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sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Seguindo o tempo

Gota do tempo me fez tempestade.
Semeio ventania,
escuto murmúrios dos pássaros
nos cantos d'alma
sem vento, nem saber.

O que sou?

Luzes me cegam,
embrutecem meu olhar.
Nem te vejo
na solidão que sou
cantando flores
enquanto contas moedas.

Vento?

A história ilumina
semeada de sangue e desejos.

O que fazer?

Vou esperar a cguva passar,
as flores desabrocharem,
as aves me mostrarem o rumo
e continuar seguindo
o destino do tempo.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Berlim homenageia os 100 anos de Olga Benario Prestes

de Carlos Albuquerque
da Deutsche Welle, na Alemanha



Juntamente com Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luís Carlos Prestes, a galeria berlinense inaugura "pedra de tropeço" em homenagem aos 100 anos da revolucionária alemã de origem judaica, vítima do Holocausto.

Olga Benario Prestes estaria completando 100 anos nesta terça-feira (12/02). Como ponto alto das homenagens que presta ao seu centenário, a Galeria Olga Benario de Berlim inaugura "pedra de tropeço" em frente ao último endereço que a revolucionária ocupou na capital alemã.

A "pedra de tropeço" em homenagem à Olga Benario, instalada na calçada da Innstrasse 24, no bairro berlinense de Neukölln, será inaugurada por sua filha, a professora Anita Prestes, que nasceu em Berlim quando sua mãe estava na prisão feminina de Barnimstrasse.

"Pedras de tropeço" são pequenas placas de latão cravadas nas calçadas dos prédios onde moraram vítimas do Holocausto. Nelas, estão escritos o nome, data de nascimento, data de deportação e uma referência ao local e data de morte da vítima. A idéia partiu do artista alemão Gunter Demnig. Hoje, já existem mais de 13,5 mil marcos deste tipo espalhados por quatro países europeus.

Ação cinematográfica
Olga Benario nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. No início dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a classificavam como "agitadora comunista". Juntamente com seu parceiro, o comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln, onde se tornou membro ativo da Juventude Comunista.

Olga Benario e Otto Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional bairro proletário berlinense. Foi neste endereço que foram presos. Logo libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu companheiro Otto Braun da prisão de Moabit.

Em abril de 1928, Olga e camaradas de Otto Braun disfarçados de estudantes de Direito invadiram a sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou, onde Olga trabalhava para o movimento trabalhista internacional.

Intentona Comunista
Com Luís Carlos Prestes, Olga Benario partiu de Moscou para o Rio de Janeiro, em 1935. Durante a viagem, os dois se apaixonaram e tornaram-se um casal, vindo a organizar a Intentona Comunista de 1935.

Após a fracassada tentativa, Olga e Prestes foram presos e, apesar de protestos internacionais, ela foi entregue, em 1936, grávida de sua filha, à Gestapo pela ditadura varguista.

Em setembro do mesmo ano, Olga foi enviada à Alemanha. Em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de 1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de concentração feminino de Lichtenburg.

OIga Benario Prestes teve ainda que passar três anos no campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser enviada para a câmara de gás em Bernburg, em 1942. O endereço da Innstrasse 24, em Neukölln, foi sua última morada como cidadã livre na Alemanha.

Em 12 de fevereiro de 1984 a Associação dos Perseguidos pelo Regime Nazista/Associação dos Antifascistas (VVN/VDA) fundou a Galeria Olga Benario em Berlim-Neukölln. A galeria informa que três motivos justificaram a escolha do nome de Olga: por ser mulher, por ter uma relação próxima com o bairro de Neukölln e por ser uma internacionalista.

A galeria foi inaugurada com uma exposição sobre a vida de Olga Benario, que, para além da lembrança como revolucionária comunista, vem se tornando, nos últimos anos, um exemplo de coragem feminina para muitos alemães.

Talvez por isto, os temas das exposições da galeria se expandiram para solidariedade internacional, imigrantes e asilo, movimento feminista, sindicatos, entre outros.

Em comemoração aos 100 anos da revolucionária e aos seus 24 anos de existência, a Galeria Olga Benario convidou Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luís Carlos Prestes, para inaugurar a "pedra de tropeço" na calçada do último endereço berlinense de sua mãe, Olga Benario Prestes.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Medo e dor.

Preocupa-me o comportamento de muitos jovens e adolescentes neste tempo que vivemos. O individualismo, o egoísmo, o imediatismo, o consumismo e uma busca pelo sucesso a qualquer preço me traz uma sensação de medo e uma dor desconhecida.

