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quarta-feira, dezembro 27, 2006

Onde vamos parar?








terça-feira, dezembro 26, 2006

Que tempo é esse?

Quem sabe onde descobrir um novo tempo?
Será que a chuva semeia o sol?

Venta calor enquanto passos sem direção caminham,
desesperadamente gastam
deixando sonhos nos caixas que mais riquezas acumulam.
Os passos sem direção seguem
orientam-se pelas luzes do natal e os cantos eletrônicos
das marcas mais conhecidas.

Que tempo de calor e medo é esse,
onde as pessoas deixam de existir,
tornando-se mais e mais produtos
consumíveis a cada nova propaganda na TV?

Existirá ainda sonho
descolado da marca da moda?

Que tempo é esse?

O vento é quente
deixando o ar mais pesado
e o medo de morrer sem ver a manhã
brotar nos olhares assustados.

Que tempo é esse?


segunda-feira, dezembro 18, 2006

A política foi inventada pelos humanos mas não é nada humana
















A política, ciência social criada pelos seres humanos para organizar a vida em comunidade deveria servir aos interesses coletivos. No entanto, torna- se cada vez mais instrumento para servir somente a manipulação e a exploração do povo por grupos minoritários alheios e distantes aos que se dizem representar. A comprovação disso foi o auto-aumento concedido pelos parlamentares.

É preciso reverter essa prática sob pena de se aprofundar cada vez mais o fosso entre a sociedade e seus pseudos-representantes.

Dados mostram que mesmo havendo um pequeno aumento do IDH brasileiro, a sociedade brasileira permanece longe de alcançar o grupo de países mais desenvolvidos. Os dirigentes do legislativo e do executivo aprofundam essa contradição. O salário mínimo continua tendo um valor insignificante, impossível de atender o dispositivo constitucional que assegura o direito a alimentação, vestuário, saúde, transporte, educação e lazer. Impossível para uma pessoa acessar estes direitos com R$ 350,00. Para uma família, composta do casal e dois filhos, satisfazer suas necessidades básicas é mais difícil ainda.

Conforme dados do DIESE o salário mínimo deveria ter o valor nominal de R$ 1.600,00. Se assim fosse, os deputados com seu acintoso reajuste de vencimentos teria um salário mensal inferior a 20 salários mínimos. Em nenhum momento o governo ou o parlamento discutiu a proposta de um salário mínimo de R$ 1.600,00. Debatem entre si e acompanhados pelas centrais sindicais chapas branca se o reajuste será de R$ 25,00 ou de R$ 17,00. O argumento é o mesmo de sempre: a economia não suportaria pagar um salário mínimo com esse valor.

Como disse a senadora Heloisa Helena "é preciso muito óleo de peroba" para lustrar a cara de pau dos governantes e parlamentares. A história nacional mostra que o brasileiro sempre deu um jeitinho para resolver seus problemas, isso vem ocorrendo há séculos. Será que por toda a história que ainda virá as pessoas continuarão permitindo que a política no lugar de ser um instrumento de ação coletiva, comunitária e a serviço dos interesses públicos continue sendo ferramente criminosa usada por alguns para manipular massas? Será que essa ciência a serviço da sociedade não será colocada a serviço dos interesses comuns da nação? Até quando o povo brasileiro permanecerá alegre sendo tão vilipendiado? Até quando?



segunda-feira, dezembro 04, 2006

Semear a solidariedade e combater a lógica capitalista

A busca desenfreda pelo lucro, pelo acúmulo de riquezas e pelo controle do mercado global desenvolvida pelas empresas transnacionais representa o grande vilão do aquecimento grobal e da pobreza, outro grande mal vivido pelos habitantes da Terra.

No filme "Encontro com Milton Santos ou a globalização vista do lado de cá", lançado durante o Festival de Cinema de Brasília, o geografo diz que vivemos uma oportunidade rara de construirmos a humanidade. Diz ele que até o momento anda não conhecemos essa realidade, porque o termo humanidade significa novas relações entre os seres humanos que habitam o planeta. Relações essas desconhecidas, mas que vem sendo contruidas ao longo da história. Segundo Milton Santos, falecido em 2001, a hora é de esperança e ação na construção desse antigo sonho.

Em recente entrevista de Fábio Conder Comparato a Rachel Bertol, de O Globo, em 29/7/06, o professor da USP, afirma que os habitantes do "planeta esférico, com dimensão limitada e população crescente" tem dois caminhos apenas: "ou nos chocamos ou estabelecemos uma vida harmoniosa". Diz que falta uma visão comunitária às pessoas e que uma sociedade não vive harmonicamente tendo com base o interesse individual. Para ele "a situação poderá mudar quando o povo deixar de ser expectador e passar a ser considerado o ator principal". Comparato afirma que na "autêntica república o bem comum do povo está acima dos interesses particulares, de famílias, partidos, igrejas, corporações".

