Tempo de inspirar atos de dignidade e indignação, provocar suspiros em mentes descrentes na vida. Tempo de recordar a resistência. Tempo de caminhar de mãos dadas... (pcbatis@gmail.com)
terça-feira, novembro 27, 2012
Opúsculo da noite
Vem beijar-me, inventar cafuné
Sem alarme nem assombro.
Asseguro apanhar tuas vestes
Lançadas na frente do espelho.
Cantarei para te despertar,
Escutarei teus preceitos,
Brincarei em tuas aduncas,
Matarei minha sede em teu néctar.
Venha perpetrar a alvorada em sensualismo,
Acender o sol com teu calor,
Oferecer aos pássaros reflexão para repousar,
Acariciar as flores com seu odor de suor.
Nada garanto,
Somente cantarei para adormeceres,
Espantar a assombração que arrisca acordar o dia,
Provocar assustar a vida.
Arrumarei os lençóis,
Nem que permaneçam secos,
Somente amarrotados com teus suspiros,
Imitando uma cigarra que adota o crepúsculo.
Vem, venha fazer o avesso se desencontrar,
Cobiçar o laço sem nó,
Com o cetim trançado sobre a lua cheia.
(foto e poema pcb)
Amarelo Brilhante
Sangra luzes
Respira chiados de sementes
Sem terra nem água
Telúricas nas noites
Irradia dias
Deseja ser dia
Clarear olhares
Reflexos de olhares
Amarelos brilhantes
Sorridentes e fadigados
Extasiados de encanto
Sangra a esperança
Germina solidariedade
Canta flores vermelhas
Que dos degraus da escada
Espera a fonte jorrar
Despejar vida .
(pcb)
quarta-feira, novembro 14, 2012
Faíscas inapagáveis
O tempo do silêncio foi longo,
Dores eram soterradas em quartéis,
Gritos sufocados nos escapamentos de automóveis,
Sinistras figuras fardadas propagaram mentiras.
A falsa noite sufocou o dia,
Os porões esconderam o sol,
Unhas extraídas ousaram ficar emudecidas,
Olhares abismados ampararam a esperança,
Descoberta em assustadores alicates sangrentos.
A pátria não era nação,
Nem era brasileira,
Nem mesmo verde amarela,
Um punhado sentia-se dono
Mesmo serviçais do norte
Esmagavam jardins e flores.
Anos assassinos,
Apinhados de paus-de-arara,
Telefones sem fio,
Choques elétricos,
Afogamentos,
Pimentinhas,
Cadeiras do Dragão,
Geladeiras,
Palmatórias,
Estupros,
Torturas,
Morte.
Raios de fogo assaltaram as ruas,
Sementes de combate floriram praças,
Florestas se formaram cantando a manhã,
Desabrochando as folhas da resistência,
Fazendo o horizonte abrir ventanias
Com a luz do mar,
O brilho da lua,
Formando o tempo que sempre recomeça.
Por Pedro César Batista
terça-feira, novembro 13, 2012
Panfleto Verde
Defender a natureza é uma necessidade,
Sentir a beleza das águas do mar,
Dançar em noite de luar,
Vislumbrar as flores do jardim,
Admirar as estrelas brilhantes.
Combater o desmatamento das florestas,
Os assoreamentos que secam os rios,
O envenenamento das terras
por agrotóxicos saídos das bocas de aviões,
Que deixam o ar pesado,
Os lençóis freáticos contaminados
E as mães com o leite materno infectado.
Combater a destruição ambiental
E não se servir de banquetes com magnatas,
Responsáveis pela venda dos venenos,
Pela destruição das matas,
Nem aliar-se aos que perseguem os povos da floresta,
Matam os indígenas e roubam suas terras.
Defender a natureza é não privilegiar o luxo,
Nem fazer demagogia para receber migalhas,
Usando o nome das crianças e sofredores,
E na realidade servindo ao sistema para manter a mentira.
Combater o desmatamento e denunciar a exploração
Das matas, dos rios, das águas e a morte
Levada às crianças, homens e mulheres,
Que de boa fé acreditam em demagogos,
Aliados do latifúndio e capitalistas em sua essência.
Defender a natureza é combater essa prática,
Sem trégua denunciar a concentração
De riquezas e de sonhos,
Sustentados em laboratórios,
Que fazem a todo instante o consumo
Um santo filho sagrado
Do deus Mercado onipresente e onipotente.
Defender a vida é querer a morte,
Desse velho carcomido repleto de lantejoulas coloridas,
Esse brilhante fantasma que se renova com a destruição
Da natureza, da dignidade e da esperança.