Tenho conhecimento de muitos casos de adolescentes e jovens que não se preocupam em conhecer a sua história ou da humanidade, nem se preocupam com o futuro e nem demonstram querer transformar o presente. Não gostam de conversar, discutir ou falar sobre os assuntos que não sejam relacinados ao seu tempo.

As escolas que deveriam servir como pólo orientador da importância da história da humanidade, formam jovens única e exclusivamente voltados para atender os interesses do sistema, especialmente do mercado. As escolas educam jovens alienados em determinadas áreas, sem uma visão global de sociedade, nem de mundo. Repassam conhecimentos específicos e limitados. Conhecimentos transversais que passam a impressão de conhecimentos gerais. Termina formando jovens pedantes e arrogantes, com uma visão equivocada, imediatista e estreita.

Os valores predominantes são a ascensão social e econômica, buscando para isso atender os interesses do capital. São formados jovens com comportamento altamento individualista e egoísta. Vários instrumentos são utilizados para que a juventude reproduza esses valores, indo desde às religiões aos jogos eletrônicos. A internet, inportante instrumento do mundo moderno, deixa seus usuários cada vez mais voltados para si. Essas pessoas vivem um mundo virtual, deixando de lado a relação presencial com amigos, colegas e familiares. Muitos nem mesmo se interessam mais em viver as relações reais, trocam esta pela ilusão, pelo virtual. Prevalece o interesse pela satisfação imediata, instantânea.

Isso tudo faz aprofundar os valores do individualismo. Os interesses coletivos, sejam familiares ou de uma comunidade são deixados de lado. Vale apenas aquilo que interessa ao usuário, aos interesses do indivíduo. Muitos passam a viver única e exclusivamente apenas para si, como se o mundo fosse apenas seu. O que importa são seus interesses e projetos individuais. Os seus amigos, familiares, colegas e os demais habitantes do planeta nunca são levados em consideração. Junta-se a isso o hedonismo do presente, que se sustenta na busca pelo poder, alcançado, segundo os valores atuais, com o acesso a riqueza. Assim se terá felicidade, podendo comprar o que se desejar, especialmente aquilo que é de marca e propagado pela mídia.

Para se chegar a essa realidade tem que ser rápido. O tempo é o mesmo da internet. Assim é a alimentação, são os relacionamentos, são os projetos, são os sonhos. A influência da mídia é poderosa. Até crianças passam a escolher a marca que desejam usar. Jovens vivem com essa finalidade. Tudo é muito rápido e superficial. Principalmente as relações, das familiares às exteriores existentes na sociedade.

Imaginar que esses adolescentes e jovens serão os dirigentes do Estado e do mundo amanhã deixa-me com medo. Se a realidade atual mostra a existência de dois terços da população do planeta passando necessidades, o que ocorrerá amanhã, quando o mundo será dirigido pelos adolescentes de hoje, os quais são imediatista e individualistas? Isto me assusta. Ao mesmo tempo me deixa com dor de estômago diante da impotência em nada pode fazer.

Assim mesmo continuo acreditando que é possível semear valores e comportamentos, onde a solidariedade e o respeito à vida e aos outros, especialmente aos mais velhos prevalesça. Os mais velhos ainda poderão ensinar um mundo onde a fraternidade, a curiosidade, a ousadia e a busca da justiça determine os passos, contrapondo-se ao desespero pela ascensão econômica desejada por esses jovens.

É preciso uma ação coletiva para resgatar a esperança e a busca pela descoberta das lutas por um mundo mais justo e fraterno aos mais novos, sob pena de cada vez mais aumentar o fosse entre os poderosos e a maioria da população planetária. Não vamos perder tempo. Ainda é possível agir.

PS. Felizmente minhas filhas, Marlua e Mariana, não se enquadram no retrato de jovens e adolecentes apresentado acima.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Memória - Rosa Luxemburgo












(Ernesto Germano – janeiro/2008)


Final de tarde em Berlim. A data é 15 de janeiro de 1919 e a Alemanha havia sido derrotada em uma guerra contra a qual uma voz feminina de coragem inigualável havia se levantado. Anos antes de iniciada a guerra, Rosa Luxemburgo havia denunciado seus prenúncios e alertado os trabalhadores para o risco de uma guerra imperialista como a que se aproximava. Com Lenin, Rosa dirigiu-se à Internacional pedindo que cada um dos membros, em seus países, lutassem contra a guerra. E foi traída por alguns dos seus próprios companheiros que, sob o falso manto do nacionalismo, acabaram apoiando a aventura dos grandes capitalistas da época.


