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sábado, dezembro 18, 2010

Encantamento espacial



Uma ave sobrevoa os céus de minha alma,
deleita sonhos por segurança em alto mar,
compõe ilhas no espaço sideral,
flores desabrochando em terras suspensas
que pulsam a força do magma de meu ser.

Pássaros revoam em bandos na busca por ninhos
ao entardecer chuvoso sobre árvores e edifícios,
com avenidas entupidas de desesperados.

É uma ave livre que canta o vento,
inspira seu perfume em minhas narinas que o sentem,
ao acalentar todos os sonhos do percurso,
sejam em Praga ou Algodoal onde o fogo arderá.

Inspira a vida do mar embalando desejos,
saborear beijos ardentes em São Paulo
e em águas geladas das cachoeiras na floresta.

Sem medo da liberdade de seu canto
os passos flutuam sobre nuvens
desejosos por voar em seus braços,
onde cada corpo seja uma asa alçando vôo.

O encantamento de teu olhar é rocha
transformando o tempo em semente
ardente por terra para germinar
mãos dadas em manhãs de domingo.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

beijos perdidos



Grita um olhar em busca
Errante entre flores e mares

Crê ser vento

Nem se sente rocha
violentada de amor e dor

Fecha os passos apressados
Em pleno vôo
Rasante que se ergue aos céus

Grita em busca do tempo
Que nasce em beijos perdidos
Salgados por tuas lágrimas

quarta-feira, novembro 17, 2010

Um tempo que ainda não nasceu




Flutuar em sonhos iluminados e brilhantes,
alicerçados em passos do tempo
encantado e cantado nas avenidas da história,
contada e conquistada
em abraços e braços enlaçados.

Sem ilusão,
cantar a solidão do mercado,
suicida dos sonhos e dos ventos.

Propagar os cantos ensinados
por lábios vermelhos,
em vozes brancas, negras e amarelas,
espalhadas por mares
de cores, olhares e luzes.

Acender a vereda do tempo
que insiste em brotar
de sonhos de memórias que persistem.

Insistem em voar pelos continentes,
encantar ouvidos,
brilhar olhares,
tornando-se rochedos
em multidões que resistem.

Flutuar em um tempo que ainda não nasceu.

sexta-feira, novembro 12, 2010

vem ventania




Chuva, ventania e frio....
esse tempo precisa de calor, abraço e encanto...
venta ventania, vem cantar o amanhã...
canta a força do tempo...
canta a beleza das flores e das sementes...
chuva, ventania e frio...
venta ventania, vem cantar a manhã...
vem trazer o amanhã....

sábado, outubro 23, 2010

CÍRCULOS




de Flori Jácamo

Faz tempo que devíamos
ter aberto a porta:
ao homem e a mulher,
ao velho e a criança,
ao outro e a outra,
ao diferente e ao exato.

Para que deixassem de morder o fruto
entre as sombras
e encontrassem suas respostas.

Faz tempo que o humano,
devia ter cruzado
os vértices e as equações;
para acrescentar a poética
das artes
e dos mistérios.
Com pele,
com agudeza,
olhando para o firmamento
e para a Terra.

Faz tempo que devíamos
reunir-nos em tribos,
em comunidades,
em Círculos.
Para não perdermos
nem eu a ti, nem tu a mim,
para florescer,
para criar e continuar o caminho
entrelaçando os mundos.

( oferenda a seu trabalho )

terça-feira, outubro 19, 2010

Desbotado




Não sou amigo do rei,
Nem do sol,
Nem da lua.
O vento me provoca,
Canta a dor das gaivotas desgarradas,
Perdidas na floresta,
Entre almas e moedas.
Olhares assustam-se enquanto ouvidos cantam Janis,
Com medo da calmaria da morte
De desejos e sonhos ainda por descobrir.
O planalto é disputado entre gritos,
Sem descobertas nem encantos,
Nem encontros, somente poeira.
Não desejo ser amigo do rei nem da rainha,
Quero uma borboleta sobrevoando os campos de arroz.
Não fiquei no Guaíba,
Nem no Purus,
Nem no Guamá,
Pensei que o mar me chamava.
Foi ilusão do canto de sereias,
Que ousaram lavar a cor do tempo,
Deixando-o desbotado com a cor da morte.
A escuridão desabrocha em manhãs.
Onde anda o brilho das flores?

quinta-feira, outubro 14, 2010

"LOUCA POR VOCÊ"

Mulher encantada do Marajó (RC)




Senti um grande amor bem no meu peito
Não tem jeito
Não dá pra disfarçar

Me sinto bem ao ter
Você por perto, não me acerto
Fico boba ao te olhar

Senti que não iria
Mas ter você por perto de mim
Meu coração se apaixonou
quando viu você a primeira vez

Mas eu não posso evitar
Essa paixão que me arrasa
Já não consigo controlar
Esse louco amor que me mata

Sou louca por você
E não tem jeito

"AMOR DE ILUSÃO"

Mulher encantada do Marajó (RC)




O amor que estou sentindo
Baby não dá pra aguentar
Você foi para bem longe
Já não posso suportar

Meu amor senti no teu beijo
Que você ia me amar
Mas você foi embora
E me fez chorar

As estrelas já me disseram
Baby que você vai voltar
Amor volta eu estou te esperando
Tudo o que eu quero é te amar

Quando lembro do teu sorriso
Fico louca ao imaginar
Os seus olhos
São como a luz do luar

Ó baby, baby então volta
Para mim
Ó meu amor não me deixe
Triste assim
Você é como a luz
Do luar
O nosso amor nunca pode
Se acabar

segunda-feira, outubro 04, 2010

Foi muito bacana ler suas poesias




Li o sua coletânea de poesias e me inspirou a fazer as seguintes considerações sobre o autor:

Mais que a palavra, o gesto.
Mais que a verdade, a dúvida.
Mais que o suor, o sonho.
Mais que o homem, o humano.

No livro do Guimarães tem uma passagem que diz “...o Sertão está em toda a parte, o Sertão é dentro da gente.”. Visões heróicas nos permite irrigar esse Sertão, torná-lo fértil e sanar a tal da “aridez das idéias”.

É verdade, Pedro, “o tempo que não volta, segue”. Ela não pertence ao agora, mas também já não é mais do ontem. Até que ponto ele é tangível, eu não sei. Mas o tempo manipulável, o presente, reclama a sua trajetória. Convida a gente a escrever novas páginas desta aventura chamada Vida.

Mas como diz na música do Chico há uma roda-viva no nosso existir, que de repente nos aloca no tempo e no espaço, nos aproxima e nos distancia de pessoas e carrega o nosso destino para lá e para cá.

Hoje pela manhã, eu tive a feliz confirmação que passei no concurso de Especialista em Políticas Públicas no estado Rio de Janeiro. Já comemorei com a família e avisei os amigos. Tenho consciência dos desafios que eu vou enfrentar na carreira. Mas a militância é ideológica e não vai me restringir apenas a atuar dentro de um cargo. As parcerias ficam. Enquanto estiver aqui, vamos “arregaçar as mangas”. E mesmo depois o intercambio continua.