A população planetária, especialmente as populações nacionais, precisa mudar seus paradigmas, construindo uma nova relação em que a preocupação com o outro, em que o saber cuidar, como diz Leonardo Boff, seja ação cotidiana no comportamento humano. O capitalismo não permite isso. O capitalismo e seus agentes, para atingirem suas metas econômicas, educam as pessoas de forma individualista e egoísta, destroem o biosistema, quebram a cadeia genética, dizimam civilizações e culturas, fomentam guerras.

Hugo Chavez em seu discurso, comemorando sua vitória eleitoral, na eleição de 3/12/06, diz que é preciso construir uma relação democrática de paz e amor, baseada no exemplos de Cristo, para construir o socialismo venezuelano. Interessante essa fala. Porque somente com novas práticas é possível mudar. Ao repetir os erros do autoritarismo, da usura e do egoísmo capitalista, será impossível reverter o quadro do aquecimento global.

É hora de agir, coletivamente e individualmente, na construção da Humanidade que Milton Santos fala. É hora de semear o respeito, a solidariedade e a fraternidade, única formar de assegurar um mundo mais justo e melhor para todos os moradores do planeta.




quarta-feira, novembro 01, 2006

Continuismo neoliberal do petismo.

Somente passaram três dias que o presidente Lula foi reeleito e já existem indícios claros como será seu segundo mandato. Vejamos: aumento de gasolina e do alcool, crise energética, conchavos com o PMDB semelhantes aos ocorridos secularmente, sustentado na base do toma-lá-dá-cá, discurso diferente da prática, continuidade da política econômica de FHC/Palocci...tudo como Dantes do Qualtel de Abrantes.

A crise vivida nos aeroportos é outro indício da forma de governar de Lula e seus aliados. Conforme denúncia de Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, desde 2003 vem sendo falado que faltam profissionais. Passado todo esse tempo nada foi feito. Como sempre, tentam tapar o sol com a peneira. Que seriedade tem esse governo?

A reunião da direção do PT, ocorrida ontem, defendeu a retomada de bandeiras mais à esquerda. Inclsuive muitos militantes desse partido acreditam que isso acontecerá. Será que Jáder Barbalho, Sarney, Renan Calheiros, Gedel, Palloci, Genoino, Maluf, Delfin Neto, e outros, velhos e novos, aliados de Lula permitirão? Será que Lula quer isso? Muita ilusão acreditar que isso acontecerá.

O novo mandato nada mais será do que a continuação do passado. Foram oito anos de de FHC, mais quatro de Lula, ou seja doze anos de uma mesma política economica que privilegia assegurar o lucro do grande capital e repassar as migalhas para os miseráveis. Nada mudará, inclusive na questão ética e moral. O tempo mostrará para quem Lula governa de fato.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Espero estar errado!

Não votei em nenhum dos dois candidatos a presidência do Brasil na eleição de ontem. Entre ter que pagar uma multa e votar, escolhi comparecer a sessão eleitoral e anular meu voto. Nenhuma proposta apresentada me convenceu. Pelo contrário, ambas, segundo meu entendimento, eram parte de um mesmo projeto.

Ainda ontem, devido os avanços da tecnologia, ficamos sabendo a esmagadora vitória obtida pelo presidente Lula. Foi reeleito e consagrado com uma votação expressiva. Em seu discurso após o resultado, afirmou que optará pelos pobres, mas governará para todos. Como fazer isso?

A população mais pobre e a pequena burguesia votaram maciçamente no candidato petista. Os primeiros, entre os quais os 11 milhões que já recebem a Bolsa Família, acreditando que Lula governa para eles já que abaixou o preço do arroz (!). Os segundos sonhando um dia viver o mundo que o governo lulista propicia os mais abastados. Assim como o governo anterior, o atual também possibilita que os mais ricos fiquem cada vez mais ricos. Enquanto distribuem migalhas para o povo, dedicam o recheio aos mais poderosos. Acredito que a economia é como um cobertor. Para cobrir todos alguém terá que ficar descoberto.

Como penso que os dois candidatos que disputaram o segundo turno eram parte de um mesmo projeto não votei em nenhum. E quando o presidente reeleito afirma que continuará governando para todos e privilegiará agora os mais humildes, penso que isso será muito difícil. Claro, espero estar errado e o presidente certo. Também desejo um país melhor, principalmente uma política que assegure para todas as crianças o sorriso estampado no rosto, bem alimentadas e podendo estudar e sonhar com um mundo diferente. Espero que esteja errado e o presidente Lula certo, possibilitando que o sonho de uma sociedade mais justa retorne às mentes do povo brasileiro (não apenas a diminuição do preço do arroz).

segunda-feira, outubro 23, 2006

Voto nulo porque ainda acredito na mudança.
