Rosa, “a vermelha”. Rosa, a voz do socialismo alemão mais conseqüente, lutadora ao lado do operariado. Mais que isto, Rosa precursora das lutas feministas e antimilitaristas, a Rosa que odiava todas as guerras e as denunciava como manobras do imperialismo mundial.


Terminada a guerra, Rosa dirige-se aos poderosos cobrando as vidas perdidas e os prejuízos à sociedade. E não vacila em apoiar o levante dos operários de Berlim, estando à frente das mobilizações. E, quando a polícia e as tropas alemãs se voltam contra os trabalhadores, sufocando o levante, Rosa volta com sua palavra certeira: “A ordem reina em Berlim! Ah! Estúpidos e insensatos verdugos! Não vês que vossa ordem está erigida sobre areia?”


Era demais! O panfleto intitulado “A ordem reina em Berlim”, datado de 14 de janeiro, foi seu último escrito(2). Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, seu grande companheiro de lutas no seio do movimento e dentro do partido, são presos e conduzidos ao Hotel Eden, no centro de Berlim. Soldados da recém criada “tropa de assalto” ficam responsáveis pela “guarda” dos dois revolucionários que deveriam ser conduzidos à prisão onde aguardariam julgamento.


Mas manter vivos dois lutadores do povo, dois líderes do movimento, e ainda permitir que se defendessem publicamente era muito arriscado. Na noite do dia 15 de janeiro, no saguão do hotel, uma mulher de 48 anos apenas, apesar dos cabelos já bem grisalhos, é conduzida aos empurrões e tapas pelos soldados em direção à carruagem que supostamente a levariam para a prisão. Karl Liebknech já havia sido espancado pelos soldados, à vista de todos, e Rosa recebe uma coronhada no rosto antes de ser jogada dentro do veículo.


Mas os dois lutadores não chegaram à prisão. Karl é fuzilado e jogado para fora da carruagem em movimento. Pouco depois, sobre uma ponte de um canal, a carruagem faz uma parada e soldados lançam um corpo às águas. O soldado Otto Runge, seguindo ordens do tenente Vogel, assassina Rosa Luxemburgo à coronhada, esmagando-lhe o crânio.


Como era início do inverno, Rosa Luxemburgo só foi encontrada meses depois, durante o degelo. O tenente Vogel e o soldado são “anistiados” no dia 10 de janeiro de 1921.

(fonte: Boletim NPC, de 15 a 31 de janeiro 2008)

segunda-feira, dezembro 17, 2007

VIDA E LUZ


















Copiado do Blog da Lúcia.

domingo, dezembro 16, 2007

SOLIDARIEDADE E LUTA

Transformar a própria vida em uma trincheira na defesa dos interesses dos pobres simboliza o compromisso, a solidariedade e a verdadeira entrega na defesa dos que mais necessitam.

A atitude de D. Cappio mostra a indignação diante da injustiça praticada pelo governo a serviço dos poderosos, grandes proprietários rurais, usando em vão o nome dos necessitados. Pratica (re)conhecida na região e em nosso país.

Dom Cappio ousa defender a vida do rio por crêr que a sua vida pode ser semente de sonhos e esperanças na resistência e defesa da vida, não somente para o rio, mas para todos os necessitados de pão, teto, água e trabalho.

Dom Cappio ousa com seu ato animar a esperança e o compromisso dos que não se calam diante das injustiças e os atos praticados contra os que necessitam de uma vida melhor.

A vida de Dom Cappio é a vida do Rio São Francisco que alimenta a terra para dar o alimento ao povo da região. A vida de Dom Cappio está alimentanto a resistência em defesa da vida.

Os que tentam acusá-lo de intransigente serão os responsáveis pela corrente que se fortalece em defesa da luta em solidariedade ao povo do sertão e a luta que Dom Cappio simboliza. Uma luta de todos aqueles que ainda se indignam com as injustiças existentes.

Dom Cappio ousa entregar sua vida na defesa da vida, com dignidade, aos que mais necessitam.

Vida longa a Dom Cappio.

Vida longa ao Rio São Francisco.

Pedro César Batista

quinta-feira, dezembro 06, 2007

19 anos sem João Batista



João Carlos Batista na adolescência.
