PS: O "Incendiário" eu já mandei para um amigo. Achei muito engraçado.

Abraços fraternos,

Flávia

Nota do autor: Publicado com autorização.

quarta-feira, setembro 22, 2010

Defender a vida




Estou vivo.
Brotei, nasci,
aqui estou.

Muito obrigado, mãe.

Você se foi.
Estás encaixotada,
triste, não respira.
Nem conversamos.
Você não fala mais.

Choro.
Um nó na garganta.
Tristeza.

Você se foi,
não mais falaremos de flores,
nem dos sonhos,
das dores,
nem mais sorriremos.

Não te verei mais.

Um buraco no coração
que nunca se fechará.
Minha alma se esvaziou.
Um veio que sangrará,
sentirá o frio
de não mais te beijar.

Continuarei a guerrear,
defender a vida,
que não mais tens.

Estou vivo,
graças a ti
que me amou.

Cantarei você,
sua resistência,
sua determinação,
cuidando em seguir,
ir sempre mais.

Seguirei tua marcha,
tua resistência.

sábado, setembro 11, 2010

Saudades. Muitas.

Izaura Ramos Batista, minha mãe, nos deixou ontem. Uma bela mulher de 85 anos, nascida em 11 de fevereiro de 1925, em Urupês (SP). Teve três filhos: Vera, João e eu. Viveu em São Paulo, Paraná, Pará e Distrito Federal. Se foi, inesperadamente, deixando um vazio que jamais será ocupado. Assim como os astros que andam pelas galáxias. Ela, com certeza, brilhará por ter sido um astro.
Deixou muitos escritos, adorava escrever e ler. Gostava de falar, conversar e defender posições. Uma guerreira que soube dar todo o seu amor e dedicação ao que acreditou. Sempre firme, assim mesmo nos deixou.
Seus exemplos e ensinamentos sempre estarão vivos. Sua fé em seus passos, sua firmeza e sagacidade servirão para alimentar a esperança e a luta.
Minha mãe se foi.
Uma dor se apodera de nossa alma.
Nada nunca apagará o brilho que ela deixou.
Vida longa a D. Izaura.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Poesia engajada traz luz, paz e alegria para a Praça da República




Poetas, poetisas, artistas de Belém e do interior do Estado e até de outros Estados encontraram-se nessa bonita e ensolarada manhã de domingo(05/09) na Praça da República em Belém do Pará, para vivenciar um Sarau Matinal Cultural. O mote para o evento, foi o concorrido lançamento do livro Candeeiro do Tempo - Poemas, do escritor, jornalista e ativista Pedro César Batista, no Bar do Parque.


O autor resgata trinta anos de poesias, numa coletânea comprometida com a luta do povo por terra, dignidade, resistência contra a ditadura, o reflorescer da liberdade até chegar à primeira década do século XXI. Para ele, "Candeeiro do Tempo é resistência em defesa da vida, da fraternidade, da solidariedade, da luta engajada e apaixonada pela vida, que busca iluminar as almas e os corações, os olhares, as pessoas para que sejam mais fraternas, mais justas e mais humanas."

O evento conseguiu atrair a atenção dos que vivem na Praça da República, dos que lá trabalham e dos que por lá passeavam. Além dos escritores e poetas (alguns também trouxeram seus livros para expor e vender), várias pessoas tomaram coragem e assumiram o microfone da Rádia NossaCasa Amazônia Livre, que cobria ao vivo o evento, e recitaram poesias, compartilharam suas histórias de vida e de luta por um mundo melhor, o que iluminou ainda mais o Sarau, deixando no ar e embaixo das frondosas magueiras ao lado do Teatro da Paz, muita alegria e esperança, afinal:

Viver é sonhar
Semear a luz do novo tempo,
onde se possa sempre colher alegria.
(trecho do poema "Luz da Vida", do livro Candeeiro do Tempo)

Em breve, as fotos e vídeos do evento no blog www.mochileirotuxaua.blogspot.com e no Canal Youtube da NossaCasa http://www.youtube.com/user/NossaCasadeCultura.

por Jonas Banhos
Mochileiro Tuxaua Cultura Viva

sábado, agosto 21, 2010

Por luz e paz para Belém - Candeeiro do tempo Poemas




Por luz e Paz para Belém

Candeeiro do tempo – Poemas é uma coletânea de poemas dividida em três tempos, cada um representando uma década. Fala de utopias necessárias. Sonhos e lutas que marcaram a caminhada do autor da adolescência aos dias atuais na busca de um mundo melhor, usando como principal arma a palavra escrita, tornando a poesia combustível para animar a alma e a esperança.
O livro é uma síntese do trabalho poético de Pedro César Batista. Começou a publicar ainda na geração que ficou conhecida como do mimeógrafo, no final da década de 1970. Na abertura de seu primeiro livro Tudo tem, no poema “Gritemos”, escreve: “O poder tem os canhões. Nós temos o grito”. Um garoto que declamava seus versos em defesa da liberdade e contra a tortura dos militares que insistiam em ficar no poder.

Vieram outros títulos com poemas, biografias e um romance. Candeeiro do tempo - Poemas é seu 14º título. Seus poemas sempre usaram a metáfora para falar da utopia por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Poesia e prosa comprometidas com a vida.

Para o lançamento em Belém fez um chamamento a outr@s artistas da terra, construindo um ato em defesa de Belém.

http://holofotevirtual.blogspot.com/2010/08/novos-poemas-de-pedro-cesar-batista-com.html

Holofote Virtual: Em Brasília, o lançamento será em uma biblioteca. Em Belém, no Bar do Parque...

Pedro César Batista: O Bar do Parque é o centro da cidade de Belém. Local onde reunia seus artistas e seu povo, não a-toa está localizado ao lado do Teatro da Paz. E o que escuto quando chego em Belém e falo que vou ao Bar do Parque? Que é perigoso, que é isso e aquilo... no entanto, a violência e o abandono do Bar do Parque é o reflexo de que como está sendo tratada a cidade de Belém, pode-se dizer a forma que se trata a vida.

A falta de paz e de luz que tem provocado medo e insegurança aos que se assustam ao passar pela Praça da República - a praça mais bela do Brasil - é o mesmo que contamina toda a cidade.

Também vivi parte da minha infância e toda a adolescência nos bairros de Campina, Cidade Velha e Batista Campos. Não aceito o que fazem com Belém. É preciso resgatar o Bar do Parque como o símbolo da criatividade, da poesia e da alegria, que toda a população de Belém merece e carrega em sua alma...