A política deveria nos dar uma consciência acima da maioria dos cidadãos. Ela nos dá informações que nos permite, aparentemente, ter mais clareza que aqueles que não se interessam por esse tema.

Será que um cidadão que está apenas preocupado em assegurar o cumprimento de suas obrigações para garantir o seu sustento e não se interessa pelo que os dirigentes de seu país fazem não está interessado em política? Bertold Brecht em seu famoso poema Analfabeto Político responsabilizou pelas mazelas que a sociedade vive todos aqueles que "batem no peito dizendo que odeiam política". Será que de fato essas pessoas são responsáveis pelas manobras e falcatruas que os dirigentes públicos cometem?

Dia 29 de outubro anularei meu voto. Nunca me enquadrei no estilo definido por Brecht, pelo contrário, desde a juventude estive integrado aos movimentos. Ainda garoto participei da luta pela anistia e o fim da ditadura. Foram quase três décadas de dedicação à politica. Dei meu sangue, minha juventude e meus sonhos. E onde chegamos depois que foi eleito, pela primeira vez na história nacional, um operário para presidente da república?

A política transformou-se em um grande negócio onde os líderes, inclusive alguns oriundos das lutas do povo e do movimento sindical, tornaram-se empresários da política. Seus parceiros, seus familiares, seus grupos assaltam descaradamente o Estado em benefício próprio. Pior ainda é que são tão cínicos que vão aos MCS e afirmam que está tudo bem.

Acredito que a política ainda é o caminho da mudança. No entanto a estrutura atual, com partidos-empresas, líderes-vendidos-traidores, demagogos de todas as espécies não dá para votar. O voto nulo é um caminho, neste momento, para protestar contra tudo isso. P. ex. Lula e Alkimim defendem a mesma política econômica e interesses e se dizem diferente. E ainda há gente que acredita nisso.

Se a sociedade não reinventar a política, construindo canais onde cada cidadão, seja o operário que luta por sua sobrevivência, o intelectual, o profissional liberal, o desempregado, ou seja, todos os homens e mulheres possam de forma direta decidir os destinos nada mudará. É preciso repensar a forma de fazer política, como está não sairemos da lama em que nos meteram.

O risco é que não havendo uma mudança caminhamos para a barbárie onde o terror se instale e a sociedade não mais possa assegurar a civilidade nas relações humanas. Ainda é tempo.

quinta-feira, outubro 19, 2006

O NOVO PT

Há muito tempo o PT abandonou sua origem operária, sua história de lutas e as suas propostas para transformar a sociedade. No início dos anos 90 foram expulsos do partido alguns grupos mais a esquerda, depois outros, até a saída do grupo, mais recentemente, que formou o PSOL. A organização de base, os grupos de estudo e ações de base foram abandonadas ao longo desse tempo, terminando por ser um partido formado por burocratas e cabos eleitorais contratados em períodos eleitorais.

O slogan da campanha de reeleição do presidente Lula "Não troque o certo pelo duvidoso" traz um fato novo e preocupante. Com essa consigna o partido assume uma posição conservadora e, pode-se até dizer, reacionária, ao reproduzir o velho discurso que propaga o medo do novo. A natureza sempre se renova quando faz algum tipo de troca, as pessoas sempre crescem e aprendem quando descobrem algo novo e as experiências novas na busca da solidariedade, fraternidade e justiça social sempre foram bem-vindas. O que não seria da humanidade se não existissem os ousados que sempre se arriscam para descobrir aquilo que aparentemente é duvidoso. Pedro Kilkery, poeta baiano do final do século XIX disse "olhos novos para o novo" e sempre é importante olharmos o novo com atenção e curiosidade.

Não estou afirmando que o candidato do PSDB seja o novo, pois ambos, Lula e Alkimim, defendem a mesma plataforma econômica e política, o que quer dizer que os dois representam o velho. No entanto um partido que nasceu do seio da luta democrática, das lutas sindicais e da luta do povo, sustentar-se com um discurso conservador e incentivando o medo é muito perigoso. O mimetismo petista tem sido assustador.

O que virá em seguida de um partido que retrocede tanto é preocupante. A sua história tem sido de expulsões, autoritarismo e conchavos com setores que sempre exploraram o povo. Graças a esses acordos conseguiu eleger, em 2002, o seu candidato a presidente. No entanto não esperávamos que mudasse tanto, negando suas bandeiras, sua história e lutas desenvolvidas e aliando-se ao que há de pior na política nacional.

Oxalá o senador Cristovan Buarque esteja errado quando afirmou que o lado autoritário petista predominará caso o presidente Lula seja reeleito. Apesar de tudo estarei com minha consciência tranquila, não votarei em nenhum dos dois candidatos a reeleição, anularei meu voto e continuarei a semear sonhos e esperança na construção de uma sociedade mais fraterna e justa. Que nome terá não sei, mas com certeza não será o capitalismo criminoso que coopta pseudos líderes de trabalhadores.

terça-feira, setembro 19, 2006

Democracia Direta ou Barbárie.






