Em 6 de dezembro de 1988, 20h30, entra no ar uma edição jornalística extra na TV Liberal, Belém, Pará:" Acaba de dar entrada no Hospital dos Servidores Públicos do Estado do Pará o deputado João Carlos Batista já sem vida. Recebeu dois tiros fatais de um pistoleiro, ao chegar em sua residência na Av. Gentil Bitencourt. Seu corpo será velado na capela do hospital. O pistoleiro conseguiu fugir."

Nesse dia João Batista havia denunciado, mais uma vez, da Tribuna do Assembléia Legislativa uma nova ameaça de morte que havia sofrido. Como das vezes passadas, alguns parlamentares fizeram chacota.

Aos 36 anos de idade tiraram a vida do advogado de trabalhadores rurais e urbanos. O militante da luta do povo que mobilizou milhares de trabalhadores no Pará na luta pela Reforma Agrária. Exerceu o mandato de deputado estadual no Pará por 17 meses, período que confirmou seus compromissos com a luta em defesa da Reforma Agrária e do socialismo.

Antes de ser assassinado sofreu três atentados. No primeiro, Nestor, seu (meu) pai, recebeu o tiro. No segundo, ele e mais dois companheiros, Ezequias e Nilton, ficaram muito feridos. Batista passou vários dias na UTI. No terceiro, os pistoleiros invadiram uma manifestação com mais de cinco mil pessoas, no Dia do Trabalho, em Paragominas - PA, e balearam dois companheiros , Nicanor e D. Alzenir. Um bandido foi pego e justiçado na hora. Na quarta tentativa, conseguiram assassiná-lo. O mataram na frente de seus filhos, ainda na tenra infância. Dina, sua filha do meio, ainda recebeu um tiro na perna.

João Batista nasceu no interior de São Paulo. Ainda criança foi com sua família para o Pará. Buscavam terra. Tauá, como o chamava, sempre esteve ligado ao campo. Começou militar na luta do povo cedo. Atuou na reconstrução da UNE, compondo a comissão nacional pró-UNE. Formou-se advogado, em 1980, voltando, desde então, toda a sua energia e inteligência para a defesa dos trabalhadores, das mulheres, dos oprimidos e do socialismo. Deixou cinco filhos de dois casamentos: Marcia Mária, João Leonardo, Renata, Dina e João Carlos. Sua primeira companheira foi Elisenda Libonati, a segunda, Sandra Caminha.

Hoje, 6 de dezembro de 2007, completam-se 19 anos que tiraram a vida de Batista. Sua memória, seu exemplo, seu compromisso e sua dedicação somente servem de exemplo para aqueles que acreditam que a luta é o caminho para conquistar uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Vida longa à memória dos que tombaram na luta pelos direitos do povo e pelo socialismo.

João Batista, sua memória será preservada.

PS. Como seu irmão aprendi que não basta lutar em defesa de terra, trabalho e liberdade. O século XXI nos aponta a necessidade de impedir o resssurgimento da barbárie que se fortalece no consumismo exacerbado, no individualismo, no hedonismo e no egoímo. Não poderemos repetir erros. A solidariedade e o respeito aos que lutam, aos que são explorados, oprimidos, a diversidade e a memória dos que deram suas vidas na defesa da justiça social, precisam ser fortalecidas e resgatadas. (Um povo que não tem passado não tem futuro. J.Marti) Nosso tempo atual é muito veloz, não percamos tempo, vamos semear e propagar a esperança, a rebeldia e os sonhos de fraternidade e justiça social.

terça-feira, novembro 20, 2007

Decidir o destino dos venezuelanos cabe somente a eles.

Em defesa da auto-determinação dos povos.

Uma das bandeiras sempre defendida pelos democratas, socialistas e comunistas foi a auto-determinação dos povos. Ao longo de décadas, durante a guerra fria, o que vimos por todo o planeta foi a ingerência permanente dos dois pólos na definição dos rumos de várias nações. Se Praga foi ocupada, pelas bandas de cá, vivemos inúmeras ditaduras, ocupações e tentativas de invasões. O governo militar no Brasil durou vinte anos. Duas décadas sustentadas pela mentira, tortura, exílios e mortes (tão pouco tempo se passou e parece que alguns esqueceram). Mesmo vivenciando seus extertores ainda pude atuar em seu combate.

No limiar do século XXI, são poucos os países que ousam realizar plebiscitos, referendos e eleições com regularidade. Método que aprofunda e semeia a democracia direta e participativa. As eleições realizadas em terra tupiniquim, mesmo de dois em dois anos, mostram a força da grana e da manipulação da mídia. Basta ver a eleição de Crodovil, Flanklin Aguiar e tantos outros. Organizar as camadas que têm necessidades, formar lideranças, desenvovler campanhas em defesa dos direitos dos que não tem acesso aos direitos animais está fora de moda.