Lançamento

Por luz e paz para Belém

5 de setembro
11h
Bar do Parque
Praça da República

Serviço:
Candeeiro do tempo – Poemas – 116 páginas
Verbis Editora – Brasília – DF
Contatos: pcbatis@gmail.com

terça-feira, julho 27, 2010

Candeeiro do tempo - Poemas



Candeeiro do tempo – Poemas é uma coletânea de poemas dividida em três tempos, cada um representando uma década. Fala das utopias que ainda existem para o autor. Sonhos que marcaram sua caminhada da adolescência aos dias atuais na busca de um mundo melhor, usando como principal arma a palavra escrita, tornando a poesia combustível para animar a alma e a esperança.
O livro é uma síntese do trabalho poético de Pedro César Batista. Começou a publicar ainda na geração que ficou conhecida como do mimeógrafo, no final da década de 1970, quando residia em Brasília. Na abertura de seu primeiro livro Tudo tem, no poema “Gritemos”, escreve: “O poder tem os canhões. Nós temos o grito”. Um garoto que declamava seus versos em defesa da liberdade e contra a tortura dos militares que insistiam em ficar no poder.
Vieram outros títulos com poemas, biografias e um romance. Seus poemas sempre usaram a metáfora para falar da utopia por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária. Poesia e prosa comprometidas com a vida.
Publicou uma entrevista com Gilson Menezes, o primeiro prefeito petista no Brasil, resgatando as experiências desenvolvidas. Muitas deixadas de lado com o passar dos tempos. Escreveu ainda sobre advogado e único deputado assassinado no Brasil, depois da abertura política, devido sua militância em defesa da reforma agrária, em João Batista, mártir da luta pela reforma agrária.
Marcha interrompida é um romance que denúncia o massacre contra os trabalhadores rurais sem-terra ocorrido em 1996, na cidade de Eldorado dos Carajás (PA). Em 2008 lançou esse livro na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque (EUA).
Em Candeeiro do tempo – Poemas volta a mostrar sua veia poética, com poemas como “Iluminado”: “Toda luz vem do céu/ da boca aberta, faminta / por sonhos e beijos”, destacado pelo prefaciador como “pensa e age o poeta cidadão”.
Na apresentação de seu novo livro, Pedro César Batista escreve que Candeeiro do tempo – Poemas são “três partes que desnudo, mostrando-me, assim, fatiado, apesar de tentar ser inteiro na direção” que vem trilhando com seus livros e em sua vida. Na primeira parte do livro, em Tempos áridos, tem poemas escritos até 1989. Tempo de Germinar, a segunda, poemas elaborados até 2003 e em Sementes do amanha, poemas escritos na década que atual. Em Manhas de domingo de abril retrata Brasília, onde “muitos seguem no asfalto do eixão, passando sobre as marcas bem definidas das freiadas bruscas e desesperadas antes dos pardais”. Em Cetro do Rei escreve que “a frieza toma conta dessa humanidade, que disso nada tem, somente deseja o cetro do rei”. “Não quero o lucro, nem o mercado, nem o cercado do consumo”, desabafa em Chamado.
Candeeiro do tempo – Poemas é prefaciado pelo jornalista Guido Heleno, com capa e ilustração de Léo Pimental.
O autor é jornalista, escritor e poeta, pauta sua carreira em temas sociais, políticos e em questões relacionadas aos Direitos Humanos. Candeeiro do tempo – Poemas é seu 14º livro. Publicou ainda Tudo tem – poemas (1979), E ai – poemas (1980), Poesia Matutaí – poemas (1982), Letras Livres – poemas (1982), Coração de Boi – poemas (1983), Sonhos reais – poemas (1997) e 63 poemas de amor para uma flor dos pampas no cerrado (2004). Participou das coletâneas Revoada de poetas em Ilhéus (1980) e Enluadonovo (1983). Em 1991 escreveu Conivência e Impunidade; em 2004, Gilson Menezes, o operário prefeito e ,em 2008, João Batista, mártir da luta pela reforma agrária. Em 2006 lançou o romance Marcha interrompida.
Sua atividade profissional tem sido assessorar os movimentos sociais. Integra a Organização Não Governamental Movimento de Olho na Justiça.

Lançamentos
Brasília - DF
5 de agosto de 2010
19h30
Biblioteca Demonstrativa de Brasília
W3 Sul EQS 506/507

Belém - PA
5 de setembro
11h
Bar do Parque
Praça da República

Serviço:
Candeeiro do tempo – Poemas – 115 páginas
Verbis Editora – Brasília – DF
Contatos:
Pedro Batista (61) 9162 6682 - pcbatis@gmail.com

sábado, julho 10, 2010

Um povo que tem muito a ensinar.


“Dame La mano y danzaremos;
Dame La mano y me amarás.
Como una sola flor seremos,
Como una flor, y nada mas...

Gabriela Mistral

Conhecer a terra de Manuel Rodriguez, Gabriela Mistral, Pablo Neruda, Victor Jara e Violeta Parra foi mais um passo na busca de inspiração para a caminhada na construção de um mundo melhor. Mais uma oportunidade para fortalecer laços e criar amizades na luta do povo latinoamericano, alimentando sonhos e fortalecendo a resistência ao neoliberalismo.

O Chile tem uma história rica, cheia de conquistas e com muitas experiências de lutas populares. Em 1818 proclamou a república, tendo vivido ao longo da história a liberdade e a democracia. O seu povo sempre respirou a democracia e foi politizado, mesmo enfrentando a violência dos poderosos, como o massacre no início do século XX, em Santa Maria de Iquique, quando milhares de trabalhadores que lutavam por condições mínimas de sobrevivência foram mortos.
O golpe de 11 de setembro de 1973, dado por um grupo de militares, comandados pelo sanguinário Pinochet, coordenados pela CIA EUA, tomou o poder e impôs a violência desmedida, o obscurantismo e a dor. Foram longos 17 anos com os militares no poder, perseguindo, prendendo, torturando e matando. Deixaram um saldo de 30 mil mortos em um país com uma população de cerca de 17 milhões de habitantes (2010). Mais um massacre na história dos chilenos.

(O Brasil somente implantou a república em 1889 - quase 70 anos após o Chile. Em nossa história conhecemos espasmos de liberdade. As ditaduras e a opressão predominaram. Durante a última ditadura no país os militares brasileiros, através da Operação Condor, chegaram a treinar os torturadores de Pinochet. Felizmente estamos sustentando a democracia, apesar de ainda faltar muito para uma sociedade justa como necessitamos.)

O Presidente socialista Salvador Allende resistiu ao golpe de 73, sendo assassinado dentro do Palácio de La Moneda. Mesmo com milhares de mortos, os chilenos resistiram e derrotaram a ditadura em 1990. Assim tem sido a luta desse povo irmão, buscando preservar a democracia e a liberdade.

A hospitalidade dedicada lembra o povo brasileiro. Tem suas características próprias, certo jeito europeu, misturado com as culturas indígenas ao sul da América. Apaixonado pelo futebol, mas capaz de colocar em primeiro lugar seu patriotismo e a defesa nacional, sem deixar de lado o fortalecimento de sua cultura e seus ideais de justiça.