Em 1998 escrevi o artigo acima. Foi logo após as eleições, quando FHC foi reeleito (no primeiro turno). Passaram-se 8 anos e tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes. Talvez um pouco pior. Antes ainda havia esperanças, o sonho de que se chegássemos ao governo faríamos diferente. Antes ainda podiamos identificar aqueles que acreditávamos estavam ao lado do povo. E, em tão pouco tempo, o sonho e a esperança foram traidos.

Se FHC comprou votos para a reeleição, Lula pagou mensalão. Se FHC tinha entre seus parceiros múmias da política nacional, como ACM, Renan, Lula ressuscitou Sarney, Jader Barbalho, Orestes Quercia e outros representantes do neocoronelismo (muitos dos quais antes estavam com os tucanos). Se FHC privatizou os bens públicos, Lula priorizou destinar a arrecadação para pagamento dos juros da dívida, em detrimento de investir em verdadeiras políticas públicas, aliás, gaba-se de ter pago o FMI. Grande feito. Chega a dizer que está triste, porque os ricos não o estão apoiando como deviam, apesar de terem ganho muito dinheiro em seu governo. E coloca muito dinheiro nisso. Nem na era FHC os ricos ganharam tanto. Entretando o petista foi mais eficiente, dedicou migalhas do orçamento público aos mais pobres, dando a bolsa-esmola, assegurando asasim alguns milhões de votos. Os correligionários de Lula também inovaram transportando doláres em cuecas e deixando rastros por onde passavam. Lula montou no cavalo tucano e disse que era dele. Se FHC mandou esquecer o que escreveu, o próprio Lula esqueceu o que dizia e seu passado, fazendo tudo diferente do que falava que ia fazer.

A ignorância cresce cada vez mais. O egoísmo se fortalece. A política tornou-se um grande negócio entre cumpadres. Os três poderes da república estão completamente de costas para o povo. O que importa é o poder. A sociedade assiste a tudo impassível. Essa calma aparente pode trazer tempestade. Precisamos de muita água para lavar essa sujeira que domina mentes e corações dos que detêm e detiveram o poder, controlam a economia e o pensamento. Precisamos de uma tempestade. Muita água para limpar isso tudo. O que falta para isso acontecer?

A cada nova eleição os eleitos e seus partidos distanciam-se mais do papel de representantes da sociedade. É cada um tentando levar mais para atender seus interesses pessoais e de seus grupos. Estamos em pleno século XXI e os políticos portam-se como senhores feudais, ainda no limiar do século XVIII. O sistema representativo não atende mais as necessidades do coletivo social. A população é imensa e crescente. Os miseráveis surgem em multidões nos grandes centros urbanos. A riqueza continua nas mãos de poucos. Estes vivem em seus castelos, com seus seguranças privados e seus privilégios, com saúde e escolas boas. E o Estado? Continua servindo apenas aos ricos e poderosos, incluído aí a chamada classe média. Fortalece-se uma cultura elitista e excludente. Onde vamos parar? Qual o caminho para impedir que assim continue? Como mudar os rumos da história e fazer com que as pessoas sejam mais fraternas e solidárias? Qual o caminho para reformar ou transformar o Estado? Quais os instrumentos para que as pessoas possam se tornar sujeitos de sua história? Uma revolução nos moldes tradicionais significaria o esfacelamento de nosso país e do planeta? Ou esse ainda é o caminho? Para onde seguir?

Vamos pensar em continuar semeando a esperança, em construir a esperança e a fraternidade em nosso dia-a-dia. Vamos construir a democracia real. Com o fazer? Vamos descobrir. Não podemos aceitar passavamente, de maneira egoísta e covarde, a bárbarie que os traídores do povo e os exploradores de sempre tentam impor nas relações institucionais e na sociedade. Também não podemos copiar modelos e paradigmas comprovadamente reacionários e inadequados para os dias de hoje. Não podemos ficar parados, todos vamos pagar um preço muito alto.

terça-feira, agosto 15, 2006

Encantadora Lúcia

Gotas escorregam molhando meu corpo,
o calor alimenta minha esperança
no fogo que brotará das entranhas da humanidade.

Pulsa minha alma pensando na mulher que amo,
minhas veias se enrijessem como sementes frescas
endurecidas para virar vida rasgando a terra
e transformarem-se em flores para colorir a escuridão do universo.

Colorir o universo,
criar sempre sonhos,
semear permanentemente a esperança,
sabendo que a dor nunca cessará.

Amar é crer no coração!