O que importa é defender a globalização, usufluir a revolução técnico-científica, forjar a reengenharia do Estado, assegurando que o mercado, senhor de todos os tempos, possa resolver os destinos da humanidade. A invasão e o massacre cometido contra os povos afegão, iraquiano, ruandes ou de outras paragens não interessam a imprensa. O que podia ser feito por lá já aconteceu. O que resta são ações de caridade, como a distribuição de comida, nada mais pode ser feito (sic).

Enquanto isso, a Venezuela vive seu dilema. O governo Chavez, enfrentando setores internos e externos poderosos, realiza amplos debates, mobilizações e a população tem sido chamada a decidir os rumos a seguir. Setores a favor e contra o governo estão nas ruas, universidades,e scolas e fábricas mobilizados. Se as posições vitoriosas fossem as mesmas do pensamento único, aplicada por décadas naquele país, teriam valor, nada seria questionado. Mas uma aliança entre Venezuela e Irã é perigosa. Mas para quem? Quem tem medo dessa aliança?

Enquanto isso o debate, ou melhor, a massificação, contra os rumos decididos pelo povo venezuelano cresce assustadoramente. Porque será? O que houve com os democratas, os socialistas e os comunistas que não defendem mais a auto-determinação dos povos? Será que apenas o imposto pela mídia e os intelectuais a serviço da acadêmia (formada pelos detentores do conhecimento e do capital a serviço deles mesmos) podem dizer o que importa a humanidade?

Continuo defendendo que cabe somente aos venezuelanos decidir o seu destino. Somente a esse povo cabe escolher qual caminho seguir, com ou sem Chavez. Basta de ingerência. É preciso que os reis e imperadores fiquem calados e, quem sabe, um dia possam sentar no banco dos réus da história para serem julgados pelos massacres cometidos durante séculos.

Todo apoio a mobilização, ao debate e ao aprofundamento da democracia participativa.

quarta-feira, novembro 14, 2007

MARLUA






















A lua contigo fica encantada,
o Mar maravilhado,
as flores alvoroçadas,
o tempo mais iluminado.

O tempo não esquece certo dia,
nesta hora,
quando tu vieste encantar as galáxias,
deixa-las mais harmônica e equilibrada.

Fazer o canto do vento,
o barulho das folhas,
a força das sementes,
o vôo dos pássaros,
as cores de paz predominarem.

As revoadas do tempo te admiram.

O tempo encantado
segue em tua direção,
a vida fica mais forte,
os sonhos acordam.

Marlua é vida
cheia de beleza e força,
repleta de luz
resplandece o universo
que te acolheu
e cuida-te alegremente.

Marlua é flor,
é ventania e calor,
é semente e fruto,
é luta e conquista.

Marlua, minha filha,
maravilhosa e iluminada,
leve sempre consigo esse brilho,
ilumine o caminho dos astros.

Marlua, guia das estrelas,
teu tempo é infinito.

sexta-feira, novembro 09, 2007

FUTURO CONTANDO ESTRELAS















A população planetária vive um momento crucial, podendo resgatar a possibilidade de um futuro glorioso para todos os seres existentes ou então caminhar celeremente para um triste fim.

Há milênios sonha-se com a plenitude da liberdade, mesmo sem o conhecimento do que isso significa. Sempre buscou-se conquistar uma vida melhor. Assim foi com a descoberta do fogo, a revolução verde, a revolução industrial e a revolução tecnico-científica. O fim disso tudo sempre foi a busca de uma vida melhor. Mesmo agindo como animais irracionais, onde é cada um por si, as ações sempre buscaram melhores condições de vida.

A nossa casa coletiva, o planeta Terra, sempre foi generoso, farto e permitiu ações em defesa desses sonhos por melhorias, mesmo que para isso sofresse todos os tipos de agressões e ataques. Aqui e acolá havia uma reação: um terremoto, um vulcão, uma tempestade ou qualquer catástrofe natural.

Enquanto isso os animais humanos sempre explorando a natureza e uns aos outros de forma mais feroz e agressiva. Os tempos avançaram e chegamos aos dias atuais. Até mesmo a região amazônica deu uma resposta, deixando parte de seus rios secos, outros lugares viveram desastres então desconhecidos. Até um ex-presidente dos EUA, Al Gore, virou vedete denunciando aquilo que eles mesmo fizeram durante séculos.

