
Passo o tempo
vendo a rua,
canto a lua,
sem dono,
sem grana,
sem documento.
Ando ao relento,
árido no olhar,
seco d'água.
Passo o vento,
vendo o olhar,
canto sem vida,
entrépido calmo,
lento passo,
cantando dor.
Partículas cósmicas,
sons terráqueos,
corações braseiros,
almas carnívoras.
Passo o olhar,
vendo o vento,
canto o tempo,
um passo lento.
Levado ao vento
esvoaçando-se mar,
espumas brancas,
cabelos molhados,
corpos sedentos,
esquálidos ao sol.
Passo vendo
vento tempo,
sem parar,
levando estrelas.
Soleiras à mostra
de olheiras verdes,
cansadas do tempo.
Nada rio,
vendo orvalho,
dormindo nas manhãs,
colhendo paixões,
sempre ávidos,
vendo o vento
sentado ao sol.
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