
Nada canta em meus ouvidos,
ouço apenas os pedidos dos pássaros presos por liberdade.
Nada encanta meu olhar,
vejo apenas a dor da fome nos faróis.
Nada brilha meu coração,
sangrando pela tristeza do desamor.
Nada ilumina meus passos,
apenas seguem firmes sua caminhada.
Meus pulsos mantem-se levantados,
acreditam no amanhã,
apesar das noites mal dormidas.
As luzes dos pássaros,
o voo das borboletas,
o sorriso das crianças,
as sementes brotando,
a água do riacho correndo,
o povo que sonha,
sempre animarão meu canto,
meu olhar,
meus passos,
meus pulsos
na semeadura de manhãs ensolaradas.
Nada desanima o sol,
nada desencanta os pássaros,
nada apaga o brilho das fontes,
nada desacredita as flores,
transformando-se em frutos
para todos os seres se alimentarem.
Nada desacredita a terra
que brota fé nas florestas.
Meus ouvidos escutam esse tempo,
meus passos o mira e o persegue.
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