Apesar disso tudo, onde vivo, em Brasília, cresce a venda de produtos de luxo, principalmente de automóveis. Em alguns outros pontos do planeta aumenta a riqueza dos poucos ricos. Ao mesmo tempo verifica-se o crescimento dos miseráveis por todos os continentes. Na mesma proporção que crescem os instrumentos de produção de riquezas eleva-se a fome, o desemprego, a propagação da mentira e os riscos de desastres ambientais cada vez maiores.

A juventude conectada em seus micros torna-se instrumento da subjetividade imposta pelo mercado. O individualismo e o consumismo assustam. Defender a vida, lutar pelos velhos sonhos da humanidade torna-se algo ultrapassado e careta, segundo a mídia capitalista.

Ainda assim acredito que poderemos usar dessas tristezas e dificuldades para a construção de instrumentos que possibilitem o resgate dos sonhos de respeito, solidariedade e de uma sociedade mais justa. Base, penso, para um comportamento ético, coerente e de esquerda.

Não podemos desistir, nem abandonar a busca de uma vida digna, livre, justa para todos e em defesa de que no futuro todos ainda possam contar estrelas e semear flores.

quinta-feira, outubro 11, 2007

CHÊ, PRESENTE!!!









O tempo permite as sementes brotarem.
A terra pode ser árida.
As pessoas podem não ver as sementes nascerem,
podem mesmo querer esmagá-las.

Nada impede o tempo semear sonhos.

As flores secam
e sementes brotam.


Se ervas daninhas predominam,
não será eternamente.

Se espinhos cegam a imaginação,
as sementes permitem as flores desabrochar.

O sangue derramado aduba a vida,
ilumina o tempo,
fortalece quem ousa sonhar.

Nada impede o tempo de avançar.

Passaram 40 anos desde esta covarde poda da humanidade,
mas a floresta, as flores e as sementes não desistem.

As sementes continuam brotando
seguidores do vento
dispostos a fazer ventania.

A América Latina continua um viveiro.


VIVA OS QUE LUTAM POR JUSTIÇA.

VIVA OS QUE OUSAM LUTAR POR UM MUNDO MAIS JUSTO.

VIDA LONGA A QUEM ACREDITA EM SEUS SONHOS.

CHÊ, PRESENTE!!!!

terça-feira, setembro 25, 2007

ÁGUAS DESEJADAS















Seu cheiro é perceptível.
As folhas se espalham,
E as cigarras cantam.

Todos te desejam.

A terra vermelha sofre com a secagem,
Um pó cobre a lua crescente,
As narinas sentem a ressequidão.
Certas almas ficam secas como o tempo.

Árvores floridas derramam seu colorido,
Deixando as quadras mais belas.
O asfalto preto assume todos os tons,
O gramado fica amarronzado
E inflamável como pólvora.

O sol - ao se pôr no oeste - parece comunista,
Fica vermelho deixando todos encantados
Nesse mundo consumista – capitalista.

O cheiro conhecido vem de longe.
Faz meses, bastante tempo,
Que não mostra sua cara,
Nem permite sentir teu gosto.

Certamente quando chegares muitos vão sofrer.
São os que vivem sem teto,
Sob as pontes e em barracas de lona nas pontas das Asas.

Seu cheiro vem de longe.

Quando chegares o verde voltará,
A esperança desabrochará,
E as flores se espalharam mais ainda.
Começa a primavera.
Logo a secura desse tempo irá,
Deixando o solo mais fértil.

Quem me dera se tuas águas
Levasse da terra a fome,
A hipocrisia dos dominadores,
A dor dos desesperançosos?

Venha com força,
Traga em suas gotas
Um novo tempo,
Traga a floração da vida.
Leve a miséria em tuas águas
Pelos tubos sob as quadras.

Seu cheiro vem de longe.

Muitos querem se banhar em suas águas.
As plantas, os bichos, o vento,
As estrelas, a lua e pessoas
Te esperam ansiosos.

O sol quer se molhar,
Para mais ainda aquecer a terra,
Fertilizando sonhos de uma vida florida para todos.

Venha logo chuva encantada.

quarta-feira, agosto 29, 2007

LABAREDA (25/08)















Olho o céu de mãos caídas
abanando a solidão,
o vento me leva
aos tempos vindouros.

Pulsam olhares marejados,
busca pássaros caminhantes,
podem ser errantes,
certeiros ou derradeiros
no porto inseguro
de minh'alma.

Olhar o passado
iluminado,
apontando incertezas
domina o horizonte.

Nada de chuva, nuvens,
nem tempestades.

