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segunda-feira, junho 20, 2016

Aurora

Apesar das mentiras,
Existem flores que não são de plásticos.
O chão,
Vermelho, 
Pede água,
Salgado com o sangue Guarani kaiowá
E dos meninos assassinados pela polícia.
Apesar da tristeza
A lua crescente desponta no horizonte.
O dia não veio do acaso,
Enfrentou a escuridão e a noite,
Fria.
Ainda há sorrisos irradiando a indignação,
Erguendo punhos e fortalecendo abraços,
Longos e calorosos.
O novo virá,
Cheio de flores e alegria.
Não duvide !!!!

quinta-feira, abril 14, 2016

POETAS CONTRA O GOLPE !

Somos poetas, cidadãos e cidadãs, e nos unem o exercício da poesia e a defesa da democracia. Poetas Contra o Golpe tomam a palavra em defesa da democracia tão ameaçada neste país pelos mesmos senhores históricos de todo o sempre: os verdadeiros inimigos do povo e das recentes conquistas obtidas em seu favor. Por isso, viemos a público manifestar nossa posição contrária à tentativa do golpe político-institucional em curso, o qual, no nosso entendimento, visa à retomada de poder pelos grupos partidários e empresariais derrotados nas últimas eleições presidenciais. 

O golpista é um fingidor de fato como pessoa, jamais um poeta! Não mede esforços nem consequências para e pelo poder. Alimenta-se das desigualdades, das diferenças, da indiferença e do ódio na permanente construção do abismo social por origem, classe, cor, credo, gênero, dividindo a sociedade por desrespeito e desprezo à maioria da população que de fato constrói a nação.

Afirmamos nosso mais contundente repúdio aos atos de corrupção praticados por esses grupos, pois entendemos que a corrupção desmerece a democracia e agride a cidadania. Defendemos as investigações e as justas punições dela decorrentes. Porém, não aceitamos que apenas um grupo político seja o alvo, porque sabemos que a grande maioria dos partidos políticos brasileiros, inclusive os que articulam o golpe, é historicamente praticante de atos de corrupção e não tem sido alvo de investigações. 

Nós poetas em defesa da democracia, da constituição, da liberdade, do estado democrático de direito, tão aviltado no momento, buscamos e lutaremos sempre por um Estado laico, justo, igualitário e libertário alimentando o desejo e o sonho pela unidade da diversidade no país e pelo respeito entre todos e todas. 

Somos chamados e chamadas a marcar posição em defesa da democracia, neste momento histórico difícil e delicado em que a sociedade brasileira se percebe crivada pelo clima de ódio que ameaça sobretudo os defensores do estado democrático de direito. Trazemos em resposta a esse momento crítico a nossa fala poética. 

Brasília, abril de 2016. 

Adeilton Lima - DF
Ademir Demarchi - SP
Alberto Pucheu - RJ 
Alexandre Durratos - RJ
Alexandre Guarnieri - RJ
Alexandre Pilati - DF
Altivo Neto - DF 
Ana Maria Lopes - DF 
Ana Rüshe - SP
Ana Suely - DF
Andre Giusti - DF
André Rocha - DF
Angélica Torres Lima - DF
Aníbal Perea - DF
Antônio Juraci Siqueira - PA 
Antônio Miranda - DF 
Aroldo Pereira – MG
Beth Jardim - DF 
Brenda Marques Pena - MG
Bruno Caetano - DF 
Caetano Bernardes - DF 
Carla Andrade - DF 
Carlos Augusto Cacá - DF 
Carlos Machado - SP
Carmem Silva Presotto - RS 
Carolina Vieira - DF 
Ceiça Targino – DF
Chico Alvim - DF
Chico Nogueira - DF 
Cláudio Cardoso - PA 
Cláudio poeta Dinho - DF 
Corinto Meffe - DF 
Dan Juan Nissan Cohen - RJ
Daniel Barros - DF 
Daniel Pedro - DF
Dedé - DF 
Devana Babu - DF 
Eliana Castela - AC
Elicio Pontes - DF 
Ézio Pires - DF 
Fernando Freire - DF 
Fred Maia - DF 
Germano Arte Seletiva - DF 
Guido Heleno - DF 
Gustavo Dourado - DF 
Ironita Mota Pereira - DF
Ismar Lemes - DF 
Iverson Carneiro – RJ
Jairo Fará - MG
Joana Chagas da Silva - PA 
João Bosco Maia - PA 
João Victor Pacífico - DF
Joãozinho da Vila - DF 
Joaquim Mariano - SP
Joelson Meira - BA
Jorge Amancio - DF
Jorge Antunes - DF
José Leal - Alemanha 
José Sóter - DF 
Jovino Machado-MG
Júlio Alves - RS
Lacerda Alencar - DF 
Leila Jalul Bretz - AC
Leonam Cunha - RN
Lilia Diniz - MA
Lisa Alves - DF 
Lucia Araújo - DF
Luiz Felipe Vitelli - DF
Luiz Turiba - DF 
Lurdiana Araújo - DF 
Manoel Herzog - SP 
Marcão Aborígene - DF 
Marcelo Morão-RJ
Marcos Freitas - DF 
Maria Alice Bragança - RS 
Maria Glória - DF
Maria Maia - DF
Maria Vieira dos Santos - RJ
Marina Andrade - DF 
Marina Mara - DF 
Marli Silva Fróes -MG 
Nanda Fer Pimenta - DF 
Neli Germano - RS
Noélia Ribeiro - DF 
Olivia Maria Maia - DF 
Patrícia Giseli - MG
Paulo Dagomé - DF 
Paulo Ferraz - SP
Paulo Nunes - PA
Pedro César Batista. - DF 
Pedro Tostes - SP 
Raul Ernesto Lorrosa Bellesta - DF 
Rego Júnior - DF 
Renato Fino - DF 
Ricardo Mainiere - RS
Ricardo Silvestrin - RS
Rita de Cássia da Silva - PA 
Rita Melem - PA 
Rita Prado - PA 
Roberto Amaral - MG 
Ronaldo Costa Fernandes - DF 
Ronaldo Mousinho - DF
Ronaldo Rhusso - RJ 
Rubens Jardim - SP
Sérgio Duboc - DF 
Solange Padilha - RJ
Sônia Situba - PA
Tereza Vignoli - SP
Theo Alves - RN
Tita Lima Lima - DF 
Tom Pureza - DF 
Vanderlei Costa - DF 
Vicente Sa - DF 
Vinicius Borba - DF 
Wanessa Dias - DF 
Wélcio de Toledo - DF 
Yonaré Flávio - DF