Defender a natureza é colocar a vida na frente,
Sem assustar-se com as mentiras espalhadas,
Pelo sistema destruidor e receptor
De vendidos e covardes,
Que dizem falar em nome do povo,
E querem somente se emporcalhar
No lixo do poderoso Mercado.
Defender a vida é romper a passividade,
Encarnar a combatividade e semear rebeldia,
Sem susto com a morte nem a dor,
Nem do desconhecido,
Romper a mentira,
Cantar estrelas, jardins, estrelas e a dignidade
Escondidas em cada ser humano.
Defender a vida é combater os cínicos,
Demagogos e vendidos ao Mercado,
Disfarçados em defensores da vida e da natureza.
Defender a vida é espalhar florestas de homens, mulheres e crianças
Seguidoras de Prometeu,
Dispostas a espalhar o fogo,
Apagar a escuridão.
Por Pedro César Batista
segunda-feira, novembro 12, 2012
Sem cartola
Alice e o chapeleiro maluco
Navegam na tela,
Correm no elevador,
Sem piso preciso para ficar,
Nem buraco para cair.
Ele não busca o chapéu,
Embarca no desejo
E calado discursa,
desanimado com Narciso,
Que se mostra nas tribunas,
Dizendo-se da floresta.
Ele não tem espelho,
Perdeu a cartola,
é sem casaca de couro.
Quer somente o arco íris,
Bailar nas manhãs,
Sem preocupação com as dores,
Nem olhares dissimulados.
Enquanto Alice permanece
Olhando-se no espelho,
Esperando o coelho
Abrir a fenda da luz.
Navegam na tela,
Correm no elevador,
Sem piso preciso para ficar,
Nem buraco para cair.
Ele não busca o chapéu,
Embarca no desejo
E calado discursa,
desanimado com Narciso,
Que se mostra nas tribunas,
Dizendo-se da floresta.
Ele não tem espelho,
Perdeu a cartola,
é sem casaca de couro.
Quer somente o arco íris,
Bailar nas manhãs,
Sem preocupação com as dores,
Nem olhares dissimulados.
Enquanto Alice permanece
Olhando-se no espelho,
Esperando o coelho
Abrir a fenda da luz.
quinta-feira, outubro 04, 2012
Ainda, ainda...
Voto é escolha passageira e individual.
Aproveitadores de todas as cores o desejam,
Querem o poder para manipular os recursos públicos:
saúde, cultura e educação.
Abusam da desinformação,
Apenas para servir seus escusos interesses.
Defender os direitos é obrigação permanente,
Não tem urna, nem propaganda,
É resultado da luta de quem tem necessidades,
De quem ousa enfrentar os poderosos.
Para conquistar a dignidade coletiva
Somente com união e resistência,
Sem medo da dor, nem da escuridão,
Fazendo crescer a consciência histórica
E a compreensão das experiências do passado.
Usando todos os meios para defender a vida,
Passeatas, greves, internet e redes sociais,
Reunir sonhos e programas comuns,
Educação de qualidade, saúde para todos,
Comida, teatro, cinema e som,
Terra e trabalho, lazer e cultura.
Defender um estado que sirva aos necessitados,
Romper com a manipulação dos sonhos,
Conquistar direitos e garantias reais.
Votar é uma ferramenta,
Pode servir aos que roubam, causam miséria e ignorância
Ou apontar para romper a concentração da riqueza,
Iluminar a esperança,
Fortalecer a luta
Germinar vida e direitos.
Ainda pode servir, ainda.
Pedro César Batista
terça-feira, outubro 02, 2012
Apagão
Canto encanto desencanto,
O palco se descortinou,
O silêncio gritou.
Um grito tão alto
Que o público virou de costas.
A luz acendeu,
A cegueira dominou,
Levando o protagonista ao meio da multidão.
Mais um,
Sem púlpito.
Não mais existir desejou.
Quis ser solo,
Ser chão fértil,
Como semente no sulco
Germinar vida.
Encerra-se o primeiro ato.
As cortinas se fecham.
(pcb)
O palco se descortinou,
O silêncio gritou.
Um grito tão alto
Que o público virou de costas.
A luz acendeu,
A cegueira dominou,
Levando o protagonista ao meio da multidão.
Mais um,
Sem púlpito.
Não mais existir desejou.
Quis ser solo,
Ser chão fértil,
Como semente no sulco
Germinar vida.
Encerra-se o primeiro ato.
As cortinas se fecham.
(pcb)
sexta-feira, agosto 17, 2012
Palavras de sangue
Palavras são como o sangue,
Precisam de oxigênio,
Necessitam circular,
Sustentam a vida,
