festejou,
Hanói ainda vive.

Ho Chi Minh não mais está nas cavernas,
seus sonhos espalharam-se por todos os continentes.

Prometeu ainda ousa te enfrentar.

Pensas que serás eterno,
enquanto o chumbo derrete,
o céu diluvia-se sobre o deserto,
fazendo o sertão produzir felicidade.

Teu tempo,
cínico burguês,
não tardará a findar.

Serás como fumaça ao entardecer,
confundindo-se com a noite,
deixando apenas as estrelas e a lua iluminarem os passos,
com crianças de mãos dadas espalhando rosas vermelhas,
amarelas e amores perfeitos,
coloridos e dispostos a adubar sonhos.

Não tardará chegar o tempo de luzes,
com flores sendo colhidas por todas as pessoas,
em todas as manhãs.

Pedro César Batista​

segunda-feira, outubro 19, 2015

Alinhavar

Um fio conecta o tempo,
sustenta-se no fulgor da vida,
levita e realiza-se em sonhos.

Longínquo e universal,
catalisa o saber,
experiências e dores,
cantadas e versadas
em suor e sangue.

Atravessa oceanos,
enlaça flores e espinhos,
amores e rebeldias,
sem se desesperar com mentiras,
intrigas e balas mortais.

Um fio de amor,
herdeiro do combate,
da indignação e da vida
capaz de adubar a manhã,
florir os abraços,
tornando-os verdadeiros.

Um fio tecido em combates,
conquistas dos que necessitam,
capaz de conceber o futuro
sem o critério da exclusão.


Pedro César Batista

quinta-feira, setembro 03, 2015

Mar-morto






Nem bem comecei a viver,
aprendia a descobrir o calor e a cor do sol,
sentir o cheiro do vento.

Começava a olhar o horizonte,
a aprender a navegar,
a buscar a vida,
que começava a se desvendar
aos meus olhos marejados.

Meu tempo foi encurtado,
mal havia começado a andar,
a dar os primeiros passos,
falar minhas primeiras palavras.

Nem descobri a vida,
tentei escapar da fome,
sobreviver a guerra,
esconder-me das balas assassinas,
financiadas pelos ricos de países ricos.

Chorei de medo,
chorei devido o frio,
chorei sem entender que a morte chegava.

Tudo porque saquearam minha terra,
massacraram meu povo,
destruíram nossa comunidade.

Dizimaram a vida sem dó,
destruíram tudo,
roubaram nossas riquezas,
somente isso interessava ao invasor.

Nem cheguei a aprender a gritar,
não aprendi a repudiar a mentira,
nem a combater o opressor.

Terminei na beira da praia,
jogado pelas ondas do mar.

Nem cheguei a aprender a cantar,
não cantei a vida,
não cantei a liberdade,
nem conheci a esperança.

Meu fim chegou antes do meio dia,
como fosse uma pétala,
arrancada e jogada ao mar.

Pedro César Batista