Todos os governos após Pinochet foram de uma aliança de centro esquerda, denominada Concertácion, que preservou a política econômica da ditadura e consolidou o neoliberalismo. Na eleição presidencial de janeiro de 2010 foi eleito, em segundo turno, Sebatian Pinera, remanescente do grupo do grupo pinochetista. Pinera, inclusive, é dono do time de futebol Colo Colo e um milionário.

Uma terra de grandes poetas. Gabriela Mistral fala do sonho de um mundo melhor, assim como Pablo Neruda – que morreu dias depois do golpe militar, ainda hoje inspira sonhos, esperança e resistência. Ambos receberam o Nobel de Literatura. As canções de Victor Jara e Violeta Parra continuam sendo cantadas e animando a resistência chilena e popular em todo o mundo.
As políticas neoliberais impostas por vários governos na América Latina sustentam-se no consumismo. Muitos turistas não conhecem a história da luta do povo chileno, mas voltam aos seus países lotados de compras.

As elites evitam debater e resgatar a vida de seus mártires, mesmo tendo tornado público os arquivos da ditadura, o que no Brasil ainda é heresia até mesmo falar. Governantes serviçais ao neoliberalismo em todo o continente tentam impedir o povo de conhecer os crimes praticados por ditadores a serviço dos EUA.

O Chile é uma terra de vinho, poesia, resistência e luta. Mesmo com toda a força do sistema seu povo segue glorioso em sua caminhada. Temos muito a aprender com eles.

Por Pedro César Batista

quinta-feira, julho 08, 2010

Neruda

Isla Negra, Chile, 29 de junho de 2010


Um novo copo,

sem corpo,

sem sangue,

somente as lágrimas

que não caem.

O fogo abrasa o vento

que esfria a alma de tanto caminhar

em direção ao mar.

Ondas que passam,

labaredas crescem,

sem chegar aos céu

que se distancia.

O chão se abre

querendo fazer-me semente

de um tempo por vir.

Sem querer, insisto.

Viver é minha sina.

Ler Neruda não basta.

Ouvir Violeta não adianta.

Vinho não embriada.

Somente o frio é real.

O fogo se assusta,

sente a necessidade do sopro do amor e da vida.

Ainda assim sigo,

preciso navegar,

receber o abraço do vento

as pétalas das flores

no rosto enrijecido.

O copo se torna velho,

encardido pelo vinho

que adentra minhas veias

entupidas pelo sistema.

Onde estou?

Aonde vou?

As rajadas dos sonhos me acompanham,

alegres, apesar da solidão.

Uns poucos insistem em impedir

o porvir de um novo tempo;

outros, persistem na semeadura da esperança.

O mar bate nas rochas

que o repelem;

continua avançando.

Quem dera ser o mar,

viajar no tempo,

pelos continentes,

propagar vida e inspiração.

Quem dera ser o mar?

Pedra é o que sou,

recebendo a força das águas,

que me golpeiam,

insistentemente.

xxxx

Um novo ano começa em meu corpo,

como um novo copo

que se esvaziará em poemas,

na lua cheia,

contando estrelas

que se apagarão.

Novos dias vão florir,

perfumar almas e sonhos

por tempo feliz.

terça-feira, junho 29, 2010

Busca do tempo


O tempo passa. Muito rapido. Os cabelos ficam grisalhos. Os olhares mais profundos e longos. A pele ensejando mais repouso e acalentos - que fogem. O tempo avanca. Veloz. Assim como a rajada do vento frio aqui em Santiago. As pessoas caminham rápido pelas ruas. Os metrös, os onibus lotados. Todos correm. Onde irao? Onde vou? Desejos e a realidade se chocam. Conflitam. Encontram-se em sonhos e em dores das perdas e desilusoes.

Faz frio onde estou. Muito frio, porem estou agasalhado, alimentado e abastecido de sonhos e duvidas como vivenciá-los. Isso aumenta o frio. Aumenta a solidao. Cresce com a mesma velocidade do tempo que me acompanha. Fortalece a escolha feita ainda adolescente. Escolha cheia de perdas, dores, sangue e prisoes. Assim alimenta a alma da certeza de que foi o melhor caminho.

Vi muitas conquistas. Vi muitas dores. Vi amigos mortos. Vi amigos esquecerem o povo e a luta. Vi muitos permanecerem firmes independente das dores e desilusoes. Muitas imagens e lembrancas repletas de importancia historica para o povo, a humanidade e para a vida. Muitas aprendizagens que fortalecem a certeza de que acertei na escolha. Minhas perdas pessoais sao mui pequeñas e insignificantes diante de tantas injusticas combatidas e derrotadas. Quanta vida semeada e germinada na caminhada.

O tempo avanca. Forte, cruel e iluminado. Sigo com ele, desejo ir longe, muito longe. Mesmo solitário na caminhada quero seguir adiante pelo porvir repleto de criancas felizes e sorridentes caminhando por suas imaginacoes e sonhos de maos dadas, com seus bichos de estimacao, suas maes e pais. O tempo ensina e encanta. Faz querer adentrar em suas ondas e se transformar em forca capaz de virar o mundo e fazer o povo ser fogo para incendiar a exploracao e a mentira da burguesia e exploracao milenar. Velhos sonhos ainda adolescenes e juvenis para a historia do mundo.

Hoje o Brasil venceu no futebol o Chile, durante o futebol do chile -
http://militantedocampo.blogspot.com/2010/06/como-desejaria-estar-errado.html
como se isso tivesse alguma importancia para a vida. Isso somente fará aumentar o volume da riqueza de alguns, mais nada. Entao o que comemorar, se minha virada de ano na vida ainda mantem as mesmas necessidades históricas e coletivas. O que comemorar? Estou em uma terra bela, cheia de lutas e história, só e sonhando. Ainda sonhando, apesar de meus 47 anos que chegam. O tempo avanca. O sigo em sua busca.

A vida dos outros

http://perfumedodeserto.blogspot.com/2010/06/vida-dos-outros-ou-o-que-fazemos-com.html?showComment=1277778840235_AIe9_BGZQibFrCSo4JBS1DkuiJZEM6fAC-dWAmTf3XC_Liz-swpY-T8PNDkN0LoePTsIMMPY5SW0aZgJLFbVgmf68xIiEfWPYQRF2B71zdVZNRM_IIRhhn9fKO7289icWK2p3K6-75z3w3ndehhVJB3cr5TubXX_72B4drEiUguQapSO6W9TUuX94xyceWAYoMdC9FEPDziOLtT6B-CjhwROJaccZmZtQIOlZcjyYCjun52J7Ll9W5X5-QOwqVHdvtkLjFSTpxZ0#c7119087692964291849

