Terça-feira, Maio 08, 2012

Flor do cerrado

Não solfejar o sofisma,
nem da vida,
nem dos beijos,
fugazes,
que me encantam.

Produção

Um tempo levava minha Lettera 82,
que me acompanhava onde fosse,
ela cansou e ficou no caminho,
veio mais praticidade e estacionei por aqui.
Falta a rede e o rio...

Gosto

Um sabor de mel,
saboroso como sapoti,
encantado que nem o luar,
com a cor do açaí.

Sexta-feira, Maio 04, 2012

Decisão

O dia nasce e vai, vem e volta, brilha o novo, que costuma chegar, como quem nada quer, e fica com a força do sol.

Domingo, Abril 15, 2012

Cósmico



Certos momentos bate um desalento,
apesar da chuva que fertiliza os sonhos,
vem um barulho do tempo fazer acordar
perceber que as certezas são poeiras cósmicas,

sem a juventude desconhecida e crente em seu olhar,
com a neblina encobrindo a visão que desperta a dor,
uma dor sem sangue, que virou luzes nas avenidas,
pessoas tomando coca-cola e gastando o que não tem,
vem a brisa da embriaguez do tempo que ainda não chegou,

um tempo sem vida,
apesar de tantas luzes
onde a flores despejarão suas sementes coloridas
sobre o mar da tempestade que tarda,
e sem encanto se esconde em olhares ao entardecer,

onde andará o amanhã sonhado ontem,
onde estará o abraço sentido,
as mãos dados com os punhos levantados,
que se encantaram com os cantos virtuais,

sem saber que o ar é pedra,
pesado e se apodera de meu ser,
que se arrasta em uma direção,
que apesar de nova na história,
ainda rola sobre os sonhos em pesadelos.

Domingo, Abril 08, 2012

Medo



Fechar o tempo sem abrir as janelas,
 nem as portas, trancar a vida entre quatro moedas,
com vidros escuros, brindados e surdos.

Medo que tranca o coração,
impede abraços, sorrisos, beijos
e a distribuição de flores.

A propaganda geme o sangue dos mortos
pelas balas contra os pobres,
violentos, agressivos e violentados
de todas as formas reproduzidas
nas telas da tv, nos jornais e em discursos.

Medo de caminhar, de não se poder consumir, alimentar o consumidor.

Medo de sonhar,
é preciso reproduzir a mesma prática da mentira,
assegurar a segurança das elites,
que oram, rezam, dão esmolas,
tentam expiar a dor que não sentem.

Medo da lua, que foge dos olhares,
que se fecham,
mirando o chão,
onde os pés se firmam.

Sustentar as fronteiras, as propriedades,
os templos do sistema,
fugindo da luz da morte,
que vestida com sua roupa de domingo,
espreita quem dela tem medo.

Medo do abraço,
do hálito desconhecido,
das flores com espinho,
da fome de não ter o shopping center,
sem ver a solidão dos olhares perdidos nos faróis.

Medo da verdade e da solidão,
sob bilhões de galáxias desconhecidas,
pelos ávidos pelo poder,
apenas pelo poder,
sem saber o valor do brilho do canto da ventania em noite de lua cheia.

(pcb - 08.04.2012 - 14h48 - BSB - DF - Brasil)

Quarta-feira, Março 28, 2012

Amizade



Amizade é como raiz
vai fundo
sustenta
suporta
alimenta
entrega-se à terra sem medo.

Amizade não é virtual
não tem cutucadas
nem propaga o ego
mostrando-se melhor

Amizade é verdadeira
a qualquer hora
está disponível
não fica offline
sempre está presente
não é utilitarista

Amizade não é quantidade
Amizade não se coleciona

Amizade assim como a raiz
e o caule nunca se separam
faça chuva
faça sol
caia granizo ou neve
nada a distância

Amizade é raiz verdadeira
concreta
em permanente sintonia

Uma raiz se morrer
leva junto o caule

A amizade se morrer
leva junto a raiz
uma alimenta
e fortalece a outra.

Quinta-feira, Março 15, 2012

Penumbra




Certos momentos bate um desalento,
apesar da chuva que fertiliza os sonhos,
vem um barulho do tempo fazer acordar
perceber que as certezas são poeiras cósmicas,

sem a juventude desconhecida e crente em seu olhar,
com a neblina encobrindo a visão que desperta a dor,
uma dor sem sangue, que virou luzes nas avenidas,
pessoas tomando coca-cola e gastando o que não tem,
vem a brisa da embriaguez do tempo que ainda não chegou,

um tempo sem vida,
apesar de tantas luzes
onde a flores despejarão suas sementes coloridas
sobre o mar da tempestade que tarda,
e sem encanto se esconde em olhares ao entardecer,

onde andará o amanhã sonhado ontem,
onde estará o abraço sentido,
as mãos dados com os punhos levantados,
que se encantaram com os cantos virtuais,

sem saber que o ar é pedra,
pesado e se apodera de meu ser,
que se arrasta em uma direção,
que apesar de nova na história,
ainda rola sobre os sonhos em pesadelos.

Pouso no mar



Manhã chuvosa,
tempo para pousar,
cantar a esperança,
lavrar o sonho.

Sabor



As tragadas de um cigarro,
alguns beijos,
poucas palavras,
mais beijos
e o avião decolou.
Ficou o sabor da distância.

Solfejar para a lua



Solfejar o perfume do vento,
sentir teu hálito de Deusa,
saborear teu gosto de sapoti,
admirar teu encanto de lua cheia.

Solfejar tua aura livre,
bailar em teu corpo musical,
dançar em teu êxtase contagiante,
arrebatar-me inteiramente,
sem escalas cantar a tua melodia.

Nem aprendiz sou,
apenas um amante das notas,
dos sons que animam a alma.

Solfejo do tempo que desconheço,
apenas a saudade do inesperado que canta
em meus ouvidos atentos,
entregues e ávidos.

Solfejo o que virá.

Visão



Nem sei porque estou caminhando para a lua,
o deserto me chama,
as ruas vazias me animam,
os olhos fechados me veem,
resta os passos rumo a manhã.

Cordas do violoncelo



Um olhar musical,
a alma é som,
leve brisa da lua cheia,
brilhante resplandece,
exala o perfume da terra pura e fértil.
Um olhar nascido n'alma,
melodia do brilho encantado
nas cordas do violoncelo,
confundem-se com os cabelos negros,
em suaves notas
solfeja o desejo de bailar.
Uma alma musical,
o olhar canta
e anima a caminhada.