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quinta-feira, abril 25, 2019

Quem és tu?

Quem és tu?
Falas que quer a revolução, mas não divide o pão,
Vivendo em tua cobertura de milhões,
Ages como um legítimo burguês,
Preocupado com teu conforto e luxo.

Quem és tu?
Falas que és cristão,
Enquanto afirma:
- bandido bom é bandido morto.

Quem és tu?
Que se autoproclama revolucionário,
Agindo como um pequeno burguês,
Atribulado com teu gordo salário.

Quem és tu?
Afirmas que és solidário,
Repartindo teus restos,
Priorizando teus bichos de estimação,
Atormentando os pobres e miseráveis.

Quem és tu?
Discursas contra o imperialismo,
Enquanto organiza tua viagem para Miami e Las Vegas.

Quem és tu?
Com teu rompante cristão comunista,
Sem se sentar com quem não é da tua organização,
Nem se juntar com quem está na mesma trincheira.

Quem és tu?
Diz-se humanista,
Exalando o veneno, maledicência,
Provocando intrigas,
Desanimando a vida.

Quem és tu?
Sempre se fazendo de vítima,
Provocando dores,
Espalhando falsidades,
Colocando-se como um coitado.

Quem és tu?
Falas que representas o povo,
Que ignoras, manipulas,
Promete céus,
Iludindo para preservar teu poder.

Quem és tu?
Que continuas sendo um peixe morto,
Sem enfrentares a correnteza,
Dizendo-se conspirador,
Vivendo como uma folha ao vento.

Quem és tu?
Lambes as botas e sacos de poderosos,
De quem tem qualquer poder,
Destratando os iguais,
Autoproclamando-se justo.

Quem és tu?

Pedro César Batista

sexta-feira, janeiro 11, 2019

Nossa herança é a revolução

Somos braços e punhos erguidos,
Herdeiros de Bolívar e Chávez,
Lutamos pela unidade latina,
Semeamos utopias,
Colheremos um novo tempo.


Os bloqueios, dores e agressões,
Enfrentamos nas ruas,
Em qualquer trincheira de combate,
Sem nos iludirmos com as mentiras do capital,
Nem nos deixarmos enganar, com seu canto de morte.


Conhecemos a direção a seguir,
São séculos de resistência,
Temos como herança
Os exemplos de Zumbi,
O ânimo de Fidel,
O internacionalismo de Che Guevara,
A ousadia de Marighella.

Espalhamos a revolução.


Não aceitamos o colonizador,
Com suas velhas ou novas práticas,
explorando, saqueando e matando
irmãos e irmãs em todo o planeta.


Seus capitães do mato,
Latem como cães raivosos,
Babam o ódio que o opressor difunde,
Contra quem ousa enfrentá-los.


Quantas vezes os derrotamos,
Expulsamos os assassinos imperialistas
E seguimos construindo o amanhã,
Espalhando um tempo em que a alegria e a paz brilharão.


Somos companheiros de Bolívar e Chávez,
A pólvora espalhando labaredas,
A disposição em conquistar pão e vida.
Estamos em todas as trincheiras
Ousando lutar e vencer.

Somos os novos índios americanos!


Força à Revolução Bolivariana!
Morte ao imperialismo!
Viva Maduro!
Venceremos!


Brasília – DF, 10 de janeiro de 2019
Pedro César Batista

sábado, junho 10, 2017

Opacidade



As cortinas se fecham.
Luzes continuam acesas.

Olhares ávidos se ofuscam,
Querem mais e mais e mais.

Um vício insaciável.

Nem chegou ainda o dia.

O palco permanece resplandecente,
Tanto quanto a lua,
Sem luz própria.

Espelho.

Cada reflexo um umbigo.

Saramago mostrou a epidemia.

Os cães ladram,
Veem e se assustam.

Quando a cortina se levantará?
Quando se verá o outro?
Ver-se no outro.

Uma escuridão sem fim.