Vem sempre me embalar,
sempre deixar-me crer no fim da solidão,
viver os beijos que tenho dado eternamente,
sentir o gozo em cada espasmo que dermos
caminhando ao entardecer em Olhos D'água.

Acreditar no fogo sempre.

Fazer a morte dominar a mentira,
a exploração transformar-se em lixo cósmico
levado pelos metéoros que navegam
deixando nada mais que o vácuo no espaço.

As gotas continuam caindo,
sinto mais ainda o amor me dominar,
semear minh'alma que cria vida
quando meu corpo toca o dela.

Enquanto vejo o sol se pôr
espero ela me chamar para seguirmos
o caminho onde somente semearemos flores
para combater as dores e as mentiras.

É muito bom estar amando...
É muito bom estar sendo amado...



segunda-feira, julho 24, 2006

VENDEDOR

Um beijo fez a semente estalar
o vento amorteceu sua queda
para o sólo a receber de braços abertos.

- Olha o gás, aceita-se cheque pré-datado.

Grita o vendedor acordando o despertador,
enquanto a claridade do sol
faz a terra se mexer rumo a leste.

E onde fica o norte?
Será que a morte virá levar a esperança?

E o tempo dança
aos sons dos estálos beijados
das sementes que buscam a terra
para continuar germinando sonhos.

- Olha o gás, aceita-se cheque pré-datado.

Continua gritando o vendedor.

sexta-feira, junho 02, 2006

Semear jardins






















Adoro as flores,
suas cores,
seus aromas,
suas formas e magia.

Quando ficam grávidas
tornam-se mais ternas,
sensíveis e encantadas.

Seus brotos, tenros,
trazem a força da vida
que as semente detêm.

Flores animam sonhos,
deixam o tempo mais leve
e a luz mais brilhante.

Adoro as flores,
as vermelhas chamam amor,
as brancas chamam paz,
as amarelas carinho,
as azuis lembram o horizonte,
as lilazes encantam os olhares,
as verdes semeiam esparanças.
As coloridas fazem a vida
ficar mais alegre e hermosa.

Adoro a paciência das flores.
Quantas vezes parecem desanimadas
e renascem com mais encanto e força.

Não importa a terra,
mesmo no meio da aridez,
elas brotam, crescem e semeiam
mais e mais flores e sonhos.

As flores são mulheres apaixonadas,
deixam a humanidade mais terna,
mais feliz e esperançosa,
que um dia as pessoas
sejam como flores.

As flores são mulheres que perdoam,
sem medo da escuridão,
e ao amanhecer
serão mais fortes, queridas e encantadoras.

As flores são energia para a vida,
de sentimentos que buscamos.

As flores são fortes,
como o mar que por todos os lados
acredita que pode ser instrumento
de harmonia, ligação e equilíbrio.

Adoro as flores,
não importa se sangro
com espinhos no dia a dia
das maravilhosas rosas.

Sei que preciso semear mais,
deixar a humanidade mais florida.
Quem sabe assim poderei descobrir uma flor
também acreditando na esperança
e possamos deixar o tempo mais sereno e belo.

Quero semear jardins,
mais incentivar a paz e sonhos
de homens e mulheres felizes.

Quero uma flor...

terça-feira, maio 16, 2006

Passeio com a Lua

















15/05/2006

O Mar me chamou
Lançou-me suas espumas,
Tentou me engolir com suas ondas,
Salgadas de tanto amor.

O Mar estava só
E queria me levar.

A Lua não me via,
Lá de cima olhando altaneira,
Movimentando-se sem me dar atenção,
Nem suas mãos ou seu beijo.
O fogo do dragão não me aquecia.

O Mar me chamava
E a Lua não me via,
Brincava com meu sonho,
Meu amor e a minha dor.

Os dois brincavam comigo.

O Mar me chamava,
A Lua se ia e não mais me via,
Mesmo quando cheia
Tomando conta do céu estrelado.

Isso encantava mais ainda meu desejo
De que um dia ela
Voltasse a olhar para meus olhos
E juntos fossemos passear a beira-mar.

A Lua não mais me via.