Permitem formar a escultura de um corpo.
Podem ser livres, presas, reais ou passageiras
De pesadelos, sonhos e ilusões.
Assim como a ventania,
Tem vida,
Sacodem árvores,
Espalham pétalas de todas as cores,
Balançam o mar,
Esfriam, esquentam, abrem ou fecham olhos com sua poeira,
De terra, de fumaça ou de criações abstratas.
Palavras são corpos em movimento,
Caminham, correm, andam, levitam,
Querem sempre o horizonte,
Encontrar-se em noite enluarada,
Ou no espanto da noite escura.
Cada letra inspira versos,
Forma tempestades com aroma de patchuli,
Faz acordar a indignação e a rebeldia,
Fortalecendo a esperança dentro da desesperança.
Palavras, palavras, palavras,
Passos que seguem construindo a vida,
Em todos os tempos e sonhos.
Um ritmo que não é preciso,
Nem veloz, nem lento,
Apenas segue seu tempo,
Cada momento em um ritmo,
Fazendo a vida em palavras.
pcb)
Precisam de oxigênio,
Necessitam circular,
Sustentam a vida,
Permitem formar a escultura de um corpo.
Podem ser livres, presas, reais ou passageiras
De pesadelos, sonhos e ilusões.
Assim como a ventania,
Tem vida,
Sacodem árvores,
Espalham pétalas de todas as cores,
Balançam o mar,
Esfriam, esquentam, abrem ou fecham olhos com sua poeira,
De terra, de fumaça ou de criações abstratas.
Palavras são corpos em movimento,
Caminham, correm, andam, levitam,
Querem sempre o horizonte,
Encontrar-se em noite enluarada,
Ou no espanto da noite escura.
Cada letra inspira versos,
Forma tempestades com aroma de patchuli,
Faz acordar a indignação e a rebeldia,
Fortalecendo a esperança dentro da desesperança.
Palavras, palavras, palavras,
Passos que seguem construindo a vida,
Em todos os tempos e sonhos.
Um ritmo que não é preciso,
Nem veloz, nem lento,
Apenas segue seu tempo,
Cada momento em um ritmo,
Fazendo a vida em palavras.
pcb)
sábado, junho 16, 2012
vitais
Luz
Seguir cantando.
Fusão de almas,
Encontrando-se nas avenidas da vida,
Sem a ilusão da harmonia musical,
Apenas construindo sons que levita como os pássaros,
Voando infinitamente sem medo de acordar.
Fusão de palavras,
Beijos, lutas, punhos cerrados e erguidos,
Caminhando de mãos dadas,
Rimando dor e resistência.
Fusão que nem no mais alto calor do fogo ocorreu,
Metais tentando ser brilho, luz, canto,
Transformando-se em acordes desencontrados.
Fusão de sonhos,
Enfrentando a dor da tortura, do consumo, da desilusão,
Persistindo como Ícaro em seus vôos,
Rasantes que decolam em grandes altitudes,
Rompendo a ilusão da ditadura da moda.
Fusão do tempo,
Que nasce do tempo em que as flores,
De todas as cores,
Atraem os beijos da amada,
Em busca de sorridos para as crianças famintas.
Seguir cantando,
Ainda que a noite seja sem estrelas.
Encontrando-se nas avenidas da vida,
Sem a ilusão da harmonia musical,
Apenas construindo sons que levita como os pássaros,
Voando infinitamente sem medo de acordar.
Fusão de palavras,
Beijos, lutas, punhos cerrados e erguidos,
Caminhando de mãos dadas,
Rimando dor e resistência.
Fusão que nem no mais alto calor do fogo ocorreu,
Metais tentando ser brilho, luz, canto,
Transformando-se em acordes desencontrados.
Fusão de sonhos,
Enfrentando a dor da tortura, do consumo, da desilusão,
Persistindo como Ícaro em seus vôos,
Rasantes que decolam em grandes altitudes,
Rompendo a ilusão da ditadura da moda.
Fusão do tempo,
Que nasce do tempo em que as flores,
De todas as cores,
Atraem os beijos da amada,
Em busca de sorridos para as crianças famintas.
Seguir cantando,
Ainda que a noite seja sem estrelas.
pedra - pó
brilhante,
turva as imagens,
que se tornam materiais,
em abraços, beijos,
sonhos se fazem rocha,
pedra-pó já sou,
então sinto-me argila,
sem forma, luz incandescente,
capaz de ofuscar o sol, entorpecendo-me,
pelo seu calor-dor-desejo,
a boca se abre,
canta a aurora em pleno entardecer.
sexta-feira, junho 01, 2012
Foto Vanildo Maia
Quem sou,
se o vento traz a todo instante um novo perfume,
são flores,
rios,
nuvens e aves,