Um filme intrigante. Principalmente quando se analisava as pesquisas realizadas nas duas Alemanhas, anos depois de se tornarem uma apenas, em meiados da decada de 1990. Os que eram do ocidente queriam sua treanquilidade de volta, pois se sentiam "invadidos" pelos orientais, que tiravam seu sossego. Os que eram do oriente tinham saudades de suas casas, seus empregos e a "seguranca" que possuiam. Segundo essas pesquisas feitas no inicio dos anos 90, todos os alemanhaes, tanto do oriente, como do ocidente, desejavam o muro de volta.
Porém, mais intrigante eh a realidade atual. Estou no Chile e nasce aqui um novo partido, fundado pelo filho de um dirigente do MIR - Movimento de Esquerda Revolucionario assassinado perla ditadura de Pinochet. Marco Enríquez, o filho com um grupo organiza o Partido Progressista: "no somos ni de izquierda ni de derecha, sino que somos un partido abierto, transversal, que recoge los planteamientos que tanto uno y otro lado de la política comparten. Nosotros queremos modernizar nuestra sociedad de cara al siglo XXI y al bicentenario de Chile". No entanto, vejo aqui no Chile, assim como há em quase todo o planeta, a maioria recebendo baixos salários, sem ter assegurado seus direitos elementares, tais como saude e educacao. A violencia dos ricos, atraves do Estado, contra os mais pobres eh a mesma de qualquer outro lugar no mundo. Hoje, inclusive, durante a repressao dos carabineiros depois do jogo em que a selecao chilena perdeu para o Brasil, um jovem foi morto, apos ser preso, devido espancamentos sofrido dos policiais - herdeiros de Pinochet.
Nesse momento atual onde a uma uniformidade de sonhos, criados e impostos pela hegemonia liberal, que se diz humanista, mas visa os mesmos valores de sempre, dinheiro, status e poder. Consumir, luxo, riquezas é o que se busca em todo canto. Diante desse quadro o que valeu os sonhos do velho alemao, Marx, ou dos chilenos Neruda, Vitor Jara ou Violeta Parra. Como dizia Lenin: O que fazer?
Vamos continuar reunindo, resistindo, voltando as ruas, aos poroes e as garagens, tentando semear chamas do fogo da rebeldia em busca da vida e da dignidade.

quinta-feira, maio 27, 2010

Minha janela

Foi muito rápido
logo as folhas verdes voltaram
suas flores roxas se foram
deixaram a saudade
das poucas palavras que trocamos
poucas vezes ela falou
todo tempo me encantando
enquanto da janela
continuava lhe mirando
junto ao luar
ou na manhã ensolarada de domingo
enquanto ouvia Bob Dylan

quarta-feira, maio 12, 2010

Candeeiro do Tempo


Pedro César Batista

Olhos cerrados não veem a manhã
Sustentam-se na escuridão do medo e do passado
Bocas enganam ouvidos
Alegram fantasmas que submergem em mentes
Bailam em cantos iludidos com o brilho das luzes
Voos arrastam almas em frágeis desejos supérfluos
Ouvidos se animam ao tilintar de 30 moedas
Falam em suas crenças
Cantam desilusões e dores
Nada crêem no amor e em Iris brilhantes
Acham que todos os olhares são cinzentos
Todos os abraços falsos
A manhã se suicida com medo do dia
Prefere a escuridão da solidão do poder
Desiste de receber a luz das flores e dos pássaros
O dia se vai
Nem noite vem
Deixa-se inebriar no tempo de dor
Onde estou que ainda sonho
Preciso acordar e voar ao infinito
Retirar as folhas que abafam meu canto
Pássaros não alimentam mais sonhos
A dor de quem não sonha
Passos sobrevoa oceanos
Desejam ser brilho nessa escuridão.

quinta-feira, abril 22, 2010

Ocupa, ocupa e resiste.




Por Pedro César Batista

Ao longo das comemorações de 50 anos de Brasília o melhor e maio presente dado a cidade foi o exemplo dos integrantes do Movimento Fora Arruda e toda a máfia. Se não fosse por eles diria, tristemente, que tudo estava dominado. Felizmente não está, ainda há resistência e gente que sonha e luta pela dignidade.
Em abril de 2008 um grupo de estudantes da Universidade de Brasília – UnB ocupou a reitoria da instituição com uma extensa pauta de reivindicações. Começava com questões específicas chegando às gerais, como a saída do então reitor Timothy Martin Mulholland, que, entre usava desrespeitosamente o dinheiro da universidade, chegou a pagar R$ 9 mil reais por uma lixeira para o luxuoso apartamento funcional que ocupava. A ocupação na reitoria durou 18 dias, contribuindo para sensibilizar a população da importância da luta em defesa dos direitos dos estudantes e da universidade pública.
Em novembro foi descoberta a bandidagem comandada por José Roberto Arruda, governador do DEM. O policial – bandido, Durval Barbosa, havia filmado toda a divisão do butim dos recursos públicos. Brigaram entre eles e as imagens vieram a tona, depois do P2 fazer acordo para a delação premiada. Inicia-se uma grande mobilização contra a corrupção e os mafiosos que controlavam o governo em Brasília.
Em 2 de dezembro, durante a entrega de um abaixo assinado à Câmara Distrital pedindo o afastamento de Arruda, movimentos estudantil, sindicatos e organizações populares ocuparam o prédio do legislativo local. Saíram depois de uma semana de ocupação e com a ação da PM/DF, que cumpriu um Mandado de Reintegração de Posso, solicitado pelo presidente da Casa, deputado cabo Patrício (PT/DF). Na época o coordenador do DCE da UnB, Raul Cardoso, afirmou “nosso intuito é que a coisa funcione, mas como uma parcela considerável de parlamentares aparece envolvida nesse lamaçal de corrupção, a ocupação é importante para denunciar esta situação e cobrar respostas efetivas”.
Foi quando partidos e centrais sindicais chamaram um ato contra a corrupção em frente ao Palácio Buriti. Uma manifestação onde a preocupação com a institucionalidade estava em primeiro lugar. Quando os estudantes, mostrando mais uma vez criatividade e ousadia, em uma ação combativa ocupa o Eixo Monumental, em vários momentos em pontos diferentes. Foi quando os líderes sindicais pediram, usando todo o ar de seus pulmões nos microfones do enorme caminhão com som, que deixassem a rua livre. Os jovens ganharam apoio dos presentes, deixando os dirigentes partidários e sindicais falando sozinhos. A violência da PM, comandada pelo coronel Luis Henrique Fonseca – um desequilibrado serviçal do poder, foi mostrada a todo o mundo. “Os manifestantes quebraram o acordo e invadiram a pista, por isso houve o confronto”. O cinismo clássico dos militares a serviço dos governantes. Durante horas os estudantes e populares não recuaram, mesmo enfrentando a cavalaria, bombas de efeito moral e balas de borracha.
A luta dos jovens cresceu, ganhou espaço e forças. Em 11 de fevereiro de 2010 o Superior Tribunal de Justiça, por 12 votos a 3, decretou a prisão do chefe da gang, o então governador José Roberto Arruda, e mais quatro comparsas, a pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge . O especulador imobiliário Paulo Otávio, vice de Arruda, assumiu o governo por alguns dias, terminando por renunciar ao mandato, diante do enorme volume de denúncias e pressão da sociedade. Foi como um castelo de cartas. Um terço dos deputados distritais foi denunciado por estar diretamente envolvido com a roubalheira. O novo presidente da Casa, um laranja do esquema, o deputado Wilson Lima, acabou assumindo o governo. Marcou-se então a eleição indireta para a escolha do novo governador, quando o pupilo de Roriz e Arruda, Rogério Rosso, surpreendentemente, conseguiu 13 votos - nove deles denunciados pela Caixa de Pandora, vencendo a eleição em primeiro turno. Gatos e ratos se uniram. Uma mudança para deixar tudo do mesmo jeito, como dantes na casa de Abrantes. O que importava era manter a quadrilha no comando do Distrito Federal.
No dia da eleição indireta, foi realizada uma vigília por estudantes e populares denunciando a nova farsa. Mais uma vez as ordens eram invertidas. A PM desceu o cassetete, espancando e prendendo. A Polícia Civil chegou a torturar o estudante Diogo Ramalho preso durante a resistência. Tudo para impedir o acesso dos populares às galerias da “casa do povo”.
No dia 21 de abril de 2010, milhares de pessoas foram a Esplanada ou a Funarte comemorar o aniversário de 50 anos de Brasília. Música e shows acobertavam, com a ajuda da mídia, a podridão que assola o Distrito Federal, que continua comandanda por mafiosos do velho esquema coronelista do Planalto. Enquanto a festa rolava, lá estavam os jovens na luta, com seu grito de guerra: ocupa, ocupa e resiste, mostrando a indignação e a esperança dos que muitas vezes nem sonhos têm. Os estudantes que ocuparam a reitoria, a Câmara Distrital, enfrentaram inúmeras vezes a truculência policial demonstrando a indignação que deveria ser a alma de uma população que tenha a cidadania assegurada. Nessa noite da comemoração do aniversário da capital do Brasil, o novo prédio da Câmara Distrital foi ocupado. Esse pode ser considerado o verdadeiro presente que a capital do país merece. O exemplo da resistência, da luta pela transparência, por políticas públicas, na defesa da punição dos corruptos e a intervenção, para que se convoquem, imediatamente, eleições diretas para a escolha do novo governador do DF. Os jovens lutadores da UnB, militantes da Assembléia Popular e de outros movimentos autogestionários de Brasília tem mostrado que ainda há resistência e gente que sonha e luta por um mundo melhor. Esse foi o verdadeiro e o melhor presente para Brasília. Brasília merece luta, não apatia, banditismo ou a mentira.