O mar me espera,
distante chego lá.

Caminhante solitário
busco galhos para seguir,
sem cair nas armadilhas
dos olhares mirando o céu.

Sigo abanando a solidão,
esperando brasas
brotarem labaredas.

PELÔ (Salvador - 25/08)

Nada existir no tempo,
o vento
o empurra
transformando-lhe
em folhas humanas.

O canto
dos abastados segue.

Prédios renovados,
cantados
no mundo,
imundo,
perdido
da fome
da existência.

Sem ser
nem ter.

Quer viver,
nada mais.

sábado, agosto 18, 2007

Cetro do Rei (18/7 - Belém/PA)















Sensação de sol se pondo,
mesmo sabedor de seu encanto,
logo a beleza da Lua
chegará e a saudade se vai.

Um tempo passado repleto de luzes
e dores do sangue derramado.

O tempo passou, avançou.
Pretensos companheiros no poder,
local e nacional,
vozes que falam e não sentem.

Se um dia sentiram,
impossível saber.

O sol ainda não se pôs,
assim mesmo não vejo
mais parceiros e braços enlaçados
resultados de um tempo
que se foi.

As águas da baia
continuam barrentas,
as crianças daqui da capital,
de Pragominas e do Brasil,
em sua maioria vivem necessidades.

O vento me acalenta.

A solidão do vento me leva,
quantas noites nesta beira de rio,
nessas ruas quentes
animando sonhos,
enquanto nada restou.

Não basta procurar,
não basta chorar,
as vozes não respondem,
impossível imaginar o que sentem.

Querer ter o poder
ser o centro do espaço,
parecendo o canto do cetro do rei,
é o que vejo dos passos nas ruas,
gabinetes e certos lares.

Onde vou cantar
a força do calor do sol
que lentamente se põe,
indo aquecer outros povos
que certamente também desejam flores
e sonham com justiça.

A frieza toma conta
dessa humanidade,
que disto nada tem,
somente deseja o cetro do rei.

terça-feira, julho 03, 2007

Tentação















Passo o tempo
vendo a rua,
canto a lua,
sem dono,
sem grana,
sem documento.

Ando ao relento,
árido no olhar,
seco d'água.

Passo o vento,
vendo o olhar,
canto sem vida,
entrépido calmo,
lento passo,
cantando dor.

Partículas cósmicas,
sons terráqueos,
corações braseiros,
almas carnívoras.

Passo o olhar,
vendo o vento,
canto o tempo,
um passo lento.

Levado ao vento
esvoaçando-se mar,
espumas brancas,
cabelos molhados,
corpos sedentos,
esquálidos ao sol.

Passo vendo
vento tempo,
sem parar,
levando estrelas.

Soleiras à mostra
de olheiras verdes,
cansadas do tempo.

Nada rio,
vendo orvalho,
dormindo nas manhãs,
colhendo paixões,
sempre ávidos,
vendo o vento
sentado ao sol.


44

Quem diria,
aqui cheguei.

Imaginava um caminho mais curto,
onde somente o prazer predominasse.
Tinha um sonho que era pequeno,
acabando cedo.

O tempo fez tudo diferente.
O prazer foi mais intenso,
tanto quanto a dor,
os sorrisos e os choros.
O sol esquentou mais
enquanto a lua permitia
o canto ficar mais encantado.
As estrelas da mesma forma que surgiam,
caiam em desbragada alegria
enquanto os apaixonados faziam pedidos.

As flores que nem conhecia
adentravam em minha alma
deixando sulcos
que talvez
o tempo nunca apague.

Sementes antes híbridas,
brotaram sonhos coletivos.

O tempo passou deixando mais forte
a força de germinar sempre.
Os olhares ficaram mais brilhantes,
as palpebras mais pesadas
de esperança que a dor se vá
deixando em seu lugar
a disposição de sementes boas
brotando nas manhãs.

O tempo enriquece tanto
que nada acabará,
será eterna a fé na luta
do povo que resiste em defesa da vida.

Tudo remoçou o olhar da vida
mais desejada e cantada
nas noites de solidão
e contando estrelas que se foram...

Aqui cheguei
e mais longe irei,
enquanto as flores mais força
adquirem nos sonhos das crianças,
desejosas por um abraço e um beijo,
enquanto pedem esmola
no farol da rodoviária
(de Brasília).
O tempo germina a rebeldia
que fará a vida ser
para todos,
não somente desejos,
não somente sonhos,
mas sempre o amanhã
que virá e fará
a felicidade ser coletiva.