Pedro César Batista

terça-feira, fevereiro 07, 2017

Flutuar em sonhos e sonos letárgicos,
alicerçados em passos de um novo tempo
encantado e cantado nas avenidas da história
encontrada, desencontrada e conquistada
em abraços, braços e passos seguindo.
Sem ilusão,
cantar a solidão do mercado
suicida do vento,
cantador em lábios vermelhos e em vozes brancas, negras, amarelas,
espalhadas sobre o mar,
emaranhado de cores, olhares e luzes,
acendendo a vereda de um tempo
que insiste em desabrochar nos cantos,
de sonhos semeados na memória que persiste.
Insiste em voar pelos continentes, pelos ouvidos entrar,
tornando-se rochedos nas multidões que resistem.
Flutuar em um tempo que ainda não nasceu.

batendo a porta


Não será o medo nas ruas,
nem o cinismo de vendedores de sonhos cinzentos,
nem a dor explodindo em cabeças,
a seca em olhares com brilhos artificiais.

Há uma semente que não morre, resiste e desabrocha,
provoca a claridade em céus, afugenta a escuridão
e espalha flores vermelhas.

A rouquidão da alegria enfeitiça o tempo,
provoca gargalhadas em manhãs que
estão a bater nas portas.


Cortinas do tempo



Um dia o tempo passará e as cortinas se fecharão.
O sabor do fel se transformará em girassol
e a imagem cinzenta ficará translúcida.
O palco será a avenida da colheita,
semeada pela entrega e o cuidado com os sonhos.
Então abraços e sorrisos se encontrarão em manhãs ensolaradas.

domingo, novembro 27, 2016

Proibido atravessar!


