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sábado, agosto 18, 2007

Cetro do Rei (18/7 - Belém/PA)















Sensação de sol se pondo,
mesmo sabedor de seu encanto,
logo a beleza da Lua
chegará e a saudade se vai.

Um tempo passado repleto de luzes
e dores do sangue derramado.

O tempo passou, avançou.
Pretensos companheiros no poder,
local e nacional,
vozes que falam e não sentem.

Se um dia sentiram,
impossível saber.

O sol ainda não se pôs,
assim mesmo não vejo
mais parceiros e braços enlaçados
resultados de um tempo
que se foi.

As águas da baia
continuam barrentas,
as crianças daqui da capital,
de Pragominas e do Brasil,
em sua maioria vivem necessidades.

O vento me acalenta.

A solidão do vento me leva,
quantas noites nesta beira de rio,
nessas ruas quentes
animando sonhos,
enquanto nada restou.

Não basta procurar,
não basta chorar,
as vozes não respondem,
impossível imaginar o que sentem.

Querer ter o poder
ser o centro do espaço,
parecendo o canto do cetro do rei,
é o que vejo dos passos nas ruas,
gabinetes e certos lares.

Onde vou cantar
a força do calor do sol
que lentamente se põe,
indo aquecer outros povos
que certamente também desejam flores
e sonham com justiça.

A frieza toma conta
dessa humanidade,
que disto nada tem,
somente deseja o cetro do rei.

Um comentário:

Lucia disse...

Tbm tive esse sentimento lá. Escrevi algo pra trabalhar um poema:
"As tardes vazias sempre são mais quentes e úmidas em Belém do Pará. Todos parecem distantes e indiferentes. Nas ruas, nas praças, nos supermercados...Tudo parece ímpar. Nada parece ficar."