quarta-feira, abril 07, 2010

A chuva não mata, quem assassina são os governantes.



Por Pedro César Batista

Ver a mídia responsabilizar a chuva pela centena de mortes ocorridas no Rio de Janeiro dá náuseas e uma dor no coração diante de minha impotência. Há milênios sabemos as conseqüências das chuvas fortes. A própria bíblia mostra o dilúvio como um castigo diante das impurezas humanas.
O que não se pode aceitar é que em pleno século 21, com a ciência e tecnologia oportunizando instrumentos e conhecimentos para enfrentar os dissabores e catástrofes da natureza, ver a chuva ser responsabilizada pelos fatos ocorridos na cidade maravilhosa. Ver governantes falarem que foi a maior chuva de todos os tempos, caindo de forma inesperada e impiedosa. Suas falas dão a entender que os pobres são os responsáveis por viverem pendurados nos morros, equilibrando-se como indigentes em meio à riqueza concentrada nas avenidas e prédios luxuosos, comandados de dentro dos palácios governamentais. Lembra uma tragédia grega.
Recentemente a população mundial ficou estarrecida diante da dor e do sofrimento da população haitiana, que explorada e abandonada secularmente a própria sorte, teve centenas de milhares de mortos devido um terremoto. Por que essas catástrofes não matam dessa forma quando ocorrem em certos países? Mesmo o Katrina mostrando os milhões de miseráveis abandonados nos EUA, os ricos de Miami não sofrem com os furacões ou terremotos. Cuba, exceção, enfrenta heroicamente as intempéries e revoltas da natureza e desse modelo político dominante, dando segurança a toda a sua população. Na Itália, terremoto recente, mostrou a preparação diante dessas situações, mesmo caso do México, que durante abalo sísmico ocorrido essa semana, deixou um saldo de dois mortos. Por que essa diferença?
Chama atenção ainda a falta de indignação do chamado movimento social e das organizações populares à prática dos governantes. Solidariedade se limita a algum tipo de doação. Uma caridade que não compromete os que estão seguros em seus privilégios. Chamo isso de omissão e desumanidade. É cada um por si, nesse salve-se quem puder.
O Brasil, candidato a país desenvolvido, feliz por trazer as Olimpíadas e a Copa Mundial de Futebol, ainda possui em seus governos figuras esdrúxulas, incapazes de fazer uma autocrítica, exercer a função pública que escolheram e de assumirem suas incapacidades, seja humana ou política. A mídia brasileira ainda reproduz o cínico discurso dos responsáveis por essas mortes, pelas enchentes, pela falta de escolaridade, pela alta concentração de renda, pela violência que grassa pelo país. Violência que tem como principais vítimas os abandonados pelo Estado, “condenados pela terra”, segundo Frantz Fanon, que ainda continuam aguardando a salvação divina, pois para eles não há governo, restando-lhes apenas os morros, a chuva e as bolsas assistências.

sábado, março 20, 2010

Acordes





A guitarra de Santana
O barulho da chuva
O sangue esmagado
Olhares se desencontrando
Quem sabe uma gaivota?
Movimenta-se o mar
Me chama
Me encanta
Me atrai
Vem cantar comigo
Em noite de luar
Canta a chuva
Me chamando para dançar
Em plena 409 cheia de malandragens
Como uma deusa da luz
Segue Santana
Leva a chuva ao vento
Dança como beija-flor
Quero voar em teus acordes
Com cheiro de terra molhada.

terça-feira, março 16, 2010

Cidadão Pipoca ou salve-se quem puder?





Por Pedro César Batista

Na Grécia antiga havia a Ágora, local onde os cidadãos se reuniam para debater política, filosofia e artes. As camadas subalternas não participavam. Platão pensou na República, elaborada por Montesquieu, implantada em quase todos os países na atualidade. O sistema representativo, assim como faziam os gregos, limitou a discussão aos escolhidos.

Quatro linhas sintetizando milhares de anos. Ousadia inspirada nas palavras do ministro da cultura Juca Ferreira. Recentemente foi pedido por seu partido para se afastar do cargo para se dedicar a campanha da candidata verde, Marina Silva, à Presidência da República. Disse Ferreira que preferiu continuar no governo e ser um “cidadão pipoca”. Na Bahia, terra do ministro, aqueles que não têm acesso aos blocos durante o carnaval, brincando do lado de fora das cordas de segurança, são chamados de “pipoca”. Como na Grécia quem não podia comprar a abada fica de fora.