chegam,
desabrocham,
crescem,
voam e frutificam,
deixando a terra cada vez mais fértil,
pelas pisadas das crianças livres,
que seguem cantando um novo olhar,
sobre a dor que se abate diariamente no consumo avassalador.
Quem sou?"
se o vento traz a todo instante um novo perfume,
são flores,
rios,
nuvens e aves,
chegam,
desabrocham,
crescem,
voam e frutificam,
deixando a terra cada vez mais fértil,
pelas pisadas das crianças livres,
que seguem cantando um novo olhar,
sobre a dor que se abate diariamente no consumo avassalador.
Quem sou?"
sábado, maio 26, 2012
Cantando esqueço a solidão
Nada sei das dores,
apenas observo os que acreditam e rezam,
sigo então a ventania que meu coração alimenta,
sem a certeza onde chegarei,
apenas a convicção de que tudo será rápido e valerá a pena,
mesmo se as lágrimas insistirem em aparecer,
sorrirei e cantarei a esperança.
apenas observo os que acreditam e rezam,
sigo então a ventania que meu coração alimenta,
sem a certeza onde chegarei,
apenas a convicção de que tudo será rápido e valerá a pena,
mesmo se as lágrimas insistirem em aparecer,
sorrirei e cantarei a esperança.
terça-feira, maio 08, 2012
Produção
Um tempo levava minha Lettera 82,
que me acompanhava onde fosse,
ela cansou e ficou no caminho,
veio mais praticidade e estacionei por aqui.
Falta a rede e o rio...
que me acompanhava onde fosse,
ela cansou e ficou no caminho,
veio mais praticidade e estacionei por aqui.
Falta a rede e o rio...
sexta-feira, maio 04, 2012
Decisão
O dia nasce e vai,
vem e volta,
brilha o novo,
que costuma chegar,
como quem nada quer,
e fica com a força do sol.
sábado, abril 21, 2012
domingo, abril 15, 2012
Cósmico
Certos momentos bate um desalento,
apesar da chuva que fertiliza os sonhos,
vem um barulho do tempo fazer acordar
perceber que as certezas são poeiras cósmicas,
sem a juventude desconhecida e crente em seu olhar,
com a neblina encobrindo a visão que desperta a dor,
uma dor sem sangue, que virou luzes nas avenidas,
pessoas tomando coca-cola e gastando o que não tem,
vem a brisa da embriaguez do tempo que ainda não chegou,
um tempo sem vida,
apesar de tantas luzes
onde a flores despejarão suas sementes coloridas
sobre o mar da tempestade que tarda,
e sem encanto se esconde em olhares ao entardecer,
onde andará o amanhã sonhado ontem,
onde estará o abraço sentido,
as mãos dados com os punhos levantados,
que se encantaram com os cantos virtuais,
sem saber que o ar é pedra,
pesado e se apodera de meu ser,
que se arrasta em uma direção,
que apesar de nova na história,
ainda rola sobre os sonhos em pesadelos.
domingo, abril 08, 2012
Medo
Fechar o tempo sem abrir as janelas,
nem as portas, trancar a vida entre quatro moedas,
com vidros escuros, brindados e surdos.
Medo que tranca o coração,
impede abraços, sorrisos, beijos
e a distribuição de flores.
A propaganda geme o sangue dos mortos
pelas balas contra os pobres,
violentos, agressivos e violentados
de todas as formas reproduzidas
nas telas da tv, nos jornais e em discursos.
Medo de caminhar, de não se poder consumir, alimentar o consumidor.
Medo de sonhar,
é preciso reproduzir a mesma prática da mentira,
assegurar a segurança das elites,
que oram, rezam, dão esmolas,
tentam expiar a dor que não sentem.
Medo da lua, que foge dos olhares,
que se fecham,
mirando o chão,
onde os pés se firmam.
Sustentar as fronteiras, as propriedades,
os templos do sistema,
fugindo da luz da morte,
que vestida com sua roupa de domingo,
espreita quem dela tem medo.
Medo do abraço,
do hálito desconhecido,
das flores com espinho,
da fome de não ter o shopping center,
sem ver a solidão dos olhares perdidos nos faróis.
Medo da verdade e da solidão,
sob bilhões de galáxias desconhecidas,
pelos ávidos pelo poder,
apenas pelo poder,
sem saber o valor do brilho do canto da ventania em noite de lua cheia.
(pcb - 08.04.2012 - 14h48 - BSB - DF - Brasil)
quarta-feira, março 28, 2012
Amizade

