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quinta-feira, janeiro 21, 2016

Autorretrato social



sou sem rosto
morador sem teto
colocado na marginalidade
homossexual discriminado
mulher violentada
criança faminta

sou sem cores
jovem desempregado
sou assassinado
pela polícia covarde

sou da África,
fui sequestrado
fizeram-me escravo

sou operário
sou lavadeira da beira do rio
sou boia fria

sou as mãos
sou os pés
sou o trabalho

sou do campo
sem-terra
planto comida
que falta em meu prato

sou diarista
lavo banheiros
limpo chão
cozinho e sirvo

respiro fogo
minha pele não tem cor
cheira mal
durmo sob marquise

sou discurso
sou promessa
sou número

sou sem rosto
sou condenado
sou descartável
sou sem cores


2 comentários:

Anônimo disse...

texto bastante clichê, com visão maniqueísta rasteira.

triste.

Pedro Cesar Batista disse...

Obrigado.