quarta-feira, abril 19, 2006

Prefácio Marcha Interrompida

Caro Leitor
Se você é daqueles que se impressionam com as coisas que lê, fica indignado, chora, perde o sono, xinga, sente a informação como um chute na boca do estômago – então é melhor não ler este livro. Pedro César Batista não economizou na descrição dos detalhes, na construção paulatina de uma história que vai nos aproximando de seres humanos concretos, de carne e osso. No fim do livro, você vai se sentir muito mal.
Não há no livro generalizações sociológicas. Não há leis gerais pomposas que, a pretexto de desvendar os mecanismos históricos do massacre de Eldorado dos Carajás, na verdade apagam o ser humano e entorpecem a consciência. Não há a quem recorrer, não há “luz no fim do túnel”, não há a promessa de um “amanhã feliz”. Comecemos pelo fim:
“Os que passam nos carros fazem o sinal da cruz. Os motoristas podem ver, devido à luz dos faróis, pedaços de massa encefálica e de carne desmantelada sobre o asfalto ensangüentado. Eles não tem como desviar. São obrigados a passar por cima dessa lama de destroços humanos.”
O próprio título do livro já é uma denúncia da condição atroz daqueles lavradores: poderá haver algo mais terrível do que uma marcha interrompida, quando o que se espera é que o final da marcha traga a paz?
Tive a oportunidade de visitar o assentamento que abriga a maioria dos que participaram da marcha interrompida, situado na região de Eldorado. É o que apresenta, entre todos os assentamentos organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os maiores índices de suicídios, de viciados em drogas, de violência doméstica e de casos embriaguez. Não é por acaso. Eles foram vítimas de uma operação implacável e covarde de guerra. Os sobreviventes são apenas isso: sobreviventes.
Pedro César Batista abre de novo a chaga, cumpridos dez anos do massacre. Mas ele não cai na tentação de idealizar os marchantes. Ao contrário. Apresenta cada um deles em sua dimensão humana – Antônio da Maria, Oziel, Mônica e tantos outros -, com todas as contradições inerentes a qualquer um de nós. Compartilhamos os seus medos e as suas alegrias.
Ficamos estarrecidos com a selvagem tortura que leva Oziel à morte. Somos subitamente transportados, neste momento, do sul do Pará para o Estádio Nacional de Santiago do Chile, onde, em 1973, os algozes de Pinochet usaram métodos bem semelhantes para humilhar e assassinar gente como o eterno Victor Jara.
Ficamos chocados ao saber que entre os marchantes há informantes da polícia: “O que esses caminhantes não imaginam é que entre eles há dois infiltrados. Crêem que todos os participantes são pessoas comprometidas com a conquista de terras para produzirem o seu sustento. Mas, há dois componentes que não têm o mesmo ideal e acreditam em outros valores e têm outros interesses e compromissos: Hermenegildo e Edimar.”
Ratos. Há ratos entre os que marcham. Ratos que sabem onde tudo vai acabar. E isso nos enche de fúria. “Profissionais experientes, dissimulados e frios”, descreve Batista, ao explicar como fizeram para ganhar a confiança dos demais, e como faziam para entregar aos superiores as suas posições.
Assim a trama vai sendo construída, até chegar ao desfecho final. É preciso ter muito estômago para suportar tamanha ignomínia. Pedro César Batista faz um relato forte, pungente, cru. Resta apenas esperar que a indignação causada pelo relato multiplique a vontade de acabar com os ratos, grandes e pequenos, que infestam o país.

José Abex Jr. – jornalista e professor da PUC/SP




terça-feira, março 07, 2006

MARCHA INTERROMPIDA

Lançamento em 17 de abril de 2006.


Atravessando longa faixa de floresta, um dirigente do movimento camponês se dirige a uma reunião na Colônia Vida, um povoado de posseiros que há dois anos ocupam parte das terras da Fazenda São José.
No caminho, ouve a conversa de dois pistoleiros, que acabaram de assassinar um colono. Um mês depois, a polícia, cumprindo ordem de reintegração de posse, despeja da fazenda as famílias de lavradores. Enquanto isso, ruralistas e autoridades locais se reúnem para traçarem planos de combate à crescente ocupação de terras. A imprensa nacional noticia a tática que será empregada em defesa dos latifúndios.
Depois do violento despejo, os sem-terras montam acampamentos provisórios e decidem iniciar uma grande marcha. Pretendem chegar à capital do estado e se reunir com o governador, para reivindicarem a desapropriação das terras de onde foram expulsos injustamente. Com uma semana de caminhada, e sentindo sinais de esgotamento, resolvem bloquear a PA150, principal rodovia do município. A polícia militar é enviada para desobstruir a área.
O que se segue daí são cenas de genocídio, de uma barbaridade premeditada, onde vários manifestantes caem assassinados.
Baseada na luta dos trabalhadores rurais sem terra, Marcha Interrompida é uma obra ficcional sobre o massacre de camponeses, ocorrido em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em 1996.



quinta-feira, março 02, 2006

MAIS AINDA























Ainda hoje senti meu olhar se perder na distância do passado.
Buscava desesperadamente o amanhã onde novas sementes possam desabrochar.

Ainda olhava a imagem do tempo encantado,
onde o perfume da manhã confundia-se com o amor.

Ainda esperava ver o olhar brilhando mais que a lua
irradiando o brilho das flores da sacada.

Que tempo é esse onde as pessoas não perdoam?

Que tempo é esse onde o orgulho vale mais?

Ainda hoje senti o gosto do fel em minha garganta.
Pude ver meus olhos buscarem os teus que não mais me veêm.