O dia ainda estava distante. A madrugada fria era iluminada pela lua, apenas uma linha curva no horizonte estrelado. Luzinete reunia-se com suas colegas de trabalho. Haviam ficado toda a noite despertas, não para atender os clientes, que escasseavam cada vez mais. Risomar, uma das mulheres do grupo, estava apreensiva com o que viria pela manhã.
Todas trabalhavam na mesma casa, mesmo cada uma tendo vindo de um lugar. A maioria era dos Estados do Sul. Jovens saíram de suas casas. Quase todas falaram o mesmo para seus familiares, que iriam trabalhar na usina que estava em construção. Trabalhariam em serviços gerais. O que não deixava de ser verdade. Atendiam todos que lá trabalhavam. Servindo sempre no que fossem pedidas por seus clientes.
Há uns três meses começavam enfrentar necessidades. Raramente aparecia alguém em busca de seus dotes. Começava faltar dinheiro para as despesas. Nem a alimentação era mais farta como no tempo que chegaram na cidade. Era preciso tomar uma atitude.
Luzinete comandava as mulheres. Caminhava a frente do grupo, de mais de trinta mulheres, deixando evidente sua altivez. Ricardinho, era o único homem no grupo, era cliente de Rosinha. Fechariam a rodovia barrando o trânsito. Ali era o único caminho por onde passavam dezenas de caminhões, levavam cimento para a obra que funcionava dia e noite. Decidiram fechar a rodovia e tentar para o serviço no canteiro. Foi a forma encontrada para tentar mudar a situação.
O dia amanheceu e as mulheres, corajosamente, formaram um cinturão humano para impedir que os caminhões, que formavam uma longa fila, aguardando o início dos serviços de balsa, pudessem atravessar o rio e seguissem para o canteiro de obras da hidrelétrica. Os caminhões betoneiras precisavam chegar logo. A construção, como uma jiboia insaciável, tinha fome. Não parava nenhum momento de receber a massa que levantava aquela enorme barreira de concreto no meio da floresta. E ali estavam as mulheres bloqueando a entrada dos caminhões carregados de cimento para não entrarem na balsa.
Os caminhoneiros nada podiam fazer. Aliás, adorariam atender à reivindicação das mulheres operárias, elas exigiam clientes para vender prazer. Chegaram na Cidade no início da construção, e agora sentiam-se abandonadas, sem trabalho. A cidade possuía 27 pontos de atendimento, com mulheres que trabalhavam na venda do corpo. Ainda assim, o município vizinho tinha mais e melhores serviços e os homens não mais frequentavam a cidade de Luzinete. Elas resistiam, vendo seus ex-clientes passarem diante delas e não parar. Agora estavam ali, naquela manhã, antes do sol acordar, impedindo que a balsa recebesse os caminhões.
Foi quando chegou o prefeito e fez um apelo para que desbloqueassem a entrada da balsa e deixassem os caminhões seguir viagem. Elas seguiam irredutíveis. Sairiam dali apenas se fosse assinado um compromisso para os homens voltarem a comprar seus serviços. Os caminhoneiros se divertiam, apesar de terem de cumprir horário para a entrega da carga.
Veio o delegado de Polícia, estava acompanhado de três policiais. Tentou convencer as mulheres, que seguiram firmes abraçadas formando uma barreira humana, aparentemente frágil, apesar de demonstrar ser intransponível. Logo apareceu o gerente da construtora. Chegou em um helicóptero na beira do Rio, que, ao pousar, formou uma imensa nuvem vermelha de poeira. Ele insistiu para que o acesso a balsa fosse liberado. Nada. Elas seguiam firmes. O número de pessoas no local havia crescido. Outros comerciantes de juntaram as garotas. Todos queriam clientes.
Foi quando um caminhoneiro chegou junto a Luzinete e fez a proposta de que elas fizessem uma tabela de preços que permitisse todos terem condições de comprar os serviços prestados. Ela e as colgas aceitaram a proposta. Colocaram uma condição apenas, a de que o documento fosse assinado pelo prefeito, delegado de polícia, o gerente da empreiteira e fosse chamado o padre para benzer o acordo. Exigiram que o documento deveria constar que a empresa incluiria no pagamento dos operários a garantia do serviço que elas prestariam aos seus empregados, mas isso não daria, muitos eram casados e suas esposas não sabiam que seus maridos frequentavam os bordéis da região. Por fim, chegou-se, a um acordo com uma tabela de preços, com a previsão das condições de pagamento, que deveriam ser feitos diretamente pela empresa.
Tudo parecia estar sendo resolvido, quando as mulheres apresentaram mais uma exigência para a liberação do acesso a balsa. Havia passado mais de três horas, desde o começo do bloqueio. Como uma cobra preguiçosa, os caminhões, uns atrás do outros, seguiam parados, em uma procissão que crescia a cada instante. Havia acabado de chegar a informação de que o cimento estava acabando e a liberação precisava ser urgente. O serviço não poderia parar. Foi quando Risomar impôs uma condição, aceita por suas companheiras, para que se liberasse a passagem. Pediram a realização de uma missa campal e que o acordo fosse assinado, publicamente, por todos. Imediatamente procuraram o padre, que disse que não faria este sacrilégio, entretanto, terminou por ceder. Reunidos na margem do rio, a missa aconteceu e o documento foi assinado, liberando a passagem dos caminhões.

domingo, setembro 25, 2016

Amanhecer



Para Wanessa Dias.


Romper o medo da noite,
Quebrar os vidros do tempo.
Amanhecer,
Navegar com exatidão.

Não esquecer o sol.
Navegar com o vento.
Onde tudo muda.

Até amigos somem.
Ficaram no caminho?
Saberão ainda cantar ciranda?
Onde estarão os parentes?
Aquele abraço forte?
Camaradas,
Esconderam-se na lua minguante.

Deslizarei ao infinito,
No azul acolhedor,
Disposto a seguir amanhã.

Fazer das noites alimento
Capaz de satisfazer o fogo.
Brasa crescente,

Levantando voo,
Observado por Netuno e Nyx
Que não assustam.


Pedro César Batista

segunda-feira, junho 20, 2016

Aurora

Apesar das mentiras,
Existem flores que não são de plásticos.
O chão,
Vermelho, 
Pede água,
Salgado com o sangue Guarani kaiowá
E dos meninos assassinados pela polícia.
Apesar da tristeza
A lua crescente desponta no horizonte.
O dia não veio do acaso,
Enfrentou a escuridão e a noite,
Fria.
Ainda há sorrisos irradiando a indignação,
Erguendo punhos e fortalecendo abraços,
Longos e calorosos.
O novo virá,
Cheio de flores e alegria.
Não duvide !!!!