Amizade é como raiz
vai fundo
sustenta
suporta
alimenta
entrega-se à terra sem medo.
Amizade não é virtual
não tem cutucadas
nem propaga o ego
mostrando-se melhor
Amizade é verdadeira
a qualquer hora
está disponível
não fica offline
sempre está presente
não é utilitarista
Amizade não é quantidade
Amizade não se coleciona
Amizade assim como a raiz
e o caule nunca se separam
faça chuva
faça sol
caia granizo ou neve
nada a distância
Amizade é raiz verdadeira
concreta
em permanente sintonia
Uma raiz se morrer
leva junto o caule
A amizade se morrer
leva junto a raiz
uma alimenta
e fortalece a outra.
quinta-feira, março 15, 2012
Penumbra

Certos momentos bate um desalento,
apesar da chuva que fertiliza os sonhos,
vem um barulho do tempo fazer acordar
perceber que as certezas são poeiras cósmicas,
sem a juventude desconhecida e crente em seu olhar,
com a neblina encobrindo a visão que desperta a dor,
uma dor sem sangue, que virou luzes nas avenidas,
pessoas tomando coca-cola e gastando o que não tem,
vem a brisa da embriaguez do tempo que ainda não chegou,
um tempo sem vida,
apesar de tantas luzes
onde a flores despejarão suas sementes coloridas
sobre o mar da tempestade que tarda,
e sem encanto se esconde em olhares ao entardecer,
onde andará o amanhã sonhado ontem,
onde estará o abraço sentido,
as mãos dados com os punhos levantados,
que se encantaram com os cantos virtuais,
sem saber que o ar é pedra,
pesado e se apodera de meu ser,
que se arrasta em uma direção,
que apesar de nova na história,
ainda rola sobre os sonhos em pesadelos.
Sabor
Solfejar para a lua