Ainda sinto a presença do passado
deixando o amanhã mais distante.
Novo dia que mesmo germinando em meu sangue gelado,
no calor da madrugada enluarada,
como o entardecer preguiçoso,
está lento e cauteloso, saudoso.

A lua encanta e canta minha perda,
o louco e desenfreado ardor de tocar tuas mãos
que nem mais me conhecem nem me desejam.

Ainda hoje senti meus olhos perdidos no amanhã
como uma semente desabrochando em minh'alma.

Sem dúvida essa terra se fertilizará,
ainda com mais e belas sementes
regadas nas manhãs ensolaradas...

Ainda hoje meus olhos brilharão mais ainda....

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

SEDE DE VENTO

O vento encanta as folhas,
ilumina as rochas,
traz o perfume das flores
saudosas e desconhecidas.

Osvalhos umidecem pálpebras
que nem se fecham,
abrindo-se para descobrir o novo
ventaniado cheio de canto.

O som do tempo
que se foi e se vem,
embalando as manhãs,
adormecendo os entardeceres,
enquanto a lua busca
na manhã traços da noite.

O vento vem e embala
o sonho de ser rocha,
Pedro já sou,
faltando a terra
que minha água encobre.

Onde anda essa ventania
que não me leva...
vem me embalar em tuas teias...
Vem...


segunda-feira, janeiro 30, 2006

NOITE VAZIA, AZIA (Ilhéus - BA - 1980)




















SOL

Se o sol
Durante a noite aparecer
E eu morrer?

Sem ser enterrado,
Fazem de mim um enlatado.

Vivo,
Sendo explorado,
Por fantasmas e mentiras.

Sem eu, sem você,
Sem ninguém saber,
Não quero morrer.

O sol me fez.
Fez a lua
Que é minha e
Dos átomos
Em meus espermas
Jogado no mar,
Esperando um novo sol raiar.
18/12/80


FORTES

Vômitos de fome da fome,
De ser o mar,
De ser um touro,
De ser o povo,
Não só eu,
Tu,
Ele,
Nos,
Vos,
Eles,
Mudando o lodo.
Revolucionando o pão,
Nós os fortes,
Inconscientes.
19/12/80


SOMOS


Dentro do sol o sol,
Entre ele e eu o
Universo, você e eu.
Sem espíritos. Átomos.
Loucos,
Humanos,
Ar,
No mar do mar.
ÁT
O
M
SOMOS.
19/12/80



SOM

Eu,
Perdido na multidão,
Muitos Pedros,
Na multidão.
Deus?
Eu,
Olhando e falando,
Sendo olhado,
Você e eu.
Dois homens,
Pedro e Pedro.
Deus?
Teu patrão dono do trigo,
Sem trigo,
Sem pão,
Sem mesa,
Na multidão.
19/12/80



DOR

Olhos cheios de dor,
Horror do amor,
Por traz o pavor,
Da fome,
Da morte,
Sedenta de vida,
Livre,
No canto de rua,
Sem luz, escura,
Sem sol, enluarado,
Com estrelas andando,
Só.
Olhos nos ares,
Sem falar da dor.
19/12/80


MAR

Na beira do mar,
Com ela passeei.
Mãos dadas.
Um fino,
Embaixo do sol.
Acordado por ela,
Beijos, olhares,
Na beira do mar.
Bela, beleza eu e ela.
Mar, amar,
Embaixo do luar,
Queria, queria ela,
Bela,
Beleza eu e ela.
19/12/80


DUREZA

Duro,
Dureza,
Roubalheira.
Rico,
Beleza.
Ladrão,
Deixa-nos sem pão.
Duro,
Dureza.
Beleza,
Só o mar.
19/12/80


MORTO

Na vida de brasileiro,
Casado ou solteiro,
De estado em estado,
Terra pra plantar,
Terra pra semear.

Sem comer,
Sem terra,
Sem casa.

Um brasileiro,
Explorando muitos brasileiros.

Presos,
Grades,
Tiros.

Morto na rua.

Denunciou.
19/12/80



BEBENDO

Leira
Fogueira
Gengibre.
Nem libra,
Nem cruzeiro.
Nem tostão.
Sem pão,
Irmão com irmão,
Embaixo de sol.
Vamos,
Estamos
Sendo explorados
Tomando chuva
Bebendo gengibre.
21/12/80



DOIS

Ver o mar
Namorando.
Praia,
Lua,
Sol,
Estrela.
Eu na praia,
Olhando a lua.
Queimando ao sol.
Eu uma estrela,
Sem eira, indo,
De praia em praia,
Falando amar.
Eu e o mar.
21/12/80



TEUS OLHOS

À Ana Carla

Na tua pessoa,
Uma mulher,
Bela.
Dentro de mim,
Uma lua,
Um sol,
Uma estrela.
Com olhares belos,
Brilhantes que ofuscam
Os meus, raios,
Teus olhos
Da cor da lua.
22/12/80