No Brasil atual parcelas enormes da população não podem comprar abadas de várias espécies: plano de saúde, boa educação, acesso a cultura, viagens, segurança, moradia e, nem mesmo, uma alimentação de qualidade. E lemos que uma autoridade de Estado achincalha a realidade, dizendo que agora vai ser “cidadão pipoca”.

A política é uma ciência para buscar soluções coletivas de uma sociedade. As classes a utilizam na defesa de seus interesses no confronto com seus opositores. Ocorre que esse tema se tornou assunto corriqueiro para indiciar criminosos e auxiliar os que buscam ouro a ficarem rico mais rápido. Para isso, partidos, ideologias e princípios tornaram-se mercadoria sem interesse. Usa-se conforme o momento e a necessidade.

A essência da democracia é a garantia da participação na tomada de decisões pelos governantes na condução dos negócios do Estado. A sociedade para isso tem alguns instrumentos: organização, debates, eleições, conselhos, conferências, etc. A internet trouxe novas ferramentas, as quais otimizam os debates, podendo contribuir para uma relação mais fraterna, solidária e revolucionária para construção da humanidade. Infelizmente não é isso que presenciamos. Prevalece-se o sentimento do “cidadão pipoca” ou o salvem-se quem puder no ritmo frenético desse tempo que vivemos.

quarta-feira, março 10, 2010

Brasília, 50 anos: cidade shopping center




Por Pedro César Batista


Brasília, marco da arquitetura moderna, capital pensada por José Bonifácio, chega aos cinqüenta anos transpirando amor e ódio, cheia de contradições e com fortes características de um grande shopping center. A cidade que, segundo alguns, será salva das catástrofes naturais, com os escolhidos, usuários de seus encantos e belezas, em suas alamedas floridas, arborizadas e o Lago Paranoá, com suas belas margens servindo aos mesmos que serão salvos, mantêm à margem os que não podem comprar os produtos e serviços oferecidos.

Resultado do trabalho dos candangos e da ousadia de um governante, que conseguiu no meio do nada levantou uma cidade, tornou-se símbolo de ostentação. A cidade planejada, depois de 50 anos de sua fundação, superou em muito seu projeto inicial. Pensada para ser uma cidade com fortes relações humanas, onde a vizinhança tivesse a oportunidade de se (re) encontrar no comércio da quadra, nos clubes das quadras, nos locais de trabalho e lazer, em seus inúmeros parques. A solidão dos grandes centros, nesse mundo contemporâneo, transborda nas avenidas da capital federal.

Seis meses após sua inauguração Sartre e Simone de Beauvoir passaram alguns dias na cidade que nascia. Simone registrou: “Guardo a impressão de ter visto nascer um monstro, cujo coração e pulmão funcionam artificialmente, graças a processos de um custo mirabolante.” Cresce a indefinição do que seja de fato essa bela cidade, cosmopolita e interiorana, com coronéis de todas as partes, misturando cores e lados.

Seus moradores cada vez mais se portam como consumidores, tendo como Deus o vil metal. Até as bandas internacionais de pop stars descobriram a mina para vender shows. As largas avenidas são ampliadas e recebe complexos viários como presente de aniversário. O criador desse novo canteiro de obras aproveitou para cobrar propinas e terminou na cadeia. O vice-governador, especulador imobiliário, teve que renunciar para não acabar fazendo companhia ao principal chefe da roubalheira.

Os habitantes da cidade shopping center têm acesso aos bens de consumo da melhor espécie, uma qualidade de vida que todos os humanos merecem. Essas características possibilitam fazer esse paralelo, quem mora em Brasília, ou seja, no Plano Piloto, possuindo bons empregos, tem acesso à arte, a cultura, a educação, a viagens, planejamento familiar, crescimento intelectual e excelente qualidade de vida. Quem não pode se sacode, não tem transporte coletivo, não tem saúde, trabalha em subempregos e recebe educação de péssima qualidade.

Como um shopping center Brasília existe, muitas luzes, bons produtos, segurança, cultura e vida. O aeroporto possui um enorme fluxo, diferenciando-se da rodoviária central, onde milhares de trabalhadores lembram um formigueiro entrando nos ônibus sujos, velhos, lotados e caros. Quem tem poder econômico usufrui de seus serviços e produtos, quem não tem poder aquisitivo é serviçal, força subalterna dos habitantes da capital federal. O sonho de seu pensador virou a força do consumo e do capital, resultando em representantes corruptos e cínicos.

Em sua nova etapa a cidade precisa servir a todos os seus habitantes, permitir que suas alamedas, suas casas de espetáculos e shows, sua qualidade de vida, seu belo horizonte, suas flores, atendam e sirvam ao conjunto da população. A cidade não merece ser o shopping center da minoria que ostenta poder e privilégios. A vida oferecida pela cidade tem que ser justa, solidária e coletiva, incluindo os filhos e filhas dos candangos que construíram a cidade. A sede do poder brasileiro precisa ser exemplo ético e de dignidade humana.

segunda-feira, março 08, 2010

Dia Internacional da Mulher

Vida pura

08/03/2010, Brasília - DF


Mulher é semente de sonhos,
combatente pela vida,
inspiradora da conquista
de um mundo mais justo e fraterno.

Mulher é a primeira a sentir a dor,
da sociedade patriarcal,
da opressão de gênero e de classe
que se abate sobre os excluídos,
a primeira a sofrer a violência do capital.

Mulher é como noite enluarada,
encanta corações e almas,
anima a esperança,
encanta as borboletas nas manhãs
ainda umidecidas de amor.

Mulher é sempre vermelha,
do sangue que derrama todo mês,
do amor que dá a quem ama,
da força que semeia em sua vida,
da sensação de segurança que transmite.

Mulher lembra Rosa Luxemburgo,
Dandara e sua ousadia guerreira,
Anita Garibaldi, Pagu,
Margarida Alves,
Olga Benário,
Cora Coralina,
Haydeé Santamaria,
Mercedes Sosa,
Alexandra kolontai,
Simone de Beauvoir,
Frida Kahlo,
Maria Quitéria.


Mulher é terra livre,
mãe universal,
astro infinito,
resplancendo galaxias,
fortalecendo universos.

Mulher é vida,
é conquista da vida,
é terra fértil,
é coragem e luta.

Mulheres em luta - II

terça-feira, março 02, 2010

É preciso inspiração






O medo, a insegurança e a paranóia tomam conta das pessoas. O consumo é a energia de bilhões de seres perdidos no planeta. Um ritmo industrial que o planeta não suporta. Cresce a solidão por todos os lados, os humanos encontram-se em máquinas eletrônicas que determinam seus passos, sonhos e desejos. 2001 - Uma odisséia no espaço, de Stanley Kubrick, é presente nos lares. As relações são artificiais, virtuais, o real é inseguro, dá medo. Tudo é assustador. A mediocridade e ogoísmo se disseminam com a velocidade do desenvolvimento técnico-científico. A sensibilidade é coisa que não se vê com frequência, aliás, tornou-se raridade.