Quem diria,
o tempo passou 44 anos
e um sonho de décadas
permanece:
semear a confiança
na vida,
nas flores,
nas estrelas,
na lua cheia,
no povo conquistando
o amanhã.

Aqui cheguei,
longe,
muito mais longe,
cantarei.

sexta-feira, maio 25, 2007

FLOR MARIANA

















Viver é maravilhoso.
Viver é brotar e brilhar intensamente.
Viver é ser luz, som e encanto.
Viver é ser Mariana.

Mariana que é calor.
Mariana que é amor.
Mariana que é sonho.
Mariana que é Flor.
Mariana que é vida.

Vida cheia de esperança
semeada pelo teu sorriso.

Vida cheia de cores
semeada pela tua alegria.

Vida cheia de força
semeada com tua existência.

Viver um novo dia
é mais maravilhoso
quando teu sorriso
abre um novo tempo.

Viver um novo sonhosempre encantado por tua luz
irradiando mais vida
e crença no brilho espalhado.

Brilhjo de Mariana.
Luz de Mariana.
Encanto de Mariana
que veio das entranhas
dos mais belos e puros
desejos que a humanidade
seja um jardim de paz.

Mariana é flor encantada.
Mariana é a direção da vida.

Mariana, minha Mariana,
livre e leve,
bela e forte,
linda e iluminada,
entada e brilhante.

Mariana tua riqueza é eterna,
tua energia é universal,
tua luz é o caminho
da vida e de conquistas.

segunda-feira, maio 14, 2007

FRIO PREOCUPANTE

Pedro César Batista

Certo dia, depois de sair de uma licença médica de duas semanas, fui acometido por um profundo e assustador sentimento de impotência diante da insensibilidade da juventude nos dia atuais.

Como privilegiado que sou retornei às aulas da faculdade. Agora, curso direito. Não que eu seja uma pessoa torta. Optei por esse curso por me considerar uma pessoa sensata e preocupada com a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Advogando poderei ser mais útil à sociedade, especialmente aos mais necessitados. Não tenho o interesse em ser juiz, procurador em nenhuma escala ou delegado de qualquer polícia. Não tenho pretensão em fazer concurso público. Pretendo exercer essa profissão utilizando-a como uma ferramenta concreta na defesa do Direito. Direito tão distante e usurpado da maioria do povo.

Deixando essas coisas de opções pessoais de lado, a finalidade deste artigo é falar do susto que tomei. Durante uma aula de Direito Civil I, perguntei para a professora, em voz alta, como é meu costume, qual procedimento deveria ter para justificar minha ausência durante 15 dias, pois faria uma cirurgia e teria que me afastar das aulas. A professora, chamada Ana, lembra uma “tia”, como as crianças costumam chamar seus professores, graças ao método que ela utiliza em sala, secamente, respondeu-me que deveria procurar a coordenação de curso e obter a informação que estava pedindo.

Depois da cirurgia, quando tudo transcorreu bem, retornei a sala de aula. São aproximadamente 60 alunos. Sentei e ninguém se interessou em saber como havia sido a internação, o tratamento, o que tinha ocorrido, qualquer coisa relacionada à minha ausência da sala naquelas duas semanas. Apenas dois colegas fizeram-me perguntas e desejaram saúde, atitude que deveria ser comum a todas as pessoas com um mínimo de educação, independente do nível de relacionamento que essas pessoas possuam. A frieza da turma e da “tia” Ana deixou-me assustado. Porque será?

No dia seguinte, em outra turma que estuda Teoria Geral do Processo, aconteceu o oposto, o professor Mário e meus colegas chegaram a fazer circulo ao meu redor para saber como estava depois da cirurgia. Fiquei pensando o motivo daquela contradição. Talvez seja o método utilizado em aula pelos professores, enquanto uma aplica a discórdia, a competição e o terror como método, a aula do outro se dava com entrosamento e respeito entre alunos e o professor.

Se estudantes e docentes de nível superior são tão frios com seus colegas, preocupa-me qual será o comportamento desses profissionais quando forem advogados, juízes, delegados e promotores. Será que terão como parâmetro a efetivação do direito ou apenas a satisfação pessoal de seus interesses, nesse mundo onde o salve-se-quem-puder somente avança?

O futuro da humanidade será bem melhor se repensarmos a nossa prática cotidiana, sabendo que o cuidar do universo passa pelo cuidado e a relação entre as pessoas, à natureza e o planeta, principalmente com os que tiveram o privilégio de serem privilegiados nesse mundo repleto de injustiças e exclusões.