VONTADE

Fuxicos pelas portas,
Todos de pernas tortas,
De cabeças vazias,
Estômagos com azia.
Fome,
Dor,
Gastrite.
Causa: Coca-Cola & Cia.
Nas bocas vazias,
Entrando em olhos fechados,
Pessoas dormindo.
Cansaço,
Mormaço,
Que me queima
De vontade de ter ela.
22/12/80



SALVARÀ

13 pontos,
não fiz,
não sei,
não dei.
13 gritos,
não tem,
não vem,
não sai.
13 dias,
falta p/ o mundo acabar.
13 gritos o salvará.
22/12/80



CRUZ

A lua nasceu.
Pessoas na terra,
Sorriram, choraram,
Gritaram, amaram.
Eu andei do seu lado.
Me crucificaram.
22/12/80


NATAL

Onde nasci?
Onde vivi?
Aqui?
Ali?
Brasil, meu Brasil!!
Explorado por outros,
Por outrem.
A verdade, o fim, transformar.
Nascer por viver,
Em ruas arborizadas, calçadas,
Pessoas andando no sol.
Eu,
Por um nascimento igual.
23/12/80

terça-feira, janeiro 24, 2006

NADA SEI

















Quem pensa que tudo é
poderá terminar como uma nuvem,
sem identidade,
sem forma,
sem alma.

Quem sente-se melhor que os outros,
certamente tem medo do sol,
e da lua então nem se fala,
deve fugir na escuridão,
se escondendo com medo do sereno.

Por isso a moça da sala ao lado
parece ser tão mediocre,
pensa que é encantada,
mas não passa de uma abóbora,
já passada e envelhecida
que não serve para carruagem,
apesar de ainda ser um broto.

Quem pensa que tudo sabe,
deve ter medo da busca,
fugir do novo,
pensando ser um oráculo.

Tenho uma certeza,
muito antiga:
nada sei,
posso ser semente,
posso ser raiz,
posso ser vento!

O novo me chama!

terça-feira, janeiro 17, 2006

OS IMPRESTÁVEIS
















(Parodiando Bertold Brecht)

Há aqueles
que enganam o povo
um dia.

Estes são maus.

Há aqueles
que enganam o povo
muitos dias.

Estes são muito maus.

Há aqueles
que enganam o povo
sempre.

Estes são imprestáveis.

Cuidado!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

AINDA ESPERO

















Nada sei do canto
De meus olhos
Que nada vêem,
Apenas buscam a luz
Das estrelas nas noites enluaradas.

Enquanto sinto a dor
D’alma perdida na escuridão
Escuto os grilos
Cantarem músicas
Que fazem o céu piscar iluminado.

Todo o encanto,
Principalmente o desconhecido,
O sentido do novo,
Onde a visão
Encontra o que nada conhece.

Nem sabe onde vive,
Tampouco onde está,
Sentindo somente o canto
E o perfume do tempo
Onde a vida desabrocha
Flores férteis e coloridas.

Nada sei de meu tempo,
Menos ainda esperar
A incerteza do amanhã.

Ainda assim espero!

terça-feira, janeiro 10, 2006

ODE A IARA
















Cheguei ontem do Pará.

Lá tomei suco de muruci
e dancei carimbó,
comi carangueijo
e muita caldeirada.

Nadei no Rio Guamá,
vi o sol de pôr em Icoaraci,
tomando água de coco
na praia do Cruzeiro.

Sonhei no Mormaço
encontrar uma sereia,
que mergulhou depois de me encantar,
na fresta de luz da lua nas águas escuras da baia guajará.
Ela me encantou e se foi.

Em Soure enfrentei a areia
na praia do Pesqueiro,
ao som do vento e do mestre Lucindo
sob a claridade da lua,
ainda apenas um risco no céu.

Em Salvaterra mergulhei
acompanhando o Mergulhão.
Não fui tão fundo
era muito arriscado,
mas tentei.

Em Joanes o vento me balançou
na Pousada Ventania,
onde encontrei a confiança
e a esperança,
mesmo ouvindo o chôro das folhas do coqueiro
encobrindo a menina bela e enamorada
pelo boto que também não apareceu na noite estrelada.

Cheguei ontem ao centro do Brasil,
meu coração sente saudade
das calderadas feitas com amor,
das caminhadas embaladas pelas águas,
dos rios caudalosos que me envolveram.

Cheguei ontem,
a lua começa a crescer,
tanto quanto o sonho
em poder caminhar
todas as manhãs
nas margens do Amazonas.

Sonho em descobrir Iara,
para que ela me leve
para o fundo do rio,
onde viveremos prazeirozamente
para a eternidade.

Meu coração está triste...