O tempo avança com uma velocidade inimaginável. Junto a mídia manipula as consciências, os telejornais, com seus bonecos ventríluocos, conseguem falar de moda logo depois de uma catástrofe, como se nada tivesse ocorrido. As almas parecem não mais se assutarem com as pessoas. Até quando resistiremos a isso? Essa velocidade faz o medo se apossar das pessoas. Um medo que fragiliza a espécie. Inventam-se situações absurdas para propagar a insegurança individual, a hipocondria, a busca desesperada pela saúde artifificial. As guerras imperialistas continuam, com ataques aos mais pobres com medo de que estes se rebelem. Os mais pobres sonham com os modelos impostos pelo mercado, com o que a mídia massacra em mentes, corações e corpos.

Apesar de tudo ainda tenho no Selvagem, personagem de Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo, meu favorito. É preciso sonhar e acreditar. Única possibilidade de assegurar sobrevida a espécie. Ainda podemos, basta se rebelar, continuar se inspirando no voo do beija-flor, no canto do sabiá, no sorriso de uma criança.

domingo, fevereiro 21, 2010

Controle remoto



Passos rumos ao sol,
Molham-se em lágrimas às escuras
Diante de pedras caminhantes
Fugindo do calor
Tão frias que se tornaram.

Olhares que não vêem,
Observam o lado,
Nem parece sexta-feira,
Os tamborins ainda tocam
Espalhando fagulhas na escuridão.

Mãos estão trêmulas
Abraços desapertados
Frouxos não levantam vôo,
Rastejam na esplanada.

Gritos são sufocados,
Aparelhos de TV dominam,
Medos despontam
De controles remotos
Em cabeças, mentes e corações.

O sol quer ver flores,
Flutuar a beira-mar
Em corpos sepultados
Para semear manhãs.

Passos encharcados na escuridão
Brilham contra o vento,
Querem o tempo que não quer chegar
Risos nascendo em flores pelas avenidas.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Pouso noturno





A noite é uma fornalha,
O sangue fervilha em busca do mar,
Que me chama em movimentos
Universais de flores, rochas e ventania.

Quem não me quer?
Quem não ouve meus reclamos?
Quem me deixa sozinho à beira da estrada?

Meus passos travam pesados como planetas,
Circulam em universos sem deixar lágrimas borbulharem
na luz cósmica transformada em semente de alegria.

Tropeçar faz animar as nuvens em seu vôo,
As águas ficam mais puras e ensaguinoladas
Repletas de gritos de êxtase sufocados.

As estrelas pululam nas entranhas da floresta,
Vagalumes festejam o breu da existência
Cheia de cantos, desencantos e encantos.

A noite chamusca a dor do abandono,
Da descrença e das sementes murchas
Em crianças vendidas em bordéis na esplanada.

O sangue precisa navegar,
Voar alto,
Ser gaivota
Pousando na areia.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Cinema Invictus, rumo à vida.






Ver os filmes de Clint Eastwood anima a alma. Consegue reproduzir personagens da vida real com a verdadeira magnitude humana. Em Invictus mostra a capacidade de Nelson Mandela mudar a realidade, mobilizando o esporte e deixando uma semente de nação. O filme não ecoa apenas os gritos dentro do campo de rugby, ilumina os gritos da história de resistência do povo sul-africano e o coração do primeiro presidente negro desse país.

Em Gran Torino, Eastwood transforma um veterano da guerra da Coréia, antipático e solitário, que não fala com os vizinhos migrantes do Laos, em amigo e defensor dos moradores da rua. Toda a rudez e agressividade podem virar ternura e fraternidade. Já em Menina de Ouro, assim como em Gran Torino, a morte aparece levando os protagonistas. Antes de atravessarem o rio da vida, a essência dos protagonista, seus sonhos, conquistas e dores brotam das telas.

Invictus é a história real, recente e viva de um povo que derrotou o apartheid. Mandela, depois de 27 anos preso em uma cela de 12 metros, tornou-se presidente da África do Sul. Transformou o tempo, as relações humanas, políticas e almas com a maestria dos deuses. “Sou capitão da minha alma”, escreveu no poema inspirador da conquista que o filme retrata.

Imobilizador, ainda posso dizer sobre os filmes de Eastwood. Não me lembro de alguma vez, após assistir uma de suas películas, tenha tido pressa para levantar da poltrona e sair da sala. Com muita simplicidade, em Invictus, Morgan Freeman faz o papel do presidente que acabou com o apartheid. Sabe-se que ali é uma representação, assim mesmo, viaja-se na alma da história desse homem único. O mesmo pode-se afirmar dos protagonistas de outros filmes. O diretor tem conseguido mostrar que ainda viveremos a humanidade, como dizia Milton Santos.

sábado, janeiro 30, 2010

LIÇÃO DE AMOR

E por não querer sofrer
Não ser como flor seca
Por não ter água ou horizonte
Procuro espaço na terra
Para caminhar cantar e plantar.

E por não querer sofrer
Não aceito a mentira
Da falta de água ou horizonte
Para poder ser gente.

E por não querer sofrer
Caminho com os pássaros e seus cantos
Como fossem gritos no ar.

E por não querer sofrer
Acredito na liberdade
Como realidade do mar
De meus sonhos de amar.

E por não querer cantar
Todo sofrimento de meus sonhos
Sonho mais ainda.

De toda vontade de viver
Como sementes de girassóis
Ou filhotes de gaivotas.

E por não querer sofrer
Não vamos sofrer
Seguimos os passos do vento
Buscando ventania...

sábado, janeiro 09, 2010

Chamado





Quem me chama?
Sou um ser humano?
Não moro sob marquises,
nem sou o bicho de Bandeira.
Quem sou?
Ouço o canto dos pássaros,
alimento a vida dos príncipes,
moro como um general.
Quem sou?
Tenho minhas crias felizes,
tenho um amor,
tenho sonhos.
Quem sou?
Não desejo ouro,
nem pastores ou padres,
nem castelos,
nem ações na bolsa.
Canto o vento que me escuta,
as flores que me encantam,
as luzes que brilham.
Quem me chama?
Não desejo esse tempo,
com sabedores de tudo,
dos caminhos
das alquimias da felicidade,
dos conhecimentos científicos,
sem pés no chão nem amor.
Quero um abraço,
um sorriso de uma flor,
um canto de uma onda no mar,
chamando-me para ir ao seu encontro.
Se lá ficarei não sei.
Quero saber onde estou,
onde pousarei de meus passos
combatendo a fome,
as mentiras,
as dores,
os exploradores,
saqueadores de almas livres.
Não quero o lucro,
nem o mercado,
nem o cercado do consumo.
Quero voar ao infinito.
Quero companhia nas noites frias,
onde os estômagos não reclamem
da falta de alimentos,
saboreando a plena existência,
nem precisa ser humana,
mas viva como todos os seres.
Quero saber onde estou?
Meu tempo finda,
não resiste ao chamado do mar.