quarta-feira, março 09, 2016

Fatos

Bradam pedindo prisão,
Defendem a pena de morte,
Incentivam a justiça pelas próprias mãos.
Acusam
como fossem primários em corrupção,
com discursos ecoados em rede nacional.
Velha prática herdada de seus antepassados,
Negar a verdade
Garantir propriedades,
Caluniar.
Os índios eram preguiçosos,
Os negros indolentes,
As mulheres fracas.
Seguem formando seguidores,
Incapazes de olhar para trás
Indispostos a se mirarem como classe.
Multidões que não receberam heranças,
Não possuem sobrenome de senhores coloniais,
Nem de quatrocentões.
Criam soldados
De velhas oligarquias.
Outros, serviçais conscientes, rosnam
não querem falar de política,
Tentam falsear seus vínculos.
Seguem latindo,
como cães treinados,
Aptos a atacarem
quem ousar enfrentar
Seus líderes.
Escancaram cinismo,
Exalam podridão histórica
Sem gaguejar continuam acusando,
aumentando suas riquezas,
encharcadas em sangue.


Pedro César Batista

quinta-feira, janeiro 21, 2016

Autorretrato social



sou sem rosto
morador sem teto
colocado na marginalidade
homossexual discriminado
mulher violentada
criança faminta

sou sem cores
jovem desempregado
sou assassinado
pela polícia covarde

sou da África,
fui sequestrado
fizeram-me escravo

sou operário
sou lavadeira da beira do rio
sou boia fria

sou as mãos
sou os pés
sou o trabalho

sou do campo
sem-terra
planto comida
que falta em meu prato

sou diarista
lavo banheiros
limpo chão
cozinho e sirvo

respiro fogo
minha pele não tem cor
cheira mal
durmo sob marquise

sou discurso
sou promessa
sou número

sou sem rosto
sou condenado
sou descartável
sou sem cores


quarta-feira, janeiro 06, 2016

Quem sou.




Sou negro, um jovem negro. Mais um.
Sou índio, uma criança indígena. Mais uma.
Sou palestino, uma criança palestina. Resistindo.
Sou mulher, uma jovem mulher. Combatente.
Sou trabalhador, desempregado. Organizado.
Sou da periferia, do mato, da aldeia. Sou da colmeia.
Sou quilombo, conquisto o amanhã. O novo.
Vivo em cabanas, ergo o sol. Faço vida.
Semeio e colho alimentos,
Pesco em todos os mares,
Alimento o mundo.
Minha voz não sai na mídia,
Minha voz é sufocada, resiste,
Embala o fogo da vida. Grita, sem medo.
Enfrento as balas da polícia,
As mentiras dos poderosos,
Preconceitos dos moralistas religiosos.
Sou o povo,
Cantando sem medo de sicários,
Capaz de fazer esperança na dor. Florir sorrisos.
Sou o olhar que não se esconde,
O abraço que não se afrouxa,
O passo que não vacila. Marcha, firme.
Venho dos morros,
Das favelas e dos acampamentos. Levanto utopias.
Venho do amanhã,
Quando o ontem nada mais será que um quadro,
Um triste e velho quadro pendurado na parede,
Encardida pelas lágrimas de tanto sorrir
E bailar para a lua. Vermelha e cheia.
Sou o povo que não se curva,
Sou a vida que não morre,
Disposto a derramar o sangue,
Fazer flores onde a terra ainda está árida.
Sou o fogo que não se apaga. Sou labareda.