Solfejar o perfume do vento,
sentir teu hálito de Deusa,
saborear teu gosto de sapoti,
admirar teu encanto de lua cheia.
Solfejar tua aura livre,
bailar em teu corpo musical,
dançar em teu êxtase contagiante,
arrebatar-me inteiramente,
sem escalas cantar a tua melodia.
Nem aprendiz sou,
apenas um amante das notas,
dos sons que animam a alma.
Solfejo do tempo que desconheço,
apenas a saudade do inesperado que canta
em meus ouvidos atentos,
entregues e ávidos.
Solfejo o que virá.
Visão
Cordas do violoncelo

Um olhar musical,
a alma é som,
leve brisa da lua cheia,
brilhante resplandece,
exala o perfume da terra pura e fértil.
Um olhar nascido n'alma,
melodia do brilho encantado
nas cordas do violoncelo,
confundem-se com os cabelos negros,
em suaves notas
solfeja o desejo de bailar.
Uma alma musical,
o olhar canta
e anima a caminhada.
sexta-feira, março 09, 2012
Mulheres livres

Lavínia, guerreira que combateu ao lado de Espartacus.
Penélope, que resistiu a conquista e esperou Ulisses.
Dandara ao lado de Zumbi bravamente lutou.
Maria Bonita, ousada e livre, com Lampião bailou no sertão.
Milhares, milhões, bilhões de guerreiras em todo o mundo.
Sem vacilar seguem a sua marcha,
Espalhando sorrisos, sonhos e sementes.
Não se contentam com igualdade, exigem dignidade, respeito e amor.
Mulheres livres e companheiras,
Assim deixaram a sua marca na história.
Raça humana, mulheres e homens, um mundo novo fazer.
Semear esperança, com o encanto de todas as mulheres,
Ao longo da estrada que seguimos.
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
Borboleta azul

Querer sentir o vento vindo do mar
faz as folhas sentirem-se como flores perfumadas,
pétalas de jasmim, brancas e macias.
Querer estar junto de alguém
é como a terra desejando receber a água e o calor do cuidado para suas sementes,
como uma borboleta que pousa suavemente na pétala vermelha
da rosa do desejo de ser querido em sua plenitude.
Quando isso não acontece
são como gotas da seiva da vida que são desperdiçadas,
em desencontros que se evaporam
em lágrimas famintas por beijos inexistentes.
Meu bem querer verdadeiro
choca-se em rochas do tempo presente,
restando ainda a aurora em meu olhar,
assustado pela dor do abandono.
Amanhã o sol aquecerá meu querer,
entregue aos voos da borboleta azul.
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
Armadilha

Um olhar sorridente se desmancha em lágrimas,
nem vê a lua chegar cantando a manhã,
seus ouvidos nada ouvem,
seus olhos estão tentando falar e não cantam.
Um abraço se choca com o vento,
transforma-se em asas soltas sobre o mar e rochedos floridos,
sonhando com o calor dos beijos inexistentes,
que tem gosto de vinho azedo
pelo tempo trancado na escuridão.
Rajadas orgásticas inspiram segurança
sobre a tempestade das rosas
espalhadas no olhar que não sente a voz do trovão
armando a cova da desesperança.
sábado, fevereiro 11, 2012
Chegada
Busca
carnis valles

de Wanessa Dias
eu andei feveriando alguns meses
despertando notas
motivando o batuque abafado no imêmore frisson
repisei em ruas
antes dos amantes foliões
seduzidos pelo cordão do entusiasmo
agora
arrogados
sem rastros
perdidos
em ruas abertas para o rio
por onde andam os caminhos segredados?
chão de tantos enredos ensaiados
e
concentração
do arranjo
para o leito palco
que quando quase findos
se sentiam
aplaudidos
por
bocas
línguas
dedos
afinados
combinados
numa coreografia de peles
na passarela dos lençóis
a espalhar os corpos
em sussurros
a fazer perambular
cheiros
das (p)artes
despojadas de castidade
mas feridas pelas horas
que vestidas de cinzas
anunciavam
o samba
da despedida
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Caminho
segunda-feira, janeiro 30, 2012
Galopando
sábado, janeiro 21, 2012
Pousando em flores

Uma vontade de levantar voo,
cantar desafinado e reunir a orquestra,
animando o entardecer,
receber os beijos que não tenho.
Pousar n'alma ao amanhecer,
cantar o canto do vento em pleno voo,
sentir a luz do sol aquecer o coração,
deslizar no solo enraizando manhãs.
Luzes apagadas, sorrisos fechados,
olhares sem ver, braços sem abraçar,
passos seguem em direção ao pôr do sol
onde as portas do céu se abrem em total entrega.
Trovões festejam a aurora,
Germina a vida por todos os cantos,
Sorrisos transbordam sem se esconder,
Então decido tirar a chave da porta
Deixando-a aberta para o entardecer chegar.
Voar ao infinito em pétalas de flores,
Perfumar os beijos e molhar os corpos
Entregando-se a seiva que brota da pele macia
Perfumada de desejos pelo que o tempo semear.
Levantar voo sem vontade de plainar
Pousar em um jardim florido
De mãos dadas
E com o sorriso estampado nos corpos.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Acordado
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Olhar florido
sábado, janeiro 14, 2012
Ritmo

