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quinta-feira, julho 08, 2010

Neruda

Isla Negra, Chile, 29 de junho de 2010


Um novo copo,

sem corpo,

sem sangue,

somente as lágrimas

que não caem.

O fogo abrasa o vento

que esfria a alma de tanto caminhar

em direção ao mar.

Ondas que passam,

labaredas crescem,

sem chegar aos céu

que se distancia.

O chão se abre

querendo fazer-me semente

de um tempo por vir.

Sem querer, insisto.

Viver é minha sina.

Ler Neruda não basta.

Ouvir Violeta não adianta.

Vinho não embriada.

Somente o frio é real.

O fogo se assusta,

sente a necessidade do sopro do amor e da vida.

Ainda assim sigo,

preciso navegar,

receber o abraço do vento

as pétalas das flores

no rosto enrijecido.

O copo se torna velho,

encardido pelo vinho

que adentra minhas veias

entupidas pelo sistema.

Onde estou?

Aonde vou?

As rajadas dos sonhos me acompanham,

alegres, apesar da solidão.

Uns poucos insistem em impedir

o porvir de um novo tempo;

outros, persistem na semeadura da esperança.

O mar bate nas rochas

que o repelem;

continua avançando.

Quem dera ser o mar,

viajar no tempo,

pelos continentes,

propagar vida e inspiração.

Quem dera ser o mar?

Pedra é o que sou,

recebendo a força das águas,

que me golpeiam,

insistentemente.

xxxx

Um novo ano começa em meu corpo,

como um novo copo

que se esvaziará em poemas,

na lua cheia,

contando estrelas

que se apagarão.

Novos dias vão florir,

perfumar almas e sonhos

por tempo feliz.

2 comentários:

Eliezer disse...

oi

terezaamaral61 disse...

Pedro
És rocha que sobrevive
“ao fogo e que esfria a alma
de tanto caminhar...”

Ler Neruda com suas belas palavras
“bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as,
Deixo-as como estalactites em meu poema “
Não te basta!

É preciso navegar...
E sempre na contramão
dessa perversa colonização
Que nos cala, sufoca e mata!

Hasta Siempre...