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Há muita poesia para germinar.



Por Pedro César Batista


Um novo ano se aproxima. O ano que fica deixará ensinamentos sobre a necessidade de se conhecer a história do desenvolvimento humano e da sociedade. Reafirma-se a necessidade de se saber de onde viemos, como aqui chegamos e ter claro para onde desejamos ir. Em algumas horas entraremos no 16º ano do século XXI, meu 52º ano de aprendizados e descobertas, mais de meio século de vida e sonhos.

Na adolescência acompanhei os estertores da ditadura de 1964. Presenciei a polícia com seus cães nos atacar porque queríamos democracia. Quantas vezes a polícia esteve em nossa casa para intimidar e ameaçar. Conheci o arbítrio, com invasões de domicílios, prisões arbitrárias, espancamentos, torturas e mortes. Certa vez fui agredido fisicamente pelo delegado Mário Malato, dentro do DOPS, após ser preso devido uma greve, enquanto outros companheiros eram brutalmente espancados.

A luta do povo levou a mudanças, as quais foram conquistadas e legitimadas pela Constituição de 88, que trouxe um arcabouço jurídico assegurando a liberdade, direitos e o direito a participação na definição dos rumos do país. Trouxe uma democracia que manteve o controle nas mãos de poucos, apesar de assegurar a liberdade de se organizar, manifestar e pensar. O voto não mexeu com nenhuma estrutura.

Dias depois da promulgação da Constituição a UDR, comandada por Ronaldo Caiado, matou meu irmão, João Batista. A UDR, organização paramilitar, impediu importantes avanços durante o processo constituinte, além de ter assassinado centenas de defensores da reforma agrária. Assassinos e torturadores, no lugar de serem punidos, tornaram-se parlamentares, seguiram impunes.

Ainda assim, companheiros chegaram ao governo, mudanças ocorreram, nenhuma estrutural, consolidando a liberdade, apesar do mercado e dos EUA seguirem controlando sonhos, desejos e almas. Cada vez mais sutis e poderosos. A Guerra da Quarta Geração segue em curso, destruindo nações, propagando mentiras e arregimentando seguidores. A luta de classes não deixou de existir, apenas adquiriu novos formatos.

Os novos tempos trouxeram novos paradigmas, propagados e sustentados pela mídia, igrejas e a educação, baseados no individualismo e no desconhecimento do passado da história, provocando uma ruptura com o tempo de desenvolvimento social que nos permitiu chegar aos dias atuais. Predomina, em muitos casos, o imediatismo, hedonista e dissimulado, criado pela sociedade de consumo, unicamente voltado para a satisfação de interesses privados e conservadores.

Se em 2015 vivemos o surrealismo de jovens defendendo a volta dos militares e a propagação avassaladora de mentiras históricas, torna-se premente retomar o fio do tempo, dar-lhe uma direção que priorize a continuidade do desenvolvimento das liberdades, do respeito e da dignidade humana. 2016 será um ano de intensos combates, dos quais não fugiremos, somente reforçaremos nossas trincheiras, nossos ideais e sonhos. O tempo segue, há muitas sementes para espalhar, muitas luas para vivenciar e muita poesia para germinar.



sábado, dezembro 19, 2015

Vibrar



Ah, o olhar!!
Sem ferrolhos
Nem portas
Espaceando pelo luar
Aguçando o amanhã.
Ah, o mar!!!
Sem fronteiras
Nem porteiras
Nem propriedades.
Ah, o pulsar!
Coração vermelho
Corajoso
Audacioso
Vibrar sem susto.
Amanhã
Raiara o sol
Fará chispas
Incendiará o mofo
Traças sem graça fugirão.
Ah, abrir os olhos!
Ver
Aprender a cantar
Colher rosas vermelhas.
Ah, caminhar!!!!

PCB

Inexorável

Nada sei do amanhã
Apenas que é inexorável
Nada sei da mentira
Somente que predomina 
Ainda assim venta
Sonhos e resistências
De todos os tempos
Em todos os mares
Em todos os cantos
Janelas se abrem
Sementes se espalham e se espelham
Olhares refletem batalhas
Flores coloridas
Rosas vermelhas despontam
Castelos se desmoronam
casebres se erguem
Cabanos ressuscitam em cada olhar
fogueiras se acendem
Nada sei do tempo
importa recolher lenha
fazer labareda
espalhar acalentos
cantos e o novo
que desponta
como o desabrochar de uma flor.
pcb