Faço tudo ao contrário.
Dizem para eu comprar,
Não compro.
Falam para esconder meu amor,
Não escondo.
Afirmam que devo ser um vencedor,
Prefiro ser parceiro.
Tenho que ser o melhor,
Insistem,
Escolho compartilhar.
Preciso seguir a moda,
Ando de meu jeito.
Tenho que ser competitivo,
Busco a solidariedade.
Afirmam que é cada um por si,
Insisto em ter companheiros.
Assim aprendo um novo tempo,
Onde dar é mais que receber.
Aprendo que amar é dedicar-se aos sonhos,
Entregar-se aos amores que acredito.
Nada de ser mais um repetindo o bordão.
Nada de ser um seguindo o caminho imposto.
Assim sigo contra-correnteza,
Acreditando que as flores brotarão,
e um dia,
Antes que tarde,
A flor mais bela dirá:
Eu te quero.
Ainda assim faço tudo ao contrário.
sexta-feira, janeiro 13, 2012
Goiaba vermelha

O perfume da goiaba
vermelha abre a memoria
traz as manhãs que caminhava sobre árvores,
o perfume das águas onde pesquei na infância,
as cores das manhãs embaladas nas correrias entre o gado no curral.
O perfume da goiaba
branca desperta um tempo de cantigas,
onde o vento me fazia dormir
ouvindo minha mãe ler histórias de curupiras e sacis,
com estrelas piscando e caindo nas noites enluaradas,
onde os vaga-lumes mostravam o caminho dos sonhos
que começavam a chegar e desabrochar novos passos,
dentro da floresta perfumada e musicada pelas flores e pássaros
livres cantando a esperança ainda uma criança.
O perfume da goiaba
vermelha e branca se misturou no campo,
desabrochou trilhas floridas e encantadas,
animou os passarinhos a cantarem mais
e inspirou as pipiras, as araras, os papagaios
e a vida que mais animada fruiu.
O perfume da goiaba
dá uma vontade de seguir
sem deixar o sabor do tempo
onde tudo começou.
quinta-feira, janeiro 05, 2012
Olhos do sol
segunda-feira, dezembro 26, 2011
Explosão terrena

Estoura olhar do tempo,
faz brotar o grito da aurora,
desmascarar o teatro de péssima qualidade,
mofado nos palácios,
germina a seiva da esperança na solidariedade
escondida nas crianças
famintas pelo planeta,
dissemina flores
no lugar de riquezas,
propaga a vida,
usa a avareza para revirar a história.
Estoura olhar do vento,
leva para bem longe o medo,
o desespero e a solidão,
arrasta para terras longínquas o egoísmo e a tristeza dos deprimidos,
a fé pelo metal causador da opressão que mais dor provoca,
espalha abraços verdadeiros e prolongados,
semeia jardins que jorrem
pétalas nas avenidas e prédios assustados.
Estoura olhar da história,
ilumina os passos
desencontrados e dispersos,
ensina a direção da resistência em busca
dos sonhos coletivos,
aponte o brilho na escuridão dos olhares
acuados com a força do capital,
descortine um novo palco
onde os protagonistas
sejam sinceros nas palavras e justos nas ações,
permitindo todas as crianças, jovens, adultos e idosos
colherem suas flores
preferidas,
sem terem que destruir jardins.
Estoure vida por todos os poros da terra.
espalhando fonte de entrega sem medo do amanhã.
quarta-feira, dezembro 21, 2011
História

Tiraram a costela para encantar o homem com a formosura da mulher.
Negaram a descoberta do fogo e o desenvolvimento da espécie.
Inventaram a propriedade das terras, das pessoas e manipularam as almas.
Criaram um Deus, onipresente, entorpecendo olhares e abraços. Temível.
Justificaram a opressão, a fome e impuseram o medo.
Usaram a morte para destruir a vida, jardins, culturas e civilizações.
Sem pudor mataram, saquearam e mentiram.
Uma moeda se tornou valiosa controlando desejos,
Negando o trabalho, a criatividade, a arte e a natureza.
Fizeram um estado controlador, manipulado pelos contadores de mentiras.
E mais mentiras vieram.
E mais mentiras vieram.
Vieram santos e mercados em bolsas sanguinolentas envenenadas.
Vieram armas sutis, cirúrgicas para crianças e adultos.
Até o amor conseguiram torná-lo assustador, amedrontador.
Tudo é o medo.
Tudo é a busca pela moeda sangrenta, armada e controladora dos tempos.
Assim mentem ainda,
Controlando os abraços que se afrouxam,
Os beijos que fogem,
As costelas que se enrijecem.
Uma história mal contada que virou sagrada e bíblica.
Brasília. 21.12.11
terça-feira, dezembro 20, 2011
Momentos
Ignorado
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